segunda-feira, 19 de abril de 2010

Reflexões sobre a escola

Este senhor chama-se Daniel Pennac, ou melhor, este senhor assina os livros que escreve com esse nome. O último que li é especial. Chama-se Mágoas da Escola e descreve o seu percurso como mau aluno. A revolução na sua vida escolar foi feita por um bom professor. Um único, que teve a capacidade de salvar um rapaz quase disléxico na sua relação com a escola. Um único professor que o inspirou a tornar-se professor e também ele, com ideias firmes, se dedicou a salvar os "casos perdidos".  Eu acredito que ele tenha sido um bom professor, porque ainda hoje tem a memória muito viva do que foi ser criança e mau aluno.

Quando falamos da escola e do que ela deve ser, quando falamos dos professores e do que os deve inspirar, quando sonhamos a escola que queremos para os nossos filhos, quando permitimos que se façam reformas educativas sucessivas sem sucesso e nos perguntamos porquê, se calhar podemos olhar para este exemplo: simplesmente, lembrarmo-nos do que foi ser criança e como eram os professores que nos inspiravam realmente. Não é só uma questão para o estudo, é uma coisa que fica para a vida.

Os meus professores inspiradores foram:

Víctor Martins - Matemática - 5º Ano
Teresa Rebordão - Ciências da Natureza - 6º Ano
Escolástica - Português - 9º Ano (graças a ela li os Lusíadas como se fosse um romance)
Paula - filosofia - 10º Ano
Luísa Santos -  português - 10º e 11º Ano
Nelson Bernardo - filosofia - 11º Ano
Ângela Sebastião - português - 12º Ano  


sexta-feira, 16 de abril de 2010

Amanhã

se chover fazemos isto:

Evolução (da espécie?)


Depois de 3 dias de ausência motivada pelas obrigações profissionais volto a casa... finalmente! O miúdo na cama levanta-se e diz-me “dá-me um beijinho.” Eu não dou um. Dou muitos. E muitos abraços. Tantos, tantos que ele deixa logo de me ligar. Tenta meter-se na mala, como fez na noite antes da minha partida. E dou-lhe um avião pequenino que serve de porta-chaves. “Foste neste avião?” pergunta-me. “Fui num maior.” E depois descobre que se pressionar no botão, se ouve o barulho de levantar voo. Enquanto ele dança a fingir que voa o pai faz a actualização:


- comeu sempre sozinho

- quase não perguntou por mim, bastava-lhe saber que eu tinha ido trabalhar de avião

E hoje a confirmação na escola:

- foi sempre crescido, comeu sempre sozinho e quando vai ao bacio até puxa a roupa... Até tive direito a demonstração.



Digam-me lá... companhia da mãe o quê?

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Programa das festas

Durante a semana vemos passar os eléctricos. Um dia destes prometi que íamos num de passeio e no sábado passado cumpri. Fomos de manhã, num 28 pejado de turistas, do Martim Moniz ao Castelo de São Jorge. Entrámos e fomos ver as vistas e o rapaz não parava gritar que via o Rei (o miúdo chama o Cristo da Margem Sul pelo seu petit nom). E quando começou a chover, entrámos na zona museológica, onde estão expostas cerâmicas desde o século VI a. C.. O meu filho chamou a todas panelas da sopa... E foi tão bom, tão bom, tão bom que ele agora não fala de outra coisa. Onde é que vamos no próximo fim de semana?

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Uma velha solteirona

A culpa. A culpa em Portugal morre sempre solteira e a responsabilidade nunca se imputa a ninguém.
Segundo o inquérito à morte do Leandro, a escola não pode ser implicada em nada, o miúdo é que era parvo e resolveu sair pela vedação. Os outros amigos sairam pela porta e ninguém os impediu, mas os miúdos é que são parvos...
E o Leandro atirou-se ao rio porque lhe deu a maluca. E claro, quanto a isto, e aos maus tratos que ainda estão por provar, nem a escola, nem seus docentes, nem seus auxiliares de acção educativa têm alguma coisa a responder... Os miúdos andam sempre à pancada porque são parvos e portanto a responsabilidade de todo o sucedido não é de ninguém.

Esclarecimento ao inquisitor:
Os miúdos são todos parvos. Por isso, é que não vivem sozinhos desde que nascem. Por isso se supõe que onde eles estão estejam também adultos que os supervisionem. Para que quando lhes der a maluca, não seja demasiado grande, não seja irreversível, ou não seja triste... demasiado triste.

segunda-feira, 29 de março de 2010

domingo, 21 de março de 2010

Diferença básica entre o macho e a fêmea

Macho:
Tenho o sr. sentado aqui ao lado a tentar escrever qualquer coisa que complete e frase "ser pai é...". É um trabalho de casa vindo da escola a propósito do dia 19. Pensa, pensa, suspira, escreve e esgatafunha. Sim, porque tem um papel de rascunho. Só o passa a limpo quando estiver perfeitinho. Estará a criar um poema? Uma coisa pirosa?
Fêmea:
Estou mesmo a ver-me no dia da mãe a escrever no papel cor de rosa respectivo. Só que vai ser de rajada, fica logo entregue, que eu agora tenho uma reunião, e depois passo no mercado e a seguir já cá estou outra vez, já a pensar no jantar. Ah! está riscado? dê cá que eu faço um desenho por cima. Pronto já está! Adeus até logo.

Temos em comum isto que sentimos por um filho é grande como tudo e faz-nos choramingar...