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quarta-feira, 27 de julho de 2011

Sobre a liberdade de expressão

Este texto é uma adenda ao escrito ontem à noite.
Neste blogue pratica-se muito a liberdade de expressão, da mesma forma que a pratico em livros de reclamação, sendo caso de isso, da mesma forma que agradeço verbalmente cada vez que sou atendida de forma conveniente em qualquer lugar. Mas não se pratica a irresponsabilidade nem a conversa de café que diz mal só por dizer.
Basta uma leitura sem preconceitos nem corporativismo dos meus textos para perceber a intenção daquilo que escrevo: melhorar o meu contexto, não só para mim como para os outros. Há situações em que resulta escrever aqui, seja pelo incentivo que dá a críticas de outras pessoas noutros lugares, seja pela própria resposta que algumas instituições me dão oficialmente, sem recorrerem à figura anónima.
Como a minha ideia ao escrever aqui é mesmo discutir ideias e pensar a realidade, a condição de anónimo por si, não me chateia assim tanto e por isso dedico o texto anterior a um anónimo, criticando algumas das suas reflexões e esclarecendo outras. O que me chateia é o início do comentário. "Numa época em que não há limites para a liberdade de expressão" mas devia haver? Não há de certeza? Então porque é que uma descrição de dois episódios médicos incomoda tanto alguém?
Deixo aqui dois textos, um meu, outro de uma bloguer que admiro muito, sobre aquilo que é a liberdade de expressão em Portugal. Naturalmente não foram escritos agora, mas são sobre o contexto de liberdade em que vivemos. Podemos à vontade queimar soutiens. Mas explicar frontalmente aquilo que nos parece mal é outra conversa. A má vontade é o maior obstáculo epistemológico deste país. Ora façam favor: O blogue é meu (detenham-se apenas no primeiro parágrafo) e Tradução básica da Mãe Preocupada.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Eu não entendo a Geração à Rasca

Peço desculpa mas sou careta. Peço perdão, mas quando os cabelos brancos me aparecem na franja começo a ficar contente. Tenho 32 anos. Tinha 15 quando o Vicente Jorge Silva chamou aos meus irmãos mais velhos Geração Rasca. Estou pela primeira vez desempregada. A notícia do despedimento chegou no princípio de Fevereiro. Estou grávida e creio que essa é a única razão pela qual ainda não estou vinculada a uma outra empresa.
Em 1999, fiz os meus primeiros descontos para a Segurança Social. Em 2002, comecei a trabalhar de forma ininterrupta. Em 2003, aluguei uma casa manhosa, manhosa, mas saí definitivamente de casa dos meus pais. Nunca mais tive dinheiro dos pais. Aliás, a mesada era um conceito que não existia lá em casa. O que existia lá em casa era uma família que dava importância ao estudo e ao trabalho.

E se eu queria dinheiro para ir ao teatro ou se quis fazer Erasmus em Barcelona, trabalhei para poder ter dinheiro para o fazer. Em 99 descontei quando trabalhei na bilheteira de um cinema, depois numa livraria. Antes disso juntava dinheiro a fazer biscates. Se quis ir ao Sudoeste a primeira vez, fui de roulote de hamburgueres. O trabalho patrocinar-me-ia a entrada nos concertos. Depois de lá estar, o dinheiro que estava a fazer era tão bom que acabei por não ir a concerto nenhum. Mas os Corvos vieram montes de vezes à nossa roulote!!!!

Não entendo a Geração à Rasca. Há boa gente com pouca idade a trabalhar de mais para ganhar de menos, há. Mas também gente medíocre que espera ter direito a tudo só porque sim. Como se o trabalho e o salário fossem uma mesada mais, que se pedincha mas não se merece. É como acontece com as notas da escola. Um estagiária pediu-me que lhe desse uma nota de estágio mais alta porque "toda a gente aproveita o estágio para subir a média." Não porque ela tivesse mais valor do que aquilo que tinha demonstrado. No secundário os miúdos pedem notas em auto-avaliação que não são correctas, mas sabem que as conseguem nos conselhos de turma. O meu primo mais novo está no oitavo ano e não sabe fazer contas de somar... O Marco que aparece numa reportagem da TVI tem 15 anos, não saber ler, mas também está no oitavo ano.

Faz tudo parte do mesmo. Porque se esta Geração à Rasca soubesse ler, não escolhia para hino a música dos Deolinda. Não é dúbio que a crítica feita pelo autor é a esta gente que é retratada na letra. É óbvio.
Sou da geração ‘casinha dos pais’,
se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
e ainda me falta o carro pagar.
Sou da geração ‘vou queixar-me pra quê?’
Que parva que eu sou!
As folhas A4 com a descrição dos problemas individuais que se entregarão na Assembleia da República (ainda me vão explicar como) servem para quê? O problema da Geração à Rasca não se resolve por decreto. Resolve-se pela acção que cada um resolver tomar. Se cada um perceber que se trabalha por um salário e não por um estatuto. Se cada um exigir ser pago como gente grande quando exerce funções de gente grande. Se não houver sempre alguém disposto a fazer tudo a troco de nada, as coisas mudam. E depois, incomodar-se para quê? Se estão em casa dos pais a viver a tenças...

E depois há a todas as gerações mais velhas, que se debatem com os mesmos problemas de incerteza quanto ao futuro, de recibos verdes intermináveis, de ausência de prestações sociais em caso de doença ou incapacidade. Mas que não são putos mimados e que vêem apenas como solução trabalhar, trabalhar, com muita honestidade.

O país é uma merda. Nisso concordamos todos. Mas esta gente que tem 30 anos vota há quanto tempo nos mesmos? O Cavaco ganhou depois de uma greve geral! O PS teve uma extraordinária vitória nas últimas legislativas, mas ninguém votou neles... Têm 30 anos e quantas vezes antes exigiram os seus direitos? Quantas vezes fizeram uma reclamação? Quantas vezes tomaram a iniciativa de tornar o seu mundo ligeiramente melhor? Quantas vezes exerceram um trabalho com tanta seriedade que a sua promoção se tornaria evidente, inevitável?

Peço desculpa, mas eu só comprei o meu primeiro carro há um ano e deve ser por isso que não entendo estas coisas...

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Pontaria para Abril

O universo da maternidade é sempre surpreendente. Soube há pouco tempo que “se estás a pensar ter filhos faz pontaria para Abril.” Como assim? Isso mesmo! Os amigos que me disseram isto esperam o segundo filho, para Janeiro. E apesar de já terem um filho a frequentar uma creche, esta instituição não vai acolher a criança mais nova até ser Setembro. A licença de maternidade para esta mãe será de cinco meses. O que é que ela vai fazer entre Julho e Setembro com a criança? Vai ter um problema, porque nem na creche do filho mais velho nem nenhuma outra (IPSS) lhe garantem a guarda da criança durante as seis horas que deverá trabalhar cada dia de semana entre Julho e Setembro...


Os pais da nossa geração estão cada vez menos disponíveis para ajudar a criar os nossos filhos. Ainda trabalham, moram longe, estão doentes ou estão mortos. Nós temos de trabalhar porque um só salário não chega (às vezes não chegam 2 para que as pessoas saiam da pobreza). E não há resposta social adequada para casos simples como este: uma criança desejada que nasce antes do tempo.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Campo de rugby do Lumiar

Queridas amigas,
estou super contente! Acabo de descobrir que vivo numa cidade super evoluída. A proposta mais votada do Orçamento Participativo de Lisboa foi um campo de rugby para o Lumiar. Fiquei ainda mais feliz quando vi que vamos gastar 900 mil euros para ter um campo relvado, vedado e com balneários ao serviço da cidade. Estou super contente porque assim o Zé Maria, o Salvador e o Bernando vão poder fazer um desporto de cavalheiros sem se misturarem com a ralé! As meninas é que não, coitadinhas, é que não vão andar aos encontrões, nem pensar, vão à catequese.


Bom, agora eu vou ao cabeleireiro pintar o cabelo de loiro, e pintar as unhas de encarnado (detesto gente que diz vermelho, sei lá). Um grande beijinho! Mas mesmo só um!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Um país que não merece comunistas

Ontem, às 9h00, à saída do autocarro, deixei de ser de esquerda.
Pedi ao deficiente que escrevesse à Carris explicando a dificuldade que tem em sentar-se porque o autocarro vai sempre cheio. Expliquei que já tinha feito o mesmo na perspectiva de mulher que leva o filho ao colo e que apesar disso se levanta para dar o lugar ao coxo, à que teve o AVC ou à senhora com 100 anos. E o deficiente, que é bom da cabeça, disse-me o mesmo que todos já me disseram naquele autocarro: "Não vale a pena, a Carris é uma empresa que não muda, não vale a pena." Conversa queria muita, daquela de dizer que isto está tudo mal e que os outros são todos uns egoistas e só pensam neles... E eu interrompi-o, pedi desculpa por tê-lo interpelado e vim-me embora.
Hoje fui sentada, amanhã irei sentada e assim farei sempre que apanhar o autocarro. Decidi que aqui não vale a pena pensar no bem comum. As pessoas gostam mais de se queixar do que fazer qualquer outra coisa e é por isso que é inútil ser de esquerda. E é por isso que este país não merece comunistas.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Se não votarem, depois não vale dizer mal!

Já me registei no Orçamento Participativo da CM Lisboa! Também já votei, num projecto muito específico: uma creche para o meu bairro!!!! Mas há mais de 290 propostas em votação até dia 31 de Outubro. Podemos votar sendo moradores, trabalhadores ou outros (?) no Concelho de Lisboa. Esta é uma forma de participação cívica que não devia ser desprezada. No entanto, só estão registados 6148 votantes... e pensar que na minha freguesia moram 18 mil pessoas...



É tão lindo, não é?

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Um país pequenino

Somos um país pequenino. Choramos de emoção porque os mineiros do Chile chegam à superfície da Terra. Não me interpretem mal: ainda bem que os mineiros sobreviveram! Mas há coisas tão mais simples que nos podiam emocionar todos os dias, há coisas tão importantes que cada um podia fazer para melhorar a sua própria vida e não somos capazes sequer de as ver, quanto mais de nos emocionarmos com elas. Porque precisamos de heróis? Porque é que projectamos nos outros os grandes sentimentos e os nossos não chegam para pensar no próprio bem, quanto mais no bem comum?

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Propostas para Passos Coelho

Querido Pedro,

Eu não sou socialista mas ainda assim resolvi aceitar o teu convite e apresentar-te a minha proposta. Assim:

1. Vem viver lá para casa uma semana. A sério. Podes ficar na cama que está no quarto do meu filho e que é na verdade, o melhor quarto da casa. Tem uma racha numa parede, mas é a divisão com o chão mais direito. Quando acordares às sete da manhã podes preparar o pequeno-almoço ou se quiseres eu preparo o teu, mas tu comprometes-te a ajudar-me a levar o miúdo à escola. Compra o passe semanal no dia antes, está bem? Aos dias de semana não há tempo a perder. Vamos de autocarro e depois a pé. Sabes, o caminho é bem bonito e só demora meia hora! Depois vens comigo para o escritório e ajudas-me nas tarefas que aqui tenho. Produção textos e coordenação de uma equipa. Sabes, dizem que eu sou boa naquilo que faço. Eu faço tudo muito depressa. Almoço muito depressa num chiringuito manhoso mas consigo gastar menos 4 euros com sopa, sandes, sumo natural e café. Sim, eu sei, era melhor vir de tupperware mas aqui não há cozinha, nem frigorífico. Depois volto para o escritório e faço tudo outra vez muito depressa, para sair a tempo de ir buscar o miúdo. Se tu viveres lá em casa, posso sempre ligar-te, (não é?), e vais tu buscá-lo.

Sabes, o pai do meu filho tem um emprego novo porque a empresa onde estava antes faliu. Os sócios já constituíram uma nova empresa, no mesmo ramo, mas as indemnizações ainda não chegaram por completo, apenas chegou a ajuda inicial da Segurança Social. E como o emprego é novo, o meu companheiro tem que mostrar o que vale, para lá do horário laboral, muitas vezes. Mas não faz mal, depois de termos vivido seis meses sem os salários atrasados dele, esta situação é muito mais confortável. Já não temos de recorrer às poupanças para as comprar do quotidiano.

Bom, devo já pedir-te desculpa porque vais encontrar as ruas do meu bairro muito sujas. Sabes, moro ali há cinco anos e nunca vi ninguém a lavar as ruas. A minha casa também não está um brinco é certo, desculpa, mas não conseguimos ter uma empregada a dias para nos ajudar nas limpezas. Assim, ao sábado costumamos limpar, mas há dias que falha, sobretudo agora porque gostamos tanto da praia ao fim-de-semana. Se calhar podes ajudar-nos enquanto vivas lá em casa. Imagina, eu chego a casa e faço o jantar, o pai do meu filho dá-lhe banho e tu limpas a casa. Achas que também podes passar a ferro? Que grande plano! Se, entretanto, eu perder o emprego – porque de repente essa possibilidade tornou-se mais iminente, sabes, estou a um mês de terminar um contrato não renovável e ainda não tenho nenhuma informação oficial sobre o que vai acontecer – prometo que passo eu a limpar a casa. Entretanto, não temos alternativa, porque queremos ir juntando algum dinheiro para usar em caso de aflição.

Que giro. Sabes o meu salário é muito acima da média nacional e a verdade é que eu devia ter vergonha de falar-te destas coisas. Como é possível eu ter uma vida tão dura quando sou quadro superior numa empresa? Ora, deixa-me tentar explicar... Desconto o valor de um salário mínimo quando sou paga pelo meu muito bom trabalho. Depois, pago 296 euros por uma creche que é óptima, a sério, vais ver, mas que também tem um acordo com a Segurança Social e eu como tenho um salário elevado contribuo para o bem comum. Mesmo assim, há quem pague muito mais. Há quem pague 400 euros, apesar de contribuir para o bem comum também quando faz mais que eu retenção na fonte... E a verdade é que não me posso queixar, que eu vi escolas medonhas, também comparticipadas pela SS, onde as crianças não eram felizes. Aliás, sabes que na minha junta de freguesia, que carece urgentemente de uma creche e um jardim infantil, o teu partido e o PS chumbaram uma proposta para a construção dessas valências?

Sabes Pedro, como sou assim para o comunista, resolvi que não ía ter pediatra privado. Assim, o meu filho foi apresentado à nossa médica de família que passou a medi-lo e a vaciná-lo. E na consulta dos 2 anos desisti, porque me deixou insegura, e marquei um pediatra privado que fez uma avaliação muito melhor do estado de desenvolvimento do meu filho. Sabes quanto paguei pela consulta? 80 euros. Sabes quanto é que pago cada vez que quero ir ao dentista? 80 euros. Sabes quanto é que pago no oftalmologista? 70. Sabes quanto é que paguei para ter um diagnóstico mais rápido de um possível cancro do pulmão da minha avó? 700 euros. A boa notícia é que não era cancro! A má é que no público não lhe dão prioridade para o tratamento do problema gástrico e que lhe afecta a respiração porque ela tem 90 anos.

Se viveres lá em casa podes tomar conta da minha avó e eu fico mais descansada, sem medo que ela tenha um acidente, caia, ou pegue fogo à casa. Eu não tenho como ter alguém com ela e isto assusta-me, ela está bem, mas é por enquanto e eu nunca a vou pôr num lar. Bom, se parar de trabalhar tenho o problema resolvido. Que boa ideia!

Sabes que já me angustia a escola primária que devo escolher para o meu filho? Daqui a 4 anos vou ter que escolher entre o alívio financeiro da escola pública ou o descanso de ter a criança numa escola em que as portas das casas de banho existem! Ah! Tenho ainda um plano alternativo, dar uma morada falsa para colocar o meu filho numa escola pública que não me pareça tão mal.

Sei que esta carta já vai longa, mas queria muito que viesses viver comigo como nós vivemos, exactamente como nós vivemos, que partilhasses o nosso dia-a-dia, os nossos medos em relação ao futuro, ao futuro breve, para que percebesses o absurdo das tuas propostas. A escola não pode deixar de ser pública. Tem de ser pública, local, exigente e igualitária. A saúde não pode deixar de ser pública. Tem de ser pública, igualitária, boa, competente. Sabes porquê? Porque somos nós que as pagamos. Logo, somos nós que temos de decidir sobre isto.

2. Se por magia conseguires aprovar as tuas estapafúrdias propostas de alteração à constituição, espero que aproves também o fim da colecta na fonte. Se eu passar a pagar todos os serviços de saúde, educação, transportes, justiça posso perfeitamente dispensar os teus serviços de político.

Então Pedro, o que dizes?

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Uma mudançazinha de atitude

Abri a semana passada uma carta estranha. Vinha do Hospital Dona Estefânia e dizia que a minha reclamação estava a ser considerada. Era estranha, porque já não me lembrava da última reclamação formal que tinha feito. Confesso que depois de tantas vezes ter reclamado para ler depois um quase “ a senhora é parva? Não vê que isto é um hospital?” amainei a minha veia crítica, pelo menos a mais formal.

Por isso, quando esta semana recebi nova carta do Hospital dizendo que respondiam à minha queixa feita em blogue (esta) fiquei estupefacta. Mais ainda, quando adiante, explicavam de quem era a responsabilidade da informação mal dada. Milagre? Não sei, terei de ver o que acontece a próxima vez que for à Estefânia, mas creio que é uma mudançazinha de atitude, que vale a pena referir.

Será que começa a valer a pena reclamar? Acho que sim, até porque esta semana aconteceram mais coisas, que contarei adiante, que o confirmam.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Propostas de quem se esfalfa a trabalhar para ter muito pouco

Quando a Mãe Preocupada se candidatar a algum cargo político é certo que voto nela. Na contra proposta ao governo que apresenta no seu blogue lembra com ironia uma daquelas medidas que ninguém entendeu e que nos custaram balúrdios a todos. E que agora vamos ter todos de pagar caro: o Magalhães. Como no Mãe Preocupada não se pode comentar, faço este texto aqui e proponho que façamos mais contrapropostas ao Governo, aqui ou nos vossos respectivos blogues. Eu tenho uma:

Que os ocupantes de cargos políticos e os decisores vivam 1 mês (1 mês apenas) com o salário médio nacional. O remanescente vai para os cofres do Estado. O Estado arrecada bastante e aposto que a experiência dos senhores lhes fica para a vida.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Como chamar a este post?

O Tribunal da Relação de Lisboa absolveu o empresário Domingos Névoa do crime de tentativa de corrupção…

Outro colectivo de juízes declarou injustificável o julgamento do caso Bragaparques, por não terem sido provados os crime de que os arguidos ( Carmona Rodrigues e vereadores) vinham acusados…

Isto é coincidência, correcto?

E agora algo completamente diferente:

O que fazer ao tipo que tentou explodir a Times Square? Ele só tentou, na verdade ninguém se magoou, correcto?

segunda-feira, 15 de março de 2010

Sim saio, não não saio

Sim, quase pareço o Alberto João “saio não saio” ou o Manuel Alegre “candidato-me não me candidato.”
Estava zangada, frustrada, desiludida, na verdade, por não fazer a diferença. Tinha a ilusão de poder mudar, ainda que ligeiramente, o mundo, querendo converter duas frases numa só acção “Deixa o mundo melhor do que o encontraste” e “Pensa globalmente, age localmente.” Aquele comentário do anónimo veio elucidar-me a propósito da impossibilidade de alterar o rumo das coisas. Porque não se alteram cabeças.
As minhas amigas que comentaram os textos e que me disseram para não parar de escrever (obrigada! obrigada!), vieram confirmar a mesma percepção. No fundo, somos todas cabeças pensantes que já éramos antes de nos cruzarmos. No fundo, já tínhamos todas percepções semelhantes da realidade, mesmo se elas produzem opiniões diferentes. No fundo, une-nos a boa vontade e a capacidade de nos ouvirmos umas às outras. No fundo, querida Cris, não é sequer uma questão de cultura ou informação. É uma questão de boa formação e de atenção – coisas que todas temos!
E depois o aplauso da Mãe Preocupada. E o saber que fechou o blogue por esta mesma razão. E depois pensar “Porque é que são os maus que ganham sempre?” Porque é que (e tomando por princípio que nós somos os bons) porque é que os bons desistem, ficam cansados? Teorias sobre a ânsia do poder e outros bláblás de devem explicar porque é que os bons se tornam todos burgueses acomodados (acamados?). E como resultado os maus é que andam aí a decidir a maioria das coisas.
Portanto, 1º ponto: como já se suspeitava, continuarei a escrever aqui. 2º: sempre que possível, farei também análise política de outros temas para lá da maternidade, mas sempre em versão de mãe comum, que é a única que posso ter. 3º: actualizarei também o blogue com sugestões de leitura e de ocupação dos (poucos) tempos livres, baseados nas nossas experiências de família.

Obrigada a todas! & a todos!