domingo, 29 de março de 2009

O que andamos a ler...


A ler? Sim. Eu leio, o meu filho ri-se. Já pede esta história por meio de gestos. Gestos que faço quando lhe leio o livro. "O Cuquedo é muito assustador" mas, para lá da personagem misteriosa, o livro é de chorar a rir. A narrativa com repetição e acrescentos é fácil de ler, de decorar a ajuda os adultos a inventarem vozes e coreografias. Obrigada, Rita, por esta oferta que está cada vez mais interessante! Desde que o começámos a ler, há quase um ano atrás, a história está cada vez melhor para o meu filho, para o meu sobrinho e, claro, para mim!

quinta-feira, 26 de março de 2009

Muito boas notícias

A boa nova chegou por telefone: o meu filho não tem Hiperplasia da Supra-renal!!!!! Muito boa notícia, sem dúvida. Ao telefone fiquei a saber que o meu filho é heterozigótico, ou seja, um dos zigotos que faz um par num gene tem uma mutação. Mas como o outro zigoto é normal, à partida, o meu filho também é normal. Não tem uma doença crónica. Ufa! Depois de um ano assustados, podemos descansar em relação a isto, disse-me a médica ao telefone.
“E ao telefone porquê?”, perguntam vocês. Porque depois de no dia 15 de Janeiro, não se ter realizado a prova de sinacten, por incapacidade do Hospital Dona Estefânia em fazer provisão dos reagentes, fomos lá no dia 13 de Fevereiro e a consulta, marcada originalmente para 12 dias depois do exame inicial, passou para... Junho! É claro que me passei, agarrei no telefone e não descansei antes de saber o resultado do exame. Adiante...
Quase a fazer 15 meses, o meu rapaz tem muitas novidades:
- anda desde os 14 meses, mas de manhã, às vezes, esquece-se.
- sabe onde tem os pés, as pernas, as mãos, a barriga, as maminhas, o cabelo.
- gosta muito quando eu pinto as unhas de vermelho e acha que são para comer.
- diz mamã, papá, avó e cão. E cão serve para tudo: para o cão e para o urso de peluche, para o chão, para os carros. Diz papato para pato e sapato.
- adora massa e adora peixe. Come maçã à dentada. E bróculos em raminhos.
- isto porque tem quatro dentes...

segunda-feira, 16 de março de 2009

Matámos todos a criança

Hoje dou por mim chocada a ouvir a história da criança morta em Aveiro pelo esquecimento do pai. Não sei o que pensar do pai.
Um pouco antes tinha ouvido a história da sexta-feira passada, de uma empresa maioritariamente composta por mulheres em que as próprias mulheres dizem que ter filhos não é argumento para sair às sete ou às oito. Note-se que se começa a trabalhar às 10h00...
Que raio de sociedade é esta?
Um pai não se lembra do filho no banco traseiro pela mesma razão que aquelas mães ficam a mostrar que trabalham até tarde. Pela importância que se dá ao trabalho. Pela prioridade face a tudo que o trabalho tem nas nossas vidas. E sim, eu preciso de trabalhar. E sim, eu faço serões quando é preciso. Mas limito ao máximo esses dias. Organizo o meu dia e trabalho muito. Desde que sou mãe trabalhadora que não perco tempo a fingir que trabalho ou em conversetas de bastidores. Renuncio militantemente às horas extraordinárias para estar com o meu filho.
Que raio de empresa é esta que pensa (enquanto pessoa colectiva pode pensar, certo?) que a vida privada não pode afectar os colaboradores?
E quem somos nós afinal, para andarmos tão atarefados, tão preocupados, tão sonâmbulos que não ouvimos uma criança de 9 meses a chorar, fechada dentro de um carro estacionado no meio da rua?
Se eu me esquecer do meu filho no banco de trás, por favor partam a janela!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Uma pergunta para a hierarquia da Igreja:

Qual é o melhor contexto para criar uma criança?

Um casamento gay
Um casamento entre um muçulmano e uma portuguesa
Um casamento entre dois católicos
Ou
Um marido que bate no marido
Um marido que bate na mulher
Uma mulher que bate no marido
Uma mulher que bate na mulher
Ou
Um casamento feliz
Um casamento tortuoso

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Partir os dentes? Só em Lisboa e das nove às cinco!

Já me tinham avisado. “Olho nele, agora que começa a andar.” Pois a criança, menos de um mês depois de cair de cabeça no chão, resolveu atirar-se de uma caixa de cartão, para aterrar com a boca. Entre uma hemorragia difícil de estancar, um dente que parecia desaparecido e outro que parecia partido e completamente negro, fomos quase a chorar (eu, o pai e o filho), para as urgências do Hospital do Barreiro.
O atendimento foi rápido e a equipa (das enfermeiras à pediatra) foi excelente tanto no diagnóstico como na forma como nos trataram. A pediatra concluiu que o melhor era o meu filho ser visto por um estomatologista e assim começou a confusão:
- Primeiro ligou para o Hospital Dona Estefânia e ficámos a saber que naquele que é o Hospital dedicado às crianças, as crianças não podem partir dentes porque... não há esta especialidade.
- Dali, qualquer doente deveria ser encaminhado para o Hospital de São José. Mas, apesar do protocolo, São José não aceita crianças para estomatologia. Porquê? Provavelmente porque não apetece...
- Então a médica do Hospital do Barreiro teve que contornar o protocolo, ligar para Santa Maria, e pedir o favor de o sr. dr. estomatologista de serviço receber a criancinha, que não estava muito mal mas os pais estavam muito preocupados... Com resistência por não estarmos na área de influência do Hospital, e por grande favor, o sr. dr. lá disse que sim, que podíamos ir.
Lá fomos e fomos atendidos com celeridade e simpatia. O médico explicou-nos tudo e tratou-nos de igual para igual. Aparentemente vai ficar tudo bem, conserva os dois dentes e se algum ficou muito danificado, cai antes do tempo mas não é de esperar problemas.
Quando saímos, com alta, o sr. da recepção despediu-se assim: “E tiveram sorte. Se fosse depois das cinco já não eram atendidos.”

A quem é que contamos isto? A quem é que explicamos que este sistema de protocolos que não funcionam e urgências que não têm especialidades a todas as horas é tão estúpido que os próprios médicos desesperam? Como é que é suposto alguém trabalhar com gosto nesta confusão? Como é que se consegue não desistir de um tratamento mais difícil? Podem a ministra e os seus adidos passar um dia inteiro num hospital, do lado de cá, daqueles que não sabem o que está a acontecer, para perceber o que quem recorre às urgências sofre para além da doença?

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Outro sistema nacional de saúde é possível

Na extensão da Damasceno Monteiro Centro de Saúde da Penha de França as coisas são feitas como devem ser. Dois dias antes da consulta marcada para dia 22 recebi um telefonema a dizer que a hora a que estava marcada a consulta não era conveniente para a médica. “Pode vir logo às 9h00 da manhã?”, perguntava a secretária e justificava que “vai haver uma reunião de médicos do Centro de Saúde.” Pois é, não dá jeito mas posso! Como me avisaram com antecedência, pude organizar o meu dia de forma a minimizar as implicações. É assim que se faz!

(Sim, este post é uma crítica indirecta ao Hospital Dona Estefânia. Ver post anterior!)

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Veio fazer um exame? Pois, mas não pode...

E chegou o grande dia! Levantei-me às 6h00. Acordei o meu filho pouco depois. Saímos de casa à chuva. Enfrentámos a auto-estrada e a ponte, as ultrapassagens amalucadas de alguns condutores. Deslizámos entre pedragulhos caídos no meio das avenidas da cidade. Chegámos ao Hospital molhados, afogueados e atrasados. Entrámos no serviço de ambulatório. Eu pedi desculpa pelo meu atraso e respondi que sim, "o meu filho está em jejum, sem comer desde as 3h00." Já eram 9h00... Eu estava ansiosa pelo exame que definiria conclusivamente se o meu filho sofre ou não da maldita hiperplasia da supra renal.
E depois de tudo isto, de ter pedido o dia porque o exame dura imenso tempo, de corrermos, de aumentarmos as possiblidades de uma constipação vêm dizer-me... que... "hoje não pode ser feita a Prova de Sinacten, porque a farmácia não tem os componentes químicos do exame." Brilhante organização, é o que eu tenho a dizer do Hospital Dona Estefânia, porque:
-deixou esgotar os reagentes de um exame médico que nunca é feito de urgência nem será muito frequente dado estarmos a falar de uma doença catalogada como raríssima!;
-não aprovisiona nem encomenda exames suficientes, não consulta a agenda do serviço de endocrinologia, nem o de ambulatório para conseguir as fórmulas necessárias a tempo;
-não consegue perceber sequer com um dia de antecedência que não há condições para realizar o exame de forma a avisar os pais;
- sacode as responsabilidades, na pessoa da enfermeira graduada...
Posto isto fui como de costume (ai!) fazer uma queixa, onde, depois de expor a situação, pedi o favor de não me responderem com a inimputabilidade do Hospital... como tem sido costume responderem-me sempre que perdem o processo do meu filho, não apresentam os resultados das análises no dia da consulta ou nos deixam horas plantados à espera de um sr. doutor... E não me respondam que houve uma emergência! Isso é um Hospital! A emergência faz parte da rotina!