Sim, quase pareço o Alberto João “saio não saio” ou o Manuel Alegre “candidato-me não me candidato.”
Estava zangada, frustrada, desiludida, na verdade, por não fazer a diferença. Tinha a ilusão de poder mudar, ainda que ligeiramente, o mundo, querendo converter duas frases numa só acção “Deixa o mundo melhor do que o encontraste” e “Pensa globalmente, age localmente.” Aquele comentário do anónimo veio elucidar-me a propósito da impossibilidade de alterar o rumo das coisas. Porque não se alteram cabeças.
As minhas amigas que comentaram os textos e que me disseram para não parar de escrever (obrigada! obrigada!), vieram confirmar a mesma percepção. No fundo, somos todas cabeças pensantes que já éramos antes de nos cruzarmos. No fundo, já tínhamos todas percepções semelhantes da realidade, mesmo se elas produzem opiniões diferentes. No fundo, une-nos a boa vontade e a capacidade de nos ouvirmos umas às outras. No fundo, querida Cris, não é sequer uma questão de cultura ou informação. É uma questão de boa formação e de atenção – coisas que todas temos!
E depois o aplauso da Mãe Preocupada. E o saber que fechou o blogue por esta mesma razão. E depois pensar “Porque é que são os maus que ganham sempre?” Porque é que (e tomando por princípio que nós somos os bons) porque é que os bons desistem, ficam cansados? Teorias sobre a ânsia do poder e outros bláblás de devem explicar porque é que os bons se tornam todos burgueses acomodados (acamados?). E como resultado os maus é que andam aí a decidir a maioria das coisas.
Portanto, 1º ponto: como já se suspeitava, continuarei a escrever aqui. 2º: sempre que possível, farei também análise política de outros temas para lá da maternidade, mas sempre em versão de mãe comum, que é a única que posso ter. 3º: actualizarei também o blogue com sugestões de leitura e de ocupação dos (poucos) tempos livres, baseados nas nossas experiências de família.
Obrigada a todas! & a todos!
segunda-feira, 15 de março de 2010
domingo, 7 de março de 2010
Boa manhã
Reunião de amigos grandes e pequenos em torno da ilustração infantil e das histórias que se contam por elas, como muitos livros à mão de semear. Vista e revista, com muito gosto, este ano no Museu da Electricidade, em Lisboa, chama-se Ilustrarte e já vai na quarta edição. Mais informações em http://www.ilustrarte.net/
segunda-feira, 1 de março de 2010
Portugal entre os piores. Educação dos pais limita salário dos filhos
por Bruno Faria Lopes e Marta F. Reis, Publicado no jornal i, em 01 de Março de 2010
O fosso entre os salários das pessoas com pai licenciado e aquelas cujo pai cumpriu o 9º ano de escolaridade é mais alto em Portugal do que em qualquer outro país da Organização para a Cooperação Económica (OCDE), mostra um estudo comparativo sobre mobilidade social publicado pela organização. (...) Portugal é um dos países da OCDE onde a educação e o contexto económico dos pais mais influência tem no salário ganho pelos filhos.
(...)
Ter um pai com educação superior sobe os salários dos filhos no mínimo 20%. O jogo social funciona também ao contrário: filhos de pais com menos do que o 9º no "tendem a ganhar consideravelmente menos".
Esta persistência salarial (e social) entre gerações verifica-se apesar das políticas públicas para criar igualdade de acesso ao factor que mais pesa na conquista por um emprego bem pago: a educação. A rigidez salarial reproduz um grau de rigidez semelhante na educação pública, confirma a OCDE. O contexto económico da família, por exemplo, tem um impacto importante nos resultados escolares, um efeito que é mais forte nos países mais desiguais.
(...)
O ambiente na escola é outro factor importante nos resultados dos alunos - Portugal cai no grupo de países em que o ambiente escolar (a diversidade social de alunos, por exemplo) tem um peso semelhante ao da família, não conseguindo inverter a lotaria social.
"Por muito que a educação e o 'mérito' sejam importantes para entreabrir as portas de subida dos mais carenciados, o certo é que estes transportam consigo o seu próprio 'travão' que os impede de subir", comenta Elísio Estanque, sociólogo da Universidade de Coimbra [ver opinião]. "Trata-se de um processo sociocultural, quase congénito, em que o baixo estatuto herdado dos pais define um 'destino' (provável) que empurra os indivíduos para se manterem em padrões de vida idênticos ou próximos da sua origem social", acrescenta.
(...)
Outras medidas para diminuir a desvantagem dos pais com pior contexto económico ou escolar passam por dar prioridade ao pré-escolar, essencial para diminuir os efeitos da origem social na capacidade de aprendizagem das crianças mais pequenas. Apoios financeiros apenas para educação ou maior mistura de alunos de diferentes classes sociais são outras medidas propostas.
texto integral aqui: i
O fosso entre os salários das pessoas com pai licenciado e aquelas cujo pai cumpriu o 9º ano de escolaridade é mais alto em Portugal do que em qualquer outro país da Organização para a Cooperação Económica (OCDE), mostra um estudo comparativo sobre mobilidade social publicado pela organização. (...) Portugal é um dos países da OCDE onde a educação e o contexto económico dos pais mais influência tem no salário ganho pelos filhos.
(...)
Ter um pai com educação superior sobe os salários dos filhos no mínimo 20%. O jogo social funciona também ao contrário: filhos de pais com menos do que o 9º no "tendem a ganhar consideravelmente menos".
Esta persistência salarial (e social) entre gerações verifica-se apesar das políticas públicas para criar igualdade de acesso ao factor que mais pesa na conquista por um emprego bem pago: a educação. A rigidez salarial reproduz um grau de rigidez semelhante na educação pública, confirma a OCDE. O contexto económico da família, por exemplo, tem um impacto importante nos resultados escolares, um efeito que é mais forte nos países mais desiguais.
(...)
O ambiente na escola é outro factor importante nos resultados dos alunos - Portugal cai no grupo de países em que o ambiente escolar (a diversidade social de alunos, por exemplo) tem um peso semelhante ao da família, não conseguindo inverter a lotaria social.
"Por muito que a educação e o 'mérito' sejam importantes para entreabrir as portas de subida dos mais carenciados, o certo é que estes transportam consigo o seu próprio 'travão' que os impede de subir", comenta Elísio Estanque, sociólogo da Universidade de Coimbra [ver opinião]. "Trata-se de um processo sociocultural, quase congénito, em que o baixo estatuto herdado dos pais define um 'destino' (provável) que empurra os indivíduos para se manterem em padrões de vida idênticos ou próximos da sua origem social", acrescenta.
(...)
Outras medidas para diminuir a desvantagem dos pais com pior contexto económico ou escolar passam por dar prioridade ao pré-escolar, essencial para diminuir os efeitos da origem social na capacidade de aprendizagem das crianças mais pequenas. Apoios financeiros apenas para educação ou maior mistura de alunos de diferentes classes sociais são outras medidas propostas.
texto integral aqui: i
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Creches e jardins-de-infância caros e sem vagas
A maioria dos pais estão insatisfeitos com a oferta de creches e jardins-de-infância na sua área de residência, revela o nosso inquérito a 2900 pais. O Algarve é a zona com piores resultados.
Cerca de 2 em 5 famílias com crianças em creches garante que este encargo é uma parcela importante nas finanças. Por criança, gastam um valor de referência mensal de € 150 numa creche e € 110 num jardim-de-infância. Mas o custo chega a ultrapassar, em Lisboa, os € 300 mensais. Em 80% dos casos, os pais inscrevem os filhos antes de começarem a frequentar a instituição, em média, 5 meses antes.
Metade das mães inquiridas ficou 5 meses em casa com o bebé, com salário reduzido. No regresso ao trabalho, 20% enfrentaram problemas: 9% sentiram hostilidade do chefe ou colegas, enquanto 7% não usufruíram das horas de amamentação a que têm direito.
Mais de 30% das crianças permanecem mais de 9 horas na creche, o que é sinónimo de mais tempo em frente do ecrã. Nas creches, mais de 70% vê televisão e tal acontece quase todos os dias para mais de metade. Nos jardins-de-infância, a esmagadora maioria (90%) vê televisão e, segundo os pais, esta rotina é quase diária para 43 por cento.
A DECO reivindica que as creches e jardins-de-infância, públicos ou privados, devem estar sob a alçada do Ministério da Educação. As creches, à semelhança de outros países europeus, como Espanha, Dinamarca, Finlândia e Suécia, devem deixar de ser encaradas apenas como um serviço social. Segundo dados de 2008 do Ministério do Trabalho e Segurança Social, a cobertura de creches e amas era de 30% e a dos jardins-de-infância, de 77 por cento. Esperamos que a promessa do Governo em aumentar a cobertura nacional não se fique pelas boas intenções. Além do bem-estar das crianças, está em causa o desenvolvimento do País.
in http://www.deco.pt/
Cerca de 2 em 5 famílias com crianças em creches garante que este encargo é uma parcela importante nas finanças. Por criança, gastam um valor de referência mensal de € 150 numa creche e € 110 num jardim-de-infância. Mas o custo chega a ultrapassar, em Lisboa, os € 300 mensais. Em 80% dos casos, os pais inscrevem os filhos antes de começarem a frequentar a instituição, em média, 5 meses antes.
Metade das mães inquiridas ficou 5 meses em casa com o bebé, com salário reduzido. No regresso ao trabalho, 20% enfrentaram problemas: 9% sentiram hostilidade do chefe ou colegas, enquanto 7% não usufruíram das horas de amamentação a que têm direito.
Mais de 30% das crianças permanecem mais de 9 horas na creche, o que é sinónimo de mais tempo em frente do ecrã. Nas creches, mais de 70% vê televisão e tal acontece quase todos os dias para mais de metade. Nos jardins-de-infância, a esmagadora maioria (90%) vê televisão e, segundo os pais, esta rotina é quase diária para 43 por cento.
A DECO reivindica que as creches e jardins-de-infância, públicos ou privados, devem estar sob a alçada do Ministério da Educação. As creches, à semelhança de outros países europeus, como Espanha, Dinamarca, Finlândia e Suécia, devem deixar de ser encaradas apenas como um serviço social. Segundo dados de 2008 do Ministério do Trabalho e Segurança Social, a cobertura de creches e amas era de 30% e a dos jardins-de-infância, de 77 por cento. Esperamos que a promessa do Governo em aumentar a cobertura nacional não se fique pelas boas intenções. Além do bem-estar das crianças, está em causa o desenvolvimento do País.
in http://www.deco.pt/
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
O blogue é meu
Estou farta de ser boazinha. Hoje vou ser má:
ESTOU FARTA DE GENTE BURRA!
Há uma espécie de incapacidade relativamente comum para interpretar aquilo que está escrito. Eu sei que o nosso país sofre de iliteracia grave, isto é, as pessoas sabem juntar letras e formar palavras mas não percebem o sentido do que está escrito. Depois, aliam a essa falta de capacidade de leitura a uma má vontade crónica fruto, acho eu, de serem más pessoas, desconfiadas, auto-vitimadas, auto-comiseradas. Finalmente, não conseguem discordar das opiniões dos outros sem serem mal-educadas. Saber ouvir, saber ler, dava muito jeito quando queremos discordar, perguntar ou apenas pôr em causa. Quando não se percebe pergunta-se ou avisa-se. Podem dizer-me “olha, não percebi o que escreveste, podes escrever de outra maneira?” Eu prometo que explico! Eu sei que nem sempre os meus textos são claros e peço desculpa por isso.
Tudo isto para dizer que o comentário do anónimo ao meu texto Depósito de crianças, me irrita por duas razões, a saber:
1º Está mal escrito! Uma oração precisa de um sujeito, um predicado e, na maioria dos casos, um complemento! Um advérbio de modo não precisa de acento! O acento da preposição é sempre grave!
2º Porque é fruto de muita má vontade. Só muita má vontade consegue assumir que o meu texto e o meu blogue é de crítica às famílias e não às instituições. Só muita má vontade pode ler naquilo que escrevo uma autoria socialmente favorecida. Se o anónimo o lê assim e não tem má vontade, é porque é burro!
Posto isto devo acrescentar:
1. Quem viu o Conta-me como foi fica a saber como foi a minha infância. Há poucas diferenças entre a minha casa e a casa dos Lopes.
2. Sou inteligente e informada, porque me esforço para isso. Sou crítica porque me interesso não só por mim mas pelo futuro da comunidade da qual faço parte.
3. Sou magra e linda – rói-te de inveja - e não faço dieta! Passo a ferro, ando a pé e aspiro e é esse o meu ginásio.
4. Prefiro comprar livros a ter uma empregada mas garanto que assim que puder contrato uma.
É por isto que:
ESTOU FARTA DE GENTE COM CELULITE NA CABEÇA!
ESTOU FARTA DE GENTE BURRA!
E por isso acabou-se! Vou escrever para a gaveta!
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
vou engravidar!
A sério! Quero muito ter 200 euros numa conta num banco!
E vou chamar Sócrates ao menino em homenagem ao padrinho...
E vou chamar Sócrates ao menino em homenagem ao padrinho...
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