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sexta-feira, 4 de abril de 2014

Contributos para a comissão para a natalidade I

Está mal. Não fui convidada para fazer parte da comissão para a natalidade, recentemente constituída, eu que penso há tanto tempo no difícil que é ser mãe neste país. Mas felizmente a minha colega Cuca enviou-me uma entrevista ao Público em que o professor Joaquim Azevedo explica:
A ideia é fazer uma proposta de política que seja coerente e também adaptada ao contexto em que vivemos.
Obrigada, Cuca!

É por isto que está mal não me terem convidado, porque eu vivo mesmo neste contexto. Isto é, apesar de ser uma privilegiada por ter um emprego mesmo fixe, de ser uma privilegiada por ter um marido que é trabalhador independente mas que ainda assim vai conseguindo cobrar, por ser uma privilegiada por ter já 2 filhos, sinto-me neste momento impedida pelo contexto de ter o terceiro filho.

Bom, em vez de me queixar, e dizer que as casas não esticam, os orçamentos encolhem, blabláblá, tenho uma proposta sistémica. Assim:

       1. Apoiar financeiramente ou através de incentivos fiscais, as empresas que empreguem, ou tenham como empregadas, mulheres com filhos. Por cada filho que uma empregada tenha, a empresa que a emprega deve ganhar um bónus. Esta discriminação positiva resolverá o problema da empregabilidade e do valor de mercado das mulheres com filhos. A mulher com filhos deixará de ser um peso na empresa mas uma ajuda real à sua tesouraria.

2. Como ter um filho passa a ser um fator competitivo, reduz-se drasticamente o risco de pobreza das famílias com crianças que era, da última vez que vi, mais do dobro do que o risco de pobreza das famílias sem crianças. Quanto mais filhos uma mulher tiver, mais competitiva se torna para o mercado de trabalho.

3. Como as empresas passam a ter mais dinheiro por cada filho que cada empregada gera, esse valor pode ser empregue na contratação de mais pessoas que possam contribuir para o desenvolvimento das tarefas das mães, sobretudo quando as mães têm de se ausentar no primeiro ano pelas maleitas dos filhos.

Uau! Acabámos de diminuir o desemprego e fizemos mais filhos!

Amanhã há mais!

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Portugal vs Austrália. Não, não estou a falar de futebol

Cabe hoje dizer que este blogue tem o nome que tem, na verdade verdadinha, porque Vou ter um bebé na Nova Zelândia soava a coisa geograficamente mais séria. A preguiça fez-me chamar-lhe na Austrália (ou foi o sentido prático?). Em todo o caso, a ideia era expressar que este Portugal é um país ao contrário e que dá vontade de ir para o mais longe possível. Como na Lua ou em Marte ainda não dá para criar criancinhas, teria de me contentar com os antípodas...

A minha 500ª amiga do facebook enviou-me um comparativo entre Portugal e Austrália há pouco tempo. E olha, dá que pensar MJC! Vamos?

If Australia were your home instead of Portugal you would...

use 2.3 times more electricity
make 77.98% more money
consume 63.14% more oil
have 38.04% more chance at being employed
Australia has an unemployment rate of 5.70% while Portugal has 9.20%
This entry contains the percent of the labor force that is without jobs.
Source: CIA World Factbook
have 22.43% more babies
spend 41.84% more money on health care
experience 20.78% less of a class divide
live 3.34 years longer
be 60% less likely to have HIV/AIDS

Para saber mais sobre a Austrália ou outros países, comparando com o nosso, podem ir a If it were my home.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Não somos filhos de deus

As respostas de um pai ateuOnde está Deus, papá? é um ensaio sobre a educação não-religiosa que se pode dar às crianças para que se tornem adultos tolerantes e bem-formados. Se ateus ou crentes, eles decidirão quando possam.


Clemente Gª Novella tem 42 anos e acaba de escrever e publicar um livro no mínimo raro. Onde está Deus, papá? – Asrespostas de um pai ateu está envolto em polémica em Espanha, país que, como o nosso, regista uma larga maioria da população como católica. Essa população não sendo praticante de todos os ritos de fé socorre-se dos preceitos religiosos para explicar conceitos como o bem, o mal ou a própria existência e isto acontece tanto na esfera pública como na privada. Mas será que é mesmo necessário pensar num deus para agir corretamente? Ou para percebermos por que razão estamos aqui? Estas são duas das questões que o livro ajuda a clarificar.

Quando escrevo a Clemente, numa sexta-feira depois do almoço, para fazer a entrevista, diz-me com simplicidade que há de responder-me mais tarde porque de momento está a ajudar os seus filhos com os trabalhos de casa. Os rapazes têm 9 e 10 anos e foram eles a inspiração para este livro. No prólogo que Clemente assina, explica que os seus meninos eram muito pequenos quando “me perguntaram pela primeira vez se Deus existia; uma dúvida que eu nunca tive em criança. (…) Claro que acreditava num deus.” É neste quadro de simplicidade, de empenho na educação dos filhos e de pôr em perspetiva os dois lados de cada questão que todo o livro de desenvolve e é, por isso mesmo, que ele é raro: por não ser pretensioso, nem esperar que o leitor já tenha feito todas as leituras ou pensado nestas questões muito a sério. Também é raro e original porque não tenta impingir uma perspetiva radical do mundo a quem o lê. É só o discurso de um homem a sistematizar as suas ideias e o caminho que o levou ao ateísmo.

“É um processo gradual,” diz-me o autor. “Primeiro vamo-nos dando conta, facilmente, de que os deuses de outras épocas ou de outros lugares são simples mitos, são lendas. Depois, sem refletir muito, vamo-nos apercebendo que o deus na nossa infância também é um ser mitológico.” Os sete primeiros capítulos do Onde está Deus papá? ocupam-se da demonstração que a invenção dos deuses serviu um propósito de explicação do mundo quando a ciência ainda nem germinava, tal como se faz num curso breve de filosofia. Mas se é tão evidente, não seria de esperar que mais pessoas se tornassem ateias? “Creio que no fundo foi essa dúvida que me motivou a escrever o livro. Perguntava a mim próprio: É tão evidente para mim que os deuses são fruto da imaginação humana… Como pode ser que uma espantosa maioria de pessoas em todo o mundo continue a acreditar neles?”

A partir desta questão, das colocadas pelos filhos e das que antecipa que venham no futuro a ser feitas, Clemente, enquadra os valores morais como uma necessidade de convivência em sociedade. No fundo basta pensar em duas regras básicas para conseguir agir corretamente: não faças aos outros o que não queres que te façam a ti e fazer aos outros apenas aquilo que eles te tenham dito que desejam. A vantagem destes princípios, lê-se no livro, é que as crianças os entendem e podem facilmente praticar.

Como esta resposta, todas as demais são simples. São ao todo 24 e são formuladas para ajudar quem quer criar os seus filhos sem o auxílio da religião, seja ela qual for. No entanto, o livro nunca predica contra as crenças dos outros. Afirma antes a possibilidade de educar segundo parâmetros exclusivamente humanos e prevê até a eventualidade das crianças criadas num ambiente sem deus se tornarem religiosas, afirmação verdadeiramente estranha para um ateu. Clemente Gª Novella é, mais do que tudo, antidogma: “Se os meus filhos vão ser ateus toda a vida? Suponho que sim. O normal é que os meus filhos sejam ateus. Mas se um dia sentirem necessidade de recorrer ao consolo metafísico que oferecem as religiões (…) se isso os fizer mais felizes, eu não terei nenhuma objeção.”

Onde está Deus, papá?
Clemente G. Novella

Preço: 14,50 €
Editora Verso de Kapa

quarta-feira, 1 de junho de 2011

É só por acaso

É só por acaso que 40% das crianças portuguesas são pobres. Não há razões sociais nem políticas para que 40% das crianças portuguesas sejam pobres. Duas em cada cinco crianças vivem na pobreza. Mas é só por acaso e nós não podemos fazer nada em relação a isto. Não podemos reorganizar a sociedade, não podemos votar noutra gente, não podemos exigir um país melhor. Vá, deixem ficar tudo na mesma para que estas crianças também não contem nem votem quando crescerem, porque não vale a pena.

Apoios sociais? Uma merda! Invista-se na escola a sério para todos, desde o dia em que a mãe tem de voltar ao trabalho!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Rir é o melhor remédio

Aguardo serenamente a minha vez. Estou de pé na fila para marcar a ecografia. Não peço para passar à frente porque imagino que quem ali está também tem razões prioritárias. E depois aparece um homem que ignora a fila única e resolve colocar-se ao balcão "é só para levantar exames!" Eu explico que é a minha vez e ele diz-me que não me viu... E eu penso "tão pequenina que sou com a minha barriga de grávida e o meu metro e setenta..."

Apesar disto o tipo não sai do balcão eu ainda lhe pergunto se não se importa de me dar alguma privacidade, conceito que ele, afinal, desconhece. Bom, está bem, vamos lá marcar a ecografia com público de proximidade. Quando a senhora do consultório me pergunta se no dia tantos às tantas horas é conveniente para mim, não resisto. Viro-me para o homem e digo-lhe "Para mim é. E para si? Dá-lhe jeito a esta hora? Ah! Não vem comigo? Pensava que sim." O tipo ficou ofendidíssimo, mas foi uma maravilha ver o consultório inteiro a rir à gargalhadas. A gravidez tem destas coisas... uma pessoa às vezes supera-se.

terça-feira, 29 de março de 2011

De uma carta para o Luxemburgo

(...) O maior problema de Portugal são as pessoas que cá vivem, não são as instituições ou os políticos. Estes são só reflexo do egoísmo pátrio em que vivemos há séculos.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Breve resumo dos últimos 16 dias e algumas considerações políticas descobertas no caminho

Casa-trabalho-casa-trabalho-casa-trabalho-casa-trabalho-casa-trabalho-casa-trabalho-casa-trabalho-casa-trabalho-casa-trabalho-casa-trabalho-casa-trabalho-casa-trabalho-casa-trabalho-casa-trabalho-casa-trabalho... não assim de repente não me lembro de ter feito outra coisa... ah! Também levei trabalho para casa! Isto foi mesmo original!

Eu sou de esquerda. De uma esquerda estranha que acho que não existe. De uma esquerda que acredita que as oportunidades devem ser iguais para todos; que a escola é a instituição principal para que isso possa acontecer. Que a casa de partida não deve condicionar determinantemente o futuro de cada um. De uma esquerda que acredita no trabalho como possibilidade de aceder a uma vida mais confortável. Que quer conforto, que é eloquente, que não tem preconceitos, que não tem auto preconceitos, que quer enriquecer sem que isso tenha que significar empobrecimento alheio.

Por isso, sou pela competência profissional. Sou pela boa organização das tarefas. Sou pelo cumprimento do horário de trabalho. Sou pela redução do horário de trabalho e contra as horas perdidas a não fazer nenhum. Sou contra as horas extraordinárias.

Depois, sou contra um Estado pseudo-democrático em que a escola está feita para uma média, quando a moda é muito pior. Sou contra uma escola que não tem consideração pelos que não percebem. Sou contra uma escola facilitista que combate o insucesso escolar com passagens administrativas, sem combater realmente o analfabetismo. Sou contra uma escola que não permite aos mais espertos avançar. Sou contra um sistema escolar. Sou pelas escolas locais, administradas localmente considerando as características da sua população. Sou contra uma escola que inclui. Sou pela escola que dá espaço.

Sou contra a esquerda que debita Marx e outros portentos sem os ter lido. Sou contra a citação a propósito de tudo e de nada. Sou contra a esquerda que finge ser democrática mas que nem no seio de uma discussão de café ou de blogue é capaz de ouvir argumentos diferentes. Sou contra o insulto. Sou pela argumentação até à exaustão. E também sou pelo encontro, pela possibilidade de ver no outro um capacidade de razão. Sou contra a irredutibilidade. Sou pela reunião. Pela concórdia.

Finalmente, sou contra as gajas de direita que não têm opinião política e acham que são o centro do mundo porque nasceram numa boa casa. Sou a favor das mulheres de direita que têm opinião própria e que percebem que os seus privilégios não são os de toda a gente. Sou pelas pessoas que conseguem olhar para o lado, mesmo se o seu umbigo está bem forrado.

Pergunta: há para aí algum partido político que me queira acolher?

terça-feira, 1 de junho de 2010

Feliz Dia da Criança?

Está nas bancas a Máxima Interiores de Junho com um dossier sobre Casas com Crianças. Reproduzo aqui a versão integral da entrevista realizada por mim à Presidente da APSI, Sandra Nascimento. Curiosamente, a entrevista foi gravada um dia depois de ir dar com o meu filho debruçado na janela...

Quantas crianças já caíram de varandas?

O ano passado foi uma desgraça. Caíram imensas de janelas e algumas ficaram com consequências graves, ficando muitas em coma. Não conseguimos depois fazer o seguimentos dos casos, porque as bases de dados oficiais dão-nos pouca informação. Trabalhamos muito pelos dados da imprensa.

Qual é o maior perigo nas casa?
Depende se falamos de gravidade ou frequência. Os acidentes mais frequentes são as quedas. As quedas de altura são as mais graves. Quedas de janelas, varandas, terraços, algumas delas com consequências mortais. E as quedas de escadas. Estas são as que têm maior probabilidade de ter consequências graves.

Os perigos são iguais em todas as idades?
Nas crianças mais pequenas (até aos cinco anos) a maioria dos acidentes acontece em casa, que é o ambiente em que as pessoas confiam mais.

Há contextos específicos para que os acidentes ocorram?
Os dados que temos dizem que a maioria dos acidentes ocorre com um adulto por perto. O adulto está mesmo ali, mas porque não há outras medidas de construção, arquitectura ou organização que potenciem a sua função os acidentes ocorrem. A vigilância é fundamental. O problema é que há demasiada confiança na vigilância. Não há super pais nem super mães e é impossível estarmos sempre com os olhos colocados sobre a criança. A construção deve existir em concomitância com a vigilância.

Há uma casa 100% segura?
Não. Mas há medidas que se podem tomar. O conceito é sempre atrasar o acesso da criança, dificultar o acesso da criança. Protectores de tomadas e tampas difíceis de produtos tóxicos têm essa função. Se a criança tiver tempo, mais cedo ou mais tarde vai conseguir ultrapassar. Nós sabemos que uma criança de 3 ou 4 anos já consegue subir a maior parte das guardas e das vedações que existem, não só por uma questão de habilidade motora como por poderem agarrar cadeiras, bancos.

Quais são as medidas mais urgentes?
Guardas para varandas, com 1,10m de altura, cujas aberturas não devem ter mais de 10 cm e com uma estrutura contínua sem elementos para apoio de pés. Como não é possível evitar acidentes, a ideia é atrasar o mais possível.

Mas colocar guardas em varandas pode originar conflitos com o condomínio. É frequente não se perceber que as razões de segurança se devem sobrepor a qualquer razão estética?
Sim. Os próprios profissionais ligados ao projecto, à arquitectura, têm alguma resistência. Na formação de base não existe uma preocupação relativamente aos dados antropométricos das crianças, nem à forma como elas utilizam o espaço. As medidas recomendadas para as guardas, por exemplo, estão intimamente relacionadas com o tamanho da cabeça, a altura. Continuamos a ver construções novas que por razões estéticas e financeiras não consideram estas questões.

As acções de formação da APSI nesta área, constam de quê?
O objectivo é sensibilizar para os riscos do elemento construído e como é que a criança explora e partilhar boas práticas e dar orientações no sentido de que desde o projecto à fiscalização se deve intervir no sentido de identificar os riscos.

Medidas concretas?
Limitadores de abertura nas janelas, preferencialmente já integrados da janela. Escadas com colocação de cancelas no primeiro degrau e no superior. Quanto aos afogamentos, construir espaços para apoio e armazenamento de produtos do banho. Vedações para piscinas, que é a única forma comprovada de atrasar o acesso à piscina. E tomadas com protectores de alvéolos.

E há práticas importantes relativas à organização do espaço?
Sim. Tudo o que é preciso para o banho deve estar ao lado. No que diz respeito às vedações, elas são inúteis se por perto estiverem móveis, caixas ou floreiras que se possam arrastar. Os produtos tóxicos devem ser arrumados em prateleiras mais altas e longe dos alimentos.

Vale a pena ser paranóico para proteger ao máximo?
Eu diria que não. Primeiro tem de se fazer uma avaliação do risco. Em escadas, janelas, varandas e piscinas sim, sem dúvida, fazer a adaptação e o investimentos necessários. Tudo o resto, na maior parte das situações, com boa organização consegue minimizar os acidentes. É importante encontrar um equilíbrio.

Devemos criar as crianças numa redoma?
Basta criar mais espaço para a criança andar. Tirar um móvel que está numa zona de passagem ou não ter tapetes, por exemplo, pode reduzir o risco. Não é preciso comprar todos os apetrechos que existem no mercado. Preferimos o bebé e a criança que está no chão, com um ambiente controlado, e que pode andar livremente. Pelo menos no quarto da criança e no espaço onde a criança passa mais tempo isto é possível concerteza.

...

Para ficar ainda mais horrorizado, recolhi durante a pesquisa os seguintes números:

• Em 2002, 26 mil mortes de crianças com menos de 15 anos devem-se a ferimentos

• 70% dos acidentes em casa aconteceram a crianças

• 39% dos afogamentos acontecem a crianças

• Dos 0 aos 4 anos o afogamento é a maior causa de morte

• 43% das lesões são fracturas

• 21% das lesões dão-se na cabeça

• 28% de todas as queimaduras ocorrem em crianças

• Dos 0 aos 4 anos é a faixa etária em que ocorrem 75% das queimaduras em crianças, em contexto doméstico

Fonte: Organização Mundial de Saúde, WHO expert meeting, Bona, 2005 e EU Injury Database (IDB) of the European Commission, DG SANCO, and the network of national IDB data providers at https://webgate.ec.europa.eu/idb/

...
 
Feliz Dia da Criança!

terça-feira, 18 de maio de 2010

E a melhor capa do ano vai para...


Apesar do discurso do PR tipo " a culpa não é minha" a notícia é boa. Que o casamento seja possível para todos os que se quiserem casar e a lei se alargue, consagrando todos os direitos, adopção incluída, a quem está por bem com vontade de construir uma família. Mas sobretudo que o meu filho possa ser gay, hetero ou celibatário, sem que estes adjectivos sejam condicionantes, definitórios e irredutíveis. Para que cada um se desenvolva como uma pessoa plena, sem fantasmas na cabeça acerca de si próprio ou dos outros.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Fado, futebol e Fátima... outra vez

Ainda bem que o Benfica ganhou o campeonato de Futebol! E afortunadamente veio o papa a Fátima e nós andámos pelas ruas a gritar vivas ao senhor. Porque assim, depois da confiança que nos deu o Papa (ver declarações do PR Cavaco) estamos todos muito mais felizes e tranquilos para receber notícias bombásticas:

• Ora o IVA vai subir, inclusive nos bens de 1ª necessidade. Depois de um trimestre em que a procura interna subiu fazendo andar a economia, porque nada das exportações nos fez crescer... subimos os impostos ao consumo. Não é preciso ser um Eduardo Catroga para perceber que assim acaba-se já o crescimento.

• A retenção na fonte para o IRS também sobe, diminuindo REALMENTE, o dinheiro que trazemos para casa ao final de cada mês. Menos dinheiro na conta para pagar coisas mais caras. Que giro!

Duas medidas para quê? Para compensar a Despesa Pública feita nos últimos anos. Mas não se preocupem. A Despesa Pública também vai diminuir. Os salários dos políticos e administradores públicos vão ter uma redução de 5%. Que sacrifício! Pode assim o Governo dormir mais descansado.

Ou então pode fazer as contas e verificar a dimensão que tem mais 1% de descontos no salário médio português (cerca de 840 euros) e os tais 5% no salário do Governador do Banco de Portugal (17 mil euros mensais) ou no salário do PR (7415 euros). Verificar no i.

E nem vou falar hoje do que os impostos nos dão em troca....

Vou mas é cantar o Fado, para a Baixa, a ver se ganho algum dinheiro.

Onde é que já ouvi isto?

segunda-feira, 15 de março de 2010

Sim saio, não não saio

Sim, quase pareço o Alberto João “saio não saio” ou o Manuel Alegre “candidato-me não me candidato.”
Estava zangada, frustrada, desiludida, na verdade, por não fazer a diferença. Tinha a ilusão de poder mudar, ainda que ligeiramente, o mundo, querendo converter duas frases numa só acção “Deixa o mundo melhor do que o encontraste” e “Pensa globalmente, age localmente.” Aquele comentário do anónimo veio elucidar-me a propósito da impossibilidade de alterar o rumo das coisas. Porque não se alteram cabeças.
As minhas amigas que comentaram os textos e que me disseram para não parar de escrever (obrigada! obrigada!), vieram confirmar a mesma percepção. No fundo, somos todas cabeças pensantes que já éramos antes de nos cruzarmos. No fundo, já tínhamos todas percepções semelhantes da realidade, mesmo se elas produzem opiniões diferentes. No fundo, une-nos a boa vontade e a capacidade de nos ouvirmos umas às outras. No fundo, querida Cris, não é sequer uma questão de cultura ou informação. É uma questão de boa formação e de atenção – coisas que todas temos!
E depois o aplauso da Mãe Preocupada. E o saber que fechou o blogue por esta mesma razão. E depois pensar “Porque é que são os maus que ganham sempre?” Porque é que (e tomando por princípio que nós somos os bons) porque é que os bons desistem, ficam cansados? Teorias sobre a ânsia do poder e outros bláblás de devem explicar porque é que os bons se tornam todos burgueses acomodados (acamados?). E como resultado os maus é que andam aí a decidir a maioria das coisas.
Portanto, 1º ponto: como já se suspeitava, continuarei a escrever aqui. 2º: sempre que possível, farei também análise política de outros temas para lá da maternidade, mas sempre em versão de mãe comum, que é a única que posso ter. 3º: actualizarei também o blogue com sugestões de leitura e de ocupação dos (poucos) tempos livres, baseados nas nossas experiências de família.

Obrigada a todas! & a todos!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Creches e jardins-de-infância caros e sem vagas

A maioria dos pais estão insatisfeitos com a oferta de creches e jardins-de-infância na sua área de residência, revela o nosso inquérito a 2900 pais. O Algarve é a zona com piores resultados.

Cerca de 2 em 5 famílias com crianças em creches garante que este encargo é uma parcela importante nas finanças. Por criança, gastam um valor de referência mensal de € 150 numa creche e € 110 num jardim-de-infância. Mas o custo chega a ultrapassar, em Lisboa, os € 300 mensais. Em 80% dos casos, os pais inscrevem os filhos antes de começarem a frequentar a instituição, em média, 5 meses antes.


Metade das mães inquiridas ficou 5 meses em casa com o bebé, com salário reduzido. No regresso ao trabalho, 20% enfrentaram problemas: 9% sentiram hostilidade do chefe ou colegas, enquanto 7% não usufruíram das horas de amamentação a que têm direito.

Mais de 30% das crianças permanecem mais de 9 horas na creche, o que é sinónimo de mais tempo em frente do ecrã. Nas creches, mais de 70% vê televisão e tal acontece quase todos os dias para mais de metade. Nos jardins-de-infância, a esmagadora maioria (90%) vê televisão e, segundo os pais, esta rotina é quase diária para 43 por cento.
A DECO reivindica que as creches e jardins-de-infância, públicos ou privados, devem estar sob a alçada do Ministério da Educação. As creches, à semelhança de outros países europeus, como Espanha, Dinamarca, Finlândia e Suécia, devem deixar de ser encaradas apenas como um serviço social. Segundo dados de 2008 do Ministério do Trabalho e Segurança Social, a cobertura de creches e amas era de 30% e a dos jardins-de-infância, de 77 por cento. Esperamos que a promessa do Governo em aumentar a cobertura nacional não se fique pelas boas intenções. Além do bem-estar das crianças, está em causa o desenvolvimento do País.

in http://www.deco.pt/

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

vou engravidar!

A sério! Quero muito ter 200 euros numa conta num banco!

E vou chamar Sócrates ao menino em homenagem ao padrinho...