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segunda-feira, 28 de março de 2011
Para ver todos os dias até às eleições
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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
A creche ilegal
Ontem fiquei em casa de manhã e vi essa contribuição generosa para a sociedade que é o programa Praça da Alegria, da RTP 1. Estavam os senhores apresentadores - Jorge Gabriel e Sónia Araújo - todos indignados porque os vizinhos não tinham denunciado a existência de uma creche clandestina no prédio onde viviam, a creche da Morais Soares. Também estavam indignados com a falta de fiscalização, com a ausência de instituições que fechem esta casas.
Senhores apresentadores façam o favor de sair da bolha de conforto em vivem, ponham o pé na rua e olhem para a realidade em redor. As creches ilegais da Morais Soares e arredores devem ser às dúzias. Eu conheço pelo menos duas amas ali perto que apoiam as famílias. A fiscalização do Estado não funciona porque não convém. Se estas casas forem fechadas há muita gente que deixa de ir trabalhar porque não tem onde colocar os filhos. É uma questão de dinheiro ou falta de cuidado dos pais? Nem uma, nem outra. É uma questão de inexistência de recursos.
A creche clandestina da Morais Soares fica na Penha de França. Na Penha de França, estão registados 18 mil moradores (os ilegais não contam, mas basta andar na rua para imaginar a quantidade). Há muitíssimas famílias jovens que para ali vão morar porque as casas são as mais baratas do centro da cidade (é o nosso caso).
E quantas creches há na Penha de França? Quantos berçários? Há 1. Sim, UM. Que recebe 8 crianças por ano a partir dos 4 meses, mais doze com 1 ano, mais 14 com 2... Depois há um jardim infantil privado e duas ipss que recebem crianças com mais de 3 anos. Nestes, que são perto de casa, nunca o meu filho teve vaga.
Só falta acrescentar que nem a proposta do BE na assembleia municipal, nem a proposta dos cidadãos no Orçamento Participativo para a construção de uma creche e jardim infantil foram aprovados. Mas a cidade vai ter um campo de raguebi no Lumiar...
É preciso explicar mais alguma coisa?
Senhores apresentadores façam o favor de sair da bolha de conforto em vivem, ponham o pé na rua e olhem para a realidade em redor. As creches ilegais da Morais Soares e arredores devem ser às dúzias. Eu conheço pelo menos duas amas ali perto que apoiam as famílias. A fiscalização do Estado não funciona porque não convém. Se estas casas forem fechadas há muita gente que deixa de ir trabalhar porque não tem onde colocar os filhos. É uma questão de dinheiro ou falta de cuidado dos pais? Nem uma, nem outra. É uma questão de inexistência de recursos.
A creche clandestina da Morais Soares fica na Penha de França. Na Penha de França, estão registados 18 mil moradores (os ilegais não contam, mas basta andar na rua para imaginar a quantidade). Há muitíssimas famílias jovens que para ali vão morar porque as casas são as mais baratas do centro da cidade (é o nosso caso).
E quantas creches há na Penha de França? Quantos berçários? Há 1. Sim, UM. Que recebe 8 crianças por ano a partir dos 4 meses, mais doze com 1 ano, mais 14 com 2... Depois há um jardim infantil privado e duas ipss que recebem crianças com mais de 3 anos. Nestes, que são perto de casa, nunca o meu filho teve vaga.
Só falta acrescentar que nem a proposta do BE na assembleia municipal, nem a proposta dos cidadãos no Orçamento Participativo para a construção de uma creche e jardim infantil foram aprovados. Mas a cidade vai ter um campo de raguebi no Lumiar...
É preciso explicar mais alguma coisa?
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segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Campo de rugby do Lumiar
Queridas amigas,
estou super contente! Acabo de descobrir que vivo numa cidade super evoluída. A proposta mais votada do Orçamento Participativo de Lisboa foi um campo de rugby para o Lumiar. Fiquei ainda mais feliz quando vi que vamos gastar 900 mil euros para ter um campo relvado, vedado e com balneários ao serviço da cidade. Estou super contente porque assim o Zé Maria, o Salvador e o Bernando vão poder fazer um desporto de cavalheiros sem se misturarem com a ralé! As meninas é que não, coitadinhas, é que não vão andar aos encontrões, nem pensar, vão à catequese.
Bom, agora eu vou ao cabeleireiro pintar o cabelo de loiro, e pintar as unhas de encarnado (detesto gente que diz vermelho, sei lá). Um grande beijinho! Mas mesmo só um!
estou super contente! Acabo de descobrir que vivo numa cidade super evoluída. A proposta mais votada do Orçamento Participativo de Lisboa foi um campo de rugby para o Lumiar. Fiquei ainda mais feliz quando vi que vamos gastar 900 mil euros para ter um campo relvado, vedado e com balneários ao serviço da cidade. Estou super contente porque assim o Zé Maria, o Salvador e o Bernando vão poder fazer um desporto de cavalheiros sem se misturarem com a ralé! As meninas é que não, coitadinhas, é que não vão andar aos encontrões, nem pensar, vão à catequese.
Bom, agora eu vou ao cabeleireiro pintar o cabelo de loiro, e pintar as unhas de encarnado (detesto gente que diz vermelho, sei lá). Um grande beijinho! Mas mesmo só um!
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Os erros gramaticais de Saramago
Dizer que José Saramago cometia erros gramaticais é tão estúpido como dizer que Luís de Camões escrevia com erros ortográficos.
O que José Saramago fazia ao escrever não era alterar concordâncias entre sujeitos e predicados, falhar na coerência verbal ou utilizar de forma errada advérbios, conjunções, complementos, frases relativas. O que José Saramago alterou apenas na forma de escrever português foi a pontuação. Usava sim a vírgula como pausa maior do que aquilo a que nos ensinam na escola primária e não sinalizava as falas com aspas e travessões – usava a vírgula para marcar a pausa.
O que Luís de Camões fazia e que se encontra amiúde nos Lusíadas (oh! essa obra fundadora!) era sacrificar os processos habituais de criação de palavras do português, substituindo-os por fenómenos possíveis mas alternativos, em favor da métrica, criando palavras novas. É claro, como ainda não havia ortografia estabelecida do português (o 1º tratado é de 1576) pode argumentar-se muita coisa, mas numa breve história da língua consegue perceber-se o que era normal e o que não era.
Ah! O que Eça de Queirós fazia muito era utilizar palavras estrangeiras inexistentes em português adaptando-as ou, por vezes, nem isso. Lembram-se do spleen da época?
Temos todo o direito de não gostar de Saramago, do Camões ou de outro qualquer. Aliás, temos todo o direito de não gostar de nada. Mas vamos tentar ser minimamente inteligentes quando tornamos as nossas opiniões públicas. As coisas que tenho lido na blogosfera são assustadoras, sobretudo porque são publicadas por pessoas que escrevem e acham que escrevem bem. Revejam lá a gramática! Ah! E a semântica!
O que José Saramago fazia ao escrever não era alterar concordâncias entre sujeitos e predicados, falhar na coerência verbal ou utilizar de forma errada advérbios, conjunções, complementos, frases relativas. O que José Saramago alterou apenas na forma de escrever português foi a pontuação. Usava sim a vírgula como pausa maior do que aquilo a que nos ensinam na escola primária e não sinalizava as falas com aspas e travessões – usava a vírgula para marcar a pausa.
O que Luís de Camões fazia e que se encontra amiúde nos Lusíadas (oh! essa obra fundadora!) era sacrificar os processos habituais de criação de palavras do português, substituindo-os por fenómenos possíveis mas alternativos, em favor da métrica, criando palavras novas. É claro, como ainda não havia ortografia estabelecida do português (o 1º tratado é de 1576) pode argumentar-se muita coisa, mas numa breve história da língua consegue perceber-se o que era normal e o que não era.
Ah! O que Eça de Queirós fazia muito era utilizar palavras estrangeiras inexistentes em português adaptando-as ou, por vezes, nem isso. Lembram-se do spleen da época?
Temos todo o direito de não gostar de Saramago, do Camões ou de outro qualquer. Aliás, temos todo o direito de não gostar de nada. Mas vamos tentar ser minimamente inteligentes quando tornamos as nossas opiniões públicas. As coisas que tenho lido na blogosfera são assustadoras, sobretudo porque são publicadas por pessoas que escrevem e acham que escrevem bem. Revejam lá a gramática! Ah! E a semântica!
segunda-feira, 29 de março de 2010
Velha geração
"Até eu sou velha demais para ter um blogue!" - diz a miúda com 24 anos...
Viva a betalhada!
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