segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Abono Pré-Natal dia 1 não é!

Acabo de regressar da Segurança Social da Avenida Afonso Costa, em Lisboa. Poupem as solas dos sapatos porque o decreto de lei que regulamenta o Abono de Família Pré-Natal ainda não está em vigor (ao contrário do que foi veículado em alguns orgãos de comunicação social - ver Agência Financeira).
Mas há mais. A simpática funcionária não tem indicações da data em que o subsídio passará a ser atribuído. Não sabe quais os documentos necessários para requerer o abono. E não faz a mais pequena ideia sobre a existência ou não de retroactividade.
A simpática funcionária desconhece tudo isto, porque a instituição em que trabalha não lhe deu indicações. A senhora supõe até que a direcção da instituição também não sabe o que vai acontecer. A senhora, a Segurança Social e nós, futuras mães e pais, temos que esperar pela publicação em Diário da República para saber isso tudo. E a funcionária não sabe quando isso será, mas aconselha "pode ir consultando a internet"...

Entretanto, é possível que as contas apresentadas anteriormente acerca deste Abono estejam erradas. Segundo os cálculos publicados na edição de Setembro da Pais & Filhos, a mim toca-me um subsídio de 36 euros. Que toda a gente saiba matemática! Eu incluida!

domingo, 2 de setembro de 2007

E ainda só tens essa barriga


Consigo finalmente escrever. Tenho andado cansada. A última coisa que me apetece quando chego a casa é sentar-me em frente ao computador. A barriga fica sempre esticada ao final do dia, o miúdo mexe-se muito e à noite parece que só posso ter duas posições: ou horizontal ou vertical. Sentada não lhe agrado. Deve ter menos espaço para fazer piscinas...
Tenho vindo a aprender que não se diz a verdade a toda a gente. Este cansaço e outros sintomas e sentimentos são coisas que não se devem revelar. Sobretudo a quem já esteve grávida. Também isto da maternidade é uma competição e é suposto que cada grávida se sinta o melhor possível, seja a maior, porque o que é natural nas mulheres... é estar grávida? Quando assim não é, encontra-se um óbvio sinal de falta de pendor natural para ser mãe.
Logo nos primeiro meses de gravidez o ritmo cardíaco aumenta (todos os médicos o explicam). Como consequência, aumenta a respiração e o cansaço cresce, mesmo em actividades que se fazem normalmente. Subir escadas começou logo a ser mais dificil (e eu moro num 2º andar sem elevador), caminhar pelas ruas do meu bairro ficou ainda pior (é que eu vivo no sobe e desce da Penha de França).
Um dia, estava eu a chegar ao Centro de Saúde e encontrei a mulher de um colega meu. Eu tinha vindo a pé desde a Baixa, porque até gosto de andar. Estava estafadíssima e mais do que se tivesse feito o mesmo sem estar grávida. Quando ela me perguntou como ía tudo, expliquei que "bem. Mas canso-me muito". A resposta não se fez esperar: "ai filha, e ainda só tens essa barriga".
Combinaram todas, foi? É que dos 3 aos 5 meses (que tenho agora)ouvi este comentário repetidas vezes das mais diferentes bocas. Havia as delegadas de propaganda médica, as donas de casa já com três filhos, as recentes mães, as directoras de marketing, as designers, as psicólogas, as professoras... Desculpem lá minhas "amigas". Eu sinto-me cansada e pelos vistos não fui feita para ser a melhor mãe do mundo.

Aliás, já percebi que há quem pense que eu não quero este bebé por causa das coisas que digo da gravidez. A gravidez, para mim, não é um estado de graça nem uma coisa agradável. É bom sentir o bebé a mexer, é bom saber que vou ter um filho e é incrível que ele esteja a crescer dentro de mim. É mesmo um milagre.
Mas o que é que tem de bom acordar duas vezes cada noite para ir fazer chichi? E acordar cheia de sede e não poder beber água porque se o fizer já sei que vomito? E ter convulsões matinais, sem ter nada do estômago, apenas porque hoje devo ter os orgãos deslocados? E não dormir bem porque há muito que a barriga para baixo deixou de ser uma opção? E dormir mal porque o inconsciente traz-me aos sonhos uma série de coisas que me pareciam resolvidas? Isto é bom? E o que vem a seguir?:
Mudei de caminho para o emprego, para evitar as subidas, já que me desloco a pé. Penso constantemente nas componentes de cada refeição. Sempre que me propõem uma viagem (que faz parte do meu trabalho) pondero quantas horas vou passar no carro. Às vezes tenho de ir a correr à casa de banho, outras tenho que me levantar e andar no escritório só porque a barriga assim o exige. Sinto um constante cheiro a leite podre, porque já deito colostro. Quando chego a casa ao final do dia tenho que pedir ao meu marido para me tirar os sapatos porque já não consigo desapertar as fivelas sem ginástica. Custa-me estender a roupa. Custa-me aspirar. E se passo muito tempo de pé começa-me a doer a barriga. Há ainda a comichão no umbigo, da pele a esticar. E a risota com o meu marido porque o sexo há-de voltar a ser bom daqui a um ano...
E é tão bom estar grávida.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Debaixo dos 20 continhos

O Ministério do Trabalho e Segurança Social anunciou com pompa as "Novas medidas de apoio à natalidade". A medida mais inovadora é o Abono de Família Pré-Natal, que se descreve num documento do MTSS da seguinte forma:

Montante de Abono de Família Pré-Natal
O Abono de Família passa a ser atribuído após o 3º mês de gravidez da mãe, o que corresponde a mais 6 meses de pagamento da prestação. No primeiro escalão passará a receber um montante total de € 2.351,16, - mais € 783,72 que actualmente.
Com base em dados actuais (beneficiários de Abono de Família) esta medida abrangerá 90.000 famílias.
26.000 famílias obterão um apoio adicional prévio ao nascimento da criança de € 108,85 por mês – 2º Escalão
32.000 famílias obterão um apoio adicional prévio ao nascimento da criança de €130,62 por mês – 1º Escalão
Ponderando pela distribuição dos titulares pelo respectivo escalão de rendimentos cada família receberá em média €96 mensais.


(http://www.governo.gov.pt/NR/rdonlyres/C455AAC1-B275-4BE9-9E44-CB501D3967A4/0/Apoio_Natalidade.pdf)

Este subsídio passará a ser atribuído a partir de Setembro, tendo sido já aprovado em Conselho de Ministros.

Fiquei muito contente com esta medida, que ainda me antige a carteira durante 4 ou 5 meses. Mas depois comecei a pensar em quem é que ganha mais com esta proposta. São as as mães? São os filhos? É o Estado?
Passo a explicar: recorrendo ao atendimento no Sistema Nacional de Saúde e às entidades privadas com acordos com o SNS, as grávidas não aumentam significativamente os custos no seu orçamento mensal. As consultas são gratuitas, exames como análises e ecografias não são pagos e os medicamentos são comparticipados à taxa máxima. Então, com mais 100 euros por mês eu vou poder juntar para o carrinho e a cadeirinha do bebé, a roupa, a cama, os biberões, as fraldas, as tintas e os papéis de parede... Bom, se calhar 600 euros não chegam para tudo isto. Esta é uma forma de ver a questão - e boa.
Outra forma de encarar estes 20 continhos é utilizá-los para no seguimento da gravidez no privado. As consultas são marcadas mais ou menos de mês a mês, o que pode configurar um bom motivo de investimento. Até porque o valor de uma ida ao obstetra ronda o valor do subsídio mensal e já inclui, muitas vezes as ecografias. Mesmo que o seguimento seja no SNS, uma grávida pode sempre optar por fazer os exames no privado já que, mesmo nos consultórios com acordos com o Estado, marcam-se as ecografias (por exemplo) com menos antecedência se uma pessoa estiver disposta a pagar (ver, por exemplo, a Clínica de Chelas). São só boas notícias! Só não são boas se se acreditar que um governo socialista devia estimular a utilização do SNS... e não ajudar as grávidas a fugirem do SNS.

Há ainda outra questão que deve ser lembrada: a atribuição deste subsídio é feita por escalões de rendimento. E, apesar desta diferenciação parecer justa (e o subsídio muito abrangente, já que só quando se atinge os 2000 euros per capita é que se deixa de ter direito ao mesmo) penso que esta é mais uma forma de estimular a subsídio-dependência das classes baixas. Se eu estiver em casa desempregada e já com um rendimento mínimo (perdão, de reinserção social) este abono de família pré-natal cai que nem ginjas. Os 130 euros a que passo a ter direito por estar grávida são um incremento significativo no meu orçamento familiar. É que este valor vai chegar para pagar a renda da minha habitação social (e ainda sobra). Com mais filhos vou ter direito a uma casa maior e continuo com a renda controlada. E quando puder tenho mais filhos = mais dinheiro = casa maior...

A classe média, que trabalha, que paga impostos, num instante chega ao escalão máximo. Não aos 2000 euros por pessoa (quem me dera...) mas aos 1000 euros mensais. E com 1000 per capita, tem direito a cerca de 90 euros. E 90 euros dão para quê? Se eu estiver empregada recebo os tais 1000 euros, e já vou com sorte. Pago uma renda ou uma prestação mensal ao banco que se aproxima dos 600 euros (e isto é por defeito), pago o passe dos transportes públicos ( o da carris, por exemplo, custa 26,65 euros), pago os inevitáveis almoços em restaurantes de quinta categoria porque a maioria das empresas não tem cantina nem condições para aquecer a comida que se leva no tupperware...

Portanto, debaixo dos 20 continhos que vou passar a receber a partir de Setembro (vamos lá ver) está uma medida populista com dois objectivos: 1 - dessocializar o Estado e em particular a assistência na saúde, incentivando o recurso aos médicos dos sistemas privados; 2 - incentivar as classes baixas e desinformadas a procriarem (desculpem o termo) e a aumentarem o número de indigentes e subsídio-dependentes e consequentemente de adultos com pouca formação. Para a classe média que trabalha e sustenta o Estado, resta uma ajudinha para ter meio filho por casal (assim dizem as estatísticas)...

O abono família pré-natal é um incentivo ao aumento da natalidade? Não me parece. Mais do que o dinheirinho na gravidez, eu sentir-me-ía incentivada a ter mais filhos, se os apoios pós-parto fossem outros: berçários a preços acessíveis, creches a preços acessíveis, pediatras a preços acessíveis, escolas a preços acessíveis, livros escolares a preços acessíveis e, já agora, que a qualidade dos mesmos não fosse duvidosa.

E sim, é claro que eu vou pedir os meus 20 continhos. Como é que eu os vou usar? Vou mudar as janelas da marquise para o meu filho não ter frio e vou pagá-las a prestações. É que o miúdo nasce em Dezembro.

Afinal dá para:

Comer marisco de confiança, descer a grutas, mergulhar a pouca profundidade, enfim, viajar e passar bem. Provas irrefutáveis?






quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Da necessária imobilidade das grávidas ou receita para exames nos Açores


Uma grávida não viaja. Toda a gente sabe. Quando uma mulher engravida é evidente que não se pode deslocar - nem em trabalho, nem de férias, nem por uma urgência imprevista. Embora esta ideia não tenha razões médicas efectivas, o próprio Sistema Nacional de Saúde não permite que se pense de outra forma.
Às 16 semanas de gravidez encontro-me nos Açores. Estou na Ilha Terceira para duas semanas de muita tranquilidade (aqui descansa-se mesmo). As férias estavam marcadas e com passagem de avião comprada, havia muito tempo... muito mais do que o tempo de gravidez. Como era impossível alterar as datas, resolvemos vir na mesma, achando que seria possível fazer a segunda colheita de sangue para o rastreio bioquímico. Realmente foi, graças à Dra. Antonieta Bento da Maternidade do Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, e ao Dr. Fernando Teixeira do Hospital do Santo Espírito, em Angra do Heroísmo. Como a mim me levou cinco dias até concluir o processo, descrevo o passo a passo dos essenciais para resolver uma situação como esta:

arranjar uma credencial para os Açores. Convém conhecer alguém com contactos (obrigada Sílvia!) e se não tente nas urgências do hospital;
recusar sempre fazer ecografias e outros exames no privado, porque os dados do primeiro exame são suficientes (com excepção do peso);
contar com a boa vontade do corpo médico açoriano para recolher o sangue, sintetizar o soro e emprestar o contentor que transportará a amostra congelada;
contactar a DHL para fazer o transporte, já que consegue normalmente fazer a entrega no dia seguinte à entrega, ao contrário dos CTT e de outros transitários .

Correu bem, apesar de tudo. Dos pormenores sórdidos retenho que, com excepção do Dr. Fernando Teixeira e da directora do laboratório, a maioria dos intervenientes açorianos neste processo não sabia o que era o rastreio bioquímico, incluíndo a enfermeira obstetra que me encaminhou para o médico que refiro...
Parece-me importante também ressaltar que esta operação que parece simples foi concretizada apenas porque houve boa vontade. Não há protocolos a seguir entre o Ministério da Saúde português e a Secretaria Regional de Saúde, quando se trata de procedimentos excepcionais, fazendo que quem é de "lá fora", como se diz aqui, se sinta estrangeiro e sem direitos. Mesmo quando não se fala de processos complicados, o simples facto do médico assistente ser externo à região autónoma traz complicações. Aqui, os diplomas dos profissionais de saúde continentais e as credenciais passadas por estes não são válidas. Tudo tem que ser feito segundo normas internas. Parece que, sendo residente em Portugal continental, é mais fácil ter filhos em Badajoz do que nos Açores.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Ecografia porcaria II

Quarta-feira passada regressei à Consulta de Saúde Materna com a minha médica de família. Para além dos exames e perguntas habituais, contei-lhe o episódio na Maternidade do Hospital Dona Estefânia. Quando lhe falei do episódio sobre a ecografia (aquele em que a obstetra da Maternidade se referiu à ecografia que eu levava como "uma porcaria") a médica de família pediu-me que a mostrasse de novo.
Mais uma vez analisou cuidadosamente o relatório do ecografista. Referiu que não sendo a obstetrícia a sua especialidade era possível que a obstetra tivesse o olho clínico mais treinado. Mas a seguir disse que não percebia onde é que o relatório falhava. Depois perguntou: "e porque é que ela não lhe fez outra ecografia lá na maternidade, se esta estava tão má?" Sorrimos as duas e não dissémos mais nada...

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Cansei de ser sexy?

Parece que ainda há quem acredite na história da cegonha. Isto penso eu, depois de tentar comprar roupa de grávida em várias lojas e sair de lá de mãos vazias. Quem está grávida, na maioria das vezes, teve relações sexuais. E não foi com uma pomba! Foi com um homem! Acresce a este facto, muitas mulheres grávidas confirmarem sentir mais vontade de fazer sexo do que sentiam antes. E o curioso é que este aumento da necessidade sexual é explicado pela ciência, tanto pelas alterações hormonais como pela maior sensibilidade das zonas erógenas, dado o acréscimo de irrigação sanguínea.
"Mas o que é que isso importa?", perguntam as marcas de roupa. A maioria da roupa pré-mamã parece dizer: "Já me f___ uma vez não me f__ mais." Eu não estou a pedir para a roupa ser sexy! Estou a pedir para ser apresentável. Para ter cores normais como o castanho e o vermelho! É necessário ser tudo cor de rosa e fazer ver que uma grávida é uma totó? As alterações do corpo já são difíceis de aguentar, não é preciso um corte radical com o guarda-roupa habitual para me fazer sentir ainda pior. Aposto que quem desenha a roupa das grávidas nunca esteve grávida. Se estivesse e tivesse reuniões de trabalho regularmente e uma vida social interessante e um marido de quem gosta muito, mudava logo de figura, isto é, de figurino!
Felizmente a moda "não grávida" este ano é compatível com a gravidez. Até nisto eu tenho sorte!
E já sei que há lojas com roupa gira como a Formes ou a 1 et 1 font 3. E quem é que tem dinheiro para comprar lá? Eu tenho me safado na H&M, que pelo menos tem calças mais ou menos giras. Mais nada.