sexta-feira, 2 de setembro de 2011

O parto no melhor dos dois mundos


É muito difícil escrever sobre a beleza. Ando há dias à procura da palavra exacta para o nascimento da minha filha. Não existe. Ou eu não a encontro. A minha filha nasceu numa sala de partos da MAC. Fui conduzida no parto por uma equipa do Hospital da Estefânia, que faz sempre os bancos de urgências às segundas-feiras. E foi uma espécie de reconciliação com a minha natureza e com o hospital onde nasceu o meu primeiro filho.
A equipa da MAC que me acolheu nas consultas a partir das 38 semanas foi parte importante deste processo. Fui sempre atendida por médicas muito jovens com uma competência extraordinária que eu não tinha visto até aqui no SNS: o respeito pela opinião do utente sobre os procedimentos médicos a tomar. Um exemplo: às 39 semanas não quis que me fosse feito o toque que tenta normalmente despoletar o parto. A médica disse-me tranquilamente: “se não quer que eu faça esse toque eu não faço.” 
Outro: às 41 semanas, quando me foi apresentada a solução internamento para indução, eu recusei. A médica (a médica mais nova que alguma vez consultei) ficou aflita e finalmente triste, mas compreendeu as minhas razões. Disse-me “nós só queremos o melhor para as nossas pacientes.” Eu respondi que sabia, que queria apenas esperar mais uns dias para tentar que a bebé nascesse de forma natural, mas que agradecia mesmo muito toda a atenção de que estava a ser alvo.
Passei o fim-de-semana a andar. Domingo à noite, ao fim de 4 quilómetros a subir e descer a cidade, conclui que segunda-feira seria o dia do internamento e indução. Estava triste e temia que a história do nascimento do X se repetisse, mesmo se todos me davam a garantia que não há dois partos iguais.
Segunda-feira voltei à consulta com a dra. Lúcia, uma médica cheia de luz, que me enviou para as urgências a fim de fazer a indução porque o internamento na MAC estava cheio (querido governo anterior, vês como era melhor não ter fechado o bloco de partos na Estefânia?). Bem disse a médica que era uma ironia do destino eu ter fugido da Estefânia para ser uma equipa da Estefânia a fazer-me o parto. Acabou por ser uma epifania do destino.
Passei o dia na sala de partos onde nasceria a minha filha, sempre monitorizada pelo CTG, acompanhada pelo meu marido, visitada com regularidade por duas enfermeiras e pela equipa médica. Havia uma médica que sorria, uma médica muito nova que sorria sempre.
Às 4 da tarde começaram as contracções. Depois das 8, quando tive uma contracção mais forte pedi que chamassem uma médica para que começasse a aplicação da epidural. A médica examinou-me e disse “Ah! Mas estes são os cabelos do bebé! Já tem a dilatação completa!” O medo da dor fez com que me descontrolasse, mas a médica e a enfermeira conseguiram fazer com que me recompusesse. A médica era muito nova e sorria sempre.
Deram-me a possibilidade de parir de joelhos em cima da cama. Acabaram por me deitar e eu fiz força duas vezes. Com a primeira, senti a cabeça da bebé a aflorar e tive muitas dores. Depois de pedir para esperar, ouvi uma voz mágica que me conduziu ao sítio certo. A enfermeira disse-me “se fizeres força agora não rasgas.” Fiz uma força lenta que começou cá em cima ao pé do coração e a minha filha nasceu. Colocaram-na em cima de mim e depois de um momento que ainda me pareceu longo, a minha filha respirou e ficou cor-de-rosa.
Ficámos todos muito emocionados. A médica muito nova que sorria sempre, ainda sorria mais e dizia que a obstetrícia é a melhor especialidade do mundo. Eu só tinha vontade de a abraçar, por me dar este parto tão natural, tão simples, tão pacífico, tão bonito. Só não o fiz porque tinha a minha filha nos braços e o meu marido a abraçar-me a mim.
Obrigada dra. Margarida, obrigada enfermeira Rita, obrigada dra. Lúcia, obrigada MAC inteira, obrigada equipa da Estefânia.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Três quilos e meio de gente, outra vez

Já estamos em casa e tão bem, tão bem, tão bem, que nem parece que me nasceu uma menina grande de parto natural. Mas foi! Mais adiante contarei pormenores. Agora vou tratar das crias!

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Sobre a liberdade de expressão

Este texto é uma adenda ao escrito ontem à noite.
Neste blogue pratica-se muito a liberdade de expressão, da mesma forma que a pratico em livros de reclamação, sendo caso de isso, da mesma forma que agradeço verbalmente cada vez que sou atendida de forma conveniente em qualquer lugar. Mas não se pratica a irresponsabilidade nem a conversa de café que diz mal só por dizer.
Basta uma leitura sem preconceitos nem corporativismo dos meus textos para perceber a intenção daquilo que escrevo: melhorar o meu contexto, não só para mim como para os outros. Há situações em que resulta escrever aqui, seja pelo incentivo que dá a críticas de outras pessoas noutros lugares, seja pela própria resposta que algumas instituições me dão oficialmente, sem recorrerem à figura anónima.
Como a minha ideia ao escrever aqui é mesmo discutir ideias e pensar a realidade, a condição de anónimo por si, não me chateia assim tanto e por isso dedico o texto anterior a um anónimo, criticando algumas das suas reflexões e esclarecendo outras. O que me chateia é o início do comentário. "Numa época em que não há limites para a liberdade de expressão" mas devia haver? Não há de certeza? Então porque é que uma descrição de dois episódios médicos incomoda tanto alguém?
Deixo aqui dois textos, um meu, outro de uma bloguer que admiro muito, sobre aquilo que é a liberdade de expressão em Portugal. Naturalmente não foram escritos agora, mas são sobre o contexto de liberdade em que vivemos. Podemos à vontade queimar soutiens. Mas explicar frontalmente aquilo que nos parece mal é outra conversa. A má vontade é o maior obstáculo epistemológico deste país. Ora façam favor: O blogue é meu (detenham-se apenas no primeiro parágrafo) e Tradução básica da Mãe Preocupada.

Estimado Anónimo

Estimado anónimo,
1º: já que está tão informado acerca dos procedimentos da MAC e do SNS, esclareça-me por favor acerca do seguinte: considerando que não existe rede pública de obstetrícia sem ser em ambiente hospitalar, onde é que me devo dirigir numa situação como a descrita no texto Maternidade Alfredo da Costa 1 e 2? Ao centro de saúde? A um domingo? E depois de me ter sido indicada pelo médico de família que qualquer ocorrência a partir das 36 semanas deve ser vista na maternidade? Ou vou ao centro de saúde não fazer nada porque não há especialistas, nem equipamento médico, num dia em que ainda não sei se preciso de fazer a tal viagem?
2º: não presuma aquilo que desconhece: a primeira coisa que disse na triagem foi justamente o motivo da minha visita e, extraordinário, o pessoal médico que me avaliou achou que era razoável que eu ali estivesse. Suponho que caso contrário, me tinha enviado para casa.
3º: o tempo de espera em urgência não foi alvo da minha crítica, mas eu vou esclarecer. Quando digo que me parece que estiveram a brincar aos médicos é porque, como explico a seguir, esperava apenas fazer um CTG e fiz uma série de exames, alguns dos quais realizados por estudantes da especialidade, que aproveitaram para aprender, por exemplo, como se faz uma ecografia, coisa que me pareceu razoável. O comentário não era depreciativo mas percebo que possa ser mal entendido, aqui fica o esclarecimento.
4º: a falcatrua, foi telefonar para a MAC, dizer o que me parecia ser estranho (se ler o texto Nascer na MAC ou onde calhar? tem mais detalhes) e conseguir tranquilamente uma consulta. Há quem consiga consultas ali, não por ter área de residência correspondente mas porque, por exemplo, se é seguido no privado por um médico que também faz serviço ali. E não parece haver problema nenhum com isso...
4º: em relação à ironia, ela só atinge uma médica que entrou sem bater à porta, não atinge a MAC. Todo o meu comentário vai no sentido do elogio à instituição referida.
Já agora convido-o a ler o meu blogue de uma ponta à outra para perceber o teor do mesmo. E sim, o nosso  sistema de saúde é muito bom, mas tem falhas. Curiosamente, eu assinalo as duas coisas sempre que me é possível. E honestamente não me parece que este texto que comentou seja assim tão depreciativo.

Aproveito para dizer que hoje foi a minha segunda consulta na MAC e que correu tudo lindamente. O tempo entre análises e fim de consulta foi de 2 horas e meia e todo o pessoal hospitalar foi excelente.

Se puder responder às minhas questões do ponto 1, agradeço imenso. Muito obrigada pela atenção! Os melhores cumprimentos. Suponho que nos vemos na MAC.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Na Somália

@AP
Bastam 211 milhões de euros para resolver a fome na Somália, nos próximos dois meses, segundo a ONU.

O FCP comprou um jogador por 13 milhões de euros.

Há dias em que gosto mesmo deste mundo...