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sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Reclamação construtiva

 
 
O meu filho X submeteu-se a vários exames auditivos no Hospital D. Estefânia, de acordo com prescrito anteriormente numa consulta de otorrinolaringologia, que duraram cerca de 10 minutos, depois de bastantes mais à espera de consulta, e com uma interrupção pelo meio. Tudo procedimentos normais dos quais não me queixo.
 
Queixo-me da sugestão para levar o X ao psicólogo feita pela técnica que estava a fazer os exames que, como referi acima, demoraram 10 minutos. A razão apontada: dificuldades de concentração.
 
O X tem 5 anos, é uma criança e não deveria ser preciso dizer mais nada. Mas eu digo: é uma criança normal, curiosa e que adorou o vosso laboratório de audiometria que tem auscultadores, luzes e maquinetas que ele nunca tinha visto!
 
Gostava de saber se parece razoável a alguém que uma técnica de audiometria possa fazer também uma avaliação psicológica e... em 10 minutos. Espero que quem receber esta reclamação perceba que não estou ofendida, na medida em que, felizmente, sei quem é o meu filho e confio plenamente nas avaliações que a escola que frequenta faz dele regularmente. Mas conheço alguns pais e profissionais de saúde para quem esta simples afirmação em contexto hospitalar iniciará facilmente um breve caminho até à hiperatividade, ao deficit de atenção e à medicação.
 
E é por isso que vos dou nota do acontecido. Esperando que sirva esta reclamação para que tal não ocorra novamente.
 

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Sobre a liberdade de expressão

Este texto é uma adenda ao escrito ontem à noite.
Neste blogue pratica-se muito a liberdade de expressão, da mesma forma que a pratico em livros de reclamação, sendo caso de isso, da mesma forma que agradeço verbalmente cada vez que sou atendida de forma conveniente em qualquer lugar. Mas não se pratica a irresponsabilidade nem a conversa de café que diz mal só por dizer.
Basta uma leitura sem preconceitos nem corporativismo dos meus textos para perceber a intenção daquilo que escrevo: melhorar o meu contexto, não só para mim como para os outros. Há situações em que resulta escrever aqui, seja pelo incentivo que dá a críticas de outras pessoas noutros lugares, seja pela própria resposta que algumas instituições me dão oficialmente, sem recorrerem à figura anónima.
Como a minha ideia ao escrever aqui é mesmo discutir ideias e pensar a realidade, a condição de anónimo por si, não me chateia assim tanto e por isso dedico o texto anterior a um anónimo, criticando algumas das suas reflexões e esclarecendo outras. O que me chateia é o início do comentário. "Numa época em que não há limites para a liberdade de expressão" mas devia haver? Não há de certeza? Então porque é que uma descrição de dois episódios médicos incomoda tanto alguém?
Deixo aqui dois textos, um meu, outro de uma bloguer que admiro muito, sobre aquilo que é a liberdade de expressão em Portugal. Naturalmente não foram escritos agora, mas são sobre o contexto de liberdade em que vivemos. Podemos à vontade queimar soutiens. Mas explicar frontalmente aquilo que nos parece mal é outra conversa. A má vontade é o maior obstáculo epistemológico deste país. Ora façam favor: O blogue é meu (detenham-se apenas no primeiro parágrafo) e Tradução básica da Mãe Preocupada.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Carta de reclamação à Optimus, mas também serve para as outras

Exmo.s Sr.s,
pela terceira vez o meu prédio recebeu hoje a visita de um comercial vosso com o propósito de vender pacotes de tv por causa da fibra óptica.
Pela terceira vez as informações prestadas pelo vosso comercial estão incorrectas, a saber e cito:
- se não subscrever um serviço de fornecimento vai deixar de ver televisão
- ou então tem de comprar uma box, o que ainda lhe sai mais caro.
Como cada um dos comerciais faz o mesmo tipo de discurso, resta-me concluir que os responsáveis por esta acção estão a prestar as informações erradas aos vosso comerciais, o que nada abona a favor da honestidade da Optimus.
Na minha tentativa de esclarecer o comercial que hoje bateu à minha porta sobre os factos errados do seu discurso, o senhor resolveu ofender-me. Resta-me pois esclarecer os meus vizinhos acerca de prazos e equipamentos necessários, nomeadamente o que se refere aos aparelhos de televisão comprados depois de 2009 que não necessitam de qualquer outro equipamento para acederem ao sinal de TDT.
Resta-me ainda pedir-vos o favor de informarem devidamente as vossas equipas para que não ocorram novas visitas com este discurso.
Agradeço a atenção dispensada. Os melhores cumprimentos,

quarta-feira, 9 de março de 2011

Eu não entendo a Geração à Rasca

Peço desculpa mas sou careta. Peço perdão, mas quando os cabelos brancos me aparecem na franja começo a ficar contente. Tenho 32 anos. Tinha 15 quando o Vicente Jorge Silva chamou aos meus irmãos mais velhos Geração Rasca. Estou pela primeira vez desempregada. A notícia do despedimento chegou no princípio de Fevereiro. Estou grávida e creio que essa é a única razão pela qual ainda não estou vinculada a uma outra empresa.
Em 1999, fiz os meus primeiros descontos para a Segurança Social. Em 2002, comecei a trabalhar de forma ininterrupta. Em 2003, aluguei uma casa manhosa, manhosa, mas saí definitivamente de casa dos meus pais. Nunca mais tive dinheiro dos pais. Aliás, a mesada era um conceito que não existia lá em casa. O que existia lá em casa era uma família que dava importância ao estudo e ao trabalho.

E se eu queria dinheiro para ir ao teatro ou se quis fazer Erasmus em Barcelona, trabalhei para poder ter dinheiro para o fazer. Em 99 descontei quando trabalhei na bilheteira de um cinema, depois numa livraria. Antes disso juntava dinheiro a fazer biscates. Se quis ir ao Sudoeste a primeira vez, fui de roulote de hamburgueres. O trabalho patrocinar-me-ia a entrada nos concertos. Depois de lá estar, o dinheiro que estava a fazer era tão bom que acabei por não ir a concerto nenhum. Mas os Corvos vieram montes de vezes à nossa roulote!!!!

Não entendo a Geração à Rasca. Há boa gente com pouca idade a trabalhar de mais para ganhar de menos, há. Mas também gente medíocre que espera ter direito a tudo só porque sim. Como se o trabalho e o salário fossem uma mesada mais, que se pedincha mas não se merece. É como acontece com as notas da escola. Um estagiária pediu-me que lhe desse uma nota de estágio mais alta porque "toda a gente aproveita o estágio para subir a média." Não porque ela tivesse mais valor do que aquilo que tinha demonstrado. No secundário os miúdos pedem notas em auto-avaliação que não são correctas, mas sabem que as conseguem nos conselhos de turma. O meu primo mais novo está no oitavo ano e não sabe fazer contas de somar... O Marco que aparece numa reportagem da TVI tem 15 anos, não saber ler, mas também está no oitavo ano.

Faz tudo parte do mesmo. Porque se esta Geração à Rasca soubesse ler, não escolhia para hino a música dos Deolinda. Não é dúbio que a crítica feita pelo autor é a esta gente que é retratada na letra. É óbvio.
Sou da geração ‘casinha dos pais’,
se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
e ainda me falta o carro pagar.
Sou da geração ‘vou queixar-me pra quê?’
Que parva que eu sou!
As folhas A4 com a descrição dos problemas individuais que se entregarão na Assembleia da República (ainda me vão explicar como) servem para quê? O problema da Geração à Rasca não se resolve por decreto. Resolve-se pela acção que cada um resolver tomar. Se cada um perceber que se trabalha por um salário e não por um estatuto. Se cada um exigir ser pago como gente grande quando exerce funções de gente grande. Se não houver sempre alguém disposto a fazer tudo a troco de nada, as coisas mudam. E depois, incomodar-se para quê? Se estão em casa dos pais a viver a tenças...

E depois há a todas as gerações mais velhas, que se debatem com os mesmos problemas de incerteza quanto ao futuro, de recibos verdes intermináveis, de ausência de prestações sociais em caso de doença ou incapacidade. Mas que não são putos mimados e que vêem apenas como solução trabalhar, trabalhar, com muita honestidade.

O país é uma merda. Nisso concordamos todos. Mas esta gente que tem 30 anos vota há quanto tempo nos mesmos? O Cavaco ganhou depois de uma greve geral! O PS teve uma extraordinária vitória nas últimas legislativas, mas ninguém votou neles... Têm 30 anos e quantas vezes antes exigiram os seus direitos? Quantas vezes fizeram uma reclamação? Quantas vezes tomaram a iniciativa de tornar o seu mundo ligeiramente melhor? Quantas vezes exerceram um trabalho com tanta seriedade que a sua promoção se tornaria evidente, inevitável?

Peço desculpa, mas eu só comprei o meu primeiro carro há um ano e deve ser por isso que não entendo estas coisas...

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Uma mudançazinha de atitude

Abri a semana passada uma carta estranha. Vinha do Hospital Dona Estefânia e dizia que a minha reclamação estava a ser considerada. Era estranha, porque já não me lembrava da última reclamação formal que tinha feito. Confesso que depois de tantas vezes ter reclamado para ler depois um quase “ a senhora é parva? Não vê que isto é um hospital?” amainei a minha veia crítica, pelo menos a mais formal.

Por isso, quando esta semana recebi nova carta do Hospital dizendo que respondiam à minha queixa feita em blogue (esta) fiquei estupefacta. Mais ainda, quando adiante, explicavam de quem era a responsabilidade da informação mal dada. Milagre? Não sei, terei de ver o que acontece a próxima vez que for à Estefânia, mas creio que é uma mudançazinha de atitude, que vale a pena referir.

Será que começa a valer a pena reclamar? Acho que sim, até porque esta semana aconteceram mais coisas, que contarei adiante, que o confirmam.

sábado, 30 de junho de 2007

Primeira vez na Maternidade

Uma hora à espera na zona das consultas da Maternidade do Hospital Dona Estefânia... mas não para ter a consulta, o que até podia ser razoável. Uma hora à espera para saber se ía ter a consulta nesse dia ou não... Depois de uma hora à espera resolvi perguntar se já se sabia se eu ía ter consulta ou não. A resposta na recepção foi: "Não se preocupe que não sai daqui sem consulta marcada". Pois, só que não foi isso que eu perguntei. Reformulei: "Eu quero é saber se a consulta é hoje ou noutro dia. Estou há uma hora à espera e como imagina tenho outros compromissos. Preciso de saber se os adio ou se os mantenho".
Bom, depois disto, mandaram-me falar com a enfermeira da sala tantos. Lá fui e a senhora, simpática sem dúvida, não podia fazer nada, não sabia nada. Mas a minha ficha continuava a descansar tranquilamente em cima de uma mesa, nessa sala, junto a outras credenciais. Eu expliquei mais uma vez que estava há uma hora à espera e que tinha outros compromissos. "Preciso de saber se os adio ou se os mantenho".
"Se quiser vá ali à porta e fale com a doutora. Eu não posso fazer isso," disse a enfermeira.
Muito bem. Estou de pé no corredor, onde está outra grávida, de fim de tempo, também à espera, também de pé... Estou diante de duas portas que têm indicação triagem. Quando a primeira se abre eu peço desculpa por entrar. Lá dentro estão 3 mulheres de bata branca e uma entra logo a seguir. As quatro estão muito contentes e numa animada cavaqueira.
"Peço desculpa por estar aqui, sei que não devia, mas estou há uma hora à espera para saber se tenho consulta hoje ou não. Só precisava dessa informação." Uma das senhoras, que é a médica, responde-me: "onde é que está a sua ficha?"
"Está na sala da enfermeira. Posso ir buscá-la". Conforme vou, entra uma paciente na sala, para a consulta. Mas pelo menos consigo meter a minha ficha lá dentro! Espero mais meia hora para saber. Mais meia hora com a outra grávida que está no fim do tempo. Estamos as duas de pé. E rimos... afinal, com o tempo que nos fazem esperar até parece que a licença de gravidez já existe.
Meia hora depois, sai a outra grávida entro novamente na sala. A médica pergunta-me se sou eu a Carla. "Sim, sou, vou ter consulta hoje?" "Sim, sente-se, atendo-a já". Neste momento penso, mas não digo, que devo estar a passar à frente a uma data de gente quando eu só queria saber se tinha consulta. Não foi o que eu pedi, mas enfim, que se lixe, já estou a ser atendida.
Conto a história de família que me leva a querer fazer o rastreio. Falo da leucemia da minha mãe e ela responde, ríspida, "mas isso não tem nada a ver" e eu digo "pois, mas eu não sei, não sou médica" e começa a peixeirada. A doutora grita comigo, que me está a fazer um favor, que me passou à frente de muita gente com consulta marcada, que vai fazer isto de forma meramente técnica. Voam papéis e a médica esbraceja até eu lhe gritar também (e mais alto) que ela não pode falar assim comigo e que eu não pedi favor nenhum. Ela ainda se queixa que tem imensa coisa para fazer e que não está para aturar isto, mas acalma-se. Eu não digo mais nada, mas penso.
Penso que raio de gente é esta que pensa ser a única classe profissional do mundo a ter muito que fazer. Estão sobrecarregados? Também eu e estou ali há muito tempo à espera e não é por estar grávida que o meu trabalho diminui. Penso porque é que temos médicos que não seguem protocolos e que gostam de fazer favores? Porque é que a minha ficha não foi para a triagem, cinco minutos depois de eu a ter entregue na recepção? Porque é que eu tive que andar pelos corredores e tive de chegar à fala com a médica e ocupá-la para conseguir ser atendida? Porque é que esta gente acha que está a fazer favores quando é das suas funções atender pessoas que recorrem ao serviço onde trabalha e é remunerada para tal?

Segunda parte: ecografia porcaria
Ainda na mesma consulta na MHDE, a médica vê a minha ecografia das 11 semanas e diz que é uma porcaria e faz mais considerações acerca das borlas dos acordos... Eu explico que paguei e que portanto não use esse argumento.
Então a doutora elenca um rol de profissionais privados que são muito bons. A Joaquina Tavares vem à cabeça (e sim, toda a gente fala bem mas a senhora cobra 110 euros pela mesma eco em que eu paguei 65) mas há mais. E eu suponho, pelas idades dos que conheço, que são todos colegas de curso... mas não faço comentários.
Porque é que numa consulta no SNS eu tenho direito a publicidade? Isto parece-me, no mínimo, duvidoso e tenho impressão que não é muito legal...

Saio da consulta resoluta a fazer uma reclamação por escrito. Tudo isto me pareceu abusivo. Eu não sou analfabeta e conheço os meus direitos. E depois faz-se luz... E se esta obstetra me encontra novamente nas consultas? E se é ela a fazer-me o parto? E penso: estou lixada. É melhor não fazer nada.
Lá vou eu, finalmente, fazer o rastreio. As enfermeiras são surdas (com excepção da estagiária que é muito querida e competente) mas isso também já não me interessa. Quero dar o sangue para análise e ir-me embora. Para a próxima gravidez tenho bebé em casa ou, melhor, vou para a Austrália, para o deserto.

E depois penso, isto é quase como ir para o privado. Eu tenho direitos. Se tenho medo de represálias, queixo-me de outra maneira: escrevo este blog para contar como é o SNS. Se não é todo igual, fica este exemplo. E no fim, daqui a seis meses, envio o documento inteiro para o Ministério da Saúde. Eu também tenho contactos!