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sexta-feira, 15 de julho de 2011

Maternidade Alfredo da Costa 1 e 2

Domingo passado fui à Maternidade Alfredo da Costa. Entrei pela urgências, não porque tivesse uma emergência mas porque ia viajar no dia seguinte e queria garantir, dentro do possível, que o podia fazer. Correu mesmo bem. Estive lá das 11h00 às 15h00 e fizeram-me uma série da exames. Na verdade acho que estiveram a brincar aos médicos. A única coisa que eu esperava era fazer um CTG para verificar a incidência das contrações, mas porque a miúda andava a fazer piscinas tive direito a análises, toque e ecografia. Gostei da médica que me atendeu, das enfermeiras e do director das urgências que veio ter connosco à ecografia para me dizer que era bom sinal que a miúda andasse agitada, que eu não ficasse ansiosa, enquanto me fazia festinhas na cara.
Confesso que nesta altura eu pensava "Sim, eu sei, não vim aqui por isso e pára lá de me fazer festinhas que eu não te conheço de lado nenhum." Mas como estou a ficar esperta não disse nada e agradeci imenso a atenção que me deram e, claro, a autorização para fazer 300 km de carro.

Ontem foi o dia da consulta de referência. Estive no serviço de consulta das 13h00 às 17h30... Já não sabia em que posição estar, mas enfim. Como fiz a falcatrua de ir para as consultas da MAC em vez de ter novamente o processo na Estefânia, achei que era razoável a demora. Fui a última a ser atendida. Não faz mal. Mais uma vez o exame completo, desta vez com história detalhada do parto do X, que impressionou muito a enfermeira mas que a médica achou muito estranho... Também eu, minha amiga!
Seja como for, combinámos que eu levaria a informação possível na próxima consulta, o relatório médico, e eu comecei a rir. Afinal o relatório da Estefânia que me foi dado quase um ano depois e a minha descrição do parto parecem sobre dois acontecimentos diferentes, mas enfim.
Da parte que importa - esta consulta, esta gravidez, este parto - pareceu-me tudo muito bem. Continua a faltar a identificação dos profissionais de saúde, mas não há nada como perguntar... E não fosse outra médica entrar enquanto eu vestia as cuecas depois do toque (que foi delicado), sem bater à porta, tinha sido perfeito. Mas bom, educação daquela boa que nos dão em casa nem todos temos. E os que temos, devemos ser pacientes com os outros, verdade? Ai, estou tão crescida!

A próxima consulta é só daqui a 15 dias, apesar de todas as recomendações médicas para que o último mês seja vigiado de perto. Mas como gravidez não é doença... siga para bingo. De qualquer forma não acredito muito ter outra consulta. É que hoje é noite de lua cheia...

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Nascer na MAC ou onde calhar?

Com o fecho da Maternidade do Hospital D. Estefânia (MHDE), resolvi marcar consulta na MAC, mesmo se o SNS me continua a dar como centro de referência o hospital das criancinhas... Não faz sentido para mim que as consultas de referência sejam num lugar diferente daquele destinado ao parto, por isso telefonei para a MAC e pedi para ser seguida ali. O desejo foi facilmente concedido ao telefone por pessoal muito simpático. Pensei que só por esta simpatia já valia a pena a mudança - foi algo muito diferente do atendimento que me foi dado pelos administrativos sempre que contactei com a MHDE, bastando lembrar a última abordagem pelo telefone em que ouvi "E muita sorte tem a senhora por ainda ter consulta aqui." Na verdade, deixou-me muito mais descansada.
Fui a semana passada fazer a visita à MAC. Um grupo de grávidas, entre as quais eu, e alguns maridos tivemos oportunidade de ter uma visita guiada por uma enfermeira, como é procedimento habitual naquele hospital. Vimos o espaço das consultas, a entrada pelas urgências, as salas de partos, as enfermarias, a sala de amamentação. As minhas impressões sobre a MAC dividem-se, assim como as minhas opiniões em relação ao fecho da MHDE.
Na MAC,as urgências e salas de partos são modernas; o pessoal é simpático e humano. Há protocolos bons para as mães, como a colocação do bebé ao colo, o recobro na sala de parto, segundo o que a enfermeira guia descreveu. Depois, as enfermarias são assustadoras, muito assustadoras, apinhadas de camas, sem segurança electrónica para os bebés, com casas de banho afastadíssimas de alguns dos quartos múltiplos, não há cantina. Paredes, portas, janelas, escadas e elevadores estão a cair de podres.
Tanta história por causa da junção dos serviços dos dois hospitais para optimizar o serviço e os funcionários e afinal no dia que visitámos a MAC não havia pessoal para o espaço de apoio à amamentação, pelo que estava fechado. Quando lá entrámos tocava um telefone e ninguém o atendeu. Azar para a senhora com problemas nas maminhas no outro lado da linha... Mas temos todas de amamentar os putos até aos 2 anos!
A consulta de referência na MAC é às 38 semanas. Será que as criancinhas todas nascem agora de 42 semanas como o meu primeiro filho?
Na MHDE, onde tudo era moderno, havia segurança electrónica para os bebés, para que as mães pudessem ir, por exemplo, à casa-de-banho descansadas, ou almoçar à cantina no piso descansadas. Não percebo uma coisa simples: porque é que um bloco de maternidade inaugurado em 2001 fecha 10 anos depois quando dispunha de condições físicas excelentes? É certo que o pessoal administrativo e algum médico eram umas bestas, mas parece que se corre o risco de levar com eles na MAC.
A consulta de referência na MHDE era às 36 semanas, conforme recomendam todas as leituras que fiz até hoje. Digamos que nos tempos que correm, em que tanta gente deixa de ter obstetra privado, era capaz de fazer mais sentido antecipar as consultas com os especialistas do que adiá-las para as 38.
Podem explicar-me porque é que se prefere apinhar mais pessoas numas instalações decadentes, antes de fazer as obras que tão evidentemente precisam? Porque é que não se prefere redireccionar utentes para os blocos e as enfermarias melhor equipados, mais confortáveis, mais amigos do pós-parto? Eu olhava para as enfermarias e pensava "Eu vou é para o Francisco Xavier."
E quando se der sobrelotação da MAC o que é que vai acontecer a quem ficar de fora? Vamos parir nos corredores? Ou mandam-nos para casa e seja o que deus quiser?

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Rir é o melhor remédio

Aguardo serenamente a minha vez. Estou de pé na fila para marcar a ecografia. Não peço para passar à frente porque imagino que quem ali está também tem razões prioritárias. E depois aparece um homem que ignora a fila única e resolve colocar-se ao balcão "é só para levantar exames!" Eu explico que é a minha vez e ele diz-me que não me viu... E eu penso "tão pequenina que sou com a minha barriga de grávida e o meu metro e setenta..."

Apesar disto o tipo não sai do balcão eu ainda lhe pergunto se não se importa de me dar alguma privacidade, conceito que ele, afinal, desconhece. Bom, está bem, vamos lá marcar a ecografia com público de proximidade. Quando a senhora do consultório me pergunta se no dia tantos às tantas horas é conveniente para mim, não resisto. Viro-me para o homem e digo-lhe "Para mim é. E para si? Dá-lhe jeito a esta hora? Ah! Não vem comigo? Pensava que sim." O tipo ficou ofendidíssimo, mas foi uma maravilha ver o consultório inteiro a rir à gargalhadas. A gravidez tem destas coisas... uma pessoa às vezes supera-se.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Da necessária imobilidade das grávidas ou receita para exames nos Açores


Uma grávida não viaja. Toda a gente sabe. Quando uma mulher engravida é evidente que não se pode deslocar - nem em trabalho, nem de férias, nem por uma urgência imprevista. Embora esta ideia não tenha razões médicas efectivas, o próprio Sistema Nacional de Saúde não permite que se pense de outra forma.
Às 16 semanas de gravidez encontro-me nos Açores. Estou na Ilha Terceira para duas semanas de muita tranquilidade (aqui descansa-se mesmo). As férias estavam marcadas e com passagem de avião comprada, havia muito tempo... muito mais do que o tempo de gravidez. Como era impossível alterar as datas, resolvemos vir na mesma, achando que seria possível fazer a segunda colheita de sangue para o rastreio bioquímico. Realmente foi, graças à Dra. Antonieta Bento da Maternidade do Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, e ao Dr. Fernando Teixeira do Hospital do Santo Espírito, em Angra do Heroísmo. Como a mim me levou cinco dias até concluir o processo, descrevo o passo a passo dos essenciais para resolver uma situação como esta:

arranjar uma credencial para os Açores. Convém conhecer alguém com contactos (obrigada Sílvia!) e se não tente nas urgências do hospital;
recusar sempre fazer ecografias e outros exames no privado, porque os dados do primeiro exame são suficientes (com excepção do peso);
contar com a boa vontade do corpo médico açoriano para recolher o sangue, sintetizar o soro e emprestar o contentor que transportará a amostra congelada;
contactar a DHL para fazer o transporte, já que consegue normalmente fazer a entrega no dia seguinte à entrega, ao contrário dos CTT e de outros transitários .

Correu bem, apesar de tudo. Dos pormenores sórdidos retenho que, com excepção do Dr. Fernando Teixeira e da directora do laboratório, a maioria dos intervenientes açorianos neste processo não sabia o que era o rastreio bioquímico, incluíndo a enfermeira obstetra que me encaminhou para o médico que refiro...
Parece-me importante também ressaltar que esta operação que parece simples foi concretizada apenas porque houve boa vontade. Não há protocolos a seguir entre o Ministério da Saúde português e a Secretaria Regional de Saúde, quando se trata de procedimentos excepcionais, fazendo que quem é de "lá fora", como se diz aqui, se sinta estrangeiro e sem direitos. Mesmo quando não se fala de processos complicados, o simples facto do médico assistente ser externo à região autónoma traz complicações. Aqui, os diplomas dos profissionais de saúde continentais e as credenciais passadas por estes não são válidas. Tudo tem que ser feito segundo normas internas. Parece que, sendo residente em Portugal continental, é mais fácil ter filhos em Badajoz do que nos Açores.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Ecografia porcaria II

Quarta-feira passada regressei à Consulta de Saúde Materna com a minha médica de família. Para além dos exames e perguntas habituais, contei-lhe o episódio na Maternidade do Hospital Dona Estefânia. Quando lhe falei do episódio sobre a ecografia (aquele em que a obstetra da Maternidade se referiu à ecografia que eu levava como "uma porcaria") a médica de família pediu-me que a mostrasse de novo.
Mais uma vez analisou cuidadosamente o relatório do ecografista. Referiu que não sendo a obstetrícia a sua especialidade era possível que a obstetra tivesse o olho clínico mais treinado. Mas a seguir disse que não percebia onde é que o relatório falhava. Depois perguntou: "e porque é que ela não lhe fez outra ecografia lá na maternidade, se esta estava tão má?" Sorrimos as duas e não dissémos mais nada...

terça-feira, 3 de julho de 2007

As coisas boas das coisas más

Passaram 3 dias desde a consulta na Maternidade do Hospital D. Estefânia. E hoje, a meio da manhã, recebi uma chamada da instituição. Era uma médica a pedir-me imensas desculpas por me ligar "mas a minha colega esqueceu-se de anotar algumas informações importantes para o rastreio bioquímico".
Parece, então, que a médica que me atendeu estava a substituir esta que me ligou, que gozava férias. E que, apesar de fazer a consulta de forma "técnica", se esqueceu de anotar coisas importantes para chegar a um resultado fiável do teste de probabilidade de malformações. Eram elas: ser fumadora, ser diabética, peso no dia da consulta (felizmente pesei-me nesse dia, na consulta com a médica de família porque na maternidade nem vi uma balança) e, ainda de maior importância, semana de gestação na data da ecografia e respectivos diâmetro biparietal e comprimento craneocaudal...
A minha primeira reacção foi ficar zangada. Mas a verdade é que esta médica que me ligou hoje foi de uma boa-educação extrema e, além disso, 2 dias úteis para detectar um erro não me parece uma fortuna.
Assim, volto a ganhar alguma confiança naquela maternidade.

sábado, 30 de junho de 2007

Porque é que estou aqui, doutora

Quanto mais pessoas se afastarem do Sistema Nacional de Saúde (SNS) pior ele fica. Quanto menos pessoas críticas e exigentes recorrerem aos cuidados de saúde do Estado, menos respeito pelos direitos de quem usa o sistema público haverá. E já hoje, quem vai ao público é, na maioria das vezes, quem não tem alternativa.
É esta a minha convicção e foi o que expressei à minha médica de família. Também a ela lhe custava crer que eu (bem vestida, informada e interrogativa) preferisse ter uma gravidez acompanhada no público, por um médico de clínica geral e não um obstetra.
Eu preferia ter um obstetra. A minha irmã, também ela seguida no SNS, teve um obstetra. O acompanhamento por parte do Centro de Saúde de Oeiras foi tão bom que foi detectado ao bebé uma arritmia quase inaudível, ainda quando o seu nome científico era feto.
Eu preferia ter um obstetra. Mas em Lisboa, os CS estão a deixar de ter obstetras e ginecologistas. Parece que o número de nascimentos não justifica. Quem tenha um problema uterino, quem passe por uma menopausa difícil, quem tenha outro problema desse foro ou vai ao privado ou espera dias e dias por uma consulta, mas uma gravidez não pode esperar, por isso, o médico de família encarrega-se das grávidas.
Eu poderia pagar as consultas no privado. Não seria fácil mas seria possível. Só que não me parece ético não exigir ao Estado que me dê algo em troca dos meus impostos. Nem me parece justo que eu, por ser mais rica do que a maioria da população, tenha direito a atenções que a maioria das pessoas não tem. Esta é a minha forma de fazer política. Nunca fiz greve e só vou a algumas manifestações. Mas exigir respeito, fazer valer os direitos e reclamar junto das entidades competentes são coisas que a maioria dos utentes do SNS não faz, não sabe fazer e não pode. Eu quero que se possa porque eu quero um sistema de saúde competente.

Correr para a 1ª consulta

No dia em que soube estar grávida - no dia em que fiz o teste que confirmou o que desconfiávamos - fui ao Centro de Saúde (CS) da Penha de França. Ainda não estava inscrita porque tinha mudado de casa há pouco tempo, mas lá consegui uma consulta para a médica de família que costuma dar as consultas relacionadas com a mulher (do planeamento familiar à menopausa).
Uma semana depois fui à consulta. Estava marcada para as 17h30 mas por volta das 15h00 telefonaram-me do CS e disseram-me: "então não vem?". "Vou" e acabei por ir mais cedo do que o previsto. Fiquei assustada com a possibilidade da médica se ir embora. Larguei o trabalho no escritório sem justificação razoável (ainda não queria que se soubesse), apanhei um táxi e meia hora depois estava no CS, muito nervosa.
"Agora não valia a pena ter vindo. A doutora foi fazer domicílios. A consulta vai ser à hora marcada." Foi o que me disse uma das funcionárias administrativas. À hora marcada tive a 1ª consulta... Porque é que me telefonaram a perguntar se eu não ía????