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sexta-feira, 16 de maio de 2014

Dia mundial.. de uma coisa qualquer

Obrigada a quem inventou o dia do pai, o dia da mãe, o dia dos avós, o dia da família, o dia da criança, o dia da árvore, o dia do piriquito e de outras coisas começadas por P, já que estes nos proporcionam a ida à escola 3 horas antes da hora a que saimos habitualmente do trabalho, em 3 semanas seguidas, para termos a certeza que somos bons pais e fizemos todas as atividades com as criancinhas - fotografias, colagens, canções, etc!

Amanhã, dizem-me ao ouvido, é dia do Volkswagen. É para ir de carro do povo para a escola, mesmo sendo sábado?

terça-feira, 5 de novembro de 2013

O negócio da educação

A jornalista Ana Leal, como nos vem habituando, põe o dedo na ferida: o negócio da educação, a passagem dos detentores de cargos públicos a diretores de colégios... e o financiamento contínuo de escolas privadas desnecessárias (de acordo com os critérios do financiamento do MEC) ao lado de escolas públicas a cair de podre.

 

Como diz hoje, na TSF, Fernando Alves: será que não cai nem uma jarra na 5 de Outubro?

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

No Dia da Alimentação, eu fui à escola

Eu sou gulosa. Mas quanto mais leio e escrevo sobre saúde, mais confirmo uma suspeita que tenho há muito tempo: a maioria das doenças tem origem na alimentação desequilibrada. Exemplos? Diabetes, hipertensão arterial, cancros vários, disfunção renal… mete medo.
(...)
Hoje é o Dia Mundial da Alimentação e foi este o pretexto para ir falar do açúcar na escola que os meus filhos frequentam.
(...)
Partilho aqui algumas das coisas que mais efeito surtiram entre os meninos e as meninas que me ouviram:

- “O açúcar faz mal aos dentes, mas se lavarmos muito bem os dentes não é muito grave. Mas alguém tem uma escova que lave a garganta, o estômago e os outros órgãos por onde passa o açúcar que comemos? Aí é que está o problema.”

A história completa podem lê-la em http://www.luxwoman.pt/dia-mundial-da-alimentacao/

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Reclamação construtiva

 
 
O meu filho X submeteu-se a vários exames auditivos no Hospital D. Estefânia, de acordo com prescrito anteriormente numa consulta de otorrinolaringologia, que duraram cerca de 10 minutos, depois de bastantes mais à espera de consulta, e com uma interrupção pelo meio. Tudo procedimentos normais dos quais não me queixo.
 
Queixo-me da sugestão para levar o X ao psicólogo feita pela técnica que estava a fazer os exames que, como referi acima, demoraram 10 minutos. A razão apontada: dificuldades de concentração.
 
O X tem 5 anos, é uma criança e não deveria ser preciso dizer mais nada. Mas eu digo: é uma criança normal, curiosa e que adorou o vosso laboratório de audiometria que tem auscultadores, luzes e maquinetas que ele nunca tinha visto!
 
Gostava de saber se parece razoável a alguém que uma técnica de audiometria possa fazer também uma avaliação psicológica e... em 10 minutos. Espero que quem receber esta reclamação perceba que não estou ofendida, na medida em que, felizmente, sei quem é o meu filho e confio plenamente nas avaliações que a escola que frequenta faz dele regularmente. Mas conheço alguns pais e profissionais de saúde para quem esta simples afirmação em contexto hospitalar iniciará facilmente um breve caminho até à hiperatividade, ao deficit de atenção e à medicação.
 
E é por isso que vos dou nota do acontecido. Esperando que sirva esta reclamação para que tal não ocorra novamente.
 

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Da escola: não querer ser professor

A minha licenciatura era vocacionada para o ensino - ensino de português língua materna com sua gramática e literatura para as criancinhas e adultos que frequentassem o ensino secundário em Portugal ou em português no estrangeiro. Era a saída mais evidente ou a entrada no mercado de trabalho mais direta do curso de Línguas e Literaturas Modernas, variante estudos portugueses.

No meu ano havia 4 bons alunos, daqueles que se destacavam mesmo pelas notas muito boas, pela noção de encantamento que nos devia causar a leitura de um poema e pela capacidade de pensar e relacionar as matérias do programa curricular com as demais matérias da vida.

Desses 4 alunos que se destacavam pela positiva num curso vocacionado para o ensino, hoje nenhum é professor do ensino secundário em Portugal. A Cláudia deixou os estudos literários a meio do curso para se dedicar ao Conservatório de Teatro e hoje escreve e dirige peças de teatro acutilantes e reconhecidas pela crítica. O Diogo seguiu para o Conservatório depois da licenciatura e do convite para integrar o mestrado em Linguística e, a última vez que o vi, era ator. O Pedro mestrou em literatura portuguesa, constituiu uma escola de artes e escreveu já vários livros, o último recentemente publicado, Despaís, é um livro do caraças, isto é, um livro que todos os portugueses e todos os cidadão de países em crise deviam ler.

Quanto a mim, escolhi não ser professora por duas razões: teria de estudar mais dois anos até poder exercer a profissão (um ano para pedagógicas com exigência de presença diária, coisa impossível para mim que já trabalhava, e um ano de estágio numa escola) e teria para sempre um mau patrão (lembro-me de ter dito isto tal e qual). Era o ano da graça de 2001.

Desde há 12 anos, eu tive dois contratos de trabalho sem termo, 2 anos de contrato com termo certo, com dois anos de desemprego interpolados por recibos verdes. Fui enganada algumas vezes, tive de andar a choramingar para conseguir cobrar muitas mais e a fazer trabalhos muito diferentes do que a minha ocupação principal faz prever. Tive meses em que não ganhei um tostão e outros em que ganhei tão mal que não chegou para as despesas.

Nunca me arrependi da decisão de não ser professora. Porque se fosse, tinha andado pelo país de mala às costas, ganhando uma ínfima parte do dinheiro que já ganhei até hoje, reduzida para sempre ao estatuto de aluno Erasmus cá dentro, dividindo casas com gente estranha, incapaz de construir uma família, ou vendo os filhos crescer aos fins-de-semana, continuando a ler apenas no comboio de regresso a casa, levando pancada da primeira mãe cujo filho eu repreendesse, sendo gozada por profissionais medianos de outras profissões que me diriam: ‘és professora porque não arranjaste mais nada para fazer?’ e não conseguindo nem uma vez uma contratação por mais do que um ano, não por fim da necessidade do meu trabalho, mas porque é assim o sistema, sendo alvo da chacota dos alunos que eu sentisse a necessidade de chumbar porque as passagens administrativas de multiplicaram ao extremo.

Eu acho estranho que um país não queira aproveitar para o ensino da sua língua materna, da sua cultura, os seus melhores alunos. Como nós os 4 deve haver mais mil que desistem de ensinar no liceu por motivos alheios à docência. Mas pelos vistos sou só eu que acha estúpidas a vida dos professores, as obrigações destes e a sua relação com a entidade patronal. Para o Ministério da Educação tudo vai bem e não é de agora.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Olha! Olha! Aqui estou eu num blogue de qualidade!

É para ler este texto da 3 picuinhas sobre a educação laica que os Estado deveria oferecer aos nossos filhos, coisa que está constantemente a ser desrespeitada. Podemos incluir esta questão na discussão sobre que escola queremos?

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Sobre a escola, os exames, a greve, as whiskas e o umbigo

Em dia de greve de professores, ouvem-se as coisas mais extraordinárias e todas elas são, no fundo, no fundo, sobre o país.
1.       Há uma aluna a quem parece profundamente injusto não fazer o exame hoje, porque “há outros que estão a fazer.” Foi dito assim tal e qual, ao microfone da TSF. O problema da estudante não é ter-se preparado para um exame que não foi fazer, nem não ter dormido nada com os nervos da véspera de um exame tão importante agora adiado, não é prever o prolongamento dos prazos dos processos de entrada na faculdade e com isso ter que delongar decisões sobre o projecto de vida, nem sequer ter de alterar a data das férias. O problema está nos outros serem, na visão da rapariga, privilegiados. Se ela estivesse entre o “décimo” dos colegas que estava a fazer o exame mostrar-se-ia tão indignada?
2.       Os alunos de Braga revoltam-se contra os pares que, apesar da greve, conseguem fazer o exame, entrando nas salas onde decorre a prova porque se sentem injustiçados, segundo o relato da jornalista, tentando assim que a prova dos outros seja anulada. A sindicalista de Braga diz que os alunos invasores mostraram estar solidários com os professores em defesa da escola pública. Volto a fazer a mesma pergunta de outra maneira: então e os que estavam sentaditos a fazer o exame foram escolhidos entre os que não se identificam com a luta dos professores?
3.       O presidente da Confederação das Associações de Pais, Jorge Ascensão, explicou à TSF que a preocupação da Confap “centra-se nos jovens” e acrescentou “estamos dependentes do sentido de dever que os professores possam ter, o que, dado o número de docentes em causa, será difícil garantir que haja exames para todos os jovens». Sim, eu sei, está esquisito. Coisas da oralidade…
As declarações dos mais diversos quadrantes repetem-se e eu oiço em todas, como o gato branco e felpudo do anúncio da Whiskas, “blablabla, o meu umbigo. Blablabla, o meu umbigo. Blablabla, o meu umbigo.” Não há, nunca há, a vontade de pensar no outro a não ser como causa dos meus problemas. O outro nunca tem a possiblidade sequer de ter sorte, legitimidade ou razão. Sorte em ter sido chamado para fazer o exame (como no ponto 1), legitimidade para estar a fazer o exame dentro da sala, (como no ponto 2) ou razão para fazer greve (como no ponto 3). O outro, e de preferência o outro mais próximo de mim possível, é o culpado pela minha situação.
E se eu estivesse no lugar do outro, fazia exatamente o que ele faz: não querer saber de mim para nada, nem dos meus problemas. Fazia o exame, fazia a greve, protestava contra o exame, declarava-me contra a greve. Ou seja, a minha opinião depende exclusivamente da minha posição em relação aos outros. Se eu tiver o privilégio casual de fazer exame estou calada. Se eu ficar de fora dos chamados ao exame, então zango-me e grito e canto o Grândola… contra os meus iguais. Esta coisa da posição relativa face aos eventos determinar inteiramente as minhas ideias é tão criticada aos políticos e, afinal, o que fazem as pessoas comuns? Exatamente o mesmo e não é de agora, que o Gaibéus já conta esta história.
Enfim, não somos todos assim. Um participante no fórum da TSF lembra que "no Japão, o único grupo que não tem de se vergar perante o Imperador é o dos professores." É uma mensagem enorme que se envia às massas quando a figura maior de um país considera que aqueles que ensinam são os únicos que se lhe equiparam em valor. Um professor é igual a um imperador, diz o protocolo. Aqui, em Portugal, um professor não vale nada e é por isso que lhe batemos, cuspimos, não obedecemos, viramos as costas, etc.
Já sei, vêm aí os exemplos dos maus professores que tiveram, que não sabiam do que estavam a falar, que não se davam ao respeito, que não se davam ao trabalho de ensinar. Vá, vão contar as vossas histórias tenebrosas ali nos comentários, daquelas que mostram que os professores não merecem respeito nenhum.
Agora roubo de uma conversa de facebook uns comentários sobre os professores no Japão:
JPG: Mas o ensino no Japão é mesmo muito bom... e não há greves.
Carla Macedo: Vai na volta é bom porque o Estado japonês acredita que é mesmo importante dar boas condições de trabalho aos professores, assim como exigir destes excelentes capacidades humanas, teóricas e técnicas para ensinar.
JPG: ...além de que há também coisas 'esquisitas' como a ética profissional, o brio e a honra em fazer um trabalho bem feito de que possam ter orgulho, coisas que se calhar, quem invocou, no fórum da TSF, um direito sobre o poder divino do Imperador não se lembrou ou não se quis lembrar. Esse direito existe, sim senhor, mas porque os professores o fazem por merecer, trabalhando afincada e dedicadamente, aliás, como todos os trabalhadores japoneses. É giro que se falem em direitos dessa grandeza, mas se esqueça como são e porque são conquistados e mantidos.
Carla Macedo: Concordo contigo. Deixa-me acrescentar à lista: têm um processo de seleção muito exigente, muito difícil, ganham um salário muito confortável e têm estatuto de estrela da pop.
JPG: Sim, tudo certo, mas mesmo antes disso, já o Imperador lhes concedia o direito a não vergarem porque faziam um excelente trabalho...
 Carla Macedo: E por isso tinham melhores condições de vida do que a maioria.
Quando é que os melhores de um curso, de uma universidade, de um país, vão escolher dar aulas no ensino não universitário, quando a proposta do empregador é andar com a casa às costas 10 ou 20 anos? Se temos de ir para onde há trabalho (e eu concordo inteiramente com esta ideia) porque é que não podemos ficar onde há trabalho? Se eu entrar para os quadros de uma empresa, depois do devido período de experiência, fico na empresa até o posto de trabalho cessar. Se eu for professora concorro a um lugar e, apesar de 3 anos depois ainda haver necessidade de um professor da minha disciplina naquela escola, eu tenho que concorrer novamente para o território nacional inteiro e provavelmente não fico colocada na mesma escola. Onde é que está a lógica deste processo? Podia continuar a falar das condições de trabalho más, muito más, de muitos professores, mas depois ninguém lia este texto até ao fim.
Ninguém que queira enriquecer vai para professor, mas há mínimos que são aceitáveis pelos muito bons. Não percebo porque é que aqueles que ensinam os nossos filhos e lhes abrem os horizontes, lhes oferecem inúmeras possibilidades de vida e tanta inspiração não são os melhor tratados pela nossa sociedade. Não percebo. A consequência é que o sistema de ensino afasta à partida ou esgota gradualmente os melhores professores em potência.
A luta dos professores, dos alunos e dos pais devia ser conjunta pela reformulação do sistema de ensino, partindo de:
-          exigência muito alta nos critérios para aceder à docência;
-          boas condições de trabalho e respeito (sim, uma vénia dos decisores políticos ficava bem) para os professores.
 
Mas isto dava muito trabalho. Os pais e os alunos a colocarem-se no lugar dos professores, os professores a darem lugar aos melhores, etc, etc, dava muito trabalho. E, como diz o meu amigo de facebook:
JPG: Pois, é uma questão de prioridades na construção de um país. Uns preferem a educação, a saúde, o desenvolvimento, outros preferem construção anárquica, crédito desenfreado, estádios de futebol, auto-estradas à doida, aceitar subsídios para não produzir e etc. e tal...

terça-feira, 7 de maio de 2013

Exames de fim de ciclo

Os exames do 4.º ano são um problema? Ou são vários problemas? Desculpem, ouvi o senhor de uma associação de pais a dizer que nem na faculdade se fazem provas com 2 horas e 40 minutos e só me apetece perguntar em que faculdade é que ele andou.
Há mais questões, não é? A criança ficar marcada por uma nota má... A pressão que a criança sofre sem necessidade... A possibilidade de a criança por causa dos nervos não conseguir ter um bom desempenho... Pois, não percebo.

Bom, se alguém me souber explicar como é que os exames da 4ª classe prejudicam as criancinhas agradeço que me deixem aqui nos comentários a explicação. É que eu não entendo.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Vamos pagar o ATL! Viva!

Querido Ministro Nuno Crato,

colocar do lado dos pais o pagamento de parte do valor das atividades de enriquecimento curricular no primeiro ciclo da escola pública, aquilo que os humanos chamam ATL, vai no sentido inverso aos discursos da produtividade que o seu governo tem tido.

É simples: Onde estão os empregos que terminam às 14h00 para que possamos estar às 15h00 nas escolas para ir buscar os miúdos? Como é que um trabalhador independente ou um tarefeiro diz "venho, sim, trabalhar para este projeto de um mês mas só metade do dia"? E ainda, onde estão os empregos ou trabalhos em que se recebe valor suficiente para pagar esta despesa? Em lado nenhum, certo?

O maior problema, para variar, não é para os pobres, nem para os ricos. É para a classe média empobrecida que passa, também, a ponderar se vale mais trabalhar ou ficar em casa.

Já me estou a ver enriquecer o currículo do meu filho com inglês em frente à televisão tardes inteiras enquanto eu termino mais uma tradução, o arranjo de uma cadeira ou a bainha de uma saia!

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Não somos filhos de deus

As respostas de um pai ateuOnde está Deus, papá? é um ensaio sobre a educação não-religiosa que se pode dar às crianças para que se tornem adultos tolerantes e bem-formados. Se ateus ou crentes, eles decidirão quando possam.


Clemente Gª Novella tem 42 anos e acaba de escrever e publicar um livro no mínimo raro. Onde está Deus, papá? – Asrespostas de um pai ateu está envolto em polémica em Espanha, país que, como o nosso, regista uma larga maioria da população como católica. Essa população não sendo praticante de todos os ritos de fé socorre-se dos preceitos religiosos para explicar conceitos como o bem, o mal ou a própria existência e isto acontece tanto na esfera pública como na privada. Mas será que é mesmo necessário pensar num deus para agir corretamente? Ou para percebermos por que razão estamos aqui? Estas são duas das questões que o livro ajuda a clarificar.

Quando escrevo a Clemente, numa sexta-feira depois do almoço, para fazer a entrevista, diz-me com simplicidade que há de responder-me mais tarde porque de momento está a ajudar os seus filhos com os trabalhos de casa. Os rapazes têm 9 e 10 anos e foram eles a inspiração para este livro. No prólogo que Clemente assina, explica que os seus meninos eram muito pequenos quando “me perguntaram pela primeira vez se Deus existia; uma dúvida que eu nunca tive em criança. (…) Claro que acreditava num deus.” É neste quadro de simplicidade, de empenho na educação dos filhos e de pôr em perspetiva os dois lados de cada questão que todo o livro de desenvolve e é, por isso mesmo, que ele é raro: por não ser pretensioso, nem esperar que o leitor já tenha feito todas as leituras ou pensado nestas questões muito a sério. Também é raro e original porque não tenta impingir uma perspetiva radical do mundo a quem o lê. É só o discurso de um homem a sistematizar as suas ideias e o caminho que o levou ao ateísmo.

“É um processo gradual,” diz-me o autor. “Primeiro vamo-nos dando conta, facilmente, de que os deuses de outras épocas ou de outros lugares são simples mitos, são lendas. Depois, sem refletir muito, vamo-nos apercebendo que o deus na nossa infância também é um ser mitológico.” Os sete primeiros capítulos do Onde está Deus papá? ocupam-se da demonstração que a invenção dos deuses serviu um propósito de explicação do mundo quando a ciência ainda nem germinava, tal como se faz num curso breve de filosofia. Mas se é tão evidente, não seria de esperar que mais pessoas se tornassem ateias? “Creio que no fundo foi essa dúvida que me motivou a escrever o livro. Perguntava a mim próprio: É tão evidente para mim que os deuses são fruto da imaginação humana… Como pode ser que uma espantosa maioria de pessoas em todo o mundo continue a acreditar neles?”

A partir desta questão, das colocadas pelos filhos e das que antecipa que venham no futuro a ser feitas, Clemente, enquadra os valores morais como uma necessidade de convivência em sociedade. No fundo basta pensar em duas regras básicas para conseguir agir corretamente: não faças aos outros o que não queres que te façam a ti e fazer aos outros apenas aquilo que eles te tenham dito que desejam. A vantagem destes princípios, lê-se no livro, é que as crianças os entendem e podem facilmente praticar.

Como esta resposta, todas as demais são simples. São ao todo 24 e são formuladas para ajudar quem quer criar os seus filhos sem o auxílio da religião, seja ela qual for. No entanto, o livro nunca predica contra as crenças dos outros. Afirma antes a possibilidade de educar segundo parâmetros exclusivamente humanos e prevê até a eventualidade das crianças criadas num ambiente sem deus se tornarem religiosas, afirmação verdadeiramente estranha para um ateu. Clemente Gª Novella é, mais do que tudo, antidogma: “Se os meus filhos vão ser ateus toda a vida? Suponho que sim. O normal é que os meus filhos sejam ateus. Mas se um dia sentirem necessidade de recorrer ao consolo metafísico que oferecem as religiões (…) se isso os fizer mais felizes, eu não terei nenhuma objeção.”

Onde está Deus, papá?
Clemente G. Novella

Preço: 14,50 €
Editora Verso de Kapa

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Mééééééé, mééééééee

Ninguém gostou da música que foi dada aos filhos o ano passado na escola, em actividade extra-curricular. Toda a gente achou que entre aquilo e nada não havia grande diferença. Toda a gente se queixou do canto gravado e das canções não cantadas ao vivo, das crianças não mexerem em instrumentos apenas os verem impressos em cartão...

Toda a gente inscreveu as crianças na mesma música extra-curricular a ser dada este ano lectivo, porque ninguém queria ser o único a excluir o seu próprio filho de uma actividade que, nas palavras de alguns, não serve para nada.

No futuro próximo iremos todos para o campo criar ovelhinhas dóceis, bonitas e que irão, como nós, umas com as outras, sem saber porquê, só porque as outras, se calhar, também querem ir.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

É só por acaso

É só por acaso que 40% das crianças portuguesas são pobres. Não há razões sociais nem políticas para que 40% das crianças portuguesas sejam pobres. Duas em cada cinco crianças vivem na pobreza. Mas é só por acaso e nós não podemos fazer nada em relação a isto. Não podemos reorganizar a sociedade, não podemos votar noutra gente, não podemos exigir um país melhor. Vá, deixem ficar tudo na mesma para que estas crianças também não contem nem votem quando crescerem, porque não vale a pena.

Apoios sociais? Uma merda! Invista-se na escola a sério para todos, desde o dia em que a mãe tem de voltar ao trabalho!

terça-feira, 5 de abril de 2011

Os censos e eu e o ensino

Questionário individual, que preencho pelo meu filho, pergunta 15:

Está a frequentar ou alguma vez frequentou o sistema de ensino?

Coiso. Eu respondi não mas gostava de responder "coiso." É que uma creche não vale como sistema de ensino mas, assim sendo, as criancinhas ficam entregues a quem?

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

As psicólogas baratas

Fui à reunião com a psicóloga da creche, que era na verdade uma palestra sobre a importância dos limites a impor às criancinhas. Descobri que há uma fórmula perfeita para as educar. Eram uns dez mandamentos sobre a importância da coerência, da autoridade, mas não do autoritarismo, da liberdade e de mais uns quantos chavões.
Gostei muito da frase "a criança não precisa de tios, nem de amigos, mas precisa de pais." Esqueceram-se foi de explicar o que é isso de ser pais e quando eu perguntei, a resposta ficou por dar...
Ah, a tabela da felicidade e da educação perfeita era perfeita! Quando eu não tiver excesso de trabalho, falta de dinheiro, cansaço crónico, ou por outra, quando eu conseguir dormir todas as horas que preciso, passar mais tempo em casa e quando lá chegar tiver tudo pronto da limpeza doméstica ao jantar... quando as preocupações com a família forem estrictamente mononucleares... bom nessa altura, vou conseguir cumprir a tabela da felicidade à risca! E vou ser a mãe perfeita.

Até lá... não quero saber de psicologia barata. Faço o que posso.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A creche ilegal

Ontem fiquei em casa de manhã e vi essa contribuição generosa para a sociedade que é o programa Praça da Alegria, da RTP 1. Estavam os senhores apresentadores - Jorge Gabriel e Sónia Araújo - todos indignados porque os vizinhos não tinham denunciado a existência de uma creche clandestina no prédio onde viviam, a creche da Morais Soares. Também estavam indignados com a falta de fiscalização, com a ausência de instituições que fechem esta casas.
Senhores apresentadores façam o favor de sair da bolha de conforto em vivem, ponham o pé na rua e olhem para a realidade em redor. As creches ilegais da Morais Soares e arredores devem ser às dúzias. Eu conheço pelo menos duas amas ali perto que apoiam as famílias. A fiscalização do Estado não funciona porque não convém. Se estas casas forem fechadas há muita gente que deixa de ir trabalhar porque não tem onde colocar os filhos. É uma questão de dinheiro ou falta de cuidado dos pais? Nem uma, nem outra. É uma questão de inexistência de recursos.
A creche clandestina da Morais Soares fica na Penha de França. Na Penha de França, estão registados 18 mil moradores (os ilegais não contam, mas basta andar na rua para imaginar a quantidade). Há muitíssimas famílias jovens que para ali vão morar porque as casas são as mais baratas do centro da cidade (é o nosso caso).
E quantas creches há na Penha de França? Quantos berçários? Há 1. Sim, UM. Que recebe 8 crianças por ano a partir dos 4 meses, mais doze com 1 ano, mais 14 com 2... Depois há um jardim infantil privado e duas ipss que recebem crianças com mais de 3 anos. Nestes, que são perto de casa, nunca o meu filho teve vaga.
Só falta acrescentar que nem a proposta do BE na assembleia municipal, nem a proposta dos cidadãos no Orçamento Participativo para a construção de uma creche e jardim infantil foram aprovados. Mas a cidade vai ter um campo de raguebi no Lumiar...
É preciso explicar mais alguma coisa?

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Pontaria para Abril

O universo da maternidade é sempre surpreendente. Soube há pouco tempo que “se estás a pensar ter filhos faz pontaria para Abril.” Como assim? Isso mesmo! Os amigos que me disseram isto esperam o segundo filho, para Janeiro. E apesar de já terem um filho a frequentar uma creche, esta instituição não vai acolher a criança mais nova até ser Setembro. A licença de maternidade para esta mãe será de cinco meses. O que é que ela vai fazer entre Julho e Setembro com a criança? Vai ter um problema, porque nem na creche do filho mais velho nem nenhuma outra (IPSS) lhe garantem a guarda da criança durante as seis horas que deverá trabalhar cada dia de semana entre Julho e Setembro...


Os pais da nossa geração estão cada vez menos disponíveis para ajudar a criar os nossos filhos. Ainda trabalham, moram longe, estão doentes ou estão mortos. Nós temos de trabalhar porque um só salário não chega (às vezes não chegam 2 para que as pessoas saiam da pobreza). E não há resposta social adequada para casos simples como este: uma criança desejada que nasce antes do tempo.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Reunião de pais ou filme de terror?

A mulher sentada ao meu lado tem cara de bruxa má. Tem uma pele fantástica, lisa, sem rugas, e, no entanto, tem cara de velha, tem cara de má. Já no final na reunião de pais levanta a voz de uma forma que me envergonha. E depois há pais - mais civilizados, é certo - que acabam por dizer a mesmas coisas:
"Eu não sei o que o meu filho faz na escola."
"Eu gostava de saber ao detalhe como passam o dia."
"Eu não queria estar a ensinar coisas ao contrário do que ensinam aqui."
"Eu acho que o meu filho andou para trás."
Depois disto vêm as culpas da escola na falta de educação dos filhos e até no não serem capazes de deitar os miúdos cedo. "Eu preferia que não fizessem a sesta," diz a mãe cara de bruxa má.

Os miúdos têm alguns 2 anos acabados de fazer, outros fazem 3 a partir de Janeiro. Alguns pais estão preocupados com o desempenho de tarefas, como se fosse preciso saber já se terão grandes capacidades intelectuais. Alguns pais põem em causa a educadora, mas não o seu desempenho enquanto pais. Estes pais que não sabem o que os filhos fazem durante o dia também não lêem o plano semanal colocado à porta. Também não podem ir a uma aula quando a educadora convida. Também não entram na sala para ver os trabalhos...

Felizmente está lá a S. que olha para mim e me faz sentir que eu não sou a única ET. Somos duas... A escola do X. tem muitos defeitos. A sala deste ano é pequena. A ementa não é muito variada. E as conversas com a direcção parecem cair às vezes em saco roto. Para IPSS é muito cara. Mas eu confio na escola porque vejo que as crianças, na sua maioria, estão felizes; porque toda a gente se trata por igual; porque toda a gente sabe o nome de toda a gente. E depois, confio muito na educadora, porque sempre que precisei falou comigo, porque me ajudou sempre, porque o meu filho é uma criança feliz também graças ela, porque ela ensina pelos afectos.

E é disto que falo quando intervenho. E confirmo: sou um ET.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

As boas notícias também devem ser dadas!

"De último para meio da tabela. Pela primeira vez em 15 anos, Portugal aparece ao lado de países como os Estados Unidos, a Suécia e a Alemanha, entre outros.
De acordo com o relatório do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), os conhecimentos dos estudantes portugueses nas áreas da Leitura, Matemática e Ciências aumentaram desde a última análise, efectuada em 2006.
Portugal, segundo este relatório, organizado pela OCDE, é um dos países onde se regista uma progressão impressionante: subiu do 25.º para o 21.º lugar num conjunto de 33 estados.
O PISA demonstra, ainda, que Portugal é o segundo país que mais progrediu em Ciências e o quarto que mais progrediu em Leitura e Matemática.
Regista-se ainda que Portugal está entre os melhores ao nível social, porque tem um sistema educativo que compensa as assimetrias socio-económicas, ou seja, tem uma das maiores percentagens de alunos de famílias desfavorecidas que atingem excelentes níveis de desempenho, por exemplo, na Leitura."

O texto integral pode ser lido na TSF.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Somos felizes?????

Somos 2 milhões de pobres. E somos felizes? Acordem! Acordem! Não chega termos uma linda família!
É preciso que a linda família possa crescer, se possa educar, possa modificar-se!
Quando alguém fica doente, a família fica com fome para ter dinheiro para os tratamentos. Quando temos um velho a cargo e ele fica acamado, é difícil tê-lo connosco e continuarmos a trabalhar. Quando chegam as férias não sabemos onde colocar as crianças ou gastamos demasiado dinheiro. Quando perdemos o emprego ficamos em pânico. Quando temos emprego trabalhamos horas a mais e ganhamos dinheiro de menos. Quando temos sorte temos emprego, a grande maioria agora tem recibo verde. Quando temos uma desavença não fazemos queixa em tribunal com medo das despesas. Quando vamos ao hospital temos que rezar para não sermos enxovalhados.
Somos felizes? Então porque é que anda tudo mal disposto?

Testemunho: eu não sou feliz! Há demasiadas coisas a funcionar mal no meu quotidiano que me limitam a felicidade. Sim, tenho uma linda família. Mas também tenho olhos! E andam bem abertos!

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Reflexões sobre a escola 3

Dar uma reguada para disciplinar felizmente, em Portugal, ainda não é apontado como solução. Mas no Texas... Ver a notícia no i.