Mostrar mensagens com a etiqueta comportamento. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta comportamento. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Autodeterminação

Desta vez estou com o Nuno Crato, as praxes são sobretudo uma questão de autodeterminação

Ação de decidir por si mesmo.


"autodeterminação", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/DLPO/autodetermina%C3%A7%C3%A3o [consultado em 31-01-2014].

Eu não percebo como é que gente maior de idade não é capaz de decidir não ser humilhado com as praxes "regulares". Percebo ainda menos como é que gente que já devia ser adulta não é capaz de decidir pela sua própria segurança, pela sua própria vida.

Podem argumentar o que quiserem, da integração, do medo, etc, e dos malvados duci (estes devem ser pouco mais que amibas para terem paciência e estupidez para fazer o que fazem).

Não percebo como é que a necessidade de ir na carneirada ultrapassa a personalidade, a individualidade e o instinto e remete alguém para a obediência cega a uma amiba, inofensiva se ignorada.

Enfim. Depois deste texto marinar tanto tempo aqui na pasta dos rascunhos descubro o video



"Temos direito a ser humilhados" e acabam-se-me os argumentos. Só sinto vergonha. Uma enorme vergonha.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Mensagem de Natal da Presidente do Blogue e O que andamos a ler

Tenho imensa vontade de falar sobre o paradoxo da classe que avalia não querer ser avaliada e da estranheza que me causa 13 mil pessoas aceitarem fazer um exame e depois serem os controladores dessa prova (e já detentores dessa profissão) a fazerem greve apesar de não se ter conseguido organizar um boicote.

Tenho imensa vontade de vos contar sobre um acidente de viação em que um carro está parado mas ainda assim o condutor do carro em movimento insiste não ter culpa de nada e partir deste fait-diver do quotidiano para um ensaio sobre a educação e o respeito que nos falta tanto a nós portugueses, quase todos, safados.

Mas não. Estamos no Natal e venho cá dizer-vos que 'O que andamos a ler' é 'A noite de Natal' de Sophia de Mello Breyner Andresen e mais uma vez confirmo que os pequenos são capazes de reconhecer a beleza da literatura, das suas camadas e das suas músicas de palavras, da forma mais simples, quando se emocionam com uma frase ou uma ideia.



Devo agradecer a escritores como estes, não só por nos contarem histórias belas, como por nos sustentarem a verticalidade da coluna quando às vezes, ou muitas vezes, temos vontade de tentar fazer como os outros. Mas nessa altura os nossos filhos não seriam os nossos filhos. Obrigada Sophia!

Feliz Natal.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Reclamação construtiva

 
 
O meu filho X submeteu-se a vários exames auditivos no Hospital D. Estefânia, de acordo com prescrito anteriormente numa consulta de otorrinolaringologia, que duraram cerca de 10 minutos, depois de bastantes mais à espera de consulta, e com uma interrupção pelo meio. Tudo procedimentos normais dos quais não me queixo.
 
Queixo-me da sugestão para levar o X ao psicólogo feita pela técnica que estava a fazer os exames que, como referi acima, demoraram 10 minutos. A razão apontada: dificuldades de concentração.
 
O X tem 5 anos, é uma criança e não deveria ser preciso dizer mais nada. Mas eu digo: é uma criança normal, curiosa e que adorou o vosso laboratório de audiometria que tem auscultadores, luzes e maquinetas que ele nunca tinha visto!
 
Gostava de saber se parece razoável a alguém que uma técnica de audiometria possa fazer também uma avaliação psicológica e... em 10 minutos. Espero que quem receber esta reclamação perceba que não estou ofendida, na medida em que, felizmente, sei quem é o meu filho e confio plenamente nas avaliações que a escola que frequenta faz dele regularmente. Mas conheço alguns pais e profissionais de saúde para quem esta simples afirmação em contexto hospitalar iniciará facilmente um breve caminho até à hiperatividade, ao deficit de atenção e à medicação.
 
E é por isso que vos dou nota do acontecido. Esperando que sirva esta reclamação para que tal não ocorra novamente.
 

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Da escola: não querer ser professor

A minha licenciatura era vocacionada para o ensino - ensino de português língua materna com sua gramática e literatura para as criancinhas e adultos que frequentassem o ensino secundário em Portugal ou em português no estrangeiro. Era a saída mais evidente ou a entrada no mercado de trabalho mais direta do curso de Línguas e Literaturas Modernas, variante estudos portugueses.

No meu ano havia 4 bons alunos, daqueles que se destacavam mesmo pelas notas muito boas, pela noção de encantamento que nos devia causar a leitura de um poema e pela capacidade de pensar e relacionar as matérias do programa curricular com as demais matérias da vida.

Desses 4 alunos que se destacavam pela positiva num curso vocacionado para o ensino, hoje nenhum é professor do ensino secundário em Portugal. A Cláudia deixou os estudos literários a meio do curso para se dedicar ao Conservatório de Teatro e hoje escreve e dirige peças de teatro acutilantes e reconhecidas pela crítica. O Diogo seguiu para o Conservatório depois da licenciatura e do convite para integrar o mestrado em Linguística e, a última vez que o vi, era ator. O Pedro mestrou em literatura portuguesa, constituiu uma escola de artes e escreveu já vários livros, o último recentemente publicado, Despaís, é um livro do caraças, isto é, um livro que todos os portugueses e todos os cidadão de países em crise deviam ler.

Quanto a mim, escolhi não ser professora por duas razões: teria de estudar mais dois anos até poder exercer a profissão (um ano para pedagógicas com exigência de presença diária, coisa impossível para mim que já trabalhava, e um ano de estágio numa escola) e teria para sempre um mau patrão (lembro-me de ter dito isto tal e qual). Era o ano da graça de 2001.

Desde há 12 anos, eu tive dois contratos de trabalho sem termo, 2 anos de contrato com termo certo, com dois anos de desemprego interpolados por recibos verdes. Fui enganada algumas vezes, tive de andar a choramingar para conseguir cobrar muitas mais e a fazer trabalhos muito diferentes do que a minha ocupação principal faz prever. Tive meses em que não ganhei um tostão e outros em que ganhei tão mal que não chegou para as despesas.

Nunca me arrependi da decisão de não ser professora. Porque se fosse, tinha andado pelo país de mala às costas, ganhando uma ínfima parte do dinheiro que já ganhei até hoje, reduzida para sempre ao estatuto de aluno Erasmus cá dentro, dividindo casas com gente estranha, incapaz de construir uma família, ou vendo os filhos crescer aos fins-de-semana, continuando a ler apenas no comboio de regresso a casa, levando pancada da primeira mãe cujo filho eu repreendesse, sendo gozada por profissionais medianos de outras profissões que me diriam: ‘és professora porque não arranjaste mais nada para fazer?’ e não conseguindo nem uma vez uma contratação por mais do que um ano, não por fim da necessidade do meu trabalho, mas porque é assim o sistema, sendo alvo da chacota dos alunos que eu sentisse a necessidade de chumbar porque as passagens administrativas de multiplicaram ao extremo.

Eu acho estranho que um país não queira aproveitar para o ensino da sua língua materna, da sua cultura, os seus melhores alunos. Como nós os 4 deve haver mais mil que desistem de ensinar no liceu por motivos alheios à docência. Mas pelos vistos sou só eu que acha estúpidas a vida dos professores, as obrigações destes e a sua relação com a entidade patronal. Para o Ministério da Educação tudo vai bem e não é de agora.

domingo, 27 de março de 2011

Obrigações

Hei-de obrigar os meus filhos a olhar para o tecto. Hei-de ensiná-los a não fazer nada. Hei-de ajudá-los a descobrir que é bom não ter ocupação de vez em quando. Hei-de de explicar-lhes que a poesia é o mais importante na vida, porque é inútil e não nos serve para outra coisa que para pensar.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Reunião de pais ou filme de terror?

A mulher sentada ao meu lado tem cara de bruxa má. Tem uma pele fantástica, lisa, sem rugas, e, no entanto, tem cara de velha, tem cara de má. Já no final na reunião de pais levanta a voz de uma forma que me envergonha. E depois há pais - mais civilizados, é certo - que acabam por dizer a mesmas coisas:
"Eu não sei o que o meu filho faz na escola."
"Eu gostava de saber ao detalhe como passam o dia."
"Eu não queria estar a ensinar coisas ao contrário do que ensinam aqui."
"Eu acho que o meu filho andou para trás."
Depois disto vêm as culpas da escola na falta de educação dos filhos e até no não serem capazes de deitar os miúdos cedo. "Eu preferia que não fizessem a sesta," diz a mãe cara de bruxa má.

Os miúdos têm alguns 2 anos acabados de fazer, outros fazem 3 a partir de Janeiro. Alguns pais estão preocupados com o desempenho de tarefas, como se fosse preciso saber já se terão grandes capacidades intelectuais. Alguns pais põem em causa a educadora, mas não o seu desempenho enquanto pais. Estes pais que não sabem o que os filhos fazem durante o dia também não lêem o plano semanal colocado à porta. Também não podem ir a uma aula quando a educadora convida. Também não entram na sala para ver os trabalhos...

Felizmente está lá a S. que olha para mim e me faz sentir que eu não sou a única ET. Somos duas... A escola do X. tem muitos defeitos. A sala deste ano é pequena. A ementa não é muito variada. E as conversas com a direcção parecem cair às vezes em saco roto. Para IPSS é muito cara. Mas eu confio na escola porque vejo que as crianças, na sua maioria, estão felizes; porque toda a gente se trata por igual; porque toda a gente sabe o nome de toda a gente. E depois, confio muito na educadora, porque sempre que precisei falou comigo, porque me ajudou sempre, porque o meu filho é uma criança feliz também graças ela, porque ela ensina pelos afectos.

E é disto que falo quando intervenho. E confirmo: sou um ET.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Acabemos com as etiquetas

No Pensamento Cruzado, da TSF, de ontem falou-se sobre a mentira das crianças. O bom da conversa tem o seu melhor numa frase dita assim:
"Nunca confundir o comportamento com a pessoa. Se eu digo tu és um grande mentiroso, eu estou a criar um papel para aquela criança que é o papel que ela passará a representar."

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Problemas de comportamento

Tenho muita dificuldade em perceber o conceito de problemas de comportamento em crianças pequenas. Noutro dia, dei com um livro que explica como lidar com os problemas de comportamento em crianças a partir dos 2 anos. Aliás, dei com a capa do livro porque faz-me confusão abrir um livro destes. É um tema sensível, já sei, e eu confesso o meu medo em falar destas coisas por dois motivos: 1º, pela boca morre o peixe; 2º, tenho amigas cujos filhos são considerados “doentes comportamentais” e custa-me que possam sentir-se magoadas pelas minhas opiniões.
Hoje a capa do metro ostenta uma sumptuosa manchete: “Salas de aula hiperactivas.” Lá dentro, a custo, descubro uma notícia pequenina, pequenina, sobre um estudo que aponta a existência de 2 alunos por turma, em Portugal, com hiperactividade. Mais à frente, lê-se no texto e entre aspas, como citação que não vem atribuída mas se supõe que é da investigadora, “efeitos devastadores.”
Dra. Cláudia Alfaite (a investigadora) efeitos devastadores têm as etiquetas que se colocam nas pessoas. Como o seu estudo recomenda a “intervenção precoce,” cito o artigo, e a detecção “o mais cedo possível” já prevejo que daqui a muito pouco tempo se consiga aferir no berço se uma criança vai desenvolver problemas de comportamento e a partir daí se comece a intervir com “terapia comportamental e medicamentosa”. Deixe-me dizer-lhe também que os maiores psicólogos americanos já se vieram desculpar por terem andado a dizer nos anos 90, que as crianças não deviam ser traumatizadas com castigos e palmadas. O que será que a doutora nos vai dizer daqui a 20 anos?
Pela forma como tenho ouvido as descrições de hiperactividade suponho que corro um risco grande de ter uma criança hiperactiva lá em casa. Porquê? Primeiro porque não sei como é que se deve educar. Depois de ter lido tantas teorias sobre a educação deixei de ler. Porque, por exemplo, as técnicas para o adormecer descritas nos livros não resultaram nem uma vez. Agora já dorme a noite inteira mas volta e meia as coisas andam para trás e temos que descobrir tudo de novo.
Vamos falar das birras? O meu filho inaugurou a época das birras precocemente (de acordo com os livros só começam aos 3 anos, não é?). Como é que consigo que se controle? Digo-lhe que não vale a pena chorar que não lhe dou as coisas enquanto ele estiver a fazer birra. Mas quantas coisas tentei antes de aqui chegar? E tenho a certeza que qualquer dia isto também já não resulta e vou ter de inventar nova estratégia para conseguir que ele acalme.
Outra razão para presumir a hiperactividade do meu filho é que ele é curioso e traquinas. Não pára quieto. Por exemplo, quando vamos no autocarro para a escola não pára de fazer perguntas. Ontem passou o tempo todo a dizer “como se chama esta rua?”. Durante 20 minutos, não é pêra doce. Mas eu lá vou tentando responder...
Na verdade nunca olhei para o meu filho como se fosse defeituoso. Tudo isto me parecem comportamentos normais. Eu é que acho difícil educar uma criança que quase não vejo. Bolas, não basta não o ver durante a semana, como o pouco tempo que me resta é passado a impor regras? Na verdade apetece-me mais brincar com ele. E é ainda mais difícil quando estou tão cansada que só queria chegar a casa e encostar-me um bocado. E ele não deixa. Portanto, quando o diagnóstico for contundente em relação à hiperactividade do meu filho eu vou pedir uma intervenção terapêutica para mim, isto é que me ensinem a comportar, a educar e que me dêem comprimidos para ter pica para lidar com ele todos os dias.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Jamie Oliver's TED award speech.


Eu gosto de fazer puré com batatas e gosto de demolhar o feijão. Mas se não gostasse... pensava melhor depois disto.