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sexta-feira, 16 de maio de 2014

Dia mundial.. de uma coisa qualquer

Obrigada a quem inventou o dia do pai, o dia da mãe, o dia dos avós, o dia da família, o dia da criança, o dia da árvore, o dia do piriquito e de outras coisas começadas por P, já que estes nos proporcionam a ida à escola 3 horas antes da hora a que saimos habitualmente do trabalho, em 3 semanas seguidas, para termos a certeza que somos bons pais e fizemos todas as atividades com as criancinhas - fotografias, colagens, canções, etc!

Amanhã, dizem-me ao ouvido, é dia do Volkswagen. É para ir de carro do povo para a escola, mesmo sendo sábado?

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Autodeterminação

Desta vez estou com o Nuno Crato, as praxes são sobretudo uma questão de autodeterminação

Ação de decidir por si mesmo.


"autodeterminação", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/DLPO/autodetermina%C3%A7%C3%A3o [consultado em 31-01-2014].

Eu não percebo como é que gente maior de idade não é capaz de decidir não ser humilhado com as praxes "regulares". Percebo ainda menos como é que gente que já devia ser adulta não é capaz de decidir pela sua própria segurança, pela sua própria vida.

Podem argumentar o que quiserem, da integração, do medo, etc, e dos malvados duci (estes devem ser pouco mais que amibas para terem paciência e estupidez para fazer o que fazem).

Não percebo como é que a necessidade de ir na carneirada ultrapassa a personalidade, a individualidade e o instinto e remete alguém para a obediência cega a uma amiba, inofensiva se ignorada.

Enfim. Depois deste texto marinar tanto tempo aqui na pasta dos rascunhos descubro o video



"Temos direito a ser humilhados" e acabam-se-me os argumentos. Só sinto vergonha. Uma enorme vergonha.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

O negócio da educação

A jornalista Ana Leal, como nos vem habituando, põe o dedo na ferida: o negócio da educação, a passagem dos detentores de cargos públicos a diretores de colégios... e o financiamento contínuo de escolas privadas desnecessárias (de acordo com os critérios do financiamento do MEC) ao lado de escolas públicas a cair de podre.

 

Como diz hoje, na TSF, Fernando Alves: será que não cai nem uma jarra na 5 de Outubro?

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Da escola: não querer ser professor

A minha licenciatura era vocacionada para o ensino - ensino de português língua materna com sua gramática e literatura para as criancinhas e adultos que frequentassem o ensino secundário em Portugal ou em português no estrangeiro. Era a saída mais evidente ou a entrada no mercado de trabalho mais direta do curso de Línguas e Literaturas Modernas, variante estudos portugueses.

No meu ano havia 4 bons alunos, daqueles que se destacavam mesmo pelas notas muito boas, pela noção de encantamento que nos devia causar a leitura de um poema e pela capacidade de pensar e relacionar as matérias do programa curricular com as demais matérias da vida.

Desses 4 alunos que se destacavam pela positiva num curso vocacionado para o ensino, hoje nenhum é professor do ensino secundário em Portugal. A Cláudia deixou os estudos literários a meio do curso para se dedicar ao Conservatório de Teatro e hoje escreve e dirige peças de teatro acutilantes e reconhecidas pela crítica. O Diogo seguiu para o Conservatório depois da licenciatura e do convite para integrar o mestrado em Linguística e, a última vez que o vi, era ator. O Pedro mestrou em literatura portuguesa, constituiu uma escola de artes e escreveu já vários livros, o último recentemente publicado, Despaís, é um livro do caraças, isto é, um livro que todos os portugueses e todos os cidadão de países em crise deviam ler.

Quanto a mim, escolhi não ser professora por duas razões: teria de estudar mais dois anos até poder exercer a profissão (um ano para pedagógicas com exigência de presença diária, coisa impossível para mim que já trabalhava, e um ano de estágio numa escola) e teria para sempre um mau patrão (lembro-me de ter dito isto tal e qual). Era o ano da graça de 2001.

Desde há 12 anos, eu tive dois contratos de trabalho sem termo, 2 anos de contrato com termo certo, com dois anos de desemprego interpolados por recibos verdes. Fui enganada algumas vezes, tive de andar a choramingar para conseguir cobrar muitas mais e a fazer trabalhos muito diferentes do que a minha ocupação principal faz prever. Tive meses em que não ganhei um tostão e outros em que ganhei tão mal que não chegou para as despesas.

Nunca me arrependi da decisão de não ser professora. Porque se fosse, tinha andado pelo país de mala às costas, ganhando uma ínfima parte do dinheiro que já ganhei até hoje, reduzida para sempre ao estatuto de aluno Erasmus cá dentro, dividindo casas com gente estranha, incapaz de construir uma família, ou vendo os filhos crescer aos fins-de-semana, continuando a ler apenas no comboio de regresso a casa, levando pancada da primeira mãe cujo filho eu repreendesse, sendo gozada por profissionais medianos de outras profissões que me diriam: ‘és professora porque não arranjaste mais nada para fazer?’ e não conseguindo nem uma vez uma contratação por mais do que um ano, não por fim da necessidade do meu trabalho, mas porque é assim o sistema, sendo alvo da chacota dos alunos que eu sentisse a necessidade de chumbar porque as passagens administrativas de multiplicaram ao extremo.

Eu acho estranho que um país não queira aproveitar para o ensino da sua língua materna, da sua cultura, os seus melhores alunos. Como nós os 4 deve haver mais mil que desistem de ensinar no liceu por motivos alheios à docência. Mas pelos vistos sou só eu que acha estúpidas a vida dos professores, as obrigações destes e a sua relação com a entidade patronal. Para o Ministério da Educação tudo vai bem e não é de agora.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Olha! Olha! Aqui estou eu num blogue de qualidade!

É para ler este texto da 3 picuinhas sobre a educação laica que os Estado deveria oferecer aos nossos filhos, coisa que está constantemente a ser desrespeitada. Podemos incluir esta questão na discussão sobre que escola queremos?

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Sobre a escola, os exames, a greve, as whiskas e o umbigo

Em dia de greve de professores, ouvem-se as coisas mais extraordinárias e todas elas são, no fundo, no fundo, sobre o país.
1.       Há uma aluna a quem parece profundamente injusto não fazer o exame hoje, porque “há outros que estão a fazer.” Foi dito assim tal e qual, ao microfone da TSF. O problema da estudante não é ter-se preparado para um exame que não foi fazer, nem não ter dormido nada com os nervos da véspera de um exame tão importante agora adiado, não é prever o prolongamento dos prazos dos processos de entrada na faculdade e com isso ter que delongar decisões sobre o projecto de vida, nem sequer ter de alterar a data das férias. O problema está nos outros serem, na visão da rapariga, privilegiados. Se ela estivesse entre o “décimo” dos colegas que estava a fazer o exame mostrar-se-ia tão indignada?
2.       Os alunos de Braga revoltam-se contra os pares que, apesar da greve, conseguem fazer o exame, entrando nas salas onde decorre a prova porque se sentem injustiçados, segundo o relato da jornalista, tentando assim que a prova dos outros seja anulada. A sindicalista de Braga diz que os alunos invasores mostraram estar solidários com os professores em defesa da escola pública. Volto a fazer a mesma pergunta de outra maneira: então e os que estavam sentaditos a fazer o exame foram escolhidos entre os que não se identificam com a luta dos professores?
3.       O presidente da Confederação das Associações de Pais, Jorge Ascensão, explicou à TSF que a preocupação da Confap “centra-se nos jovens” e acrescentou “estamos dependentes do sentido de dever que os professores possam ter, o que, dado o número de docentes em causa, será difícil garantir que haja exames para todos os jovens». Sim, eu sei, está esquisito. Coisas da oralidade…
As declarações dos mais diversos quadrantes repetem-se e eu oiço em todas, como o gato branco e felpudo do anúncio da Whiskas, “blablabla, o meu umbigo. Blablabla, o meu umbigo. Blablabla, o meu umbigo.” Não há, nunca há, a vontade de pensar no outro a não ser como causa dos meus problemas. O outro nunca tem a possiblidade sequer de ter sorte, legitimidade ou razão. Sorte em ter sido chamado para fazer o exame (como no ponto 1), legitimidade para estar a fazer o exame dentro da sala, (como no ponto 2) ou razão para fazer greve (como no ponto 3). O outro, e de preferência o outro mais próximo de mim possível, é o culpado pela minha situação.
E se eu estivesse no lugar do outro, fazia exatamente o que ele faz: não querer saber de mim para nada, nem dos meus problemas. Fazia o exame, fazia a greve, protestava contra o exame, declarava-me contra a greve. Ou seja, a minha opinião depende exclusivamente da minha posição em relação aos outros. Se eu tiver o privilégio casual de fazer exame estou calada. Se eu ficar de fora dos chamados ao exame, então zango-me e grito e canto o Grândola… contra os meus iguais. Esta coisa da posição relativa face aos eventos determinar inteiramente as minhas ideias é tão criticada aos políticos e, afinal, o que fazem as pessoas comuns? Exatamente o mesmo e não é de agora, que o Gaibéus já conta esta história.
Enfim, não somos todos assim. Um participante no fórum da TSF lembra que "no Japão, o único grupo que não tem de se vergar perante o Imperador é o dos professores." É uma mensagem enorme que se envia às massas quando a figura maior de um país considera que aqueles que ensinam são os únicos que se lhe equiparam em valor. Um professor é igual a um imperador, diz o protocolo. Aqui, em Portugal, um professor não vale nada e é por isso que lhe batemos, cuspimos, não obedecemos, viramos as costas, etc.
Já sei, vêm aí os exemplos dos maus professores que tiveram, que não sabiam do que estavam a falar, que não se davam ao respeito, que não se davam ao trabalho de ensinar. Vá, vão contar as vossas histórias tenebrosas ali nos comentários, daquelas que mostram que os professores não merecem respeito nenhum.
Agora roubo de uma conversa de facebook uns comentários sobre os professores no Japão:
JPG: Mas o ensino no Japão é mesmo muito bom... e não há greves.
Carla Macedo: Vai na volta é bom porque o Estado japonês acredita que é mesmo importante dar boas condições de trabalho aos professores, assim como exigir destes excelentes capacidades humanas, teóricas e técnicas para ensinar.
JPG: ...além de que há também coisas 'esquisitas' como a ética profissional, o brio e a honra em fazer um trabalho bem feito de que possam ter orgulho, coisas que se calhar, quem invocou, no fórum da TSF, um direito sobre o poder divino do Imperador não se lembrou ou não se quis lembrar. Esse direito existe, sim senhor, mas porque os professores o fazem por merecer, trabalhando afincada e dedicadamente, aliás, como todos os trabalhadores japoneses. É giro que se falem em direitos dessa grandeza, mas se esqueça como são e porque são conquistados e mantidos.
Carla Macedo: Concordo contigo. Deixa-me acrescentar à lista: têm um processo de seleção muito exigente, muito difícil, ganham um salário muito confortável e têm estatuto de estrela da pop.
JPG: Sim, tudo certo, mas mesmo antes disso, já o Imperador lhes concedia o direito a não vergarem porque faziam um excelente trabalho...
 Carla Macedo: E por isso tinham melhores condições de vida do que a maioria.
Quando é que os melhores de um curso, de uma universidade, de um país, vão escolher dar aulas no ensino não universitário, quando a proposta do empregador é andar com a casa às costas 10 ou 20 anos? Se temos de ir para onde há trabalho (e eu concordo inteiramente com esta ideia) porque é que não podemos ficar onde há trabalho? Se eu entrar para os quadros de uma empresa, depois do devido período de experiência, fico na empresa até o posto de trabalho cessar. Se eu for professora concorro a um lugar e, apesar de 3 anos depois ainda haver necessidade de um professor da minha disciplina naquela escola, eu tenho que concorrer novamente para o território nacional inteiro e provavelmente não fico colocada na mesma escola. Onde é que está a lógica deste processo? Podia continuar a falar das condições de trabalho más, muito más, de muitos professores, mas depois ninguém lia este texto até ao fim.
Ninguém que queira enriquecer vai para professor, mas há mínimos que são aceitáveis pelos muito bons. Não percebo porque é que aqueles que ensinam os nossos filhos e lhes abrem os horizontes, lhes oferecem inúmeras possibilidades de vida e tanta inspiração não são os melhor tratados pela nossa sociedade. Não percebo. A consequência é que o sistema de ensino afasta à partida ou esgota gradualmente os melhores professores em potência.
A luta dos professores, dos alunos e dos pais devia ser conjunta pela reformulação do sistema de ensino, partindo de:
-          exigência muito alta nos critérios para aceder à docência;
-          boas condições de trabalho e respeito (sim, uma vénia dos decisores políticos ficava bem) para os professores.
 
Mas isto dava muito trabalho. Os pais e os alunos a colocarem-se no lugar dos professores, os professores a darem lugar aos melhores, etc, etc, dava muito trabalho. E, como diz o meu amigo de facebook:
JPG: Pois, é uma questão de prioridades na construção de um país. Uns preferem a educação, a saúde, o desenvolvimento, outros preferem construção anárquica, crédito desenfreado, estádios de futebol, auto-estradas à doida, aceitar subsídios para não produzir e etc. e tal...

terça-feira, 7 de maio de 2013

Exames de fim de ciclo

Os exames do 4.º ano são um problema? Ou são vários problemas? Desculpem, ouvi o senhor de uma associação de pais a dizer que nem na faculdade se fazem provas com 2 horas e 40 minutos e só me apetece perguntar em que faculdade é que ele andou.
Há mais questões, não é? A criança ficar marcada por uma nota má... A pressão que a criança sofre sem necessidade... A possibilidade de a criança por causa dos nervos não conseguir ter um bom desempenho... Pois, não percebo.

Bom, se alguém me souber explicar como é que os exames da 4ª classe prejudicam as criancinhas agradeço que me deixem aqui nos comentários a explicação. É que eu não entendo.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Vamos pagar o ATL! Viva!

Querido Ministro Nuno Crato,

colocar do lado dos pais o pagamento de parte do valor das atividades de enriquecimento curricular no primeiro ciclo da escola pública, aquilo que os humanos chamam ATL, vai no sentido inverso aos discursos da produtividade que o seu governo tem tido.

É simples: Onde estão os empregos que terminam às 14h00 para que possamos estar às 15h00 nas escolas para ir buscar os miúdos? Como é que um trabalhador independente ou um tarefeiro diz "venho, sim, trabalhar para este projeto de um mês mas só metade do dia"? E ainda, onde estão os empregos ou trabalhos em que se recebe valor suficiente para pagar esta despesa? Em lado nenhum, certo?

O maior problema, para variar, não é para os pobres, nem para os ricos. É para a classe média empobrecida que passa, também, a ponderar se vale mais trabalhar ou ficar em casa.

Já me estou a ver enriquecer o currículo do meu filho com inglês em frente à televisão tardes inteiras enquanto eu termino mais uma tradução, o arranjo de uma cadeira ou a bainha de uma saia!

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Alimentação: educar para viver melhor

O peso a mais e a obesidade combatem-se desde a mais tenra idade. É urgente educar as crianças para os sabores saudáveis.
Educar para viver

O Henrique tem 11 meses e já ninguém duvida da sua vontade de crescer: pesa 12 quilos, mede quase 80 centímetros e só cabe em roupas de 2 anos. É mais ou menos do mesmo tamanho que o primo, com mais um ano, e quem os vir sentados não acredita que a diferença de idades seja tão grande.
“O Henrique não foi sempre assim”, diz a mãe, Sofia Alves, professora. “Nasceu pequenino, com 2,100 kg. A tabela de percentil nem sequer considerava o peso dele. O ser tão pequeno chocou-me muito. Comecei a dar-lhe o biberão ao mínimo choro e ele cresceu a olhos vistos. Agora o pediatra fala em fazer dieta, mas custa-me dar-lhe menos comida. Racionalmente, percebo o que se passa, mas continuo a ter muito medo que volte a ficar pequenino.”
 
O Henrique pode ser mais um caso de estudo para a teoria da reprogramação, segundo a qual as hormonas do crescimento e o metabolismo sofrem alterações para se adaptarem ao meio numa fase precoce do desenvolvimento, como a vida in utero ou a infância, alterações essas que ficam inscritas no corpo para sempre. Segundo esta teoria, os recém-nascidos de baixo peso (menos de 2500 gramas) têm tendência a ser obesos, porque a falta de nutrientes disponíveis durante a gravidez leva a que o feto diminua as suas necessidades de alimento para se desenvolver (Sofia Alves conta que fez uma dieta rigorosa, não definida pelo médico, porque “não queria engordar” e acabou por quase não ganhar peso). Quando o bebé, que estava habituado a poupar energia e por isso nasce pequenino, é exposto a um ambiente externo de abundância, acaba por comer muito mais do que necessita e torna-se rapidamente um bebé obeso.
Há muitos mais fatores que levam à obesidade infantil: nascer com peso superior a 3,500 kg, andar sempre de carro, brincar só em casa, ver muita televisão e as condicionantes de herança genética. Mas estas parecem ser as variáveis, o denominador comum, sempre que se fala de excesso de peso, é a falta de qualidade da alimentação. Um exemplo absurdo serve para mostrar esta evidência: ninguém engorda, por mais sedentário que seja, se comer sempre e só alface. Em linguagem académica, podemos dizer que o excesso de peso começa quando a ingestão de calorias ultrapassa regularmente o consumo energético.
Certo é que há cada vez mais gordos entre nós e cada vez mais crianças com peso a mais. A obesidade infantil já é considerada uma epidemia mundial por afetar tantos milhões de crianças e a diretora-geral da Organização Mundial de Saúde, Margaret Chan, referiu-se a esta geração como “a primeira que vai viver mais doente e menos tempo do que os seus pais”.
Segundo vários estudos citados por Sandrina Gaspar Carvalho, no seu artigo Obesidade infantil, a epidemia do século XXI – revisão da literatura sobre estratégias de prevenção, 2009 –, a persistência da obesidade “no início da idade adulta poderá diminuir a esperança de vida de cinco a vinte anos”, em consequência de todas as doenças associadas ao peso excessivo, como a diabetes ou as doenças cardiovasculares. E o grave é que “60% das crianças obesas permanecem adultos obesos”.
É preciso atuar agora. Ensinar a comer. Em fevereiro de 2010, Jamie Oliver denunciou a situação da má nutrição das crianças americanas e inglesas, na conferência dos TED Awards (conjunto global de conferências onde pessoas destacáveis em várias áreas partilham as suas ideias e experiências), na Califórnia. O cozinheiro mais popular da Grã-Bretanha aponta como problemas graves a incapacidade de comer corretamente e a dificuldade em cozinhar de forma apropriada. Fala do conceito de “paisagem alimentar” para explicar que a herança que as últimas quatro gerações têm passado às suas crianças não inclui alimentação saudável nem ensinamentos de cozinha. A solução passa por todos, incluindo as grandes marcas alimentares: a educação alimentar tem de ser uma prioridade. E, na escola, há duas coisas a fazer: oferecer refeições equilibradas todos os dias e fazer com que os jovens terminem a escolaridade sabendo cozinhar “dez receitas que lhes vão salvar a vida”.
Alguns estudos recentes na área do comportamento alimentar parecem corroborar esta ideia de “paisagem alimentar” como uma influência decisiva nas escolhas alimentares das crianças. A pressão do meio ambiente é decisiva para a população em geral (e por isso Jamie Oliver fala das grandes cadeias alimentares) como as disponibilidades no frigorífico ou na despensa de casa são fundamentais para cada criança, cada pessoa.
O Journal of Nutrition Education and Behavior publicou já este ano os resultados de um estudo sobre a exposição das crianças a alimentos saudáveis, nomeadamente aos vegetais, que referem que as que estão habituadas a ver diariamente no prato legumes e saladas consomem-nos com mais facilidade do que aquelas que desconhecem ou têm pouco contacto com essa classe de alimentos.
Os chefes da cozinha de pesquisa vêm falando disto há anos, embora a preocupação esteja mais ligada às questões da memória gustativa do que às nutritivas. Mas quando andam à procura dos sabores de antigamente, demonstram um saber empírico sobre a importância da infância na fixação dos nossos gostos alimentares. Se desde pequenas as crianças forem habituadas a comer maus alimentos, a probabilidade de eles serem a parte fundamental da dieta de adulto é muito grande. Se lhes for sempre oferecida sopa, fruta, salada e pratos confecionados com rigor nutritivo vão ser esses os componentes da sua alimentação no futuro. Ao darmos uma dieta saudável aos nossos filhos, estamos a favorecer-lhes a saúde e a oferecer-lhes mais anos de vida.

O QUE DIZEM OS NÚMEROS
.
O excesso de peso em larga escala começou a ser detetado há 30 anos.
. No mundo, há hoje 42 milhões de crianças com menos de 5 anos com peso a mais.
. 35 milhões dessas crianças gordas vivem em países em desenvolvimento.
. Portugal está entre os países europeus com maior número de crianças com excesso de peso.
. Mais de 30% das crianças entre os 7 e 9 anos tem excesso de peso ou é obesa, segundo um artigo do Serviço de Pediatria do Hospital do Espírito Santo, de Évora.
. Entre os 10 e os 18 anos, a percentagem é de 31%, de acordo com o livro da dietista Joana Sousa, Obesidade Infanto-juvenil em Portugal.


Saiba mais na Máxima.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Não somos filhos de deus

As respostas de um pai ateuOnde está Deus, papá? é um ensaio sobre a educação não-religiosa que se pode dar às crianças para que se tornem adultos tolerantes e bem-formados. Se ateus ou crentes, eles decidirão quando possam.


Clemente Gª Novella tem 42 anos e acaba de escrever e publicar um livro no mínimo raro. Onde está Deus, papá? – Asrespostas de um pai ateu está envolto em polémica em Espanha, país que, como o nosso, regista uma larga maioria da população como católica. Essa população não sendo praticante de todos os ritos de fé socorre-se dos preceitos religiosos para explicar conceitos como o bem, o mal ou a própria existência e isto acontece tanto na esfera pública como na privada. Mas será que é mesmo necessário pensar num deus para agir corretamente? Ou para percebermos por que razão estamos aqui? Estas são duas das questões que o livro ajuda a clarificar.

Quando escrevo a Clemente, numa sexta-feira depois do almoço, para fazer a entrevista, diz-me com simplicidade que há de responder-me mais tarde porque de momento está a ajudar os seus filhos com os trabalhos de casa. Os rapazes têm 9 e 10 anos e foram eles a inspiração para este livro. No prólogo que Clemente assina, explica que os seus meninos eram muito pequenos quando “me perguntaram pela primeira vez se Deus existia; uma dúvida que eu nunca tive em criança. (…) Claro que acreditava num deus.” É neste quadro de simplicidade, de empenho na educação dos filhos e de pôr em perspetiva os dois lados de cada questão que todo o livro de desenvolve e é, por isso mesmo, que ele é raro: por não ser pretensioso, nem esperar que o leitor já tenha feito todas as leituras ou pensado nestas questões muito a sério. Também é raro e original porque não tenta impingir uma perspetiva radical do mundo a quem o lê. É só o discurso de um homem a sistematizar as suas ideias e o caminho que o levou ao ateísmo.

“É um processo gradual,” diz-me o autor. “Primeiro vamo-nos dando conta, facilmente, de que os deuses de outras épocas ou de outros lugares são simples mitos, são lendas. Depois, sem refletir muito, vamo-nos apercebendo que o deus na nossa infância também é um ser mitológico.” Os sete primeiros capítulos do Onde está Deus papá? ocupam-se da demonstração que a invenção dos deuses serviu um propósito de explicação do mundo quando a ciência ainda nem germinava, tal como se faz num curso breve de filosofia. Mas se é tão evidente, não seria de esperar que mais pessoas se tornassem ateias? “Creio que no fundo foi essa dúvida que me motivou a escrever o livro. Perguntava a mim próprio: É tão evidente para mim que os deuses são fruto da imaginação humana… Como pode ser que uma espantosa maioria de pessoas em todo o mundo continue a acreditar neles?”

A partir desta questão, das colocadas pelos filhos e das que antecipa que venham no futuro a ser feitas, Clemente, enquadra os valores morais como uma necessidade de convivência em sociedade. No fundo basta pensar em duas regras básicas para conseguir agir corretamente: não faças aos outros o que não queres que te façam a ti e fazer aos outros apenas aquilo que eles te tenham dito que desejam. A vantagem destes princípios, lê-se no livro, é que as crianças os entendem e podem facilmente praticar.

Como esta resposta, todas as demais são simples. São ao todo 24 e são formuladas para ajudar quem quer criar os seus filhos sem o auxílio da religião, seja ela qual for. No entanto, o livro nunca predica contra as crenças dos outros. Afirma antes a possibilidade de educar segundo parâmetros exclusivamente humanos e prevê até a eventualidade das crianças criadas num ambiente sem deus se tornarem religiosas, afirmação verdadeiramente estranha para um ateu. Clemente Gª Novella é, mais do que tudo, antidogma: “Se os meus filhos vão ser ateus toda a vida? Suponho que sim. O normal é que os meus filhos sejam ateus. Mas se um dia sentirem necessidade de recorrer ao consolo metafísico que oferecem as religiões (…) se isso os fizer mais felizes, eu não terei nenhuma objeção.”

Onde está Deus, papá?
Clemente G. Novella

Preço: 14,50 €
Editora Verso de Kapa

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Educar sem Deus


Está nas bancas a revista Máxima de Janeiro, com um artigo sobre as possibilidades de educar uma criança em Portugal, sem recorrer a conceitos religiosos. Não são muitas, é certo, já que a nossa mentalidade colectiva tem muita tradição católica, mas não deixa de ser surpreendente que alguns dos pais entrevistados que se afirmam como crentes optem por educar os seus filhos com exemplos de bom senso e não com dogmas religiosos.
Este artigo parte de uma leitura do livro Onde está Deus Papá, editado em português pela Verso de Kapa, e da entrevista ao seu autor, Clemente Gª Novella, que reproduzo no próximo texto.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Mééééééé, mééééééee

Ninguém gostou da música que foi dada aos filhos o ano passado na escola, em actividade extra-curricular. Toda a gente achou que entre aquilo e nada não havia grande diferença. Toda a gente se queixou do canto gravado e das canções não cantadas ao vivo, das crianças não mexerem em instrumentos apenas os verem impressos em cartão...

Toda a gente inscreveu as crianças na mesma música extra-curricular a ser dada este ano lectivo, porque ninguém queria ser o único a excluir o seu próprio filho de uma actividade que, nas palavras de alguns, não serve para nada.

No futuro próximo iremos todos para o campo criar ovelhinhas dóceis, bonitas e que irão, como nós, umas com as outras, sem saber porquê, só porque as outras, se calhar, também querem ir.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Sobre a liberdade de expressão

Este texto é uma adenda ao escrito ontem à noite.
Neste blogue pratica-se muito a liberdade de expressão, da mesma forma que a pratico em livros de reclamação, sendo caso de isso, da mesma forma que agradeço verbalmente cada vez que sou atendida de forma conveniente em qualquer lugar. Mas não se pratica a irresponsabilidade nem a conversa de café que diz mal só por dizer.
Basta uma leitura sem preconceitos nem corporativismo dos meus textos para perceber a intenção daquilo que escrevo: melhorar o meu contexto, não só para mim como para os outros. Há situações em que resulta escrever aqui, seja pelo incentivo que dá a críticas de outras pessoas noutros lugares, seja pela própria resposta que algumas instituições me dão oficialmente, sem recorrerem à figura anónima.
Como a minha ideia ao escrever aqui é mesmo discutir ideias e pensar a realidade, a condição de anónimo por si, não me chateia assim tanto e por isso dedico o texto anterior a um anónimo, criticando algumas das suas reflexões e esclarecendo outras. O que me chateia é o início do comentário. "Numa época em que não há limites para a liberdade de expressão" mas devia haver? Não há de certeza? Então porque é que uma descrição de dois episódios médicos incomoda tanto alguém?
Deixo aqui dois textos, um meu, outro de uma bloguer que admiro muito, sobre aquilo que é a liberdade de expressão em Portugal. Naturalmente não foram escritos agora, mas são sobre o contexto de liberdade em que vivemos. Podemos à vontade queimar soutiens. Mas explicar frontalmente aquilo que nos parece mal é outra conversa. A má vontade é o maior obstáculo epistemológico deste país. Ora façam favor: O blogue é meu (detenham-se apenas no primeiro parágrafo) e Tradução básica da Mãe Preocupada.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

É só por acaso

É só por acaso que 40% das crianças portuguesas são pobres. Não há razões sociais nem políticas para que 40% das crianças portuguesas sejam pobres. Duas em cada cinco crianças vivem na pobreza. Mas é só por acaso e nós não podemos fazer nada em relação a isto. Não podemos reorganizar a sociedade, não podemos votar noutra gente, não podemos exigir um país melhor. Vá, deixem ficar tudo na mesma para que estas crianças também não contem nem votem quando crescerem, porque não vale a pena.

Apoios sociais? Uma merda! Invista-se na escola a sério para todos, desde o dia em que a mãe tem de voltar ao trabalho!

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Crianças que falam

Quando me perguntam como é que o meu filho fala tão bem eu não sei responder. Falo com ele como uma pessoa normal? O video que descobri hoje explica bastante bem como é que fazemos em casa. Eu pensava que toda a gente fazia assim, mas pelos vistos não...


segunda-feira, 16 de maio de 2011

Gravidez não é doença?

Experimenta lá, ò velha do autocarro,
andar com uma mochila que pese uns dez quilos amarrada à barriga.
Põe o dobro do peso do peito que tens normalmente em cada mama.
Sente o calor e a tensão baixa como se já estivesses no pico do Verão.
Admira os teus finos pés e tornozelos tão inchados que nem os reconheces.
E depois diz-me porque te espantas quando eu te explico
que gravidez não é doença mas é quase
e por isso, com licença, eu vou sentada.

É claro que se pedires com jeitinho e educação sou capaz de me levantar. Assim não, tenho muita pena.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Os censos e eu e o ensino

Questionário individual, que preencho pelo meu filho, pergunta 15:

Está a frequentar ou alguma vez frequentou o sistema de ensino?

Coiso. Eu respondi não mas gostava de responder "coiso." É que uma creche não vale como sistema de ensino mas, assim sendo, as criancinhas ficam entregues a quem?

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Rir é o melhor remédio

Aguardo serenamente a minha vez. Estou de pé na fila para marcar a ecografia. Não peço para passar à frente porque imagino que quem ali está também tem razões prioritárias. E depois aparece um homem que ignora a fila única e resolve colocar-se ao balcão "é só para levantar exames!" Eu explico que é a minha vez e ele diz-me que não me viu... E eu penso "tão pequenina que sou com a minha barriga de grávida e o meu metro e setenta..."

Apesar disto o tipo não sai do balcão eu ainda lhe pergunto se não se importa de me dar alguma privacidade, conceito que ele, afinal, desconhece. Bom, está bem, vamos lá marcar a ecografia com público de proximidade. Quando a senhora do consultório me pergunta se no dia tantos às tantas horas é conveniente para mim, não resisto. Viro-me para o homem e digo-lhe "Para mim é. E para si? Dá-lhe jeito a esta hora? Ah! Não vem comigo? Pensava que sim." O tipo ficou ofendidíssimo, mas foi uma maravilha ver o consultório inteiro a rir à gargalhadas. A gravidez tem destas coisas... uma pessoa às vezes supera-se.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

As psicólogas baratas

Fui à reunião com a psicóloga da creche, que era na verdade uma palestra sobre a importância dos limites a impor às criancinhas. Descobri que há uma fórmula perfeita para as educar. Eram uns dez mandamentos sobre a importância da coerência, da autoridade, mas não do autoritarismo, da liberdade e de mais uns quantos chavões.
Gostei muito da frase "a criança não precisa de tios, nem de amigos, mas precisa de pais." Esqueceram-se foi de explicar o que é isso de ser pais e quando eu perguntei, a resposta ficou por dar...
Ah, a tabela da felicidade e da educação perfeita era perfeita! Quando eu não tiver excesso de trabalho, falta de dinheiro, cansaço crónico, ou por outra, quando eu conseguir dormir todas as horas que preciso, passar mais tempo em casa e quando lá chegar tiver tudo pronto da limpeza doméstica ao jantar... quando as preocupações com a família forem estrictamente mononucleares... bom nessa altura, vou conseguir cumprir a tabela da felicidade à risca! E vou ser a mãe perfeita.

Até lá... não quero saber de psicologia barata. Faço o que posso.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Pontaria para Abril

O universo da maternidade é sempre surpreendente. Soube há pouco tempo que “se estás a pensar ter filhos faz pontaria para Abril.” Como assim? Isso mesmo! Os amigos que me disseram isto esperam o segundo filho, para Janeiro. E apesar de já terem um filho a frequentar uma creche, esta instituição não vai acolher a criança mais nova até ser Setembro. A licença de maternidade para esta mãe será de cinco meses. O que é que ela vai fazer entre Julho e Setembro com a criança? Vai ter um problema, porque nem na creche do filho mais velho nem nenhuma outra (IPSS) lhe garantem a guarda da criança durante as seis horas que deverá trabalhar cada dia de semana entre Julho e Setembro...


Os pais da nossa geração estão cada vez menos disponíveis para ajudar a criar os nossos filhos. Ainda trabalham, moram longe, estão doentes ou estão mortos. Nós temos de trabalhar porque um só salário não chega (às vezes não chegam 2 para que as pessoas saiam da pobreza). E não há resposta social adequada para casos simples como este: uma criança desejada que nasce antes do tempo.