quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Um cão é um cão


E uma cadela é uma cadela. Esta veio ter connosco a Serpa, como um presente, no final de uma viagem. Tinha frio, estava magra e coxeava. Eu tomei conta dela até o meu amigo C, que a encontrou comigo, se decidir a ficar com ela no seu quintal. Esteve para se chamar outra coisa qualquer... mas ficou Sépia. Como o tom do seu pêlo e como muito do que nos une a mim, ao C e à P. Se virem esta cadela linda, que se perdeu outra vez, digam-lhe que temos saudades. Afinal um cão não é só um cão, é uma pessoa da nossa família.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

s/ título

Na tarde chuvosa, na noite precoce, dentro dos dias tristes e preocupados que vivemos, uma mãe sorri de cara aberta olhando para a sua filha gorda. A pequena não deve ter nove anos e a grande uns 40 muito cansados. Mas sorri, festeja o cabelo da filha, olha para o centro do seu mundo, feliz de a ter, orgulhosa de ela ser como é. Estão à porta da escola de música, aqui ao lado de casa.
E eu sem ver uma cena destas há tanto tempo, dou por mim no autocarro a olhar para fora, amoleço e sorrio, perco a cara endurecida pelos dias que vivemos e descubro, de novo, que é mesmo ali que há beleza e que é só assim que quero ser quando crescer.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Se eu mandasse

1. Não dizia que tinha um aperto no coração por tomar medidas que antes tinha chamado de inevitáveis.
2. Não dizia que tinha dormido mal por ter tomado medidas necessárias.
3. Reduzia o número de deputados.
4. Reduzia o número de acessores de cada ministro.
5. Reduzia no número de funcionários de cada gabinete do parlamento.
6. Reduzia o meu salário para um valor próximo do valor médio nacional.
7. Pedia aos meus parceiros políticos que fizessem o mesmo voluntariamente.
8. Ía no meu carro para o trabalho e colocava os quilómetros.
9. Diminuia o IVA de acordo com a região de origem. Se fossem de cá, eram taxados com um imposto de menor valor.
10. Pedia aos administradores das empresas públicas e das empresas com capitais públicos para reduzirem os seus salários, as suas ajudas de custo, e irem em carro próprio para o trabalho.
11. Se renovasse a frota das instituições públicas, faria-o com automóveis produzidos em Portugal ou com componentes feitos cá.
12. Vestia roupa portuguesa e calçava sapatos portugueses quando fosse ao estrangeiro.
13. Ía na TAP quando fosse ao estrangeiro, em vez de ir num jacto privado.

... to be continued

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Acabemos com as etiquetas

No Pensamento Cruzado, da TSF, de ontem falou-se sobre a mentira das crianças. O bom da conversa tem o seu melhor numa frase dita assim:
"Nunca confundir o comportamento com a pessoa. Se eu digo tu és um grande mentiroso, eu estou a criar um papel para aquela criança que é o papel que ela passará a representar."

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Uma forma de contar histórias...

...antes da escrita para todos. Mas tão eficaz que ainda hoje resulta. A exposição está no Museu de Arte Antiga e aos domingos de manhã é grátis.

PALAVRAS ANDARILHAS

vêm aí... só lá para Setembro. Mas dizem que vale a pena planear bem a ida. Mais informações aqui.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Problemas de comportamento

Tenho muita dificuldade em perceber o conceito de problemas de comportamento em crianças pequenas. Noutro dia, dei com um livro que explica como lidar com os problemas de comportamento em crianças a partir dos 2 anos. Aliás, dei com a capa do livro porque faz-me confusão abrir um livro destes. É um tema sensível, já sei, e eu confesso o meu medo em falar destas coisas por dois motivos: 1º, pela boca morre o peixe; 2º, tenho amigas cujos filhos são considerados “doentes comportamentais” e custa-me que possam sentir-se magoadas pelas minhas opiniões.
Hoje a capa do metro ostenta uma sumptuosa manchete: “Salas de aula hiperactivas.” Lá dentro, a custo, descubro uma notícia pequenina, pequenina, sobre um estudo que aponta a existência de 2 alunos por turma, em Portugal, com hiperactividade. Mais à frente, lê-se no texto e entre aspas, como citação que não vem atribuída mas se supõe que é da investigadora, “efeitos devastadores.”
Dra. Cláudia Alfaite (a investigadora) efeitos devastadores têm as etiquetas que se colocam nas pessoas. Como o seu estudo recomenda a “intervenção precoce,” cito o artigo, e a detecção “o mais cedo possível” já prevejo que daqui a muito pouco tempo se consiga aferir no berço se uma criança vai desenvolver problemas de comportamento e a partir daí se comece a intervir com “terapia comportamental e medicamentosa”. Deixe-me dizer-lhe também que os maiores psicólogos americanos já se vieram desculpar por terem andado a dizer nos anos 90, que as crianças não deviam ser traumatizadas com castigos e palmadas. O que será que a doutora nos vai dizer daqui a 20 anos?
Pela forma como tenho ouvido as descrições de hiperactividade suponho que corro um risco grande de ter uma criança hiperactiva lá em casa. Porquê? Primeiro porque não sei como é que se deve educar. Depois de ter lido tantas teorias sobre a educação deixei de ler. Porque, por exemplo, as técnicas para o adormecer descritas nos livros não resultaram nem uma vez. Agora já dorme a noite inteira mas volta e meia as coisas andam para trás e temos que descobrir tudo de novo.
Vamos falar das birras? O meu filho inaugurou a época das birras precocemente (de acordo com os livros só começam aos 3 anos, não é?). Como é que consigo que se controle? Digo-lhe que não vale a pena chorar que não lhe dou as coisas enquanto ele estiver a fazer birra. Mas quantas coisas tentei antes de aqui chegar? E tenho a certeza que qualquer dia isto também já não resulta e vou ter de inventar nova estratégia para conseguir que ele acalme.
Outra razão para presumir a hiperactividade do meu filho é que ele é curioso e traquinas. Não pára quieto. Por exemplo, quando vamos no autocarro para a escola não pára de fazer perguntas. Ontem passou o tempo todo a dizer “como se chama esta rua?”. Durante 20 minutos, não é pêra doce. Mas eu lá vou tentando responder...
Na verdade nunca olhei para o meu filho como se fosse defeituoso. Tudo isto me parecem comportamentos normais. Eu é que acho difícil educar uma criança que quase não vejo. Bolas, não basta não o ver durante a semana, como o pouco tempo que me resta é passado a impor regras? Na verdade apetece-me mais brincar com ele. E é ainda mais difícil quando estou tão cansada que só queria chegar a casa e encostar-me um bocado. E ele não deixa. Portanto, quando o diagnóstico for contundente em relação à hiperactividade do meu filho eu vou pedir uma intervenção terapêutica para mim, isto é que me ensinem a comportar, a educar e que me dêem comprimidos para ter pica para lidar com ele todos os dias.