Não contes a história macabra do que aconteceu à filha da porteira da tia da vizinha. Provavelmente, nem foi bem assim.
Não fales de números por alto, nem do que ouviste dizer. Vai pesquisar nos documentos oficiais da Organização Mundial da Saúde, da Unicef, da União Europeia, do Ministério da Saúde.
Conta a tua história como ela aconteceu, sem floreados nem exageros.
Parir dói. Demora. Transpira. Suja. Mas também é bonito e na maioria das vezes corre bem.
É por isso que estamos cá hoje.
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terça-feira, 22 de abril de 2014
sexta-feira, 4 de abril de 2014
Contributos para a comissão para a natalidade I
Está mal. Não fui convidada para fazer parte da comissão para a natalidade, recentemente constituída, eu que penso há tanto tempo no difícil que é ser mãe neste país. Mas felizmente a minha colega Cuca enviou-me uma entrevista ao Público em que o professor Joaquim Azevedo
explica:
“A ideia é fazer uma proposta de política que seja coerente e também adaptada ao contexto em que vivemos.”
Obrigada, Cuca!
É por isto que está mal não me terem convidado, porque eu
vivo mesmo neste contexto. Isto é, apesar de ser uma privilegiada por ter um emprego
mesmo fixe, de ser uma privilegiada por ter um marido que é trabalhador
independente mas que ainda assim vai conseguindo cobrar, por ser uma
privilegiada por ter já 2 filhos, sinto-me neste momento impedida pelo
contexto de ter o terceiro filho.
Bom, em vez de me queixar, e dizer que as casas não esticam,
os orçamentos encolhem, blabláblá, tenho uma proposta sistémica. Assim:
1. Apoiar
financeiramente ou através de incentivos fiscais, as empresas que empreguem, ou
tenham como empregadas, mulheres com filhos. Por cada filho que uma empregada
tenha, a empresa que a emprega deve ganhar um bónus. Esta discriminação
positiva resolverá o problema da empregabilidade e do valor de mercado das
mulheres com filhos. A mulher com filhos deixará de ser um peso na empresa mas
uma ajuda real à sua tesouraria.
2. Como ter um filho passa a ser um fator competitivo, reduz-se drasticamente o risco de pobreza das famílias com crianças que era, da última vez que vi, mais do dobro do que o risco de pobreza das famílias sem crianças. Quanto mais filhos uma mulher tiver, mais competitiva se torna para o mercado de trabalho.
3. Como as empresas passam a ter mais dinheiro por cada filho que cada empregada gera, esse valor pode ser empregue na contratação de mais pessoas que possam contribuir para o desenvolvimento das tarefas das mães, sobretudo quando as mães têm de se ausentar no primeiro ano pelas maleitas dos filhos.
2. Como ter um filho passa a ser um fator competitivo, reduz-se drasticamente o risco de pobreza das famílias com crianças que era, da última vez que vi, mais do dobro do que o risco de pobreza das famílias sem crianças. Quanto mais filhos uma mulher tiver, mais competitiva se torna para o mercado de trabalho.
3. Como as empresas passam a ter mais dinheiro por cada filho que cada empregada gera, esse valor pode ser empregue na contratação de mais pessoas que possam contribuir para o desenvolvimento das tarefas das mães, sobretudo quando as mães têm de se ausentar no primeiro ano pelas maleitas dos filhos.
Uau! Acabámos de diminuir o desemprego e fizemos mais
filhos!
Amanhã há mais!
quinta-feira, 18 de julho de 2013
Factos sobre a vida para a Margarida e a Melanie
Facto 2: Depois da tempestade vem mesmo a bonança, que é um tempo calmo, mas de ansiedade, em que cada toque de telefone ainda nos faz saltar da cadeira porque achamos ainda que é mais uma notícia terrível que nos vão contar.
Facto 3: Depois da bonança chegam as coisas boas em catadupa e só falta acreditarmos que vai ser sempre assim para ficarmos felizes.
Nota para o futuro: é preciso chorar muito para ficar bem.
Agradecimentos: aos dois bebés novos da família, aos empregos e às possibilidades novas, aos que nunca nos deixam cair mesmo quando temos vontade de nos deixarmos ir abaixo.
quarta-feira, 8 de maio de 2013
Portugal entre os melhores para ser mãe. Será?
Portugal entre os melhores países do mundo para se ser mãe. Este é o título da notícia publicada ontem no Público a propósito do relatório da Save the Children, que coloca Portugal na 13ª posição, de um conjunto de 176 países.
O relatório chama-se "Sobreviver ao primeiro dia - o estado das mães no mundo em 2013." O relatório está disponível on-line e ao lê-lo dá para perceber que os critérios valorizados são as condições de nascimento, o apoio às mães, os cuidados de saúde materna e infantil. Não tenhamos dúvidas: Portugal fez um caminho extraordinário e hoje a mortalidade infantil é muito reduzida, as mortes por complicações no pós-parto são praticamente inexistentes. O sistema de saúde nacional funciona bastante bem para mulheres e crianças. Tudo isto é maravilhoso. Mas é muito diferente de Portugal ser o 13º melhor país para ser mãe.
O envolvimento das mulheres em Portugal no mercado de trabalho é, segundo o Eurostat, superior à média europeia e isto, digo eu, está mais relacionado com os salários baixos do que com a vontade de não nos dedicarmos à família. A remuneração das mulheres em Portugal é em média inferior à dos homens que ocupam funções semelhantes. A rede pré-escolar não cobre todas as necessidades (e falarei disto, na primeira pessoa, muito em breve), sendo inexistente antes dos 3 anos. Ah, há também os preconceitos que dificultam a empregabilidade das mães e aquela coisa estranhíssima de uma pessoa querer cumprir o horário de trabalho para ir buscar os filhos à escola que está quase a fechar.
Ser mãe é mais que parir. Felizmente que em Portugal podemos dar à luz em excelentes condições. Mas falta o que se segue.
O relatório chama-se "Sobreviver ao primeiro dia - o estado das mães no mundo em 2013." O relatório está disponível on-line e ao lê-lo dá para perceber que os critérios valorizados são as condições de nascimento, o apoio às mães, os cuidados de saúde materna e infantil. Não tenhamos dúvidas: Portugal fez um caminho extraordinário e hoje a mortalidade infantil é muito reduzida, as mortes por complicações no pós-parto são praticamente inexistentes. O sistema de saúde nacional funciona bastante bem para mulheres e crianças. Tudo isto é maravilhoso. Mas é muito diferente de Portugal ser o 13º melhor país para ser mãe.
O envolvimento das mulheres em Portugal no mercado de trabalho é, segundo o Eurostat, superior à média europeia e isto, digo eu, está mais relacionado com os salários baixos do que com a vontade de não nos dedicarmos à família. A remuneração das mulheres em Portugal é em média inferior à dos homens que ocupam funções semelhantes. A rede pré-escolar não cobre todas as necessidades (e falarei disto, na primeira pessoa, muito em breve), sendo inexistente antes dos 3 anos. Ah, há também os preconceitos que dificultam a empregabilidade das mães e aquela coisa estranhíssima de uma pessoa querer cumprir o horário de trabalho para ir buscar os filhos à escola que está quase a fechar.
Ser mãe é mais que parir. Felizmente que em Portugal podemos dar à luz em excelentes condições. Mas falta o que se segue.
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
Alimentação: educar para viver melhor
O peso a mais e a obesidade combatem-se desde a mais tenra idade. É urgente educar as crianças para os sabores saudáveis.
O Henrique tem 11 meses e já ninguém duvida da sua vontade de crescer: pesa 12 quilos, mede quase 80 centímetros e só cabe em roupas de 2 anos. É mais ou menos do mesmo tamanho que o primo, com mais um ano, e quem os vir sentados não acredita que a diferença de idades seja tão grande.
Há muitos mais fatores que levam à obesidade infantil: nascer com peso superior a 3,500 kg, andar sempre de carro, brincar só em casa, ver muita televisão e as condicionantes de herança genética. Mas estas parecem ser as variáveis, o denominador comum, sempre que se fala de excesso de peso, é a falta de qualidade da alimentação. Um exemplo absurdo serve para mostrar esta evidência: ninguém engorda, por mais sedentário que seja, se comer sempre e só alface. Em linguagem académica, podemos dizer que o excesso de peso começa quando a ingestão de calorias ultrapassa regularmente o consumo energético.
Certo é que há cada vez mais gordos entre nós e cada vez mais crianças com peso a mais. A obesidade infantil já é considerada uma epidemia mundial por afetar tantos milhões de crianças e a diretora-geral da Organização Mundial de Saúde, Margaret Chan, referiu-se a esta geração como “a primeira que vai viver mais doente e menos tempo do que os seus pais”.
Segundo vários estudos citados por Sandrina Gaspar Carvalho, no seu artigo Obesidade infantil, a epidemia do século XXI – revisão da literatura sobre estratégias de prevenção, 2009 –, a persistência da obesidade “no início da idade adulta poderá diminuir a esperança de vida de cinco a vinte anos”, em consequência de todas as doenças associadas ao peso excessivo, como a diabetes ou as doenças cardiovasculares. E o grave é que “60% das crianças obesas permanecem adultos obesos”.
É preciso atuar agora. Ensinar a comer. Em fevereiro de 2010, Jamie Oliver denunciou a situação da má nutrição das crianças americanas e inglesas, na conferência dos TED Awards (conjunto global de conferências onde pessoas destacáveis em várias áreas partilham as suas ideias e experiências), na Califórnia. O cozinheiro mais popular da Grã-Bretanha aponta como problemas graves a incapacidade de comer corretamente e a dificuldade em cozinhar de forma apropriada. Fala do conceito de “paisagem alimentar” para explicar que a herança que as últimas quatro gerações têm passado às suas crianças não inclui alimentação saudável nem ensinamentos de cozinha. A solução passa por todos, incluindo as grandes marcas alimentares: a educação alimentar tem de ser uma prioridade. E, na escola, há duas coisas a fazer: oferecer refeições equilibradas todos os dias e fazer com que os jovens terminem a escolaridade sabendo cozinhar “dez receitas que lhes vão salvar a vida”.
Alguns estudos recentes na área do comportamento alimentar parecem corroborar esta ideia de “paisagem alimentar” como uma influência decisiva nas escolhas alimentares das crianças. A pressão do meio ambiente é decisiva para a população em geral (e por isso Jamie Oliver fala das grandes cadeias alimentares) como as disponibilidades no frigorífico ou na despensa de casa são fundamentais para cada criança, cada pessoa.
O Journal of Nutrition Education and Behavior publicou já este ano os resultados de um estudo sobre a exposição das crianças a alimentos saudáveis, nomeadamente aos vegetais, que referem que as que estão habituadas a ver diariamente no prato legumes e saladas consomem-nos com mais facilidade do que aquelas que desconhecem ou têm pouco contacto com essa classe de alimentos.
Os chefes da cozinha de pesquisa vêm falando disto há anos, embora a preocupação esteja mais ligada às questões da memória gustativa do que às nutritivas. Mas quando andam à procura dos sabores de antigamente, demonstram um saber empírico sobre a importância da infância na fixação dos nossos gostos alimentares. Se desde pequenas as crianças forem habituadas a comer maus alimentos, a probabilidade de eles serem a parte fundamental da dieta de adulto é muito grande. Se lhes for sempre oferecida sopa, fruta, salada e pratos confecionados com rigor nutritivo vão ser esses os componentes da sua alimentação no futuro. Ao darmos uma dieta saudável aos nossos filhos, estamos a favorecer-lhes a saúde e a oferecer-lhes mais anos de vida.
O QUE DIZEM OS NÚMEROS
. O excesso de peso em larga escala começou a ser detetado há 30 anos.
. No mundo, há hoje 42 milhões de crianças com menos de 5 anos com peso a mais.
. 35 milhões dessas crianças gordas vivem em países em desenvolvimento.
. Portugal está entre os países europeus com maior número de crianças com excesso de peso.
. Mais de 30% das crianças entre os 7 e 9 anos tem excesso de peso ou é obesa, segundo um artigo do Serviço de Pediatria do Hospital do Espírito Santo, de Évora.
. Entre os 10 e os 18 anos, a percentagem é de 31%, de acordo com o livro da dietista Joana Sousa, Obesidade Infanto-juvenil em Portugal.
Saiba mais na Máxima.

O Henrique tem 11 meses e já ninguém duvida da sua vontade de crescer: pesa 12 quilos, mede quase 80 centímetros e só cabe em roupas de 2 anos. É mais ou menos do mesmo tamanho que o primo, com mais um ano, e quem os vir sentados não acredita que a diferença de idades seja tão grande.
“O Henrique não foi sempre assim”, diz a mãe, Sofia Alves, professora. “Nasceu pequenino, com 2,100 kg. A tabela de percentil nem sequer considerava o peso dele. O ser tão pequeno chocou-me muito. Comecei a dar-lhe o biberão ao mínimo choro e ele cresceu a olhos vistos. Agora o pediatra fala em fazer dieta, mas custa-me dar-lhe menos comida. Racionalmente, percebo o que se passa, mas continuo a ter muito medo que volte a ficar pequenino.”O Henrique pode ser mais um caso de estudo para a teoria da reprogramação, segundo a qual as hormonas do crescimento e o metabolismo sofrem alterações para se adaptarem ao meio numa fase precoce do desenvolvimento, como a vida in utero ou a infância, alterações essas que ficam inscritas no corpo para sempre. Segundo esta teoria, os recém-nascidos de baixo peso (menos de 2500 gramas) têm tendência a ser obesos, porque a falta de nutrientes disponíveis durante a gravidez leva a que o feto diminua as suas necessidades de alimento para se desenvolver (Sofia Alves conta que fez uma dieta rigorosa, não definida pelo médico, porque “não queria engordar” e acabou por quase não ganhar peso). Quando o bebé, que estava habituado a poupar energia e por isso nasce pequenino, é exposto a um ambiente externo de abundância, acaba por comer muito mais do que necessita e torna-se rapidamente um bebé obeso.
Há muitos mais fatores que levam à obesidade infantil: nascer com peso superior a 3,500 kg, andar sempre de carro, brincar só em casa, ver muita televisão e as condicionantes de herança genética. Mas estas parecem ser as variáveis, o denominador comum, sempre que se fala de excesso de peso, é a falta de qualidade da alimentação. Um exemplo absurdo serve para mostrar esta evidência: ninguém engorda, por mais sedentário que seja, se comer sempre e só alface. Em linguagem académica, podemos dizer que o excesso de peso começa quando a ingestão de calorias ultrapassa regularmente o consumo energético.
Certo é que há cada vez mais gordos entre nós e cada vez mais crianças com peso a mais. A obesidade infantil já é considerada uma epidemia mundial por afetar tantos milhões de crianças e a diretora-geral da Organização Mundial de Saúde, Margaret Chan, referiu-se a esta geração como “a primeira que vai viver mais doente e menos tempo do que os seus pais”.
Segundo vários estudos citados por Sandrina Gaspar Carvalho, no seu artigo Obesidade infantil, a epidemia do século XXI – revisão da literatura sobre estratégias de prevenção, 2009 –, a persistência da obesidade “no início da idade adulta poderá diminuir a esperança de vida de cinco a vinte anos”, em consequência de todas as doenças associadas ao peso excessivo, como a diabetes ou as doenças cardiovasculares. E o grave é que “60% das crianças obesas permanecem adultos obesos”.
É preciso atuar agora. Ensinar a comer. Em fevereiro de 2010, Jamie Oliver denunciou a situação da má nutrição das crianças americanas e inglesas, na conferência dos TED Awards (conjunto global de conferências onde pessoas destacáveis em várias áreas partilham as suas ideias e experiências), na Califórnia. O cozinheiro mais popular da Grã-Bretanha aponta como problemas graves a incapacidade de comer corretamente e a dificuldade em cozinhar de forma apropriada. Fala do conceito de “paisagem alimentar” para explicar que a herança que as últimas quatro gerações têm passado às suas crianças não inclui alimentação saudável nem ensinamentos de cozinha. A solução passa por todos, incluindo as grandes marcas alimentares: a educação alimentar tem de ser uma prioridade. E, na escola, há duas coisas a fazer: oferecer refeições equilibradas todos os dias e fazer com que os jovens terminem a escolaridade sabendo cozinhar “dez receitas que lhes vão salvar a vida”.
Alguns estudos recentes na área do comportamento alimentar parecem corroborar esta ideia de “paisagem alimentar” como uma influência decisiva nas escolhas alimentares das crianças. A pressão do meio ambiente é decisiva para a população em geral (e por isso Jamie Oliver fala das grandes cadeias alimentares) como as disponibilidades no frigorífico ou na despensa de casa são fundamentais para cada criança, cada pessoa.
O Journal of Nutrition Education and Behavior publicou já este ano os resultados de um estudo sobre a exposição das crianças a alimentos saudáveis, nomeadamente aos vegetais, que referem que as que estão habituadas a ver diariamente no prato legumes e saladas consomem-nos com mais facilidade do que aquelas que desconhecem ou têm pouco contacto com essa classe de alimentos.
Os chefes da cozinha de pesquisa vêm falando disto há anos, embora a preocupação esteja mais ligada às questões da memória gustativa do que às nutritivas. Mas quando andam à procura dos sabores de antigamente, demonstram um saber empírico sobre a importância da infância na fixação dos nossos gostos alimentares. Se desde pequenas as crianças forem habituadas a comer maus alimentos, a probabilidade de eles serem a parte fundamental da dieta de adulto é muito grande. Se lhes for sempre oferecida sopa, fruta, salada e pratos confecionados com rigor nutritivo vão ser esses os componentes da sua alimentação no futuro. Ao darmos uma dieta saudável aos nossos filhos, estamos a favorecer-lhes a saúde e a oferecer-lhes mais anos de vida.
O QUE DIZEM OS NÚMEROS
. O excesso de peso em larga escala começou a ser detetado há 30 anos.
. No mundo, há hoje 42 milhões de crianças com menos de 5 anos com peso a mais.
. 35 milhões dessas crianças gordas vivem em países em desenvolvimento.
. Portugal está entre os países europeus com maior número de crianças com excesso de peso.
. Mais de 30% das crianças entre os 7 e 9 anos tem excesso de peso ou é obesa, segundo um artigo do Serviço de Pediatria do Hospital do Espírito Santo, de Évora.
. Entre os 10 e os 18 anos, a percentagem é de 31%, de acordo com o livro da dietista Joana Sousa, Obesidade Infanto-juvenil em Portugal.
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segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Vou ter um bebé na austrália no fórum da TSF
De repente, voltámos ao activo, em directo, no Fórum da TSF. A partir do minuto 17 da segunda parte.
http://www.tsf.pt/paginainicial/AudioeVideo.aspx?content_id=2866045
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quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Três quilos e meio de gente, outra vez
Já estamos em casa e tão bem, tão bem, tão bem, que nem parece que me nasceu uma menina grande de parto natural. Mas foi! Mais adiante contarei pormenores. Agora vou tratar das crias!
terça-feira, 5 de julho de 2011
Muitas vezes dou por mim espantada por já ser mãe. Por ser tão crescida que já sou capaz de criar uma criança. E agora, com espanto meu, vou criar mais uma. Estes são os relâmpagos, que não aparecem só porque há tempestade. Por vezes aparecem no auge da felicidade. Depois olho para o X e ele diz-me que sou capaz de fazer isto, de ser mãe e outra vez. Sem dizer nada.
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Nascer na MAC ou onde calhar?
Com o fecho da Maternidade do Hospital D. Estefânia (MHDE), resolvi marcar consulta na MAC, mesmo se o SNS me continua a dar como centro de referência o hospital das criancinhas... Não faz sentido para mim que as consultas de referência sejam num lugar diferente daquele destinado ao parto, por isso telefonei para a MAC e pedi para ser seguida ali. O desejo foi facilmente concedido ao telefone por pessoal muito simpático. Pensei que só por esta simpatia já valia a pena a mudança - foi algo muito diferente do atendimento que me foi dado pelos administrativos sempre que contactei com a MHDE, bastando lembrar a última abordagem pelo telefone em que ouvi "E muita sorte tem a senhora por ainda ter consulta aqui." Na verdade, deixou-me muito mais descansada.
Fui a semana passada fazer a visita à MAC. Um grupo de grávidas, entre as quais eu, e alguns maridos tivemos oportunidade de ter uma visita guiada por uma enfermeira, como é procedimento habitual naquele hospital. Vimos o espaço das consultas, a entrada pelas urgências, as salas de partos, as enfermarias, a sala de amamentação. As minhas impressões sobre a MAC dividem-se, assim como as minhas opiniões em relação ao fecho da MHDE.
Na MAC,as urgências e salas de partos são modernas; o pessoal é simpático e humano. Há protocolos bons para as mães, como a colocação do bebé ao colo, o recobro na sala de parto, segundo o que a enfermeira guia descreveu. Depois, as enfermarias são assustadoras, muito assustadoras, apinhadas de camas, sem segurança electrónica para os bebés, com casas de banho afastadíssimas de alguns dos quartos múltiplos, não há cantina. Paredes, portas, janelas, escadas e elevadores estão a cair de podres.
Tanta história por causa da junção dos serviços dos dois hospitais para optimizar o serviço e os funcionários e afinal no dia que visitámos a MAC não havia pessoal para o espaço de apoio à amamentação, pelo que estava fechado. Quando lá entrámos tocava um telefone e ninguém o atendeu. Azar para a senhora com problemas nas maminhas no outro lado da linha... Mas temos todas de amamentar os putos até aos 2 anos!
A consulta de referência na MAC é às 38 semanas. Será que as criancinhas todas nascem agora de 42 semanas como o meu primeiro filho?
Na MHDE, onde tudo era moderno, havia segurança electrónica para os bebés, para que as mães pudessem ir, por exemplo, à casa-de-banho descansadas, ou almoçar à cantina no piso descansadas. Não percebo uma coisa simples: porque é que um bloco de maternidade inaugurado em 2001 fecha 10 anos depois quando dispunha de condições físicas excelentes? É certo que o pessoal administrativo e algum médico eram umas bestas, mas parece que se corre o risco de levar com eles na MAC.
A consulta de referência na MHDE era às 36 semanas, conforme recomendam todas as leituras que fiz até hoje. Digamos que nos tempos que correm, em que tanta gente deixa de ter obstetra privado, era capaz de fazer mais sentido antecipar as consultas com os especialistas do que adiá-las para as 38.
Podem explicar-me porque é que se prefere apinhar mais pessoas numas instalações decadentes, antes de fazer as obras que tão evidentemente precisam? Porque é que não se prefere redireccionar utentes para os blocos e as enfermarias melhor equipados, mais confortáveis, mais amigos do pós-parto? Eu olhava para as enfermarias e pensava "Eu vou é para o Francisco Xavier."
E quando se der sobrelotação da MAC o que é que vai acontecer a quem ficar de fora? Vamos parir nos corredores? Ou mandam-nos para casa e seja o que deus quiser?
Fui a semana passada fazer a visita à MAC. Um grupo de grávidas, entre as quais eu, e alguns maridos tivemos oportunidade de ter uma visita guiada por uma enfermeira, como é procedimento habitual naquele hospital. Vimos o espaço das consultas, a entrada pelas urgências, as salas de partos, as enfermarias, a sala de amamentação. As minhas impressões sobre a MAC dividem-se, assim como as minhas opiniões em relação ao fecho da MHDE.
Na MAC,as urgências e salas de partos são modernas; o pessoal é simpático e humano. Há protocolos bons para as mães, como a colocação do bebé ao colo, o recobro na sala de parto, segundo o que a enfermeira guia descreveu. Depois, as enfermarias são assustadoras, muito assustadoras, apinhadas de camas, sem segurança electrónica para os bebés, com casas de banho afastadíssimas de alguns dos quartos múltiplos, não há cantina. Paredes, portas, janelas, escadas e elevadores estão a cair de podres.
Tanta história por causa da junção dos serviços dos dois hospitais para optimizar o serviço e os funcionários e afinal no dia que visitámos a MAC não havia pessoal para o espaço de apoio à amamentação, pelo que estava fechado. Quando lá entrámos tocava um telefone e ninguém o atendeu. Azar para a senhora com problemas nas maminhas no outro lado da linha... Mas temos todas de amamentar os putos até aos 2 anos!
A consulta de referência na MAC é às 38 semanas. Será que as criancinhas todas nascem agora de 42 semanas como o meu primeiro filho?
Na MHDE, onde tudo era moderno, havia segurança electrónica para os bebés, para que as mães pudessem ir, por exemplo, à casa-de-banho descansadas, ou almoçar à cantina no piso descansadas. Não percebo uma coisa simples: porque é que um bloco de maternidade inaugurado em 2001 fecha 10 anos depois quando dispunha de condições físicas excelentes? É certo que o pessoal administrativo e algum médico eram umas bestas, mas parece que se corre o risco de levar com eles na MAC.
A consulta de referência na MHDE era às 36 semanas, conforme recomendam todas as leituras que fiz até hoje. Digamos que nos tempos que correm, em que tanta gente deixa de ter obstetra privado, era capaz de fazer mais sentido antecipar as consultas com os especialistas do que adiá-las para as 38.
Podem explicar-me porque é que se prefere apinhar mais pessoas numas instalações decadentes, antes de fazer as obras que tão evidentemente precisam? Porque é que não se prefere redireccionar utentes para os blocos e as enfermarias melhor equipados, mais confortáveis, mais amigos do pós-parto? Eu olhava para as enfermarias e pensava "Eu vou é para o Francisco Xavier."
E quando se der sobrelotação da MAC o que é que vai acontecer a quem ficar de fora? Vamos parir nos corredores? Ou mandam-nos para casa e seja o que deus quiser?
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sexta-feira, 6 de maio de 2011
As novidades que todos querem, verdade?
A contrariar a má disposição com que ando, fruto de um pessimismo que não me é habitual, venho aqui escrever um texto para dar as novidades mais importantes - estas sim são boas!
A cria que está na minha barriga é uma miúda! E sim, está a família toda em pulgas por termos um casalinho... Apesar de querer muito acreditar que a roupa do X servirá à criatura, e de repetir constantemente que é imoral não aproveitar o que temos, já me ando a derreter com as pecinhas de roupa. Ontem na H&M quase comprava uma t-shirt com lacinhos... mas resisti!
Já entrei no terceiro trimestre!!! Com tanto rebuliço na minha vida, esta gravidez parece que está a passar depressa.
A miúda que aí vem é grandalhona e a piscina que a envolve é adequada, o que quer dizer que já tenho uma barriga desmesurada e ela nada, nada, nada constantemente.
Como se vê fui atacada pelo micróbio da maternidade e estou quase a transformar-me numa baby blogger a sério. Mas resisto! Não porei fotografias, nem falarei do meu peso, nem do percentil. Querida mãe preocupada, estás neste momento a fazer de anjinho da minha consciência. Obrigada!
A cria que está na minha barriga é uma miúda! E sim, está a família toda em pulgas por termos um casalinho... Apesar de querer muito acreditar que a roupa do X servirá à criatura, e de repetir constantemente que é imoral não aproveitar o que temos, já me ando a derreter com as pecinhas de roupa. Ontem na H&M quase comprava uma t-shirt com lacinhos... mas resisti!
Já entrei no terceiro trimestre!!! Com tanto rebuliço na minha vida, esta gravidez parece que está a passar depressa.
A miúda que aí vem é grandalhona e a piscina que a envolve é adequada, o que quer dizer que já tenho uma barriga desmesurada e ela nada, nada, nada constantemente.
Como se vê fui atacada pelo micróbio da maternidade e estou quase a transformar-me numa baby blogger a sério. Mas resisto! Não porei fotografias, nem falarei do meu peso, nem do percentil. Querida mãe preocupada, estás neste momento a fazer de anjinho da minha consciência. Obrigada!
domingo, 27 de março de 2011
Obrigações
Hei-de obrigar os meus filhos a olhar para o tecto. Hei-de ensiná-los a não fazer nada. Hei-de ajudá-los a descobrir que é bom não ter ocupação de vez em quando. Hei-de de explicar-lhes que a poesia é o mais importante na vida, porque é inútil e não nos serve para outra coisa que para pensar.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
As psicólogas baratas
Fui à reunião com a psicóloga da creche, que era na verdade uma palestra sobre a importância dos limites a impor às criancinhas. Descobri que há uma fórmula perfeita para as educar. Eram uns dez mandamentos sobre a importância da coerência, da autoridade, mas não do autoritarismo, da liberdade e de mais uns quantos chavões.
Gostei muito da frase "a criança não precisa de tios, nem de amigos, mas precisa de pais." Esqueceram-se foi de explicar o que é isso de ser pais e quando eu perguntei, a resposta ficou por dar...
Ah, a tabela da felicidade e da educação perfeita era perfeita! Quando eu não tiver excesso de trabalho, falta de dinheiro, cansaço crónico, ou por outra, quando eu conseguir dormir todas as horas que preciso, passar mais tempo em casa e quando lá chegar tiver tudo pronto da limpeza doméstica ao jantar... quando as preocupações com a família forem estrictamente mononucleares... bom nessa altura, vou conseguir cumprir a tabela da felicidade à risca! E vou ser a mãe perfeita.
Até lá... não quero saber de psicologia barata. Faço o que posso.
Gostei muito da frase "a criança não precisa de tios, nem de amigos, mas precisa de pais." Esqueceram-se foi de explicar o que é isso de ser pais e quando eu perguntei, a resposta ficou por dar...
Ah, a tabela da felicidade e da educação perfeita era perfeita! Quando eu não tiver excesso de trabalho, falta de dinheiro, cansaço crónico, ou por outra, quando eu conseguir dormir todas as horas que preciso, passar mais tempo em casa e quando lá chegar tiver tudo pronto da limpeza doméstica ao jantar... quando as preocupações com a família forem estrictamente mononucleares... bom nessa altura, vou conseguir cumprir a tabela da felicidade à risca! E vou ser a mãe perfeita.
Até lá... não quero saber de psicologia barata. Faço o que posso.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Pontaria para Abril
O universo da maternidade é sempre surpreendente. Soube há pouco tempo que “se estás a pensar ter filhos faz pontaria para Abril.” Como assim? Isso mesmo! Os amigos que me disseram isto esperam o segundo filho, para Janeiro. E apesar de já terem um filho a frequentar uma creche, esta instituição não vai acolher a criança mais nova até ser Setembro. A licença de maternidade para esta mãe será de cinco meses. O que é que ela vai fazer entre Julho e Setembro com a criança? Vai ter um problema, porque nem na creche do filho mais velho nem nenhuma outra (IPSS) lhe garantem a guarda da criança durante as seis horas que deverá trabalhar cada dia de semana entre Julho e Setembro...
Os pais da nossa geração estão cada vez menos disponíveis para ajudar a criar os nossos filhos. Ainda trabalham, moram longe, estão doentes ou estão mortos. Nós temos de trabalhar porque um só salário não chega (às vezes não chegam 2 para que as pessoas saiam da pobreza). E não há resposta social adequada para casos simples como este: uma criança desejada que nasce antes do tempo.
Os pais da nossa geração estão cada vez menos disponíveis para ajudar a criar os nossos filhos. Ainda trabalham, moram longe, estão doentes ou estão mortos. Nós temos de trabalhar porque um só salário não chega (às vezes não chegam 2 para que as pessoas saiam da pobreza). E não há resposta social adequada para casos simples como este: uma criança desejada que nasce antes do tempo.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Orçamento de Estado 2011 obriga bebés a tirar cartão do cidadão
O texto integral desta notícia pode ser lido aqui. O resumo é: Os bebés vão ser obrigados a tirar o cartão do cidadão, para poderem ser considerados dependentes dos pais, para efeitos de declaração de rendimentos. Caso contrário, adeus rendimentos. Ah! O cartão passou a ser pago. Ehehehehe! Adoro o meu país!
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Lindos os dias
Lindos os dias que me começam a contar histórias no pátio da escola dele. E todos os miúdos vêm para ouvir. E eu recebo um beijo de cada, quando me vou embora.
terça-feira, 1 de junho de 2010
Feliz Dia da Criança?
Está nas bancas a Máxima Interiores de Junho com um dossier sobre Casas com Crianças. Reproduzo aqui a versão integral da entrevista realizada por mim à Presidente da APSI, Sandra Nascimento. Curiosamente, a entrevista foi gravada um dia depois de ir dar com o meu filho debruçado na janela...
Quantas crianças já caíram de varandas?
O ano passado foi uma desgraça. Caíram imensas de janelas e algumas ficaram com consequências graves, ficando muitas em coma. Não conseguimos depois fazer o seguimentos dos casos, porque as bases de dados oficiais dão-nos pouca informação. Trabalhamos muito pelos dados da imprensa.
Qual é o maior perigo nas casa?
Depende se falamos de gravidade ou frequência. Os acidentes mais frequentes são as quedas. As quedas de altura são as mais graves. Quedas de janelas, varandas, terraços, algumas delas com consequências mortais. E as quedas de escadas. Estas são as que têm maior probabilidade de ter consequências graves.
Os perigos são iguais em todas as idades?
Nas crianças mais pequenas (até aos cinco anos) a maioria dos acidentes acontece em casa, que é o ambiente em que as pessoas confiam mais.
Há contextos específicos para que os acidentes ocorram?
Os dados que temos dizem que a maioria dos acidentes ocorre com um adulto por perto. O adulto está mesmo ali, mas porque não há outras medidas de construção, arquitectura ou organização que potenciem a sua função os acidentes ocorrem. A vigilância é fundamental. O problema é que há demasiada confiança na vigilância. Não há super pais nem super mães e é impossível estarmos sempre com os olhos colocados sobre a criança. A construção deve existir em concomitância com a vigilância.
Há uma casa 100% segura?
Não. Mas há medidas que se podem tomar. O conceito é sempre atrasar o acesso da criança, dificultar o acesso da criança. Protectores de tomadas e tampas difíceis de produtos tóxicos têm essa função. Se a criança tiver tempo, mais cedo ou mais tarde vai conseguir ultrapassar. Nós sabemos que uma criança de 3 ou 4 anos já consegue subir a maior parte das guardas e das vedações que existem, não só por uma questão de habilidade motora como por poderem agarrar cadeiras, bancos.
Quais são as medidas mais urgentes?
Guardas para varandas, com 1,10m de altura, cujas aberturas não devem ter mais de 10 cm e com uma estrutura contínua sem elementos para apoio de pés. Como não é possível evitar acidentes, a ideia é atrasar o mais possível.
Mas colocar guardas em varandas pode originar conflitos com o condomínio. É frequente não se perceber que as razões de segurança se devem sobrepor a qualquer razão estética?
Sim. Os próprios profissionais ligados ao projecto, à arquitectura, têm alguma resistência. Na formação de base não existe uma preocupação relativamente aos dados antropométricos das crianças, nem à forma como elas utilizam o espaço. As medidas recomendadas para as guardas, por exemplo, estão intimamente relacionadas com o tamanho da cabeça, a altura. Continuamos a ver construções novas que por razões estéticas e financeiras não consideram estas questões.
As acções de formação da APSI nesta área, constam de quê?
O objectivo é sensibilizar para os riscos do elemento construído e como é que a criança explora e partilhar boas práticas e dar orientações no sentido de que desde o projecto à fiscalização se deve intervir no sentido de identificar os riscos.
Medidas concretas?
Limitadores de abertura nas janelas, preferencialmente já integrados da janela. Escadas com colocação de cancelas no primeiro degrau e no superior. Quanto aos afogamentos, construir espaços para apoio e armazenamento de produtos do banho. Vedações para piscinas, que é a única forma comprovada de atrasar o acesso à piscina. E tomadas com protectores de alvéolos.
E há práticas importantes relativas à organização do espaço?
Sim. Tudo o que é preciso para o banho deve estar ao lado. No que diz respeito às vedações, elas são inúteis se por perto estiverem móveis, caixas ou floreiras que se possam arrastar. Os produtos tóxicos devem ser arrumados em prateleiras mais altas e longe dos alimentos.
Vale a pena ser paranóico para proteger ao máximo?
Eu diria que não. Primeiro tem de se fazer uma avaliação do risco. Em escadas, janelas, varandas e piscinas sim, sem dúvida, fazer a adaptação e o investimentos necessários. Tudo o resto, na maior parte das situações, com boa organização consegue minimizar os acidentes. É importante encontrar um equilíbrio.
Devemos criar as crianças numa redoma?
Basta criar mais espaço para a criança andar. Tirar um móvel que está numa zona de passagem ou não ter tapetes, por exemplo, pode reduzir o risco. Não é preciso comprar todos os apetrechos que existem no mercado. Preferimos o bebé e a criança que está no chão, com um ambiente controlado, e que pode andar livremente. Pelo menos no quarto da criança e no espaço onde a criança passa mais tempo isto é possível concerteza.
...
Para ficar ainda mais horrorizado, recolhi durante a pesquisa os seguintes números:
• Em 2002, 26 mil mortes de crianças com menos de 15 anos devem-se a ferimentos
• 70% dos acidentes em casa aconteceram a crianças
• 39% dos afogamentos acontecem a crianças
• Dos 0 aos 4 anos o afogamento é a maior causa de morte
• 43% das lesões são fracturas
• 21% das lesões dão-se na cabeça
• 28% de todas as queimaduras ocorrem em crianças
• Dos 0 aos 4 anos é a faixa etária em que ocorrem 75% das queimaduras em crianças, em contexto doméstico
Fonte: Organização Mundial de Saúde, WHO expert meeting, Bona, 2005 e EU Injury Database (IDB) of the European Commission, DG SANCO, and the network of national IDB data providers at https://webgate.ec.europa.eu/idb/
...
Feliz Dia da Criança!
Quantas crianças já caíram de varandas?
O ano passado foi uma desgraça. Caíram imensas de janelas e algumas ficaram com consequências graves, ficando muitas em coma. Não conseguimos depois fazer o seguimentos dos casos, porque as bases de dados oficiais dão-nos pouca informação. Trabalhamos muito pelos dados da imprensa.
Qual é o maior perigo nas casa?
Depende se falamos de gravidade ou frequência. Os acidentes mais frequentes são as quedas. As quedas de altura são as mais graves. Quedas de janelas, varandas, terraços, algumas delas com consequências mortais. E as quedas de escadas. Estas são as que têm maior probabilidade de ter consequências graves.
Os perigos são iguais em todas as idades?
Nas crianças mais pequenas (até aos cinco anos) a maioria dos acidentes acontece em casa, que é o ambiente em que as pessoas confiam mais.
Há contextos específicos para que os acidentes ocorram?
Os dados que temos dizem que a maioria dos acidentes ocorre com um adulto por perto. O adulto está mesmo ali, mas porque não há outras medidas de construção, arquitectura ou organização que potenciem a sua função os acidentes ocorrem. A vigilância é fundamental. O problema é que há demasiada confiança na vigilância. Não há super pais nem super mães e é impossível estarmos sempre com os olhos colocados sobre a criança. A construção deve existir em concomitância com a vigilância.
Há uma casa 100% segura?
Não. Mas há medidas que se podem tomar. O conceito é sempre atrasar o acesso da criança, dificultar o acesso da criança. Protectores de tomadas e tampas difíceis de produtos tóxicos têm essa função. Se a criança tiver tempo, mais cedo ou mais tarde vai conseguir ultrapassar. Nós sabemos que uma criança de 3 ou 4 anos já consegue subir a maior parte das guardas e das vedações que existem, não só por uma questão de habilidade motora como por poderem agarrar cadeiras, bancos.
Quais são as medidas mais urgentes?
Guardas para varandas, com 1,10m de altura, cujas aberturas não devem ter mais de 10 cm e com uma estrutura contínua sem elementos para apoio de pés. Como não é possível evitar acidentes, a ideia é atrasar o mais possível.
Mas colocar guardas em varandas pode originar conflitos com o condomínio. É frequente não se perceber que as razões de segurança se devem sobrepor a qualquer razão estética?
Sim. Os próprios profissionais ligados ao projecto, à arquitectura, têm alguma resistência. Na formação de base não existe uma preocupação relativamente aos dados antropométricos das crianças, nem à forma como elas utilizam o espaço. As medidas recomendadas para as guardas, por exemplo, estão intimamente relacionadas com o tamanho da cabeça, a altura. Continuamos a ver construções novas que por razões estéticas e financeiras não consideram estas questões.
As acções de formação da APSI nesta área, constam de quê?
O objectivo é sensibilizar para os riscos do elemento construído e como é que a criança explora e partilhar boas práticas e dar orientações no sentido de que desde o projecto à fiscalização se deve intervir no sentido de identificar os riscos.
Medidas concretas?
Limitadores de abertura nas janelas, preferencialmente já integrados da janela. Escadas com colocação de cancelas no primeiro degrau e no superior. Quanto aos afogamentos, construir espaços para apoio e armazenamento de produtos do banho. Vedações para piscinas, que é a única forma comprovada de atrasar o acesso à piscina. E tomadas com protectores de alvéolos.
E há práticas importantes relativas à organização do espaço?
Sim. Tudo o que é preciso para o banho deve estar ao lado. No que diz respeito às vedações, elas são inúteis se por perto estiverem móveis, caixas ou floreiras que se possam arrastar. Os produtos tóxicos devem ser arrumados em prateleiras mais altas e longe dos alimentos.
Vale a pena ser paranóico para proteger ao máximo?
Eu diria que não. Primeiro tem de se fazer uma avaliação do risco. Em escadas, janelas, varandas e piscinas sim, sem dúvida, fazer a adaptação e o investimentos necessários. Tudo o resto, na maior parte das situações, com boa organização consegue minimizar os acidentes. É importante encontrar um equilíbrio.
Devemos criar as crianças numa redoma?
Basta criar mais espaço para a criança andar. Tirar um móvel que está numa zona de passagem ou não ter tapetes, por exemplo, pode reduzir o risco. Não é preciso comprar todos os apetrechos que existem no mercado. Preferimos o bebé e a criança que está no chão, com um ambiente controlado, e que pode andar livremente. Pelo menos no quarto da criança e no espaço onde a criança passa mais tempo isto é possível concerteza.
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Para ficar ainda mais horrorizado, recolhi durante a pesquisa os seguintes números:
• Em 2002, 26 mil mortes de crianças com menos de 15 anos devem-se a ferimentos
• 70% dos acidentes em casa aconteceram a crianças
• 39% dos afogamentos acontecem a crianças
• Dos 0 aos 4 anos o afogamento é a maior causa de morte
• 43% das lesões são fracturas
• 21% das lesões dão-se na cabeça
• 28% de todas as queimaduras ocorrem em crianças
• Dos 0 aos 4 anos é a faixa etária em que ocorrem 75% das queimaduras em crianças, em contexto doméstico
Fonte: Organização Mundial de Saúde, WHO expert meeting, Bona, 2005 e EU Injury Database (IDB) of the European Commission, DG SANCO, and the network of national IDB data providers at https://webgate.ec.europa.eu/idb/
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Feliz Dia da Criança!
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Evolução (da espécie?)
Depois de 3 dias de ausência motivada pelas obrigações profissionais volto a casa... finalmente! O miúdo na cama levanta-se e diz-me “dá-me um beijinho.” Eu não dou um. Dou muitos. E muitos abraços. Tantos, tantos que ele deixa logo de me ligar. Tenta meter-se na mala, como fez na noite antes da minha partida. E dou-lhe um avião pequenino que serve de porta-chaves. “Foste neste avião?” pergunta-me. “Fui num maior.” E depois descobre que se pressionar no botão, se ouve o barulho de levantar voo. Enquanto ele dança a fingir que voa o pai faz a actualização:
- comeu sempre sozinho
- quase não perguntou por mim, bastava-lhe saber que eu tinha ido trabalhar de avião
E hoje a confirmação na escola:
- foi sempre crescido, comeu sempre sozinho e quando vai ao bacio até puxa a roupa... Até tive direito a demonstração.
Digam-me lá... companhia da mãe o quê?
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Creches e jardins-de-infância caros e sem vagas
A maioria dos pais estão insatisfeitos com a oferta de creches e jardins-de-infância na sua área de residência, revela o nosso inquérito a 2900 pais. O Algarve é a zona com piores resultados.
Cerca de 2 em 5 famílias com crianças em creches garante que este encargo é uma parcela importante nas finanças. Por criança, gastam um valor de referência mensal de € 150 numa creche e € 110 num jardim-de-infância. Mas o custo chega a ultrapassar, em Lisboa, os € 300 mensais. Em 80% dos casos, os pais inscrevem os filhos antes de começarem a frequentar a instituição, em média, 5 meses antes.
Metade das mães inquiridas ficou 5 meses em casa com o bebé, com salário reduzido. No regresso ao trabalho, 20% enfrentaram problemas: 9% sentiram hostilidade do chefe ou colegas, enquanto 7% não usufruíram das horas de amamentação a que têm direito.
Mais de 30% das crianças permanecem mais de 9 horas na creche, o que é sinónimo de mais tempo em frente do ecrã. Nas creches, mais de 70% vê televisão e tal acontece quase todos os dias para mais de metade. Nos jardins-de-infância, a esmagadora maioria (90%) vê televisão e, segundo os pais, esta rotina é quase diária para 43 por cento.
A DECO reivindica que as creches e jardins-de-infância, públicos ou privados, devem estar sob a alçada do Ministério da Educação. As creches, à semelhança de outros países europeus, como Espanha, Dinamarca, Finlândia e Suécia, devem deixar de ser encaradas apenas como um serviço social. Segundo dados de 2008 do Ministério do Trabalho e Segurança Social, a cobertura de creches e amas era de 30% e a dos jardins-de-infância, de 77 por cento. Esperamos que a promessa do Governo em aumentar a cobertura nacional não se fique pelas boas intenções. Além do bem-estar das crianças, está em causa o desenvolvimento do País.
in http://www.deco.pt/
Cerca de 2 em 5 famílias com crianças em creches garante que este encargo é uma parcela importante nas finanças. Por criança, gastam um valor de referência mensal de € 150 numa creche e € 110 num jardim-de-infância. Mas o custo chega a ultrapassar, em Lisboa, os € 300 mensais. Em 80% dos casos, os pais inscrevem os filhos antes de começarem a frequentar a instituição, em média, 5 meses antes.
Metade das mães inquiridas ficou 5 meses em casa com o bebé, com salário reduzido. No regresso ao trabalho, 20% enfrentaram problemas: 9% sentiram hostilidade do chefe ou colegas, enquanto 7% não usufruíram das horas de amamentação a que têm direito.
Mais de 30% das crianças permanecem mais de 9 horas na creche, o que é sinónimo de mais tempo em frente do ecrã. Nas creches, mais de 70% vê televisão e tal acontece quase todos os dias para mais de metade. Nos jardins-de-infância, a esmagadora maioria (90%) vê televisão e, segundo os pais, esta rotina é quase diária para 43 por cento.
A DECO reivindica que as creches e jardins-de-infância, públicos ou privados, devem estar sob a alçada do Ministério da Educação. As creches, à semelhança de outros países europeus, como Espanha, Dinamarca, Finlândia e Suécia, devem deixar de ser encaradas apenas como um serviço social. Segundo dados de 2008 do Ministério do Trabalho e Segurança Social, a cobertura de creches e amas era de 30% e a dos jardins-de-infância, de 77 por cento. Esperamos que a promessa do Governo em aumentar a cobertura nacional não se fique pelas boas intenções. Além do bem-estar das crianças, está em causa o desenvolvimento do País.
in http://www.deco.pt/
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Dois anos do X
A festa na escola:
A música do sol tocada à viola por mim e cantada pelo X com alguns gestos para ensinar aos outros meninos. Ovinhos de percussão. O Cuquedo contado pela mãe e pelo filho.
O almoço de família:
Doze adultos à mesa para comer peru, cozinhado das 8h30 às 14h00, enquanto os primos não comem nada da excitação e andam ao rebolão por baixo da mesa.
A festa dos amigos:
Muitos, muitos, que chegaram quase de improviso e nos encheram a casa de alegria e crianças! Muitos abraços para todos! O meu coração ainda palpita.
Meu filho, muito obrigada! Tu és o melhor presente que já tive!
PS - Temos um gorro de orelhas da Lego, umas sandálias douradas dentro de uma cesta de palha e um chapéu de chuva laranja às bolas que não são nnossos.
A música do sol tocada à viola por mim e cantada pelo X com alguns gestos para ensinar aos outros meninos. Ovinhos de percussão. O Cuquedo contado pela mãe e pelo filho.
O almoço de família:
Doze adultos à mesa para comer peru, cozinhado das 8h30 às 14h00, enquanto os primos não comem nada da excitação e andam ao rebolão por baixo da mesa.
A festa dos amigos:
Muitos, muitos, que chegaram quase de improviso e nos encheram a casa de alegria e crianças! Muitos abraços para todos! O meu coração ainda palpita.
Meu filho, muito obrigada! Tu és o melhor presente que já tive!
PS - Temos um gorro de orelhas da Lego, umas sandálias douradas dentro de uma cesta de palha e um chapéu de chuva laranja às bolas que não são nnossos.
segunda-feira, 16 de julho de 2007
Cansei de ser sexy?
Parece que ainda há quem acredite na história da cegonha. Isto penso eu, depois de tentar comprar roupa de grávida em várias lojas e sair de lá de mãos vazias. Quem está grávida, na maioria das vezes, teve relações sexuais. E não foi com uma pomba! Foi com um homem! Acresce a este facto, muitas mulheres grávidas confirmarem sentir mais vontade de fazer sexo do que sentiam antes. E o curioso é que este aumento da necessidade sexual é explicado pela ciência, tanto pelas alterações hormonais como pela maior sensibilidade das zonas erógenas, dado o acréscimo de irrigação sanguínea.
"Mas o que é que isso importa?", perguntam as marcas de roupa. A maioria da roupa pré-mamã parece dizer: "Já me f___ uma vez não me f__ mais." Eu não estou a pedir para a roupa ser sexy! Estou a pedir para ser apresentável. Para ter cores normais como o castanho e o vermelho! É necessário ser tudo cor de rosa e fazer ver que uma grávida é uma totó? As alterações do corpo já são difíceis de aguentar, não é preciso um corte radical com o guarda-roupa habitual para me fazer sentir ainda pior. Aposto que quem desenha a roupa das grávidas nunca esteve grávida. Se estivesse e tivesse reuniões de trabalho regularmente e uma vida social interessante e um marido de quem gosta muito, mudava logo de figura, isto é, de figurino!
Felizmente a moda "não grávida" este ano é compatível com a gravidez. Até nisto eu tenho sorte!
E já sei que há lojas com roupa gira como a Formes ou a 1 et 1 font 3. E quem é que tem dinheiro para comprar lá? Eu tenho me safado na H&M, que pelo menos tem calças mais ou menos giras. Mais nada.
"Mas o que é que isso importa?", perguntam as marcas de roupa. A maioria da roupa pré-mamã parece dizer: "Já me f___ uma vez não me f__ mais." Eu não estou a pedir para a roupa ser sexy! Estou a pedir para ser apresentável. Para ter cores normais como o castanho e o vermelho! É necessário ser tudo cor de rosa e fazer ver que uma grávida é uma totó? As alterações do corpo já são difíceis de aguentar, não é preciso um corte radical com o guarda-roupa habitual para me fazer sentir ainda pior. Aposto que quem desenha a roupa das grávidas nunca esteve grávida. Se estivesse e tivesse reuniões de trabalho regularmente e uma vida social interessante e um marido de quem gosta muito, mudava logo de figura, isto é, de figurino!
Felizmente a moda "não grávida" este ano é compatível com a gravidez. Até nisto eu tenho sorte!
E já sei que há lojas com roupa gira como a Formes ou a 1 et 1 font 3. E quem é que tem dinheiro para comprar lá? Eu tenho me safado na H&M, que pelo menos tem calças mais ou menos giras. Mais nada.
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