quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Visitas na Maternidade

Aproxima-se o dia do parto. A barriga cresce a olhos vistos. As roupas do bebé estão quase todas preparadas. E claro, não se fala de outra coisa à minha volta. A conversa das visitas na Maternidade é assunto dominante. Toda a gente quer saber onde vai nascer a criança, quais as horas da visita e já se prometem grandes festas à porta e dentro do quarto. Acontece que EU NÃO QUERO VISITAS NA MATERNIDADE!!!
Já expliquei imensas vezes: quero estar nestes dias com o meu marido e o meu filho. E quero fazê-lo tranquilamente. Quero a minha irmã e a minha avó ao pé de mim o máximo de tempo possível, porque são as mulheres em quem mais confio. Já expliquei imensas vezes! Só da família próxima (entenda-se: pais e irmãos) são dez, divididos entre os meus e os do meu marido. Mas este argumento parece não chegar.
Então eu acrescento: As visitas por cama são no máximo 3. Cada quarto tem 4 camas. O que já vai dar 12 pessoas por quarto (9 das quais desconhecidas) mais as pessoas visitadas: 4 recém-mães e 4 recém-nascidos. Hum. Que ambiente maravilhoso e que ar com tão boas qualidades para respirar! Se a isto juntarmos um corropio de gente a entrar e a sair, a disputar senhas de entrada lá fora, flores (absolutamente dispensáveis)... a mim já me parece mau, mas a uma criança que acaba de sair cá para fora parece o quê? O miúdo deve pensar que o trabalho de parto nem foi mau de todo.
Apesar destas razões, quando eu digo que não quero visitas, as pessoas insistem em responder: “Não vamos lá para te ver. É para ver o bebé”. E, portanto, eu não tenho direito a escolher a forma como quero que o meu filho seja recebido no mundo... acho lindo!
Sim, tenho a mania de controlar. Sim, tenho a mania que sei mais do que as outras pessoas. E sim, tenho a mania porque já assisti a coisas surreais, que nunca se deviam ter passado.
O meu sobrinho nasceu em Fevereiro último. Nasceu de cesariana. A minha irmã estava cansada e tomou morfina por causa das dores. Dois factores de bem-estar absoluto, como se imagina... Também a minha irmã tentou limitar as visitas, porque também ela, já tinha assistido aos filmes de outras pessoas de família. Não obstante, nos três dias que esteve no Hospital São Francisco Xavier houve alturas em que ela estava rodeada de gente pouco próxima. Os amigos a sério tinham respeitado a sua vontade e decidido esperar pelo regresso a casa. E um bando de gente sem noção, plantou-se aos pés da cama, limitando até a visita da família.
Portanto, a solução parece ser colocar uma lista de convidados à entrada da maternidade. Quem não constar, não pode entrar. Estou mesmo a pensar fazê-lo.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Para que serve reclamar?

Eu tinha a ideia peregrina que as reclamações formais serviam para melhorar os serviços sobre os quais reclamamos. Só mesmo eu, para achar uma coisa destas! Chegou finalmente a resposta do Hospital Dona Estefânia, à minha queixa escrita no Livro Amarelo, datada do mesmo dia da consulta de Fisiatria.
Nessa data, por causa de 2 horas de espera, eu fiz uma reclamação claramente contra o sistema. Expus o que me parecia um procedimento sistemático absurdo: obrigar as grávidas a apresentarem-se na recepção às 14h00 para marcarem a sua vez na consulta. Sublinhei, no livro de reclamações, que faria mais sentido marcarem pelo telefone a hora da consulta e não a hora da marcação, para que as grávidas não necessitassem de perder tanto tempo no hospital. Acrescentei que, por incrível que pareça, as grávidas trabalham.
A carta de resposta chegou. Aliás, chegaram duas. Uma para dizer que a reclamação estava a ser avaliada e outra, duas semanas depois da primeira, para responderem à minha reclamação. O senhor adjunto do director do hospital assinou uma carta em que se lia, resumidamente, o seguinte:

A sua consulta atrasou-se porque nesse dia houve uma urgência.

Pois, apesar de o meu trabalho ser escrever, pelos vistos tenho dificuldades de expressão escrita. (Não digam nada ao meu patrão!) Não me deram uma justificação para o sistema de marcação de consultas ser como é. Nem disseram se íam avaliar outras formas de marcação. Disseram-me, basicamente, para não voltar a fazer reclamações porque o sistema nacional de saúde é assim porque é assim. Não escreveram, mas é o que posso depreender.
Pois enganam-se! Vou continuar a reclamar. Aliás, já tenho plano para reclamar todas as vezes que for à consulta na maternidade, a partir das 36 semanas. É que quando marquei esta consulta avisaram-me para ir almoçada e levar lanchinho, porque a consulta deve demorar. Isto é, tenho que estar lá outra vez às 14h00, para marcar a vez, para ter consulta, para ser atendida ao final da tarde e nem ter uma estimativa inicial da hora a que vou ser atendida...

Para que serve uma reclamação? Por enquanto é para gastar papel. Vamos lá ver se isto muda.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Aulas de preparação para o parto

Acabo de chegar da minha segunda aula de preparação para o parto. Como previsto, chamaram-me antes de completar os sete meses. Ao contrário do que tinha dito, as aulas são sete (e não seis). Começam às duas e terminam entre as quatro e meia e as cinco. Aprende-se muito e sobretudo percebe-se que há muitas coisas que se estranham na gravidez que afinal são comuns à maioria das presentes.
O grupo é muito bom. Creio que a Maternidade do Hospital Dona Estefânia teve a preocupação de agrupar pessoas com um nível semelhante de escolaridade e estrato social. Parece horrível dizer isto, mas a verdade é que as aulas são úteis e não se perde tempo com mitos. E discute-se bastante. Há opiniões diferentes acerca de tudo: tomar ou não a epidural, fazer ou não a episiotomia, coisas a pôr na mala que se leva para a maternidade. Há, inevitavelmente, alguma concorrência entre as mães (sobretudo entre as adeptas do parto o mais natural possível e aquelas que acham válidos os procedimentos rotineiros dos hospitais). E há alguma doutrinação por parte das terapeutas - quando eu perguntei porque se parte do princípio que uma mulher não aguenta as dores do parto a senhora nem me conseguiu responder, do espantada que ficou. Disse apenas: "um parto com epidural é sempre melhor". Fica o registo, que contrapõe o da maioria das minhas amigas: elas preferem (às vezes depois de dois filhos) fazer um parto com dor e... com colaboração das próprias!
Seja como fôr, estas aulas são muito úteis para mim. E suponho que quem não tem mães recentes por perto ainda as aproveita mais. Pena é que o horário seja tão impraticável como este. Eu perco uma tarde inteira de trabalho e já sei que tenho direito a ela, já que a lei consagra todas as deslocações médicas ou equivalentes durante a gravidez como um direito. E o meu empregador nem se importa muito. Mas eu é que me importo, porque eu devo fazer o mesmo que faria se não tivesse que me ausentar, com o prejuízo de ter mais dificuldade em fazer alguns contactos. Uma colega minha da preparação para o parto, que se conseguiu empregar aos seis meses de gestação, pediu para ter as folgas todas às sextas, de forma a poder frequentar as aulas sem lesar o seu recente emprego... Eu agradeço ter estas aulas no público, mas os hospitais do Estado deviam ponderar dar este serviço também em horário pós-laboral. Porque quando o meu telefone toca no escritório e ninguém o atende, quem está do lado de lá não sabe que eu estou grávida e só pode pensar: "esta à sexta-feira sai sempre mais cedo"...

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Queremos ou não ser espanhóis?

Governo dá 2500 euros por cada novo filho

O Parlamento espanhol aprovou ontem o projecto-lei que regula a atribuição de um "cheque bebé" de 2.500 euros por cada filho que nasça ou seja adoptado, iniciativa contestada pelos partidos da oposição que a consideram insuficiente ou eleitoralista.

O apoio, conhecido por "cheque bebé", prevê o pagamento por cada filho que tenha nascido ou tenha sido adoptado depois de 1 de Julho último, altura em que o primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero anunciou a medida como um estímulo à natalidade.

A medida foi aprovada depois de um intenso debate dentro e fora do Parlamento, com algumas forças políticas a sustentarem que a iniciativa é uma simples manobra eleitoral - as eleições são em Março -, carecendo de uma política global de apoio à família.

Outras forças políticas apresentaram propostas de emenda à iniciativa, defendendo que famílias carenciadas deveriam receber até 3.500 euros e em casos de residentes em povoações com poucos habitantes a ajuda poderia aumentar até aos 4.500 euros.

As propostas de emenda foram recusadas, tendo o ministro do Trabalho e Assuntos Sociais, Jesús Caldera, defendido ontem a iniciativa, a primeira universal dirigida à família sem qualquer tipo de condicionamentos (fiscal ou contributivo).

Todas as famílias com residência legal em Espanha podem ter acesso ao "cheque bebé", independentemente dos seus rendimentos ou condição laboral.

A proposta de lei foi aprovada com carácter de urgência na Câmara Baixa e sem ser discutido em comissão, procedimento criticado pela maioria dos grupos parlamentares.

in JN, 19-10-2005

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Antes de ir à segurança social, é favor ir ao médico!

Mais uma complicação: o Abono de Família Pré-Natal só é atribuido após "Certificação médica em formulário de modelo próprio" segundo se lê no www.seg-social.pt. Portanto, quem estava a planear requerer o abono na segunda-feira próxima, dia 3, passe antes pelo médico pois ele tem de jurar pela sua honra, que cada grávida está mesmo grávida. Exames e declarações médicas normais não têm qualquer efeito.

No mesmo site, encontram-se todos os formulários necessários para este requerimento. Quem quiser já pode levar de casa a documentação preenchida. Aqui ficam as hiperligações para download:
http://195.245.197.196/preview_documentos.asp?r=16724&m=PDF
http://195.245.197.196/preview_formularios.asp?r=7807&m=PDF
http://195.245.197.196/preview_formularios.asp?r=7810&m=PDF

e o meu preferido, o do médico:
http://195.245.197.196/preview_formularios.asp?r=16723&m=PDF

Histórias da preparação para o parto (que ainda nem começou)

A preparação para o parto é grátis no Sistema Nacional de Saúde. Nas maternidades da área de Lisboa, uma consulta de fisiatria é o suficiente para aceder às aulas de discussão e preparação para o parto. Na Maternidade do Hospital Dona Estefânia (MHDE), essas sessões, seis no total, decorrem às segundas e às sextas-feiras, a partir das 14h00. As grávidas têm direito a uma aula semanal, que só acaba quando todas as dúvidas forem esclarecidas. Depois da consulta de fisiatria, basta esperar por uma vaga, que deverá aparecer antes dos sete meses de gravidez. É nessa fase que me encontro agora, à espera. E, apesar do processo de inscrição ser simples, é claro que o meu processo tinha de ter alguns fait-divers. Caso contrário, este blogue era uma chatice.

Depois de aconselhada pela minha médica de família, fui à MHDE para marcar a consulta de fisiatria. Na secretaria da Maternidade, o senhor que me atendeu nem sequer sabia o que isso era... Na secretaria da consulta de urgência e de gravidez de risco, a senhora (que lanchava alegremente com o namorado, nos bastidores do balcão) lá me deu um número de telefone, porque a secretaria desta consulta, a esta hora já estava fechada... Realmente, só eu para me lembrar de ir a um serviço público depois do horário de expediente que... coincide com o meu! Para a próxima digo ao meu director:"Olha, vou ter de sair duas horas mais cedo para marcar uma consulta." Adiante.

Consegui telefonar e a conversa que se seguiu não podia ser mais... cómica? Exasperante? Infeliz? Ora vejam:
eu - Estou? Boa tarde. Queria marcar uma consulta de fisiatria, para fazer a preparação para o parto.
a funcionária - E está a ser seguida aqui na maternidade?
eu - Não, mas vou ter o bebé aí.
a funcionária - Ah! Então não tem direito.
eu - Eu acho que tenho. Foi a minha médica de família que me disse.
a funcionária - Não. Estas consultas são só para as grávidas que estão a ser seguidas aqui na maternidade.

Neste ponto eu penso: As grávidas seguidas na MHDE são as de gravidez de risco. Acho que estas não se vão pôr a fazer ginástica. Nem precisam... O mais provável é que os bebés nasçam de cesariana.

eu - Olhe que eu estive a informar-me e sei que tenho esse direito.
a funcionária - Ah pois! Eu também não sou a secretária do serviço! Não tenho que saber estas coisas! A secretária está ocupada, espere um momento que eu vou perguntar como é.

Neste momento, eu agradeci a preocupação e disse que voltava a ligar mais tarde. Nem valia a pena refilar. Mas se eu não tivesse insistido, a esta hora ía a caminho de um privado, para exercer um direito!
Quando voltei a ligar, falei com a secretária e tudo se processou com normalidade. Dei algumas informações e marquei a consulta para dia 19 de Setembro. Uma hora certa é que não, que eu estivesse lá a partir das 14h00 e as consultas se processariam por ordem de chegada...

No dia combinado e um bocado antes da hora, por causa da ordem de chegada, entrei no serviço de fisiatria. Na secretaria informaram-me que eu era a quarta pessoa da lista e pouco depois percebi que algumas grávidas estavam lá desde manhã. Para próxima já sei! Digo ao meu director: "Olha, vou ter de sair duas horas mais cedo para marcar e ter uma consulta." E não te preocupes que como esta sandes no caminho... O tempo estimado para o atendimento era, segundo a secretária, de 45 minutos. Uma hora e meia depois, chamavam finalmente por mim.

A médica era competente e até me pediu desculpas pelo atraso (milagre! ou terá sido por entretanto eu ter feito uma reclamação no livro amarelo?). A consulta era apenas um questionário oral que abordava coisas como: semanas de gravidez, sangramentos, líquido amniótico, dores nas costas, pés inchados... Nem uma medição de tensão arterial ou da altura da barriga. No fim a médica concluiu que eu estava saudável e portanto apta para a preparação.

Primeiro irritei-me. Por que raio não me fizeram estas perguntas por telefone ou me pediram para preencher uma ficha. E depois pensei na parte da conversa em que a médica se espantou, porque eu sabia exactamente a semana de gravidez e a data provável do parto. A grávida atendida antes de mim, pensava que tinha mais semanas do que eu e mesmo assim programava o parto para depois, contou-me a médica. E aqui está um exemplo de que o SNS é mau por causa dos utentes que tem. Se toda a gente fosse consciente, pelo menos, do estado de saúde próprio, se calhar as coisas andavam mais depressa. E eu não tinha de reivindicar tanto!!!

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Festinhas na barriga não!!!

Quem é que me mexeu na barriga? Isto é, quem é que, antes de eu estar grávida, me impôs as suas mãos, me fez festinhas ou movimentos circulares na barriga? Quem é que encontrou motivos para o fazer? A resposta é: quase ninguém.
E de repente, as mãozadas sucedem-se. Quem é que pediu? A barriga é minha, continua a ser a minha pele, a minha sensibilidade! Mas isso parece ser indiferente. Hoje encontrei uma mulher que só conheço profissionalmente, que só vi uma vez. Quando nos cruzámos ela fez um sorriso enorme e disse: "não sabia que estavas grávida! ficas tão bem! estás muito bonita!" Este tipo de coisas até se agradece. Mas a mão a circular de cima para baixo na minha barriga e o olhar fixo, para baixo, enquanto fala comigo, é perfeitamente desnecessário! Aliás, incomoda!
O mais curioso é que o objecto das festas (eu) não pode dizer nada. Noutro dia tive de dizer a um tipo que também só conheço profissionalmente que não gosto de festas na barriga e que fizesse o favor de não me tocar. O olhar e a voz não deixaram passar outra coisa que a condenação. Eu sei que ele não tinha más intenções e até reconheço uma certa atracção pelo milagre que se passa debaixo da minha pele. Mas a pele é minha! Custa muito perguntar antes de tocar?