quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Uma discussão inexistente

Estamos a ter uma discussão que não existe! Vamos, por favor, acabar com ela. A minha reclamação é, como quase sempre, contra o Estado Português. Os últimos posts foram sobre isso, não foram sobre mães que ficam em casa ou mães que vão trabalhar. Não faço a defesa de nenhum dos modelos. O meu modelo de vida ideal não é a vida que tenho e é por isso que reclamo aqui como fiz nos textos anteriores... aliás todo este blogue é em torno disso. Não é sobre a minha vida é sobre como a política afecta a minha vida de mãe. A minha intenção ao escrever aqui tem sido pensar estas questões que dizem respeito a todas as pessoas e que os nossos representantes se esquecem sistematicamente: os direitos na parentalidade.
Agradeço conteúdos/comentários de discussão política e social. Agradeço que não se façam mais comentários de teor afectivo, emocional e educacional. Eu também os fiz e eram desnecessários.
Obrigada!

terça-feira, 29 de setembro de 2009

O que falta para uma vida boa

Tinha começado um comentário assim:

“Querida Marina,
quando puderes dá um workshop de economia familiar porque assim, de repente, não estou a ver de que é eu posso abdicar, dado que... sou o maior ganha pão lá de casa.”

Mas depois resolvi reformular o sentimento de indignação face a um comentário ao meu texto de 22 de Setembro, para então explicar a minha indignação contra a pseudo-política de natalidade que se exerce em Portugal. Até vem a calhar, já que o sr. Sócrates teve uma “extraordinária vitória”...

A lei recentemente aprovada permite que a mãe e/ou o pai que estejam empregados fiquem em casa até ao 12º mês de vida do bebé. A redução do rendimento mensal é gradual, iniciando-se no 6º mês pós-parto. Contas que fiz, quando foi publicada a lei, levam-me a pensar que para mim seria vantajoso ficar em casa até ao 9º mês.

Comparando com o que tínhamos antes, a lei é muito boa. Passando para a vida real a lei é uma boa porcaria. Porquê?

Porque não há uma rede social que apoie as famílias no período posterior. Não há uma rede de berçários funcional nem gratuita (como em Espanha), não há um subsídio que ajude efectivamente as famílias a pagarem os custos de colocar a criança numa instituição (no Luxemburgo existe e é no valor aproximado ao que cobram as escolas e tem um valor fiduciário universal), não há um período alargado em que um dos pais possa ficar em casa com os filhos (como na Alemanha ou em Inglaterra, onde a Segurança Social paga durante 3 anos, findos os quais a mulher tem direito a ocupar o posto de trabalho que tinha antes).

No mundo real, entre os 12 meses e os 3 anos, em que supostamente a criança começa a frequentar o ensino pré-escolar, onde é que as portuguesas deixam os filhos? Com os avós, certo? Errado! Há milhares de famílias que pelas mais diversas razões não podem recorrer a esse favor. Então deixamos as crianças em casa até elas terem idade (e vaga) para frequentar o pré-escolar enquanto nós vamos trabalhar? Não, pois não? E ficamos em casa durante dois anos sem direito a nada? Se nos despedirmos nem o subsídio de desemprego podemos receber!

Entre os 12 meses e os 3 anos as famílias que trabalham não têm alternativa se não pagar. E podem, é certo, recorrer a IPSS se tiverem vaga, para cuidar dos filhos por um preço que é condicionado pelos seu rendimentos brutos e não pela liquidez ao final do mês. A renda da casa, por exemplo, conta para essa ponderação até ao valor máximo do salário mínimo nacional, o que para um agregado de 3 pessoas (o médio em Portugal) começa agora, com mais uma descida das taxas de juro, a ser verdade. Quando as taxas começarem a subir, eu por exemplo, estarei encrencada.

O resultado das contas, devido aos escalões do IRS, significa que muitas vezes famílias com rendimentos mais altos têm menor liquidez do que famílias com rendimentos mais baixos (até porque os subsídios não são contabilizados como rendimentos). Isto (de ajudar os pobrezinhos) até era bonito se não significasse uma barreira atroz para quem quer subir na vida, ou para quem quer simplesmente ter uma vida tranquila. A classe média, que já paga mais impostos na fonte, volta a pagar mais pelo simples facto de se fartar de trabalhar, tentar ter uma vida melhor mas não conseguir sair da cepa torta porque tudo o que ganha será subtraído por escolas, atls e instituições várias que consideram apenas o rendimento bruto.

A constante camuflagem daquilo que significa hoje ter um filho, de que falava, deve-se a isto. Significa perder direitos, porque o trabalho é taxado, o consumo e tudo o mais é taxado, para depois voltarmos a pagar quando recorremos ao Estado. Ter um filho significa ficar mais pobre e desculpem lá mas amor e uma cabana não é o melhor cenário para criar uma criança.

Pelos vistos isto só é evidente para mim e para a H, porque nem um só partido político, nem sequer um dos novos, nem sequer o estúpido partido pró-vida, foi capaz de referir que o que falta, a saber:

- Berçários, creches, escolas e atls gratuitos universalmente.
- Redução do horário de trabalho.

É só isso que falta para termos mais bebés. Todos! Quem está em casa, quem está na rua, quem mora na cidade, quem mora no campo, que pega todos os dias às 6h00 e quem larga às 24h00, quem é mãe profissional e quem é profissional de outra coisa qualquer. Não fazem falta abonos, nem subsídios de nenhuma espécie. Faz falta um sistema público de ensino que permita termos uma vida boa e estarmos com os nossos miúdos, pelo simples facto de contribuirmos para a sociedade em que nos inserimos ao pagarmos impostos.

Nota de rodapé:
Na Finlândia 98% da população é da classe média.
Em Portugal 20% da população vive ou está em risco de pobreza.

2ª semana na creche

Hoje lá foi, mais conformado, ainda a fazer beicinho, ter com a Pipa, a educadora. Já não chorou. Disse-me um adeus muito triste, mas lá ficou.
Eu é que choraminguei quando o fui buscar à hora que hei-de ir todos os dias. Eram umas 18.30 e ele era o único que restava da turma. Estava sentado a um canto, sozinho, no refeitório. E eu é que choraminguei.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Educar os meninos? Pode pagar aqui!

Falo da minha perplexidade à Assistente Social. São 260 os euros que devo desembolsar mensalmente para que o meu filho possa frequentar uma creche de uma Instituição de Solidariedade Social, e neste valor não estão contemplados os prolongamentos. O meu espanto acaba de aumentar ao conhecer o valor mais baixo da mensalidade, noutra escola, do meu sobrinho, cujo agregado familiar até ganha mais que o meu, embora estejamos acondicionados no mesmo escalão de IRS. A diferença das prestações é de quase 100 euros. Então, ligo para a Assistente Social que ao telefone e depois de viva voz me explica que os acordos de cada IPSS com a Segurança Social são feitos individualmente, ou seja, não são todos iguais. Os critérios que atribuem as taxas máximas (que na escola do X vão até aos 400 euros) ficam nos segredos dos deuses.

A minha amiga H gasta 450 euros por mês, com a educação de 2 filhas. A mais velha vai à escola pública, mas tem o ATL para pagar, que por sinal nem é um ATL porque na área de residência da família não há ATLs que cheguem. A mais nova também frequenta uma IPSS e paga um balúrdio porque as mais valias da venda de uma casa são contempladas como rendimento... apesar deles se terem mudado para uma casa mais pequena e mais barata que podem pagar com mais facilidade.

A Assistente Social da creche do X, disse-me que tem um filho de 5 anos que frequenta um pré-escolar público e que por causa da alimentação e da ocupação das horas não lectivas paga mais de 130 euros, a taxa máxima...

Ensino tendencialmente gratuito?
Incentivos à natalidade?
Abono de família?

Por favor não me falem destas coisas brevemente. Nem de políticos!

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Vou já ter 6 ou 7 filhos, sr. Sócrates!

A notícia já tem alguns dias mas só neste fim-de-semana é que tomei atenção à história. O nosso querido Partido Socialista apresentou uma conta-poupança bebé de uns fantásticos 200 euros de depósito inicial. A revista Sábado fez as contas e a capitalização soma mais 252 euros, o que significa quando os bebés atingirem a maioridade podem levantar 452 euros!! “Ena pá! Bué dinheiro,” dirão eles? Acho que nem isso, já que 1 euro serve, cada dia, progressivamente para menos...
Esta medida inscreve-se no programa socialista, que supostamente se realizará se o PS ganhar as próximas eleições legislativas. Segundo se lê no 24 horas, «o valor curto pode ser compensado de outra forma: esta conta-poupança futuro pode ser reforçada pela família ao longo dos anos de escolaridade obrigatória. À semelhança das contas-poupança reforma, estes reforços vão beneficiar de regimes fiscais favoráveis." Os socialistas apontam quatro "vantagens": "incentiva a conclusão do ensino obrigatório", "a criação de hábitos de poupança", "permite que o jovem se possa autonomizar" e é uma "medida de apoio à natalidade", enumerou Tiago Silveira.»

AH!AHH!AHAHAA!AHH!HA!AHAHAHAHAHAH!AHAH!HHAAAAAH!!!!!!
Eu já tinha a teoria preparada mas encontrei uma reacção que parece minha, ora vejam: «É no fundo uma proposta para entregar 200 euros à banca, angariando clientes logo à nascença, quando as verdadeiras razões para a baixa da natalidade estão no facto de as pessoas terem salários baixos, estarem precárias no seu emprego e não terem certeza quanto ao seu futuro e de terem dificuldade nas condições de acesso, por exemplo, à habitação», disse o líder da bancada parlamentar comunista, Bernardino Soares.

Eu acrescentaria ainda que não existe um sistema público de berçários e creches suficiente e que todos os níveis de escola + ocupação dos tempos livres são caríssimos e mesmo assim oferecem poucas condições aos nossos filhos... E que é difícil conseguir um emprego com períodos de trabalho e salário compatíveis com as exigências da maternidade e da paternidade.

(Esta prática – a de incentivar (obrigar?) o recurso aos bancos em qualquer situação– parece agora normal no governo/PS/Estado (?). Basta lembrar que para se aceder aos subsídios e deduções no IRS conferidos pela montagem de painéis solares para o aquecimento das águas domésticas é preciso recorrer ao banco... Mesmo que se tenha o dinheiro vivo. “Devemos olhar para o banco como uma loja,” disse-me o sr. da linha de atendimento... Mas isso é outra conversa, que este blogue é sobre bebés. Bom, bebés e afins.)

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Beber pelo copo


Ao 18º mês, lê-se no livro azul do bebé, deve iniciar-se o desmame do biberão. De resto, na consulta com a médica de família foi-nos dito exactamente o mesmo. Coisa que... nunca mais nos lembrámos. E ontem fiz um sumo de ameixas, deitei-o num copo com asas e dei-o ao X, assim, sem pensar. Resultado: o desmame está feito. O X já bebe pelo copo... assim de fácil, não necessariamente limpo... Hoje de manhã bebeu batido de melancia, tchan, tchan, tchan... pelo copo!



IKEA

quarta-feira, 29 de julho de 2009

O som da Fada Oriana




Num regresso da praia tive uma experiência mágica. O meu amigo Fernando pôs para os miúdos a história da Fada Oriana a tocar no leitor de cd do carro. A história, originalmente escrita por Sophia de Mello Breyner Andresen, estava lida pelo próprio Fernando, que a gravou para o mais velho, hoje com 14 anos. Agora ouvem-na os dois mais pequenos. E eu e o meu filho tivemos a sorte de vir no mesmo carro e partilhar da leitura. Viajei pela floresta, fui com a velha à cidade, entrei na casa do rico, e ri-me porque a mulher do moleiro que tem 11 filhos nunca nota que a fada lhe arruma a casa toda... Além da história, adorei a leitura e adorei esta ideia: a de ser nossa a voz do cd que toca para os embalar nos sonos e os enviar para o reino dos sonhos. Obrigada Fernando!