segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

uma ecografista muda e uma médica que dá abraços

E vão quatro. Quatro consultas na Maternidade do Hospital Dona Estefânia e, de uma forma geral, posso dizer que o atendimento tem sido muito bom. Tenho uma médica extraordinária, que dá abraços (ou me deu a mim) depois de um exame que me custou particularmente - o toque. No final da minha escala de avaliação - que inclui secretaria, enfermeiras e auxiliares - está a ecografista do serviço de urgência.
Na consulta das 39 semanas, a médica que segue agora a minha gravidez achou por bem fazer uma nova ecografia. Às 32 semanas a ecografia de rotina tinha denunciado um possível enrolamento do cordão umbilical à volta do pescoço e a médica preferiu jogar pelo seguro. Nesse mesmo dia, seria possível fazer a ecografia numa sala quase contígua à da minha consulta. Simplesmente, a sra dra tinha ido almoçar e a secretária da mesma, apesar de ser secretária da mesma, não sabia da disponibilidade da sra dra. "Só posso marcar estes exames com o consentimento da sra dra", disse a secretária. Em consequência, marcava-se a ecografia para outro dia. "Mas será amanhã? E em que período do dia?", tive a veleidade de perguntar. "Não sei e não telefone para cá", foi a resposta pronta.
É claro que no dia a seguir, por volta das 12h00, estava eu a telefonar. E a resposta, ou seja, a hora a que eu podia ir fazer o exame, só chegou cerca de três horas depois, por que na minha primeira abordagem, o meu processo nem sequer tinha ainda sido visto pela sra dra. Lá fui à hora marcada e a ecografista, que se preparava para ir tomar um lanchinho à hora que tinha marcado comigo, conseguiu surpreender-me. Infelizmente, não foi pela positiva. Primeiro, nem sequer olhou para mim. Fiquei de pé à espera de indicações ou perguntas e nada. Depois assumiu que eu não tinha levado os exames anteriores, ao que respondi "qual deles é que quer ver". Seguidamente, já comigo deitada na mesa de observações resolveu dissertar sobre a falta de necessidade das mães serem informadas sobre este tipo de coisas. "Eu nunca digo. Não vale apena estar a criar ansiedade." Pois não... a partir daqui, limitei-me a olhar para o ecrã da ecografia e não fiz perguntas. Para quê? É possível confiar num médico que acha que a informação sobre o estado do feto é desnecessária para a grávida? Lá me disse que o cordão não tinha a tal circular à volta do pescoço e ainda foi benevolente ao ponto de me informar sobre o tamanho aproximado do bebé. As perguntas que me apetecia fazer, guardei-as para a minha médica. Aquela que dá abraços sem prejuízo do seu desempenho profissional.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Consulta de referência na MHDF

Às 36 semanas, como previsto, tive a minha consulta de referência no serviço de Obstetrícia da Maternidade do Hospital Dona Estefânia. Cheguei antes das 14h00 e pouco depois estava a fazer o CTG - o exame que controla os batimentos cardíacos do bebé a par das contracções do útero da mãe. A sala tinha três postos de CTG e em cada um estava uma grávida, com dois discos e dois cintos na barriga. Cerca de 20 minutos chegam para perceber se está tudo bem ou não. O ritmo cardíaco denuncia também a maturidade neurológica da criança e, por isso, quando não há contracções ou o bebé se encontra a dormir, as enfermeiras manipulam a barriga e sugerem que se mude de posição para ver as reacções. Correu tudo bem. Antes do CTG, mostrei os exames de toda a gravidez a uma enfermeira obstétrica, que também me mediu o peso e a tensão arterial. Estava tudo como era suposto estar.
Depois, seguiram-se 3 horas de espera porque o meu processo ficou, mais uma vez, encalhado no gabinete da enfermeira, ou da auxiliar, ou lá de quem era. Era o gabinete 25. No fim das 3 horas eu já estava deseperada. Doíam-me as costas, tinha a barriga dura e andava de um lado para o outro a ver se me passava o nervoso miúdinho. Vi as grávidas que fizeram comigo o CTG a sairem. Vi grávidas que chegaram depois de mim a sair e nada. Na recepção perguntei porque é que eu ainda não tinha sido atendida, uma auxiliar foi tentar ver o que se passava e voltou do corredor dos gabinetes médicos com a frase prodigiosa: não se preocupe que a sua ficha está no sítio que deve estar.
Daí a nada fui chamada... A médica que me estava destinada estava à minha espera há meia hora, porque na agenda tinha a marcação para a consulta de referência mas não tinha o meu processo com ela... portanto, não sabia por quem chamar. Quando saí da consulta fiz novamente uma queixa no livro amarelo (eu não desisto) e desta vez, com o apoio da médica que agora é minha.
Quanto à consulta, correu bem também. Levei uma pasta com todos os exames organizados cronologicamente, coisa que a médica agradeceu, porque lhe facilita bastante o trabalho. Copiou resultados de análises e ecografias para a minha ficha hospitalar, fez novamente o historial da família (dos dois lados)e recolheu amostras de exsudados vaginal e anal para análises. Destinam-se estes a prever as condições bactereológicas do canal de saída (e periféricos) do bebé. Se houver muitas bactérias, durante o parto administram um antibiótico que vai evitar infecções respiratórias no bebé. Depois fui ainda ao laboratório para uma colheita de sangue, por causa dos níveis de tromboplasmina elevados que detectaram na última análise.
Gostei imenso da médica, da forma como me atendeu e pediu desculpas pelo erro do serviço em que trabalha. Gostei das enfermeiras. Gostei até do CTG que imaginava muito mais intrusivo. Afinal não é. É apenas uma maquininha que me pôs a ouvir o coração do meu bebé. No fim de contas, correu tudo bem... tirando as três horas de espera.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Testemunho da Ana

A Ana deixou este comentário aqui no blog. Como acho que é importante, resolvi publicar algumas partes:
Sou grávida de 2a viagem, e tal como a minha primeira gravidez, estou a ser novamente seguida pelo privado. Para isso fiz um seguro de saude (Medis) uns tempos antes de engravidar, já a contar com isso. Dou-te os parabéns pela coragem com que te atiras aos lobos do SNS. Eu desisti, e acredita que, apesar do seguro de saúde, bem tentei ser assistida no público. Nunca tive aulas de preparação para o parto, em muito por causa do seu valor. Nem sabia que se podiam fazer nos hospitais... Na minha primeira gravidez, resumi-me a assistir aos encontros gratuitos oferecidos por lojas de artigos de bebé (Prenatal e Toys'R'Us).
Descobri recentemente, e por acaso, que não tenho que pagar as analises clínicas que me são receitadas (cada análise ficava-me numa média de €150, mesmo com seguro, na primeira gravidez), porque estou isenta. Mesmo nesta gravidez, quando me dirigi ao centro de saúde para que me fossem passadas as análises pelo SNS, ninguém me informou que estava isenta: paguei menos, mas paguei. Só o descobri à dois meses atrás.
Descobri ainda que a minha baixa médica (estou em reposo desde Setembro passado), é reembolsado a 100% em vez dos 65% que tenho estado a receber, por se tratar de uma gravidez de risco. Como descobri? Por acidente, num outro blog de alguém nas mesmas condições que eu...
O meu parto, faço questão de o fazer na MAC, por questões de segurança. Afinal é para lá que se leva um bebé nascido num hospital privado, se alguma coisa corre mal... Quem não gosta da piada é o meu obstetra, que apesar de trabalhar na MAC, está habituado a receber comissão pelos partos feitos às grávidas que acompanha no privado...
Já me dirigi à Segurança Social para pedir o famoso subsídio de natalidade por três vezes. Ainda não o consegui pedir. Na primeira, em Setembro, ainda não sabiam como funcionava, nem tinham impressos (apesar de o anúncio aparecer na tv há uma ou duas semanas). Na segunda lá me deram os impressos, incluindo o tal que tinha de ser preenchido pelo obstetra. À terceira, afinal precisavam de mais uns tantos papeis: fotocópias de BIs e contribuintes (meus, do meu marido e filha - com 2 anos, ainda sem contribuinte: tive de o pedir!!!), declarações de IRS (a nota de liquidação não chega). Ao todo 21 fotocópias, acrescidos dos respectivos impressos. É assim que está o nosso pais. As poucas coisas boas que nos dão, temos que as descobrir por nós mesmas. Quem é que adivinha???


Obrigada, Ana! E parabéns pela pequerrucha que já nasceu! Se não formos nós a escavar os nossos direitos, ninguém nos diz onde encontrá-los. Por isso é que é importante que se fale sempre, alto e bom som, do que podemos e do que não podemos fazer.

Pôr a Segurança Social a trabalhar

A Segurança Social do Areeiro foi reorganizada com o intuito, suponho eu, de melhorar o atendimento. Serve o presente texto para avisar que não está a resultar!!!
A fila para a recolha das senhas estava hoje, dia 11, às 10h30, muito, muito longa. Não sei quanto tempo se demorava porque eu usei a minha barriga para passar à frente de toda a gente. Mesmo grávida de 8 meses foi difícil: o espaço de passagem era exíguo e ainda ouvi comentários do género "a prioridade para as grávidas é só depois de receber a senha." Claro, se me arranjarem um suporte para a barriga, enquanto estou de pé, prometo que para a próxima eu espero na fila.
A senhora das senhas deu-me a senha nº 14, para ser atendida na mesa 23, local exclusivo para entrega de documentos com senha prioritária. Chego ao pé da mesa e era, afinal, um balcão altíssimo - o que dá imenso jeito a todos os que têm atendimento prioritário, sejam eles grávidas, coxos, pessoas em cadeira de rodas ou... anões.
Chego ao balcão 23 e o mostrador tem escrito a senha 8. Não sei porquê, há umas seis pessoas à volta das que estão a ser atendidas, de pé, ao balcão, a ouvir as questões pessoais e há até quem também faça comentários. É o bom povo português que, apesar de ter cadeiras disponíveis, prefere estar de pé a cuscar a vida dos outros...
Os minutos passam. As senhas prioritárias para entrega de documentos não avançam. E nisto, graças a um senhor com um bebé de colo, reparo que há três postos de atendimento vazios para a entrega de documentos. Só que como não são prioritários, as senhoras não chamam ninguém. Lá fui eu, perguntar como é que justificavam a situação e pedir para começarem a atender as pessoas com senhas prioritárias.
Dos argumentos das três senhoras, eu nem vou falar. Não dá para escrever coisas tão absurdas. Nem neste blogue. Finalmente, uma delas disse "então sente-se que eu atendo-a." Esta gente acha que me cala assim... é como uma certa médica... Adiante. Eu respondi:
- Eu quero ser atendida na ordem que me corresponde. Primeiro tem de chamar a senha 11, a 12 e a 13.
- E como é que quer que eu chame? - responde a senhora.
- Deixe estar que eu chamo - e grito - Senha 11!
Seguidamente, eu própria perguntei quem tinha a senha 12. A portadora não queria ir incomodar a outra funcionária "ela já está toda chateada", disse-me. Eu respondi-lhe que não tinha de pedir desculpa por um direito que tem. Lá se convenceu, foi até à mesa e foi atendida. Quando chegou a minha vez, fui atendida de pé, no balcão 23. O senhor funcionário era competente, solícito e simpático. Gostei.
E também gostei, apesar de tudo (e incluiu gritaria) que as senhoras da Segurança Social tenham reagido à minha reclamação de viva voz e tenham alterado momentaneamente o procedimento. O que eu não entendo é porque razão a disposição de atendimento foi alterada e em vez de melhorar, piorou. Porque é que se faz um balcão de atendimento prioritário com uma altura impossível para a maioria dos que têm direito à prioridade. Quem fez esta alteração, tem de voltar a pensar nela. E quando o fizer, aproveite para incluir um botão para as senhas de prioridade, em todas as mesas de atendimento. Assim, pode ser atenddido, vez um, vez outro, quem tem dificuldades motoras e quem não tem. E ninguém se pode justificar perante a ausência de utentes. Há-de haver sempre o que fazer.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Corrupção oficial estimulada pelo Estado

Como se sabe, eu adoro o sistema público seja ele do que for. Hoje adoro a Segurança Social e a Direcção Geral das Finanças. Ando há mais de dois meses a tentar perceber o que é que devo fazer durante a licença de maternidade relativamente à minha actividade como trabalhadora independente. A custo, consigo conciliar mais do que uma actividade. Depois das horas exigidas no escritório vou para casa e muitas vezes dedico-me a outros trabalhos que me dão mais algum conforto material. Convenhamos, sem eles nunca conseguiria colocar dinheiro de parte nem fazer face a despesas excepcionais.
Por ser trabalhadora dependente, não desconto mais nada para a Segurança Social - significa isto que os impostos que pago na fonte se referem apenas ao auferido junto da minha entidade patronal permanente. Obviamente, o valor do subsídio de maternidade que vou receber se reporta apenas a este rendimento fixo. Assim sendo, seria talvez lógico que eu pudesse continuar com actividade aberta e passar recibos verdes, durante o período de licença. Por outro lado, no caso de desemprego, para receber o respectivo subsídio sei que sou obrigada a fechar actividade. E assim surgiu a dúvida: fecho ou não fecho a actividade, durante o período que estou em casa?
Primeiro, dirigi-me à Segurança Social com esta dúvida. Perguntei a uma funcionária que me disse "Isso é com as finanças." Achei estranho mas fui às finanças. Nas finanças acharam que eu perguntava sobre o subsídio pré-natal e imprimiram-me todo o decreto de lei que estabelece esta atribuição. Finalmente, consegui explicar-me melhor (como se sabe eu sofro de péssima expressão verbal) e lá me responderam "isso é com a segurança social!" Quando expliquei que vinha de lá, voltaram a dizer "isso é com a segurança social", mas ainda fizeram o favor de imprimir para mim a lei de bases da segurança social que, logicamente, não tem o artigo que eu procuro.
Voltei à segurança social, voltaram a dizer-me para ir às finanças, eu expliquei que vinha de lá e então deram-me um número de telefone para casos especiais. Quando pude telefonei... e ninguém atendeu.
Está resolvido: eu vou fechar actividade - o desconhecimento da lei não justifica o seu incumprimento. Para as actividades que tiver de cobrar durante a licença de maternidade (algumas já feitas e com pagamentos pendentes)passarei recibos verdes de outra pessoa... De preferência uma que não tenha rendimentos passíveis de declaração de IRS, nem onde se possam aplicar retenções na fonte. O que é que isto é? Corrupção oficial estimulada pelo Estado, acho eu.

Um aparte:
Na deslocação às Finanças resolvi perguntar pela minha nota de liquidação que nunca mais chega. Está bem, apresentei a declaração com um mês de atraso mas é preciso demorar tanto? Isto é o quê? Castigo? Por causa deste atraso, ainda não fui requerer o Abono de Família Pré-Natal, para além de ter outros assuntos menores pendentes(tipo renegociar o spread). E quando expliquei e perguntei o que se podia fazer, a senhora funcionária retorquiu "mas quanto é que é o subsídio?" Eu falei de um valor aproximado de 36 euros e ela respondeu "ó filha, deixe lá isso. Por esse valor, não vale a pena incomodar-se." Ainda agora eu não consigo comentar...

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Estacionamento para deficientes mentais no Freeport

No fim-de-semana passado tive a excelente ideia de ir ao Freeport de Alcochete e descobri uma super inovação no parque de estacionamento: o estacionamento de automóveis para deficientes mentais. A zona é exactamente a mesma definida para deficientes motores, grávidas e pessoas de mobilidade reduzida. O sinal para deficientes mentais ainda não foi colocado, mas os deficientes mentais ao volante, pelo que vi, já sabem que têm esse direito.
O parque do centro comercial estava cheíssimo. Eu disse ao meu marido: estacionamos longe para não nos chatearmos com isto. Mas nem longe dava. Quando estávamos a passar pela segunda vez na zona reservada às pessoas com mobilidade reduzida, íamos sendo atropelados por um TT tipo Grand Touran, que disputava um lugar de deficiente com outro carro ligeiramente mais pequeno. Como nós andamos de Clio, nem pensámos em entrar na disputa.
Mas depois eu disse ao João "pára aí que eu quero ver que tipo de deficiência tem este senhor." Entretanto saí do carro e fui recebê-lo à porta, com a minha barriga gigante. Ele ficou atrapalhado e eu expliquei (como se fosse preciso explicar) que estou grávida. "Se não se importa, deixa-me estacionar aí." O senhor assentiu, tirou o carro e nós pudemos estacionar o nosso. A seguir a estacionarmos, chegou um Mercedes. A senhora que o conduzia e o seu bem vestido filho adolescente, não tinham qualquer sinal de mobilidade reduzida, mas estavam todos contentes porque tinham conseguido um lugar mesmo à porta...
Nesta altura fui procurar um segurança. Expliquei-lhe que estavam pessoas ditas normais, a estacionar ali, o que fazia com que pessoas com dificuldades motoras reais não conseguissem estacionar em lado nenhum. "E o que é que senhora quer que eu faça?", perguntou-me o segurança. "Quero que vá para ali, garantir o cumprimento das normas." Nesta altura o senhor disse que não ía porque quando fez isso "no princípio, mandavam-me para o outro lado". Humm... Então para que é que servem os senhores seguranças?
Parece-me incrível que as pessoas conduzam à campeão para conseguirem um lugar ao pé da porta, que não respeitem quem tem mais dificuldades em mexer-se dificultando-lhes ainda mais a vida, que sejam tão indiferentes aos outros. E é igualmente inverosímil que um segurança possa responder isto a um cliente, quando é tão evidente que os seus direitos básicos estão a ser lesados. Mas é verdade.
E depois há a registar a reacção do Freeport de Alcochete. Hoje liguei para lá e expus a situação. Expliquei que queria fazer uma reclamação formal, contei o que me tinha respondido o segurança. O senhor disse que não podiam fazer nada "porque saiu uma nova lei que dá a jurisdição dos parques de estacionamento à GNR." "E sabe dizer-me qual é o artigo?" É claro que o senhor não sabia... E quando eu sugeri para que a empresa chamasse a GNR, para regular a situação, pelos menos durante o fim-de-semana, o senhor respondeu que também não podiam fazer isso. Mas que se eu voltasse ao Freeport, podia "da pirâmide de informações, telefonar para a GNR." Obrigadinha pela esmola!
Portanto, o Freeport de Alcochete não vai por cobro a esta situação, apesar de, segundo me informou o mesmo senhor, já não ser a primeira queixa. O Freeport de Alcochete sabe que há uma situação irregular recorrente dentro do espaço que administra mas nem por isso vai tomar medidas. Só posso concluir que o Freeport privilegia os atrasados mentais ao volante preterindo as pessoas com mobilidade reduzida. Eu, tenha ou não tenha mais dias de dificuldades motoras, não volto a ir ao Freeport de Alcochete. É o meu protesto.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Visitas na Maternidade

Aproxima-se o dia do parto. A barriga cresce a olhos vistos. As roupas do bebé estão quase todas preparadas. E claro, não se fala de outra coisa à minha volta. A conversa das visitas na Maternidade é assunto dominante. Toda a gente quer saber onde vai nascer a criança, quais as horas da visita e já se prometem grandes festas à porta e dentro do quarto. Acontece que EU NÃO QUERO VISITAS NA MATERNIDADE!!!
Já expliquei imensas vezes: quero estar nestes dias com o meu marido e o meu filho. E quero fazê-lo tranquilamente. Quero a minha irmã e a minha avó ao pé de mim o máximo de tempo possível, porque são as mulheres em quem mais confio. Já expliquei imensas vezes! Só da família próxima (entenda-se: pais e irmãos) são dez, divididos entre os meus e os do meu marido. Mas este argumento parece não chegar.
Então eu acrescento: As visitas por cama são no máximo 3. Cada quarto tem 4 camas. O que já vai dar 12 pessoas por quarto (9 das quais desconhecidas) mais as pessoas visitadas: 4 recém-mães e 4 recém-nascidos. Hum. Que ambiente maravilhoso e que ar com tão boas qualidades para respirar! Se a isto juntarmos um corropio de gente a entrar e a sair, a disputar senhas de entrada lá fora, flores (absolutamente dispensáveis)... a mim já me parece mau, mas a uma criança que acaba de sair cá para fora parece o quê? O miúdo deve pensar que o trabalho de parto nem foi mau de todo.
Apesar destas razões, quando eu digo que não quero visitas, as pessoas insistem em responder: “Não vamos lá para te ver. É para ver o bebé”. E, portanto, eu não tenho direito a escolher a forma como quero que o meu filho seja recebido no mundo... acho lindo!
Sim, tenho a mania de controlar. Sim, tenho a mania que sei mais do que as outras pessoas. E sim, tenho a mania porque já assisti a coisas surreais, que nunca se deviam ter passado.
O meu sobrinho nasceu em Fevereiro último. Nasceu de cesariana. A minha irmã estava cansada e tomou morfina por causa das dores. Dois factores de bem-estar absoluto, como se imagina... Também a minha irmã tentou limitar as visitas, porque também ela, já tinha assistido aos filmes de outras pessoas de família. Não obstante, nos três dias que esteve no Hospital São Francisco Xavier houve alturas em que ela estava rodeada de gente pouco próxima. Os amigos a sério tinham respeitado a sua vontade e decidido esperar pelo regresso a casa. E um bando de gente sem noção, plantou-se aos pés da cama, limitando até a visita da família.
Portanto, a solução parece ser colocar uma lista de convidados à entrada da maternidade. Quem não constar, não pode entrar. Estou mesmo a pensar fazê-lo.