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quarta-feira, 26 de junho de 2013

Portugal vs Austrália. Não, não estou a falar de futebol

Cabe hoje dizer que este blogue tem o nome que tem, na verdade verdadinha, porque Vou ter um bebé na Nova Zelândia soava a coisa geograficamente mais séria. A preguiça fez-me chamar-lhe na Austrália (ou foi o sentido prático?). Em todo o caso, a ideia era expressar que este Portugal é um país ao contrário e que dá vontade de ir para o mais longe possível. Como na Lua ou em Marte ainda não dá para criar criancinhas, teria de me contentar com os antípodas...

A minha 500ª amiga do facebook enviou-me um comparativo entre Portugal e Austrália há pouco tempo. E olha, dá que pensar MJC! Vamos?

If Australia were your home instead of Portugal you would...

use 2.3 times more electricity
make 77.98% more money
consume 63.14% more oil
have 38.04% more chance at being employed
Australia has an unemployment rate of 5.70% while Portugal has 9.20%
This entry contains the percent of the labor force that is without jobs.
Source: CIA World Factbook
have 22.43% more babies
spend 41.84% more money on health care
experience 20.78% less of a class divide
live 3.34 years longer
be 60% less likely to have HIV/AIDS

Para saber mais sobre a Austrália ou outros países, comparando com o nosso, podem ir a If it were my home.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Eu não entendo a Geração à Rasca

Peço desculpa mas sou careta. Peço perdão, mas quando os cabelos brancos me aparecem na franja começo a ficar contente. Tenho 32 anos. Tinha 15 quando o Vicente Jorge Silva chamou aos meus irmãos mais velhos Geração Rasca. Estou pela primeira vez desempregada. A notícia do despedimento chegou no princípio de Fevereiro. Estou grávida e creio que essa é a única razão pela qual ainda não estou vinculada a uma outra empresa.
Em 1999, fiz os meus primeiros descontos para a Segurança Social. Em 2002, comecei a trabalhar de forma ininterrupta. Em 2003, aluguei uma casa manhosa, manhosa, mas saí definitivamente de casa dos meus pais. Nunca mais tive dinheiro dos pais. Aliás, a mesada era um conceito que não existia lá em casa. O que existia lá em casa era uma família que dava importância ao estudo e ao trabalho.

E se eu queria dinheiro para ir ao teatro ou se quis fazer Erasmus em Barcelona, trabalhei para poder ter dinheiro para o fazer. Em 99 descontei quando trabalhei na bilheteira de um cinema, depois numa livraria. Antes disso juntava dinheiro a fazer biscates. Se quis ir ao Sudoeste a primeira vez, fui de roulote de hamburgueres. O trabalho patrocinar-me-ia a entrada nos concertos. Depois de lá estar, o dinheiro que estava a fazer era tão bom que acabei por não ir a concerto nenhum. Mas os Corvos vieram montes de vezes à nossa roulote!!!!

Não entendo a Geração à Rasca. Há boa gente com pouca idade a trabalhar de mais para ganhar de menos, há. Mas também gente medíocre que espera ter direito a tudo só porque sim. Como se o trabalho e o salário fossem uma mesada mais, que se pedincha mas não se merece. É como acontece com as notas da escola. Um estagiária pediu-me que lhe desse uma nota de estágio mais alta porque "toda a gente aproveita o estágio para subir a média." Não porque ela tivesse mais valor do que aquilo que tinha demonstrado. No secundário os miúdos pedem notas em auto-avaliação que não são correctas, mas sabem que as conseguem nos conselhos de turma. O meu primo mais novo está no oitavo ano e não sabe fazer contas de somar... O Marco que aparece numa reportagem da TVI tem 15 anos, não saber ler, mas também está no oitavo ano.

Faz tudo parte do mesmo. Porque se esta Geração à Rasca soubesse ler, não escolhia para hino a música dos Deolinda. Não é dúbio que a crítica feita pelo autor é a esta gente que é retratada na letra. É óbvio.
Sou da geração ‘casinha dos pais’,
se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
e ainda me falta o carro pagar.
Sou da geração ‘vou queixar-me pra quê?’
Que parva que eu sou!
As folhas A4 com a descrição dos problemas individuais que se entregarão na Assembleia da República (ainda me vão explicar como) servem para quê? O problema da Geração à Rasca não se resolve por decreto. Resolve-se pela acção que cada um resolver tomar. Se cada um perceber que se trabalha por um salário e não por um estatuto. Se cada um exigir ser pago como gente grande quando exerce funções de gente grande. Se não houver sempre alguém disposto a fazer tudo a troco de nada, as coisas mudam. E depois, incomodar-se para quê? Se estão em casa dos pais a viver a tenças...

E depois há a todas as gerações mais velhas, que se debatem com os mesmos problemas de incerteza quanto ao futuro, de recibos verdes intermináveis, de ausência de prestações sociais em caso de doença ou incapacidade. Mas que não são putos mimados e que vêem apenas como solução trabalhar, trabalhar, com muita honestidade.

O país é uma merda. Nisso concordamos todos. Mas esta gente que tem 30 anos vota há quanto tempo nos mesmos? O Cavaco ganhou depois de uma greve geral! O PS teve uma extraordinária vitória nas últimas legislativas, mas ninguém votou neles... Têm 30 anos e quantas vezes antes exigiram os seus direitos? Quantas vezes fizeram uma reclamação? Quantas vezes tomaram a iniciativa de tornar o seu mundo ligeiramente melhor? Quantas vezes exerceram um trabalho com tanta seriedade que a sua promoção se tornaria evidente, inevitável?

Peço desculpa, mas eu só comprei o meu primeiro carro há um ano e deve ser por isso que não entendo estas coisas...