quinta-feira, 11 de julho de 2013

Olha! Olha! Aqui estou eu num blogue de qualidade!

É para ler este texto da 3 picuinhas sobre a educação laica que os Estado deveria oferecer aos nossos filhos, coisa que está constantemente a ser desrespeitada. Podemos incluir esta questão na discussão sobre que escola queremos?

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Gostar das férias e do que se tem


A gente cresce, tem filhos e dá por nós a fazer o impensável e, ainda por cima, a gostar. Na última semana de Junho marcámos férias e fomos logo passar uma semaninha ao Algarve. A promoção de última hora mais barata que encontrámos (que agora andamos assim) levou-nos para um apartamento na Praia da Rocha e confesso que quando lá cheguei dei por mim a pensar que tinha ido parar a Benidorm . “Prédios, prédios, prédios, oh meu deus e eu que gosto tanto de Tavira, de Sagres, minha rica Praia do Amado, não podemos pelo menos ir aqui ao lado para o Alvor?” – esta era a Carla de antigamente a falar lá do fundo da memória. A Carla mais presente disse qualquer coisa como: “Minha querida, bem-vinda a tua vida real.”
Uma pessoa tem de gostar daquilo que tem, verdade? Mas esse nem foi o caso. A casa que nos calhou na rifa era ótima e eu, da varanda, via a praia, a serra de Monchique e o Rio Arade, coisas que me inspiravam na hora de acabar os últimos trabalhos (ser freelancer tem destas coisas) enquanto as crianças e o pai atravessavam a estrada e punham os pés na areia. Pôr os pés no mar é que demorava um bocadinho mais que o areal da Praia da Rocha nunca mais acaba. Entregue cada trabalho lá ia eu mergulhar no mar, numa espécie de recompensa que me dava a mim mesma. Foi tão bom que dei por mim a pensar “Se algum dia mudarmos de casa, vamos para um sítio em frente ao mar, nem que seja Benidorm.” Esta era a Carla de um futuro muito hipotético, mas a Carla mais presente não disse nada. Será que concordou com o plano?

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Portugal vs Austrália. Não, não estou a falar de futebol

Cabe hoje dizer que este blogue tem o nome que tem, na verdade verdadinha, porque Vou ter um bebé na Nova Zelândia soava a coisa geograficamente mais séria. A preguiça fez-me chamar-lhe na Austrália (ou foi o sentido prático?). Em todo o caso, a ideia era expressar que este Portugal é um país ao contrário e que dá vontade de ir para o mais longe possível. Como na Lua ou em Marte ainda não dá para criar criancinhas, teria de me contentar com os antípodas...

A minha 500ª amiga do facebook enviou-me um comparativo entre Portugal e Austrália há pouco tempo. E olha, dá que pensar MJC! Vamos?

If Australia were your home instead of Portugal you would...

use 2.3 times more electricity
make 77.98% more money
consume 63.14% more oil
have 38.04% more chance at being employed
Australia has an unemployment rate of 5.70% while Portugal has 9.20%
This entry contains the percent of the labor force that is without jobs.
Source: CIA World Factbook
have 22.43% more babies
spend 41.84% more money on health care
experience 20.78% less of a class divide
live 3.34 years longer
be 60% less likely to have HIV/AIDS

Para saber mais sobre a Austrália ou outros países, comparando com o nosso, podem ir a If it were my home.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Sobre a escola, os exames, a greve, as whiskas e o umbigo

Em dia de greve de professores, ouvem-se as coisas mais extraordinárias e todas elas são, no fundo, no fundo, sobre o país.
1.       Há uma aluna a quem parece profundamente injusto não fazer o exame hoje, porque “há outros que estão a fazer.” Foi dito assim tal e qual, ao microfone da TSF. O problema da estudante não é ter-se preparado para um exame que não foi fazer, nem não ter dormido nada com os nervos da véspera de um exame tão importante agora adiado, não é prever o prolongamento dos prazos dos processos de entrada na faculdade e com isso ter que delongar decisões sobre o projecto de vida, nem sequer ter de alterar a data das férias. O problema está nos outros serem, na visão da rapariga, privilegiados. Se ela estivesse entre o “décimo” dos colegas que estava a fazer o exame mostrar-se-ia tão indignada?
2.       Os alunos de Braga revoltam-se contra os pares que, apesar da greve, conseguem fazer o exame, entrando nas salas onde decorre a prova porque se sentem injustiçados, segundo o relato da jornalista, tentando assim que a prova dos outros seja anulada. A sindicalista de Braga diz que os alunos invasores mostraram estar solidários com os professores em defesa da escola pública. Volto a fazer a mesma pergunta de outra maneira: então e os que estavam sentaditos a fazer o exame foram escolhidos entre os que não se identificam com a luta dos professores?
3.       O presidente da Confederação das Associações de Pais, Jorge Ascensão, explicou à TSF que a preocupação da Confap “centra-se nos jovens” e acrescentou “estamos dependentes do sentido de dever que os professores possam ter, o que, dado o número de docentes em causa, será difícil garantir que haja exames para todos os jovens». Sim, eu sei, está esquisito. Coisas da oralidade…
As declarações dos mais diversos quadrantes repetem-se e eu oiço em todas, como o gato branco e felpudo do anúncio da Whiskas, “blablabla, o meu umbigo. Blablabla, o meu umbigo. Blablabla, o meu umbigo.” Não há, nunca há, a vontade de pensar no outro a não ser como causa dos meus problemas. O outro nunca tem a possiblidade sequer de ter sorte, legitimidade ou razão. Sorte em ter sido chamado para fazer o exame (como no ponto 1), legitimidade para estar a fazer o exame dentro da sala, (como no ponto 2) ou razão para fazer greve (como no ponto 3). O outro, e de preferência o outro mais próximo de mim possível, é o culpado pela minha situação.
E se eu estivesse no lugar do outro, fazia exatamente o que ele faz: não querer saber de mim para nada, nem dos meus problemas. Fazia o exame, fazia a greve, protestava contra o exame, declarava-me contra a greve. Ou seja, a minha opinião depende exclusivamente da minha posição em relação aos outros. Se eu tiver o privilégio casual de fazer exame estou calada. Se eu ficar de fora dos chamados ao exame, então zango-me e grito e canto o Grândola… contra os meus iguais. Esta coisa da posição relativa face aos eventos determinar inteiramente as minhas ideias é tão criticada aos políticos e, afinal, o que fazem as pessoas comuns? Exatamente o mesmo e não é de agora, que o Gaibéus já conta esta história.
Enfim, não somos todos assim. Um participante no fórum da TSF lembra que "no Japão, o único grupo que não tem de se vergar perante o Imperador é o dos professores." É uma mensagem enorme que se envia às massas quando a figura maior de um país considera que aqueles que ensinam são os únicos que se lhe equiparam em valor. Um professor é igual a um imperador, diz o protocolo. Aqui, em Portugal, um professor não vale nada e é por isso que lhe batemos, cuspimos, não obedecemos, viramos as costas, etc.
Já sei, vêm aí os exemplos dos maus professores que tiveram, que não sabiam do que estavam a falar, que não se davam ao respeito, que não se davam ao trabalho de ensinar. Vá, vão contar as vossas histórias tenebrosas ali nos comentários, daquelas que mostram que os professores não merecem respeito nenhum.
Agora roubo de uma conversa de facebook uns comentários sobre os professores no Japão:
JPG: Mas o ensino no Japão é mesmo muito bom... e não há greves.
Carla Macedo: Vai na volta é bom porque o Estado japonês acredita que é mesmo importante dar boas condições de trabalho aos professores, assim como exigir destes excelentes capacidades humanas, teóricas e técnicas para ensinar.
JPG: ...além de que há também coisas 'esquisitas' como a ética profissional, o brio e a honra em fazer um trabalho bem feito de que possam ter orgulho, coisas que se calhar, quem invocou, no fórum da TSF, um direito sobre o poder divino do Imperador não se lembrou ou não se quis lembrar. Esse direito existe, sim senhor, mas porque os professores o fazem por merecer, trabalhando afincada e dedicadamente, aliás, como todos os trabalhadores japoneses. É giro que se falem em direitos dessa grandeza, mas se esqueça como são e porque são conquistados e mantidos.
Carla Macedo: Concordo contigo. Deixa-me acrescentar à lista: têm um processo de seleção muito exigente, muito difícil, ganham um salário muito confortável e têm estatuto de estrela da pop.
JPG: Sim, tudo certo, mas mesmo antes disso, já o Imperador lhes concedia o direito a não vergarem porque faziam um excelente trabalho...
 Carla Macedo: E por isso tinham melhores condições de vida do que a maioria.
Quando é que os melhores de um curso, de uma universidade, de um país, vão escolher dar aulas no ensino não universitário, quando a proposta do empregador é andar com a casa às costas 10 ou 20 anos? Se temos de ir para onde há trabalho (e eu concordo inteiramente com esta ideia) porque é que não podemos ficar onde há trabalho? Se eu entrar para os quadros de uma empresa, depois do devido período de experiência, fico na empresa até o posto de trabalho cessar. Se eu for professora concorro a um lugar e, apesar de 3 anos depois ainda haver necessidade de um professor da minha disciplina naquela escola, eu tenho que concorrer novamente para o território nacional inteiro e provavelmente não fico colocada na mesma escola. Onde é que está a lógica deste processo? Podia continuar a falar das condições de trabalho más, muito más, de muitos professores, mas depois ninguém lia este texto até ao fim.
Ninguém que queira enriquecer vai para professor, mas há mínimos que são aceitáveis pelos muito bons. Não percebo porque é que aqueles que ensinam os nossos filhos e lhes abrem os horizontes, lhes oferecem inúmeras possibilidades de vida e tanta inspiração não são os melhor tratados pela nossa sociedade. Não percebo. A consequência é que o sistema de ensino afasta à partida ou esgota gradualmente os melhores professores em potência.
A luta dos professores, dos alunos e dos pais devia ser conjunta pela reformulação do sistema de ensino, partindo de:
-          exigência muito alta nos critérios para aceder à docência;
-          boas condições de trabalho e respeito (sim, uma vénia dos decisores políticos ficava bem) para os professores.
 
Mas isto dava muito trabalho. Os pais e os alunos a colocarem-se no lugar dos professores, os professores a darem lugar aos melhores, etc, etc, dava muito trabalho. E, como diz o meu amigo de facebook:
JPG: Pois, é uma questão de prioridades na construção de um país. Uns preferem a educação, a saúde, o desenvolvimento, outros preferem construção anárquica, crédito desenfreado, estádios de futebol, auto-estradas à doida, aceitar subsídios para não produzir e etc. e tal...

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Eu sou contra a adoção

Eu sou contra a adoção. Sou contra qualquer tipo de adoção. Sou contra os pais morrerem enquanto as crianças são pequenas. Na verdade sou contra os pais morrerem e ponto final. Sou contra as famílias de acolhimento. Sou contra as instituições de acolhimento de crianças. Sou contra a retirada das crianças da família biológica. Até sou contra as crianças sem pais, seja por morte ou abandono.
No meu mundo ideal nada disto existe porque todas as crianças que vivem são amadas, estimadas e cuidadas pelos pais. No meu mundo ideal, nem há crianças órfãs porque quando os pais morrem, aqueles que têm mesmo de morrer, há tios, primos e amigos que cuidam dos filhos que sobrevivem como se fossem seus filhos.
O problema é que o meu mundo ideal não existe. No meu mundo real, nestes últimos dias até aqui na sala ao lado, há mulheres que levam pancada do marido que bate também nos filhos, há miúdos que saltam de casa em casa entre a mãe que os abandonou, o pai que os maltratou e a família de acolhimento mal escolhida que não os deixa ir à escola. No meu mundo há famílias separadas pela pobreza, há crianças abandonadas em lares porque têm deficiências.
No meu mundo, há uns 15 anos atrás, vi chegar a um lar de crianças em risco uma menina de 10 meses com uma cabeça do dobro do tamanho normal, dos maus tratos que tinha recebido pela família biológica. Vi a cabeça a diminuir até ao tamanho normal. Vi-a chorar cada vez que saía de um colo. E foi assim até ao dia em que se iniciou o processo de adoção. Quando uma mulher solteira começou a visitá-la, a levá-la a passear, a dar-lhe colo só a ela, a levá-la para casa, vimos a Catarina pequenina a crescer, a melhorar dos problemas gástricos, a começar a sorrir e a ficar sozinha no chão bem-disposta. Estava a decorrer à frente dos meus olhos a transformação que o amor exclusivo significa na vida das crianças: melhoria da saúde, melhoria do desenvolvimento, melhoria enorme da felicidade.
Eu não sei o que fazia a mãe da Catarina na sua vida sexual. Nem me interessa. Tenho a certeza do que vou dizer, tanto que não me importo de ser dogmática: para a criança não faz uma diferença profunda se um pai, uma mãe, dois pais ou duas mães são homossexuais ou heterossexuais. O que faz diferença é se há um amor individual e bom para cada criança. A sociedade e as criancinhas da escola até podem gozar com a história e a família de cada um. Não faz diferença se no final do dia cada criança tiver quem a abrace e lhe dê beijinhos, se tiver quem a queira, quem lhe dê segurança. É só isto que tem de contar nos processos adoção. Hoje demos um belo passo neste sentido. Viva a Assembleia da República! Espero que mais passos sejam dados em breve!

terça-feira, 14 de maio de 2013

Mãe também lê

O Pombo Inglês é daqueles livros estranhos que me faz quase desistir para no último capítulo que me proponho a ler acontecer qualquer coisa, uma pequena coisa, que me faz aguentar mais um bocado. Aguentar, sim, é o termo, que a vida do rapaz personagem principal é dura, a linguagem é feia, a mãe é uma imigrante desgraçada, a tia queima os dedos para não ter impressões digitais, há um puto morto... enfim, não é bonito assistir.
Apesar de tudo, Harrison, a personagem principal, consegue encontrar sinais mágicos, de graça, de beleza na realidade da narrativa. E eu, e suponho que o leitor comum também, sorrio e é por isto, também, que continuo a ler.

O Pombo Inglês é o primeiro livro do Stephen Kelman e foi editado cá na terra pela Teorema.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Portugal entre os melhores para ser mãe. Será?

Portugal entre os melhores países do mundo para se ser mãe. Este é o título da notícia publicada ontem no Público a propósito do relatório da Save the Children, que coloca Portugal na 13ª posição, de um conjunto de 176 países.
O relatório chama-se "Sobreviver ao primeiro dia - o estado das mães no mundo em 2013." O relatório está disponível on-line e ao lê-lo dá para perceber que os critérios valorizados são as condições de nascimento, o apoio às mães, os cuidados de saúde materna e infantil. Não tenhamos dúvidas: Portugal fez um caminho extraordinário e hoje a mortalidade infantil é muito reduzida, as mortes por complicações no pós-parto são praticamente inexistentes. O sistema de saúde nacional funciona bastante bem para mulheres e crianças. Tudo isto é maravilhoso. Mas é muito diferente de Portugal ser o 13º melhor país para ser mãe.
O envolvimento das mulheres em Portugal no mercado de trabalho é, segundo o Eurostat, superior à média europeia e isto, digo eu, está mais relacionado com os salários baixos do que com a vontade de não nos dedicarmos à família. A remuneração das mulheres em Portugal é em média inferior à dos homens que ocupam funções semelhantes. A rede pré-escolar não cobre todas as necessidades (e falarei disto, na primeira pessoa, muito em breve), sendo inexistente antes dos 3 anos. Ah, há também os preconceitos que dificultam a empregabilidade das mães e aquela coisa estranhíssima de uma pessoa querer cumprir o horário de trabalho para ir buscar os filhos à escola que está quase a fechar.
Ser mãe é mais que parir. Felizmente que em Portugal podemos dar à luz em excelentes condições. Mas falta o que se segue.