Quem é que colocou o texto Maternidade Alfredo da Costa 1 e 2 dentro da pasta com o meu processo clínico?
A: O Presidente da República.
B: A senhora do quiosque em frente à MAC.
C: O estimado Anónimo que comentou o texto acima linkado.
As primeiras respostas certas ganham, em primeira mão, o acesso às minhas considerações sobre a Liberdade de Expressão e... a inteligência da censura.
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quinta-feira, 8 de setembro de 2011
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
O parto no melhor dos dois mundos
É muito difícil escrever sobre a beleza. Ando há dias à procura da palavra exacta para o nascimento da minha filha. Não existe. Ou eu não a encontro. A minha filha nasceu numa sala de partos da MAC. Fui conduzida no parto por uma equipa do Hospital da Estefânia, que faz sempre os bancos de urgências às segundas-feiras. E foi uma espécie de reconciliação com a minha natureza e com o hospital onde nasceu o meu primeiro filho.
A equipa da MAC que me acolheu nas consultas a partir das 38 semanas foi parte importante deste processo. Fui sempre atendida por médicas muito jovens com uma competência extraordinária que eu não tinha visto até aqui no SNS: o respeito pela opinião do utente sobre os procedimentos médicos a tomar. Um exemplo: às 39 semanas não quis que me fosse feito o toque que tenta normalmente despoletar o parto. A médica disse-me tranquilamente: “se não quer que eu faça esse toque eu não faço.”
Outro: às 41 semanas, quando me foi apresentada a solução internamento para indução, eu recusei. A médica (a médica mais nova que alguma vez consultei) ficou aflita e finalmente triste, mas compreendeu as minhas razões. Disse-me “nós só queremos o melhor para as nossas pacientes.” Eu respondi que sabia, que queria apenas esperar mais uns dias para tentar que a bebé nascesse de forma natural, mas que agradecia mesmo muito toda a atenção de que estava a ser alvo.
Passei o fim-de-semana a andar. Domingo à noite, ao fim de 4 quilómetros a subir e descer a cidade, conclui que segunda-feira seria o dia do internamento e indução. Estava triste e temia que a história do nascimento do X se repetisse, mesmo se todos me davam a garantia que não há dois partos iguais.
Segunda-feira voltei à consulta com a dra. Lúcia, uma médica cheia de luz, que me enviou para as urgências a fim de fazer a indução porque o internamento na MAC estava cheio (querido governo anterior, vês como era melhor não ter fechado o bloco de partos na Estefânia?). Bem disse a médica que era uma ironia do destino eu ter fugido da Estefânia para ser uma equipa da Estefânia a fazer-me o parto. Acabou por ser uma epifania do destino.
Passei o dia na sala de partos onde nasceria a minha filha, sempre monitorizada pelo CTG, acompanhada pelo meu marido, visitada com regularidade por duas enfermeiras e pela equipa médica. Havia uma médica que sorria, uma médica muito nova que sorria sempre.
Às 4 da tarde começaram as contracções. Depois das 8, quando tive uma contracção mais forte pedi que chamassem uma médica para que começasse a aplicação da epidural. A médica examinou-me e disse “Ah! Mas estes são os cabelos do bebé! Já tem a dilatação completa!” O medo da dor fez com que me descontrolasse, mas a médica e a enfermeira conseguiram fazer com que me recompusesse. A médica era muito nova e sorria sempre.
Deram-me a possibilidade de parir de joelhos em cima da cama. Acabaram por me deitar e eu fiz força duas vezes. Com a primeira, senti a cabeça da bebé a aflorar e tive muitas dores. Depois de pedir para esperar, ouvi uma voz mágica que me conduziu ao sítio certo. A enfermeira disse-me “se fizeres força agora não rasgas.” Fiz uma força lenta que começou cá em cima ao pé do coração e a minha filha nasceu. Colocaram-na em cima de mim e depois de um momento que ainda me pareceu longo, a minha filha respirou e ficou cor-de-rosa.
Ficámos todos muito emocionados. A médica muito nova que sorria sempre, ainda sorria mais e dizia que a obstetrícia é a melhor especialidade do mundo. Eu só tinha vontade de a abraçar, por me dar este parto tão natural, tão simples, tão pacífico, tão bonito. Só não o fiz porque tinha a minha filha nos braços e o meu marido a abraçar-me a mim.
Obrigada dra. Margarida, obrigada enfermeira Rita, obrigada dra. Lúcia, obrigada MAC inteira, obrigada equipa da Estefânia.
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Três quilos e meio de gente, outra vez
Já estamos em casa e tão bem, tão bem, tão bem, que nem parece que me nasceu uma menina grande de parto natural. Mas foi! Mais adiante contarei pormenores. Agora vou tratar das crias!
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Estimado Anónimo
Estimado anónimo,
1º: já que está tão informado acerca dos procedimentos da MAC e do SNS, esclareça-me por favor acerca do seguinte: considerando que não existe rede pública de obstetrícia sem ser em ambiente hospitalar, onde é que me devo dirigir numa situação como a descrita no texto Maternidade Alfredo da Costa 1 e 2? Ao centro de saúde? A um domingo? E depois de me ter sido indicada pelo médico de família que qualquer ocorrência a partir das 36 semanas deve ser vista na maternidade? Ou vou ao centro de saúde não fazer nada porque não há especialistas, nem equipamento médico, num dia em que ainda não sei se preciso de fazer a tal viagem?
2º: não presuma aquilo que desconhece: a primeira coisa que disse na triagem foi justamente o motivo da minha visita e, extraordinário, o pessoal médico que me avaliou achou que era razoável que eu ali estivesse. Suponho que caso contrário, me tinha enviado para casa.
3º: o tempo de espera em urgência não foi alvo da minha crítica, mas eu vou esclarecer. Quando digo que me parece que estiveram a brincar aos médicos é porque, como explico a seguir, esperava apenas fazer um CTG e fiz uma série de exames, alguns dos quais realizados por estudantes da especialidade, que aproveitaram para aprender, por exemplo, como se faz uma ecografia, coisa que me pareceu razoável. O comentário não era depreciativo mas percebo que possa ser mal entendido, aqui fica o esclarecimento.
4º: a falcatrua, foi telefonar para a MAC, dizer o que me parecia ser estranho (se ler o texto Nascer na MAC ou onde calhar? tem mais detalhes) e conseguir tranquilamente uma consulta. Há quem consiga consultas ali, não por ter área de residência correspondente mas porque, por exemplo, se é seguido no privado por um médico que também faz serviço ali. E não parece haver problema nenhum com isso...
4º: em relação à ironia, ela só atinge uma médica que entrou sem bater à porta, não atinge a MAC. Todo o meu comentário vai no sentido do elogio à instituição referida.
Já agora convido-o a ler o meu blogue de uma ponta à outra para perceber o teor do mesmo. E sim, o nosso sistema de saúde é muito bom, mas tem falhas. Curiosamente, eu assinalo as duas coisas sempre que me é possível. E honestamente não me parece que este texto que comentou seja assim tão depreciativo.
Aproveito para dizer que hoje foi a minha segunda consulta na MAC e que correu tudo lindamente. O tempo entre análises e fim de consulta foi de 2 horas e meia e todo o pessoal hospitalar foi excelente.
Se puder responder às minhas questões do ponto 1, agradeço imenso. Muito obrigada pela atenção! Os melhores cumprimentos. Suponho que nos vemos na MAC.
1º: já que está tão informado acerca dos procedimentos da MAC e do SNS, esclareça-me por favor acerca do seguinte: considerando que não existe rede pública de obstetrícia sem ser em ambiente hospitalar, onde é que me devo dirigir numa situação como a descrita no texto Maternidade Alfredo da Costa 1 e 2? Ao centro de saúde? A um domingo? E depois de me ter sido indicada pelo médico de família que qualquer ocorrência a partir das 36 semanas deve ser vista na maternidade? Ou vou ao centro de saúde não fazer nada porque não há especialistas, nem equipamento médico, num dia em que ainda não sei se preciso de fazer a tal viagem?
2º: não presuma aquilo que desconhece: a primeira coisa que disse na triagem foi justamente o motivo da minha visita e, extraordinário, o pessoal médico que me avaliou achou que era razoável que eu ali estivesse. Suponho que caso contrário, me tinha enviado para casa.
3º: o tempo de espera em urgência não foi alvo da minha crítica, mas eu vou esclarecer. Quando digo que me parece que estiveram a brincar aos médicos é porque, como explico a seguir, esperava apenas fazer um CTG e fiz uma série de exames, alguns dos quais realizados por estudantes da especialidade, que aproveitaram para aprender, por exemplo, como se faz uma ecografia, coisa que me pareceu razoável. O comentário não era depreciativo mas percebo que possa ser mal entendido, aqui fica o esclarecimento.
4º: a falcatrua, foi telefonar para a MAC, dizer o que me parecia ser estranho (se ler o texto Nascer na MAC ou onde calhar? tem mais detalhes) e conseguir tranquilamente uma consulta. Há quem consiga consultas ali, não por ter área de residência correspondente mas porque, por exemplo, se é seguido no privado por um médico que também faz serviço ali. E não parece haver problema nenhum com isso...
4º: em relação à ironia, ela só atinge uma médica que entrou sem bater à porta, não atinge a MAC. Todo o meu comentário vai no sentido do elogio à instituição referida.
Já agora convido-o a ler o meu blogue de uma ponta à outra para perceber o teor do mesmo. E sim, o nosso sistema de saúde é muito bom, mas tem falhas. Curiosamente, eu assinalo as duas coisas sempre que me é possível. E honestamente não me parece que este texto que comentou seja assim tão depreciativo.
Aproveito para dizer que hoje foi a minha segunda consulta na MAC e que correu tudo lindamente. O tempo entre análises e fim de consulta foi de 2 horas e meia e todo o pessoal hospitalar foi excelente.
Se puder responder às minhas questões do ponto 1, agradeço imenso. Muito obrigada pela atenção! Os melhores cumprimentos. Suponho que nos vemos na MAC.
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Maternidade Alfredo da Costa 1 e 2
Domingo passado fui à Maternidade Alfredo da Costa. Entrei pela urgências, não porque tivesse uma emergência mas porque ia viajar no dia seguinte e queria garantir, dentro do possível, que o podia fazer. Correu mesmo bem. Estive lá das 11h00 às 15h00 e fizeram-me uma série da exames. Na verdade acho que estiveram a brincar aos médicos. A única coisa que eu esperava era fazer um CTG para verificar a incidência das contrações, mas porque a miúda andava a fazer piscinas tive direito a análises, toque e ecografia. Gostei da médica que me atendeu, das enfermeiras e do director das urgências que veio ter connosco à ecografia para me dizer que era bom sinal que a miúda andasse agitada, que eu não ficasse ansiosa, enquanto me fazia festinhas na cara.
Confesso que nesta altura eu pensava "Sim, eu sei, não vim aqui por isso e pára lá de me fazer festinhas que eu não te conheço de lado nenhum." Mas como estou a ficar esperta não disse nada e agradeci imenso a atenção que me deram e, claro, a autorização para fazer 300 km de carro.
Ontem foi o dia da consulta de referência. Estive no serviço de consulta das 13h00 às 17h30... Já não sabia em que posição estar, mas enfim. Como fiz a falcatrua de ir para as consultas da MAC em vez de ter novamente o processo na Estefânia, achei que era razoável a demora. Fui a última a ser atendida. Não faz mal. Mais uma vez o exame completo, desta vez com história detalhada do parto do X, que impressionou muito a enfermeira mas que a médica achou muito estranho... Também eu, minha amiga!
Seja como for, combinámos que eu levaria a informação possível na próxima consulta, o relatório médico, e eu comecei a rir. Afinal o relatório da Estefânia que me foi dado quase um ano depois e a minha descrição do parto parecem sobre dois acontecimentos diferentes, mas enfim.
Da parte que importa - esta consulta, esta gravidez, este parto - pareceu-me tudo muito bem. Continua a faltar a identificação dos profissionais de saúde, mas não há nada como perguntar... E não fosse outra médica entrar enquanto eu vestia as cuecas depois do toque (que foi delicado), sem bater à porta, tinha sido perfeito. Mas bom, educação daquela boa que nos dão em casa nem todos temos. E os que temos, devemos ser pacientes com os outros, verdade? Ai, estou tão crescida!
A próxima consulta é só daqui a 15 dias, apesar de todas as recomendações médicas para que o último mês seja vigiado de perto. Mas como gravidez não é doença... siga para bingo. De qualquer forma não acredito muito ter outra consulta. É que hoje é noite de lua cheia...
Confesso que nesta altura eu pensava "Sim, eu sei, não vim aqui por isso e pára lá de me fazer festinhas que eu não te conheço de lado nenhum." Mas como estou a ficar esperta não disse nada e agradeci imenso a atenção que me deram e, claro, a autorização para fazer 300 km de carro.
Ontem foi o dia da consulta de referência. Estive no serviço de consulta das 13h00 às 17h30... Já não sabia em que posição estar, mas enfim. Como fiz a falcatrua de ir para as consultas da MAC em vez de ter novamente o processo na Estefânia, achei que era razoável a demora. Fui a última a ser atendida. Não faz mal. Mais uma vez o exame completo, desta vez com história detalhada do parto do X, que impressionou muito a enfermeira mas que a médica achou muito estranho... Também eu, minha amiga!
Seja como for, combinámos que eu levaria a informação possível na próxima consulta, o relatório médico, e eu comecei a rir. Afinal o relatório da Estefânia que me foi dado quase um ano depois e a minha descrição do parto parecem sobre dois acontecimentos diferentes, mas enfim.
Da parte que importa - esta consulta, esta gravidez, este parto - pareceu-me tudo muito bem. Continua a faltar a identificação dos profissionais de saúde, mas não há nada como perguntar... E não fosse outra médica entrar enquanto eu vestia as cuecas depois do toque (que foi delicado), sem bater à porta, tinha sido perfeito. Mas bom, educação daquela boa que nos dão em casa nem todos temos. E os que temos, devemos ser pacientes com os outros, verdade? Ai, estou tão crescida!
A próxima consulta é só daqui a 15 dias, apesar de todas as recomendações médicas para que o último mês seja vigiado de perto. Mas como gravidez não é doença... siga para bingo. De qualquer forma não acredito muito ter outra consulta. É que hoje é noite de lua cheia...
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segunda-feira, 20 de junho de 2011
Nascer na MAC ou onde calhar?
Com o fecho da Maternidade do Hospital D. Estefânia (MHDE), resolvi marcar consulta na MAC, mesmo se o SNS me continua a dar como centro de referência o hospital das criancinhas... Não faz sentido para mim que as consultas de referência sejam num lugar diferente daquele destinado ao parto, por isso telefonei para a MAC e pedi para ser seguida ali. O desejo foi facilmente concedido ao telefone por pessoal muito simpático. Pensei que só por esta simpatia já valia a pena a mudança - foi algo muito diferente do atendimento que me foi dado pelos administrativos sempre que contactei com a MHDE, bastando lembrar a última abordagem pelo telefone em que ouvi "E muita sorte tem a senhora por ainda ter consulta aqui." Na verdade, deixou-me muito mais descansada.
Fui a semana passada fazer a visita à MAC. Um grupo de grávidas, entre as quais eu, e alguns maridos tivemos oportunidade de ter uma visita guiada por uma enfermeira, como é procedimento habitual naquele hospital. Vimos o espaço das consultas, a entrada pelas urgências, as salas de partos, as enfermarias, a sala de amamentação. As minhas impressões sobre a MAC dividem-se, assim como as minhas opiniões em relação ao fecho da MHDE.
Na MAC,as urgências e salas de partos são modernas; o pessoal é simpático e humano. Há protocolos bons para as mães, como a colocação do bebé ao colo, o recobro na sala de parto, segundo o que a enfermeira guia descreveu. Depois, as enfermarias são assustadoras, muito assustadoras, apinhadas de camas, sem segurança electrónica para os bebés, com casas de banho afastadíssimas de alguns dos quartos múltiplos, não há cantina. Paredes, portas, janelas, escadas e elevadores estão a cair de podres.
Tanta história por causa da junção dos serviços dos dois hospitais para optimizar o serviço e os funcionários e afinal no dia que visitámos a MAC não havia pessoal para o espaço de apoio à amamentação, pelo que estava fechado. Quando lá entrámos tocava um telefone e ninguém o atendeu. Azar para a senhora com problemas nas maminhas no outro lado da linha... Mas temos todas de amamentar os putos até aos 2 anos!
A consulta de referência na MAC é às 38 semanas. Será que as criancinhas todas nascem agora de 42 semanas como o meu primeiro filho?
Na MHDE, onde tudo era moderno, havia segurança electrónica para os bebés, para que as mães pudessem ir, por exemplo, à casa-de-banho descansadas, ou almoçar à cantina no piso descansadas. Não percebo uma coisa simples: porque é que um bloco de maternidade inaugurado em 2001 fecha 10 anos depois quando dispunha de condições físicas excelentes? É certo que o pessoal administrativo e algum médico eram umas bestas, mas parece que se corre o risco de levar com eles na MAC.
A consulta de referência na MHDE era às 36 semanas, conforme recomendam todas as leituras que fiz até hoje. Digamos que nos tempos que correm, em que tanta gente deixa de ter obstetra privado, era capaz de fazer mais sentido antecipar as consultas com os especialistas do que adiá-las para as 38.
Podem explicar-me porque é que se prefere apinhar mais pessoas numas instalações decadentes, antes de fazer as obras que tão evidentemente precisam? Porque é que não se prefere redireccionar utentes para os blocos e as enfermarias melhor equipados, mais confortáveis, mais amigos do pós-parto? Eu olhava para as enfermarias e pensava "Eu vou é para o Francisco Xavier."
E quando se der sobrelotação da MAC o que é que vai acontecer a quem ficar de fora? Vamos parir nos corredores? Ou mandam-nos para casa e seja o que deus quiser?
Fui a semana passada fazer a visita à MAC. Um grupo de grávidas, entre as quais eu, e alguns maridos tivemos oportunidade de ter uma visita guiada por uma enfermeira, como é procedimento habitual naquele hospital. Vimos o espaço das consultas, a entrada pelas urgências, as salas de partos, as enfermarias, a sala de amamentação. As minhas impressões sobre a MAC dividem-se, assim como as minhas opiniões em relação ao fecho da MHDE.
Na MAC,as urgências e salas de partos são modernas; o pessoal é simpático e humano. Há protocolos bons para as mães, como a colocação do bebé ao colo, o recobro na sala de parto, segundo o que a enfermeira guia descreveu. Depois, as enfermarias são assustadoras, muito assustadoras, apinhadas de camas, sem segurança electrónica para os bebés, com casas de banho afastadíssimas de alguns dos quartos múltiplos, não há cantina. Paredes, portas, janelas, escadas e elevadores estão a cair de podres.
Tanta história por causa da junção dos serviços dos dois hospitais para optimizar o serviço e os funcionários e afinal no dia que visitámos a MAC não havia pessoal para o espaço de apoio à amamentação, pelo que estava fechado. Quando lá entrámos tocava um telefone e ninguém o atendeu. Azar para a senhora com problemas nas maminhas no outro lado da linha... Mas temos todas de amamentar os putos até aos 2 anos!
A consulta de referência na MAC é às 38 semanas. Será que as criancinhas todas nascem agora de 42 semanas como o meu primeiro filho?
Na MHDE, onde tudo era moderno, havia segurança electrónica para os bebés, para que as mães pudessem ir, por exemplo, à casa-de-banho descansadas, ou almoçar à cantina no piso descansadas. Não percebo uma coisa simples: porque é que um bloco de maternidade inaugurado em 2001 fecha 10 anos depois quando dispunha de condições físicas excelentes? É certo que o pessoal administrativo e algum médico eram umas bestas, mas parece que se corre o risco de levar com eles na MAC.
A consulta de referência na MHDE era às 36 semanas, conforme recomendam todas as leituras que fiz até hoje. Digamos que nos tempos que correm, em que tanta gente deixa de ter obstetra privado, era capaz de fazer mais sentido antecipar as consultas com os especialistas do que adiá-las para as 38.
Podem explicar-me porque é que se prefere apinhar mais pessoas numas instalações decadentes, antes de fazer as obras que tão evidentemente precisam? Porque é que não se prefere redireccionar utentes para os blocos e as enfermarias melhor equipados, mais confortáveis, mais amigos do pós-parto? Eu olhava para as enfermarias e pensava "Eu vou é para o Francisco Xavier."
E quando se der sobrelotação da MAC o que é que vai acontecer a quem ficar de fora? Vamos parir nos corredores? Ou mandam-nos para casa e seja o que deus quiser?
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sexta-feira, 20 de maio de 2011
Bye, bye Estefânia?
A Maternidade do Hospital Dona Estefânia está a fechar. Devagarinho, discretamente, para que ninguém dê pelo encerramento. No mesmo dia em que recebi a carta para a consulta de referência na Estefânia, a das 36 semanas, saiu apenas uma notícia no DN sobre a fusão dos dois serviços de maternidade: o da Estefânia e da Maternidade Alfredo da Costa. A data apontada para o fecho deste serviço - fecham o bloco de partos e as urgências - é 6 de Junho. O meu bebé deve nascer no princípio de Agosto. Mas continuam a marcar consultas para a Estefânia... Sou só eu que acho isto um absurdo?
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