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sexta-feira, 4 de abril de 2014

Contributos para a comissão para a natalidade I

Está mal. Não fui convidada para fazer parte da comissão para a natalidade, recentemente constituída, eu que penso há tanto tempo no difícil que é ser mãe neste país. Mas felizmente a minha colega Cuca enviou-me uma entrevista ao Público em que o professor Joaquim Azevedo explica:
A ideia é fazer uma proposta de política que seja coerente e também adaptada ao contexto em que vivemos.
Obrigada, Cuca!

É por isto que está mal não me terem convidado, porque eu vivo mesmo neste contexto. Isto é, apesar de ser uma privilegiada por ter um emprego mesmo fixe, de ser uma privilegiada por ter um marido que é trabalhador independente mas que ainda assim vai conseguindo cobrar, por ser uma privilegiada por ter já 2 filhos, sinto-me neste momento impedida pelo contexto de ter o terceiro filho.

Bom, em vez de me queixar, e dizer que as casas não esticam, os orçamentos encolhem, blabláblá, tenho uma proposta sistémica. Assim:

       1. Apoiar financeiramente ou através de incentivos fiscais, as empresas que empreguem, ou tenham como empregadas, mulheres com filhos. Por cada filho que uma empregada tenha, a empresa que a emprega deve ganhar um bónus. Esta discriminação positiva resolverá o problema da empregabilidade e do valor de mercado das mulheres com filhos. A mulher com filhos deixará de ser um peso na empresa mas uma ajuda real à sua tesouraria.

2. Como ter um filho passa a ser um fator competitivo, reduz-se drasticamente o risco de pobreza das famílias com crianças que era, da última vez que vi, mais do dobro do que o risco de pobreza das famílias sem crianças. Quanto mais filhos uma mulher tiver, mais competitiva se torna para o mercado de trabalho.

3. Como as empresas passam a ter mais dinheiro por cada filho que cada empregada gera, esse valor pode ser empregue na contratação de mais pessoas que possam contribuir para o desenvolvimento das tarefas das mães, sobretudo quando as mães têm de se ausentar no primeiro ano pelas maleitas dos filhos.

Uau! Acabámos de diminuir o desemprego e fizemos mais filhos!

Amanhã há mais!

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Do 25 de Abril há muitas versões

Um episódio recente tem sempre milhares de versões, dependendo do lado em que se esteve. O 25 de Abril não é, felizmente, uma só coisa, um só sentimento, uma só lembrança. Para a vida das pessoas normais, aquelas que não tinham gente de família na prisão, nem gente em cargos de poder, o 25 de Abril significou: salário mínimo, divórcio por iniciativa da mulher, equiparação dos membros do casal dentro do casamento, possibilidade de escolhas de emancipação, acesso a cuidados de saúde a baixo custo, fim da guerra colonial.
Nos dias que precederam ontem tive muitas dúvidas sobre celebrar esta festa, porque a política que nos mexe na vida todos os dias parece mostrar-nos que afinal não valeu a pena. Depois lembrei-me da avó que cuidou do avô durante sete anos antes que ele morresse apenas com as suas poupanças, lembrei-me do tio que voltou da guerra e nunca mais dormiu descansado, da tia que se separou do marido depois de anos de maus tratos, do primo que foi reconhecido pelo pai em vez de ser filho de pai incógnito...
Sim, estamos mais pobres, temos mais medo, mas já não aceitamos um série de coisas,porque Abril nos trouxe outra visão. E isso, não mudará tão cedo. Porque estas coisas da vida terrena já nos entraram dentro do peito.



foto de http://3picuinhas.blogspot.pt/

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Vamos pagar o ATL! Viva!

Querido Ministro Nuno Crato,

colocar do lado dos pais o pagamento de parte do valor das atividades de enriquecimento curricular no primeiro ciclo da escola pública, aquilo que os humanos chamam ATL, vai no sentido inverso aos discursos da produtividade que o seu governo tem tido.

É simples: Onde estão os empregos que terminam às 14h00 para que possamos estar às 15h00 nas escolas para ir buscar os miúdos? Como é que um trabalhador independente ou um tarefeiro diz "venho, sim, trabalhar para este projeto de um mês mas só metade do dia"? E ainda, onde estão os empregos ou trabalhos em que se recebe valor suficiente para pagar esta despesa? Em lado nenhum, certo?

O maior problema, para variar, não é para os pobres, nem para os ricos. É para a classe média empobrecida que passa, também, a ponderar se vale mais trabalhar ou ficar em casa.

Já me estou a ver enriquecer o currículo do meu filho com inglês em frente à televisão tardes inteiras enquanto eu termino mais uma tradução, o arranjo de uma cadeira ou a bainha de uma saia!

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Mitos democráticos: o voto útil e a falta de alternativas

Voto útil e alternativa são conceitos inventados e manipulados pelos barões da democracia portuguesa para que nada mude, para que tudo continue como está. Porque no fundo esses barões continuam a ser os mesmos assinalados há muitos e muitos anos atrás. O país tem de passar a ser dos que cá vivem e não de dois ou três com lugar cativo no camarote. E para que isso aconteça o essencial é que o primeiro-ministro e os membros do governo sejam boas pessoas, não se queiram encher, nem oferecer regalias aos primos e aos amigos. Tudo o resto vem por acréscimo.
O Lula da Silva metia medo nos anos 80. Se ganhasse a presidência do Brasil de certeza que tudo ía ficar pior. O Lula da Silva perdeu eleições para gente ordinária, como o Color de Melo, que logo mostrou a sua índole corrupta. Afinal, quando o Lula da Silva ganhou a entrada no Palácio do Planalto, há dez anos atrás, o Brasil não ficou sem criancinhas porque afinal os comunistas do PT não comiam criancinhas. Também não ficou sem investimento estrangeiro, porque o Presidente comunista conseguiu garantir o funcionamento das leis pré-existentes, aliás, até conseguiu captar mais investimentos. Afinal, o país não ficou mais pobre e a economia até se tornou das mais fortes no mundo. E, espectacular, a pobreza que lá é aos milhões também diminuiu ao ponto de diminuir a emigração e o Brasil voltar ao imaginário dos portugueses como lugar fértil para ir viver.
Por falar em portugueses, nas últimas legislativas o Pacheco Pereira veio avisar-nos dos perigos de uma coligação do centro com partidos trotskistas. Ui, que medo! Este senhor anda muito caladinho ultimamente (é, é chato ter um arrivista de Queluz, como líder do PSD), mas é daqueles que instiga na população portuguesa o medinho de que venham os comunistas e nos entrem pela casa a dentro e ocupem isto tudo. A nossa casa tem dois quartos, é no subúrbio, mas custa muito a pagar, por isso é melhor que os partidos de esquerda continuem a ser oposição.
O que dizem estes pequenos proprietários se vierem os bancos ocupar-lhes a casa por falta de pagamento das prestações? Que agora as prestações até podem aumentar não só pelo aumento da Euribor como pelo spread. Enfim, se houver necessidades de mercado é justo que os bancos aumentem os ganhos nas nossas prestações apesar de quase não as conseguirmos pagar. Breve nota: esta possibilidade foi aprovada pelo parecer do Banco de Portugal, tão próximos que andam os seus presidentes do PS.
Não há alternativas? Ponham os olhos no Lula que, como diz uma amiga minha da direita, “cresceu um bocadinho quando se tornou Presidente e honrou compromissos.” A malta dos outros partidos não tem ar de estadista? Porque estes tipos bonitos que andam vestidos de Armani têm… E qual é o problema de querer renegociar a dívida? É mais razoável pagar o que se pode, devolvendo o capital investido e um pouco mais ou não pagar nada, dar o tal calote, porque o país está tão mal que não consegue devolver dinheiro nenhum? Para mais, Portugal já perdoou dívida externa a países emergentes, como Angola. São processos normais.
O plano do FMI garante que conseguimos pagar? A Argentina teve a intervenção há 11 anos atrás e o país ainda não se recompôs. A Grécia um ano depois do plano que ia levantar a sua economia continua de rastos. Um ano na vida de um desempregado grego é muito tempo… Não há alternativas? Não, se considerarmos apenas os tipos bonitos que vestem Armani realmente são muito parecidos, da qualidade da dentição ao estilo político. Realmente há uma diferença: o Portas e o Passos ainda respondem em directo, o Sócrates só em diferido e com a certeza que fica bem na fotografia…
Pior do que está, a política portuguesa não pode ficar. Qual é o problema de votar em partidos pequenos? Eu consigo imaginar uma assembleia muito mais divertida com 1 deputado do MEP e outro do PAN, etc, etc. Qual é o problema das coligações, se elas existem em quase todos os países da Europa? A senhora Merkel, essa grande senhora, governa em coligação e pelos vistos consegue ir fazendo o que quer. O Zapatero também. Ai, a assembleia pode cair e país fica sem governo. E qual é a diferença em relação ao que vivemos actualmente? 

quarta-feira, 6 de abril de 2011

terça-feira, 29 de março de 2011

De uma carta para o Luxemburgo

(...) O maior problema de Portugal são as pessoas que cá vivem, não são as instituições ou os políticos. Estes são só reflexo do egoísmo pátrio em que vivemos há séculos.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Vai bem o país

Quando o nível da discussão política é :

- dizes isso porque nunca passaste por uma situação dificil.
- dizes isso porque podes. Tu tiveste muita sorte na vida.

é porque o país vai muito bem.

PODEMOS DISCUTIR IDEIAS?

quarta-feira, 9 de março de 2011

Eu não entendo a Geração à Rasca

Peço desculpa mas sou careta. Peço perdão, mas quando os cabelos brancos me aparecem na franja começo a ficar contente. Tenho 32 anos. Tinha 15 quando o Vicente Jorge Silva chamou aos meus irmãos mais velhos Geração Rasca. Estou pela primeira vez desempregada. A notícia do despedimento chegou no princípio de Fevereiro. Estou grávida e creio que essa é a única razão pela qual ainda não estou vinculada a uma outra empresa.
Em 1999, fiz os meus primeiros descontos para a Segurança Social. Em 2002, comecei a trabalhar de forma ininterrupta. Em 2003, aluguei uma casa manhosa, manhosa, mas saí definitivamente de casa dos meus pais. Nunca mais tive dinheiro dos pais. Aliás, a mesada era um conceito que não existia lá em casa. O que existia lá em casa era uma família que dava importância ao estudo e ao trabalho.

E se eu queria dinheiro para ir ao teatro ou se quis fazer Erasmus em Barcelona, trabalhei para poder ter dinheiro para o fazer. Em 99 descontei quando trabalhei na bilheteira de um cinema, depois numa livraria. Antes disso juntava dinheiro a fazer biscates. Se quis ir ao Sudoeste a primeira vez, fui de roulote de hamburgueres. O trabalho patrocinar-me-ia a entrada nos concertos. Depois de lá estar, o dinheiro que estava a fazer era tão bom que acabei por não ir a concerto nenhum. Mas os Corvos vieram montes de vezes à nossa roulote!!!!

Não entendo a Geração à Rasca. Há boa gente com pouca idade a trabalhar de mais para ganhar de menos, há. Mas também gente medíocre que espera ter direito a tudo só porque sim. Como se o trabalho e o salário fossem uma mesada mais, que se pedincha mas não se merece. É como acontece com as notas da escola. Um estagiária pediu-me que lhe desse uma nota de estágio mais alta porque "toda a gente aproveita o estágio para subir a média." Não porque ela tivesse mais valor do que aquilo que tinha demonstrado. No secundário os miúdos pedem notas em auto-avaliação que não são correctas, mas sabem que as conseguem nos conselhos de turma. O meu primo mais novo está no oitavo ano e não sabe fazer contas de somar... O Marco que aparece numa reportagem da TVI tem 15 anos, não saber ler, mas também está no oitavo ano.

Faz tudo parte do mesmo. Porque se esta Geração à Rasca soubesse ler, não escolhia para hino a música dos Deolinda. Não é dúbio que a crítica feita pelo autor é a esta gente que é retratada na letra. É óbvio.
Sou da geração ‘casinha dos pais’,
se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
e ainda me falta o carro pagar.
Sou da geração ‘vou queixar-me pra quê?’
Que parva que eu sou!
As folhas A4 com a descrição dos problemas individuais que se entregarão na Assembleia da República (ainda me vão explicar como) servem para quê? O problema da Geração à Rasca não se resolve por decreto. Resolve-se pela acção que cada um resolver tomar. Se cada um perceber que se trabalha por um salário e não por um estatuto. Se cada um exigir ser pago como gente grande quando exerce funções de gente grande. Se não houver sempre alguém disposto a fazer tudo a troco de nada, as coisas mudam. E depois, incomodar-se para quê? Se estão em casa dos pais a viver a tenças...

E depois há a todas as gerações mais velhas, que se debatem com os mesmos problemas de incerteza quanto ao futuro, de recibos verdes intermináveis, de ausência de prestações sociais em caso de doença ou incapacidade. Mas que não são putos mimados e que vêem apenas como solução trabalhar, trabalhar, com muita honestidade.

O país é uma merda. Nisso concordamos todos. Mas esta gente que tem 30 anos vota há quanto tempo nos mesmos? O Cavaco ganhou depois de uma greve geral! O PS teve uma extraordinária vitória nas últimas legislativas, mas ninguém votou neles... Têm 30 anos e quantas vezes antes exigiram os seus direitos? Quantas vezes fizeram uma reclamação? Quantas vezes tomaram a iniciativa de tornar o seu mundo ligeiramente melhor? Quantas vezes exerceram um trabalho com tanta seriedade que a sua promoção se tornaria evidente, inevitável?

Peço desculpa, mas eu só comprei o meu primeiro carro há um ano e deve ser por isso que não entendo estas coisas...

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A creche ilegal

Ontem fiquei em casa de manhã e vi essa contribuição generosa para a sociedade que é o programa Praça da Alegria, da RTP 1. Estavam os senhores apresentadores - Jorge Gabriel e Sónia Araújo - todos indignados porque os vizinhos não tinham denunciado a existência de uma creche clandestina no prédio onde viviam, a creche da Morais Soares. Também estavam indignados com a falta de fiscalização, com a ausência de instituições que fechem esta casas.
Senhores apresentadores façam o favor de sair da bolha de conforto em vivem, ponham o pé na rua e olhem para a realidade em redor. As creches ilegais da Morais Soares e arredores devem ser às dúzias. Eu conheço pelo menos duas amas ali perto que apoiam as famílias. A fiscalização do Estado não funciona porque não convém. Se estas casas forem fechadas há muita gente que deixa de ir trabalhar porque não tem onde colocar os filhos. É uma questão de dinheiro ou falta de cuidado dos pais? Nem uma, nem outra. É uma questão de inexistência de recursos.
A creche clandestina da Morais Soares fica na Penha de França. Na Penha de França, estão registados 18 mil moradores (os ilegais não contam, mas basta andar na rua para imaginar a quantidade). Há muitíssimas famílias jovens que para ali vão morar porque as casas são as mais baratas do centro da cidade (é o nosso caso).
E quantas creches há na Penha de França? Quantos berçários? Há 1. Sim, UM. Que recebe 8 crianças por ano a partir dos 4 meses, mais doze com 1 ano, mais 14 com 2... Depois há um jardim infantil privado e duas ipss que recebem crianças com mais de 3 anos. Nestes, que são perto de casa, nunca o meu filho teve vaga.
Só falta acrescentar que nem a proposta do BE na assembleia municipal, nem a proposta dos cidadãos no Orçamento Participativo para a construção de uma creche e jardim infantil foram aprovados. Mas a cidade vai ter um campo de raguebi no Lumiar...
É preciso explicar mais alguma coisa?

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Pontaria para Abril

O universo da maternidade é sempre surpreendente. Soube há pouco tempo que “se estás a pensar ter filhos faz pontaria para Abril.” Como assim? Isso mesmo! Os amigos que me disseram isto esperam o segundo filho, para Janeiro. E apesar de já terem um filho a frequentar uma creche, esta instituição não vai acolher a criança mais nova até ser Setembro. A licença de maternidade para esta mãe será de cinco meses. O que é que ela vai fazer entre Julho e Setembro com a criança? Vai ter um problema, porque nem na creche do filho mais velho nem nenhuma outra (IPSS) lhe garantem a guarda da criança durante as seis horas que deverá trabalhar cada dia de semana entre Julho e Setembro...


Os pais da nossa geração estão cada vez menos disponíveis para ajudar a criar os nossos filhos. Ainda trabalham, moram longe, estão doentes ou estão mortos. Nós temos de trabalhar porque um só salário não chega (às vezes não chegam 2 para que as pessoas saiam da pobreza). E não há resposta social adequada para casos simples como este: uma criança desejada que nasce antes do tempo.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

As boas notícias também devem ser dadas!

"De último para meio da tabela. Pela primeira vez em 15 anos, Portugal aparece ao lado de países como os Estados Unidos, a Suécia e a Alemanha, entre outros.
De acordo com o relatório do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), os conhecimentos dos estudantes portugueses nas áreas da Leitura, Matemática e Ciências aumentaram desde a última análise, efectuada em 2006.
Portugal, segundo este relatório, organizado pela OCDE, é um dos países onde se regista uma progressão impressionante: subiu do 25.º para o 21.º lugar num conjunto de 33 estados.
O PISA demonstra, ainda, que Portugal é o segundo país que mais progrediu em Ciências e o quarto que mais progrediu em Leitura e Matemática.
Regista-se ainda que Portugal está entre os melhores ao nível social, porque tem um sistema educativo que compensa as assimetrias socio-económicas, ou seja, tem uma das maiores percentagens de alunos de famílias desfavorecidas que atingem excelentes níveis de desempenho, por exemplo, na Leitura."

O texto integral pode ser lido na TSF.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Prova de condição de recursos

Pronto, já dei autorização aos Senhores da Segurança Social para investigarem o valor dos meus depósitos no banco, com a desculpa da atribuição do Abono de Família. Só tenho uma pergunta a fazer:

Os subsídios sociais não deviam ser atribuidos como base no valor do nosso trabalho?

Assim, de repente não estou ver como é que quem consegue juntar dois tostões ao final de cada vez pode ser penalizado por poupar.

Também podia contar a história da minha colega de faculdade que recebia a bolsa de estudos para comprar calças de marca ou óculos de sol. Mas não vou contar, não vale a pena.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Campo de rugby do Lumiar

Queridas amigas,
estou super contente! Acabo de descobrir que vivo numa cidade super evoluída. A proposta mais votada do Orçamento Participativo de Lisboa foi um campo de rugby para o Lumiar. Fiquei ainda mais feliz quando vi que vamos gastar 900 mil euros para ter um campo relvado, vedado e com balneários ao serviço da cidade. Estou super contente porque assim o Zé Maria, o Salvador e o Bernando vão poder fazer um desporto de cavalheiros sem se misturarem com a ralé! As meninas é que não, coitadinhas, é que não vão andar aos encontrões, nem pensar, vão à catequese.


Bom, agora eu vou ao cabeleireiro pintar o cabelo de loiro, e pintar as unhas de encarnado (detesto gente que diz vermelho, sei lá). Um grande beijinho! Mas mesmo só um!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Um país que não merece comunistas

Ontem, às 9h00, à saída do autocarro, deixei de ser de esquerda.
Pedi ao deficiente que escrevesse à Carris explicando a dificuldade que tem em sentar-se porque o autocarro vai sempre cheio. Expliquei que já tinha feito o mesmo na perspectiva de mulher que leva o filho ao colo e que apesar disso se levanta para dar o lugar ao coxo, à que teve o AVC ou à senhora com 100 anos. E o deficiente, que é bom da cabeça, disse-me o mesmo que todos já me disseram naquele autocarro: "Não vale a pena, a Carris é uma empresa que não muda, não vale a pena." Conversa queria muita, daquela de dizer que isto está tudo mal e que os outros são todos uns egoistas e só pensam neles... E eu interrompi-o, pedi desculpa por tê-lo interpelado e vim-me embora.
Hoje fui sentada, amanhã irei sentada e assim farei sempre que apanhar o autocarro. Decidi que aqui não vale a pena pensar no bem comum. As pessoas gostam mais de se queixar do que fazer qualquer outra coisa e é por isso que é inútil ser de esquerda. E é por isso que este país não merece comunistas.