segunda-feira, 16 de março de 2009

Matámos todos a criança

Hoje dou por mim chocada a ouvir a história da criança morta em Aveiro pelo esquecimento do pai. Não sei o que pensar do pai.
Um pouco antes tinha ouvido a história da sexta-feira passada, de uma empresa maioritariamente composta por mulheres em que as próprias mulheres dizem que ter filhos não é argumento para sair às sete ou às oito. Note-se que se começa a trabalhar às 10h00...
Que raio de sociedade é esta?
Um pai não se lembra do filho no banco traseiro pela mesma razão que aquelas mães ficam a mostrar que trabalham até tarde. Pela importância que se dá ao trabalho. Pela prioridade face a tudo que o trabalho tem nas nossas vidas. E sim, eu preciso de trabalhar. E sim, eu faço serões quando é preciso. Mas limito ao máximo esses dias. Organizo o meu dia e trabalho muito. Desde que sou mãe trabalhadora que não perco tempo a fingir que trabalho ou em conversetas de bastidores. Renuncio militantemente às horas extraordinárias para estar com o meu filho.
Que raio de empresa é esta que pensa (enquanto pessoa colectiva pode pensar, certo?) que a vida privada não pode afectar os colaboradores?
E quem somos nós afinal, para andarmos tão atarefados, tão preocupados, tão sonâmbulos que não ouvimos uma criança de 9 meses a chorar, fechada dentro de um carro estacionado no meio da rua?
Se eu me esquecer do meu filho no banco de trás, por favor partam a janela!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Uma pergunta para a hierarquia da Igreja:

Qual é o melhor contexto para criar uma criança?

Um casamento gay
Um casamento entre um muçulmano e uma portuguesa
Um casamento entre dois católicos
Ou
Um marido que bate no marido
Um marido que bate na mulher
Uma mulher que bate no marido
Uma mulher que bate na mulher
Ou
Um casamento feliz
Um casamento tortuoso

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Partir os dentes? Só em Lisboa e das nove às cinco!

Já me tinham avisado. “Olho nele, agora que começa a andar.” Pois a criança, menos de um mês depois de cair de cabeça no chão, resolveu atirar-se de uma caixa de cartão, para aterrar com a boca. Entre uma hemorragia difícil de estancar, um dente que parecia desaparecido e outro que parecia partido e completamente negro, fomos quase a chorar (eu, o pai e o filho), para as urgências do Hospital do Barreiro.
O atendimento foi rápido e a equipa (das enfermeiras à pediatra) foi excelente tanto no diagnóstico como na forma como nos trataram. A pediatra concluiu que o melhor era o meu filho ser visto por um estomatologista e assim começou a confusão:
- Primeiro ligou para o Hospital Dona Estefânia e ficámos a saber que naquele que é o Hospital dedicado às crianças, as crianças não podem partir dentes porque... não há esta especialidade.
- Dali, qualquer doente deveria ser encaminhado para o Hospital de São José. Mas, apesar do protocolo, São José não aceita crianças para estomatologia. Porquê? Provavelmente porque não apetece...
- Então a médica do Hospital do Barreiro teve que contornar o protocolo, ligar para Santa Maria, e pedir o favor de o sr. dr. estomatologista de serviço receber a criancinha, que não estava muito mal mas os pais estavam muito preocupados... Com resistência por não estarmos na área de influência do Hospital, e por grande favor, o sr. dr. lá disse que sim, que podíamos ir.
Lá fomos e fomos atendidos com celeridade e simpatia. O médico explicou-nos tudo e tratou-nos de igual para igual. Aparentemente vai ficar tudo bem, conserva os dois dentes e se algum ficou muito danificado, cai antes do tempo mas não é de esperar problemas.
Quando saímos, com alta, o sr. da recepção despediu-se assim: “E tiveram sorte. Se fosse depois das cinco já não eram atendidos.”

A quem é que contamos isto? A quem é que explicamos que este sistema de protocolos que não funcionam e urgências que não têm especialidades a todas as horas é tão estúpido que os próprios médicos desesperam? Como é que é suposto alguém trabalhar com gosto nesta confusão? Como é que se consegue não desistir de um tratamento mais difícil? Podem a ministra e os seus adidos passar um dia inteiro num hospital, do lado de cá, daqueles que não sabem o que está a acontecer, para perceber o que quem recorre às urgências sofre para além da doença?

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Outro sistema nacional de saúde é possível

Na extensão da Damasceno Monteiro Centro de Saúde da Penha de França as coisas são feitas como devem ser. Dois dias antes da consulta marcada para dia 22 recebi um telefonema a dizer que a hora a que estava marcada a consulta não era conveniente para a médica. “Pode vir logo às 9h00 da manhã?”, perguntava a secretária e justificava que “vai haver uma reunião de médicos do Centro de Saúde.” Pois é, não dá jeito mas posso! Como me avisaram com antecedência, pude organizar o meu dia de forma a minimizar as implicações. É assim que se faz!

(Sim, este post é uma crítica indirecta ao Hospital Dona Estefânia. Ver post anterior!)

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Veio fazer um exame? Pois, mas não pode...

E chegou o grande dia! Levantei-me às 6h00. Acordei o meu filho pouco depois. Saímos de casa à chuva. Enfrentámos a auto-estrada e a ponte, as ultrapassagens amalucadas de alguns condutores. Deslizámos entre pedragulhos caídos no meio das avenidas da cidade. Chegámos ao Hospital molhados, afogueados e atrasados. Entrámos no serviço de ambulatório. Eu pedi desculpa pelo meu atraso e respondi que sim, "o meu filho está em jejum, sem comer desde as 3h00." Já eram 9h00... Eu estava ansiosa pelo exame que definiria conclusivamente se o meu filho sofre ou não da maldita hiperplasia da supra renal.
E depois de tudo isto, de ter pedido o dia porque o exame dura imenso tempo, de corrermos, de aumentarmos as possiblidades de uma constipação vêm dizer-me... que... "hoje não pode ser feita a Prova de Sinacten, porque a farmácia não tem os componentes químicos do exame." Brilhante organização, é o que eu tenho a dizer do Hospital Dona Estefânia, porque:
-deixou esgotar os reagentes de um exame médico que nunca é feito de urgência nem será muito frequente dado estarmos a falar de uma doença catalogada como raríssima!;
-não aprovisiona nem encomenda exames suficientes, não consulta a agenda do serviço de endocrinologia, nem o de ambulatório para conseguir as fórmulas necessárias a tempo;
-não consegue perceber sequer com um dia de antecedência que não há condições para realizar o exame de forma a avisar os pais;
- sacode as responsabilidades, na pessoa da enfermeira graduada...
Posto isto fui como de costume (ai!) fazer uma queixa, onde, depois de expor a situação, pedi o favor de não me responderem com a inimputabilidade do Hospital... como tem sido costume responderem-me sempre que perdem o processo do meu filho, não apresentam os resultados das análises no dia da consulta ou nos deixam horas plantados à espera de um sr. doutor... E não me respondam que houve uma emergência! Isso é um Hospital! A emergência faz parte da rotina!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Desejos para o futuro

Aos onze meses o meu filho começou a querer comer sozinho. Às vezes acerta na boca, outras vezes na parede, no chão ou no tecto. Mas já não prescinde da colher a cada refeição que faz em casa. Quando fez isto pela primeira vez nem queria acreditar. Estava tão contente! Era sinal de que já se começa a safar sozinho. E isto deixou-me muito orgulhosa.
Depois de contar à minha irmã, ela respondeu-me: “Onde é que está o teu bebé? Quem é esse rapazinho que tens aí?” E o meu coração começou a palpitar doutra maneira. Quero que o meu filho cresça ou não quero? Quero! Mas o tempo podia passar mais devagar...
Pensei na independência. È o que eu mais quero para o meu filho. Que ele seja autónomo, independente e capaz de tudo, quanto mais cedo melhor. Não porque me dê menos trabalho a mim (acho que vou passar mais tempo a sarar feridas), mas porque a independência foi e é o meu caminho para a felicidade. Não acredito na protecção exagerada das crianças e acho mesmo que cair dói mas é bom, porque aprendemos a não cair tão mal. Creio que crianças super protegidas se tornam amorfas e cínicas, porque não precisam de fazer nada já que lhes cai tudo no colo.
Andava a pensar nisto quando visitei uma casa se acredita no contrário. O meu filho não pode levantar-se sozinho porque se pode magoar. E mesmo quando eu digo que o deixem não o deixam porque “o menino se pode aleijar. Olha a boquinha.” E se eu contasse que no último domingo ele já trepou um móvel bicudo até à janela? Suicidavam-se colectivamente, certo? Isto só me incomoda porque é a casa dos meus sogros e a neta deles é... pelo menos, uma criança amorfa. Não sei se é cínica, mas aos oito anos ainda não come sozinha...
Problema: eu gosto muito dos meus sogros e até hoje só tive palavras boas para eles. Mas esta diferença abissal entre o que eu creio ser bom para os pequenos e o que eles pensam começa a ser demasiado grande. Ando a pensar numa creche mais cedo do que estava programado... E vou assim abrir a época das hostilidades.
Ou engulo um grande sapo?

Feliz 2009, ahahahah!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Creche com vagas

A creche Ribeiro Santos, na Almirante Reis de Lisboa, ainda tem vagas para o berçário. Ligaram-me de lá, na semana passada, a avisar que as crianças ainda podiam ser inscritas. Aliás, o fundamental da comunicação era que a mensalidade tinha baixado. "Encontrámos uma forma, mesmo sem o apoio da Segurança Social, de indexar o valor da mensalidade ao do rendimento do agregado familiar." Boa!
E agora a fatal pergunta: e ter pensado nesse mecanismo ainda antes de perceberem que não conseguiam completar os 8 ou 12 lugares? É que ouvir que a prestação é de 300 e tal euros fez-me pensar: "mas...vamos alugar uma casa para o miúdo?"