O T chega sem o N. Já não o via há que tempos... pergunto-lhe pelo N. Os olhos enchem-se de lágrimas e diz-me “Não está comigo.” E pede-me para não falar disto, depois o meu marido há-de contar-me, não quer repetir a história, não o vê há meses...
O T ficou com o N quando o J desapareceu ou quase. O J era namorado do T. Sim, dois homens relacionados amorosamente que cuidavam do filho de um deles, um filho que era quase do acaso. O T foi o único pai que eu conheci ao N, do J ouvi falar muitas vezes, mas só conheci o T depois do J os ter deixado. E lembro-me de ouvir o T dizer que nunca tinha pensado em ser pai, por ser homossexual. E lembro-me de ver os olhos emocionados do T cada vez que o N teve uma novidade ou um carinho para ele. E lembro-me de ter a certeza que o que havia ali era amor, tal e qual como o amor que vejo entre o meu marido e o meu filho cada vez que os seus olhares se cruzam, cada vez que brincam, cada vez que se abraçam.
O J lembrou-se agora que tem um filho, passada uma série de anos. Também se lembrou agora que não é gay. Tem uma mulher de quem teve há pouco tempo 2 filhos gémeos, mas nem por isso são uma família estável. O J veio buscar o N para um fim-de-semana e nunca mais o trouxe a casa. A escola do N mudou de um dia para o outro. A vida do N mudou sem aviso. A vida do T... Bom, a vida do T tinha sido estruturada em torno da criança, como todos nós fizemos desde que fomos pais.
Agora o T não pode sequer ver o N. Os amigos que visitam o N dizem que ele pergunta sempre pelo T mas o T foi ameaçado pela mulher do J. Ela diz que o denuncia por pedofilia, se ele tentar ver o N. O grave disto é que ela sabe que a acusação surtiria efeito, simplesmente porque o T se assume como homossexual. E para muitas cabeças as duas coisas são a mesma coisa. E onde é que anda o J nesta história? O que é que ele diz em relação à sexualidade do T e em relação à restante estupidez de tudo isto? Estas são exactamente as mesmas perguntas que eu faço.
Ainda faço outra: quem é o pai nesta história?
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Funcionária pública no seu melhor.
Veleidade minha achar que de uma semana para a outra se podem mudar consultas com o médico de família. Ontem ao balcão do Centro de Saúde fiz o pedido. A consulta era para hoje, mas dava-me imenso mais jeito ir para a semana que vem porque vou estar de férias. A alminha que me atende diz que não. Eu pergunto se não se importa de confirmar no registo de consultas se há ou não vaga e não é que a criatura se recusa a olhar para o computador?
Bom, estou ao balcão porque tenho consulta marcada para mim já a seguir, por isso “deixa lá” penso eu “que já pergunto à médica se posso alterar a consulta ou não e já cá venho.” E é claro que há vaga e é claro que a médica diz que não lhe causa transtorno nenhum e, portanto, depois da minha consulta, enquanto são colocadas vinhetas nas credenciais de exames, explico que “a doutora autorizou a alteração.” Infelizmente, não estava lá a senhora que se recusou a trabalhar. Infelizmente também, eu não tinha mais tempo para gastar por ali. Fica prometido que, no dia 21 farei a devida reclamação.
E depois queixam-se que isto está mau e que o país não anda...
Bom, estou ao balcão porque tenho consulta marcada para mim já a seguir, por isso “deixa lá” penso eu “que já pergunto à médica se posso alterar a consulta ou não e já cá venho.” E é claro que há vaga e é claro que a médica diz que não lhe causa transtorno nenhum e, portanto, depois da minha consulta, enquanto são colocadas vinhetas nas credenciais de exames, explico que “a doutora autorizou a alteração.” Infelizmente, não estava lá a senhora que se recusou a trabalhar. Infelizmente também, eu não tinha mais tempo para gastar por ali. Fica prometido que, no dia 21 farei a devida reclamação.
E depois queixam-se que isto está mau e que o país não anda...
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Uma coisa que detesto:
presentes velhos para a caridade.
A sério! Não podem ao menos lavá-los antes de os entregarem aos pobrezinhos ou aos doentinhos?
A sério! Não podem ao menos lavá-los antes de os entregarem aos pobrezinhos ou aos doentinhos?
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Um Pacote De Passas
- Os parques da cidade arranjados por fim e limpos para sempre.
- Melhores horários para o 30, ò srs. da carris.
- A mesma creche muito mais solidária com os pais.
- As ruas sem cocós de cão.
- As betas caladas (porque não as consigo eliminar).
- Voltar a tocar viola.
- Ler mais e mais!
- Trabalhar menos horas por dia (eu adoro o que faço mas 6 horas está bom!)
- Contar todos os dias uma história.
- Acordar sempre de bom humor.
- Perder preconceitos.
- Ser mais humilde.
- Ser mais inteligente.
- Ver mais os meus amigos.
- Ir mais vezes ao cinema.
- A expansão da sensibilidade da nossa equipe médica ao Sistema Nacional de Saúde.
- Escolas de ensino integrado de música para mais crianças.
- Eleições antecipadas.
- A definição da utilização ou não do acordo ortográfico.
- Ver a saga do Padrinho e a da Guerra das Estrelas.
- Ter paciência...
- Ter paciência...
- Ter paciência...
- Melhores horários para o 30, ò srs. da carris.
- A mesma creche muito mais solidária com os pais.
- As ruas sem cocós de cão.
- As betas caladas (porque não as consigo eliminar).
- Voltar a tocar viola.
- Ler mais e mais!
- Trabalhar menos horas por dia (eu adoro o que faço mas 6 horas está bom!)
- Contar todos os dias uma história.
- Acordar sempre de bom humor.
- Perder preconceitos.
- Ser mais humilde.
- Ser mais inteligente.
- Ver mais os meus amigos.
- Ir mais vezes ao cinema.
- A expansão da sensibilidade da nossa equipe médica ao Sistema Nacional de Saúde.
- Escolas de ensino integrado de música para mais crianças.
- Eleições antecipadas.
- A definição da utilização ou não do acordo ortográfico.
- Ver a saga do Padrinho e a da Guerra das Estrelas.
- Ter paciência...
- Ter paciência...
- Ter paciência...
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Feliz Anhuca!
Queria fazer um post sobre o Natal em que explicaria que gosto mais do Natal do Jesus do que do Natal do Pai Natal. O do Jesus, porque é a história da família reunida, em vez da história do homem gordo que nos faz comprar presentes de forma desenfreada... mesmo se eu não sou católica.
E, sem dar conta, começamos a desejar Feliz Anhuca uns aos outros, comemos bacalhau e polvo, trocámos umas prendas e as que recebemos a mais acabaram por ter o destino decidido: vão para o Hospital Dona Estefânia. Isto foi a nossa consoada.
No dia de Natal viajámos de barco e comboio, vimos a restante família e comemos peru. E foi outra maravilha!
Daqui para a frente celebraremos o Dia de Anhuca, misturando as nossas raízes judias (sim, somos arrivistas e cristãos novos) com a nossa auto-ironia, comprando cada vez menos presentes (eu e o meu marido já não trocámos nada este ano) e dando os que sobram a alguém que tenha mesmo falta deles. E o Anhuca será o dia dos abraços e dos beijos, da comida farta e do bom vinho, e das canções que nos apetecer cantar no dia. Ou seja, só mais um dia como os restantes – mas com roupa gira e maquilhagem!
E, sem dar conta, começamos a desejar Feliz Anhuca uns aos outros, comemos bacalhau e polvo, trocámos umas prendas e as que recebemos a mais acabaram por ter o destino decidido: vão para o Hospital Dona Estefânia. Isto foi a nossa consoada.
No dia de Natal viajámos de barco e comboio, vimos a restante família e comemos peru. E foi outra maravilha!
Daqui para a frente celebraremos o Dia de Anhuca, misturando as nossas raízes judias (sim, somos arrivistas e cristãos novos) com a nossa auto-ironia, comprando cada vez menos presentes (eu e o meu marido já não trocámos nada este ano) e dando os que sobram a alguém que tenha mesmo falta deles. E o Anhuca será o dia dos abraços e dos beijos, da comida farta e do bom vinho, e das canções que nos apetecer cantar no dia. Ou seja, só mais um dia como os restantes – mas com roupa gira e maquilhagem!
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Dá para voltar a ser eu?
Quero a minha sensibilidade anterior! Quero a minha capacidade de auto-controlo de 2006 e antes! Quero o meu distanciamento aparente que me permitia ver as coisas mais esquisitas e permanecer com o rosto de cera!
Agora vejo um miúdo que nem é meu a cantar “Brilha, brilha lá no céu...” na festa de Natal da creche e... e... (até tenho vergonha) vêem-me as lágrimas aos olhos...
Agora vejo um miúdo que nem é meu a cantar “Brilha, brilha lá no céu...” na festa de Natal da creche e... e... (até tenho vergonha) vêem-me as lágrimas aos olhos...
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