É só para avisar que está tudo bem. Que o texto Os valores da fome fala de toda a gente, não fala de mim em particular. Simplesmente, mesmo estando em contraciclo - feliz no emprego, etc - e com menos medo do futuro continuo preocupada com o que se passa à minha volta.
Obrigada a todos os que se preocupam comigo!
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segunda-feira, 19 de agosto de 2013
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
Os valores da fome
Ao cuidado e atenção da dra.
Dulce Rocha,
(vice-presidente do Instituto do Apoio à Criança que disse “a crise não pode servir de desculpa para os maus tratos às crianças”, “os valores têm de se sobrepor. Nós não podemos agredir uma criança porque estamos preocupados” quando comentava na antena da TSF o estudo do Núcleo Hospitalar de Apoio à Criança e Jovem em Risco que documenta o aumento dos maus tratos a crianças em Portugal, “aponta a negligência como o mau trato mais frequente. Desde a negligência passiva, em que as famílias não conseguem dar resposta às necessidades básicas dos mais novos, à negligência ativa, com intenção de provocar dolo e danos” lê-se na notícia.)
Quando decides ter um filho é sinal que tens esperança no futuro. Quando não tens esperança, já depois de teres sido afetada pelo desemprego e pela pobreza, ter um filho é um peso. É um peso. É horrível dizer isto, mas o filho que fizeste nascer não tem futuro, é assim que te sentes. Se tu que és mais alta, mais velha, mais forte não vês futuro, já perdeste a esperança, como podes acreditar que há esperança para o pequeno que tens na mão? Como é que podes acreditar que depois de te esforçares, de teres trabalhado 10 ou 20 ou 30 anos e teres ficado sem nada, depois de perderes pouco a pouco a eletricidade, o banho diário, a casa, a comida, a privacidade, a dignidade, como podes acreditar que ele tenha algum futuro, partindo agora de uma casa muito mais abaixo do que aquela em que tu começaste?
Quando decides ter um filho é sinal que tens esperança no futuro, mas não contas que o futuro não depende só de ti. Ou não depende nada de ti. Não sabes que por mais que trabalhes, que lutes, que te esforces, que rebentes, há coisas que não dependem de ti como… os financeiros da empresa onde trabalhas terem feito as contas certas, o Estado para o qual descontas não ter investido mal os teus impostos, o tempo em que tu vives não ser demasiado rápido para que num ápice tudo mude para pior.
Por isso, quando há uma crise, não daquelas que te atiram ao chão, mas daquelas que te encostam à parede e te dizem “o caminho acaba aqui”, tu és capaz de fazer o impensável – aquilo que disseste não entender, antes de perderes a esperança. É assim que aumentam os casos de maus tratos a crianças, que fizeram notícia esta semana. Estamos a tratar mal as crianças, como não acontecia há mais de 20 anos, não porque nos tornámos animais de repente mas porque estamos sem esperança, porque estamos cheios de medo, porque a tristeza nos está a comer por dentro.
A crise não é a desculpa é a causa. Olhas para o teu filho e ficas sem saber para que é que o fizeste nascer, porque vai passar por tudo isto e pior. Tens menos paciência quando ele chora, porque precisas mesmo de dormir para conseguires trabalhar bem amanhã, porque sabes que se trabalhares mal começas a ir para a lista dos próximos a despedir. Deixa-lo em frente à televisão horas a fio, para poderes limpar a casa e cozinhar de forma a transformar a pouca comida que tens numa refeição e para poderes trabalhar mais um bocado. Às vezes não chegas a tempo de o ir buscar à escola e ele vem para casa sozinho. Às vezes levantas-te demasiado cedo para o acordares e sais de casa em direção ao autocarro a desejar que ele oiça o despertador e que coma o bolicao que deixaste na bancada e que não seja raptado no caminho para a escola, nem violado pelo vizinho sinistro do quinto andar. E tens a certeza absoluta que o podias educar melhor se tivesses mais tempo e tens a certeza absoluta que podias trabalhar mais e melhor se não tivesses um filho. E desesperas e… ou te cortas, ou te bates, ou começas a tratar mal a quem mais queres. A tristeza começa a tornar-te um monstro, tu sabes e não te controlas porque já não és capaz.
A crise, dra. Dulce Rocha, não é a desculpa é a culpada, porque a crise fez desaparecer as condições mínimas de muitas de nós sermos as mães que queríamos ser, levou-nos a certeza do pão na mesa todos os dias, levou-nos a certeza de que, aconteça o que acontecer, os nossos filhos vão estar sempre protegidos da fome e da pobreza que alguns dos nossos pais sofreram em crianças.
Quando dizes que é preciso ter valores que se sobreponham eu gostava imenso de concordar contigo, mas não conheço nenhum valor que se sobreponha à necessidade de comer. Enquanto tu e outras pessoas com responsabilidades e contactos políticos vão dizendo que a culpa é exclusiva de cada pai e mãe que maltrata um filho, que a crise é só uma desculpa, cada pai, cada mãe e cada filho vai ficando mais sozinho numa vida horrível que lhe foi imposta. A crise é cada vez mais uma coisa lá longe que nada tem a ver com a vida das pessoas e aposto que esta ideia descansa muito a consciência de quem tem responsabilidades de tomar decisões que afetam todos. Para ti é “só” estar desempregado, para os que só tinham o trabalho como fonte de alimento é a vida inteira e a dos filhos que está no limbo.
Então, a minha proposta, dra. Dulce Rocha, é que uses a tua influência para personificar a crise junto de quem decide, de forma a que menos famílias sejam afetadas pela crise ou que, sendo isto impossível, que as famílias tenham sempre como garante condições básicas para criar os filhos, de forma a não desesperarem. Pode ser? Obrigada!
(vice-presidente do Instituto do Apoio à Criança que disse “a crise não pode servir de desculpa para os maus tratos às crianças”, “os valores têm de se sobrepor. Nós não podemos agredir uma criança porque estamos preocupados” quando comentava na antena da TSF o estudo do Núcleo Hospitalar de Apoio à Criança e Jovem em Risco que documenta o aumento dos maus tratos a crianças em Portugal, “aponta a negligência como o mau trato mais frequente. Desde a negligência passiva, em que as famílias não conseguem dar resposta às necessidades básicas dos mais novos, à negligência ativa, com intenção de provocar dolo e danos” lê-se na notícia.)
Quando decides ter um filho é sinal que tens esperança no futuro. Quando não tens esperança, já depois de teres sido afetada pelo desemprego e pela pobreza, ter um filho é um peso. É um peso. É horrível dizer isto, mas o filho que fizeste nascer não tem futuro, é assim que te sentes. Se tu que és mais alta, mais velha, mais forte não vês futuro, já perdeste a esperança, como podes acreditar que há esperança para o pequeno que tens na mão? Como é que podes acreditar que depois de te esforçares, de teres trabalhado 10 ou 20 ou 30 anos e teres ficado sem nada, depois de perderes pouco a pouco a eletricidade, o banho diário, a casa, a comida, a privacidade, a dignidade, como podes acreditar que ele tenha algum futuro, partindo agora de uma casa muito mais abaixo do que aquela em que tu começaste?
Quando decides ter um filho é sinal que tens esperança no futuro, mas não contas que o futuro não depende só de ti. Ou não depende nada de ti. Não sabes que por mais que trabalhes, que lutes, que te esforces, que rebentes, há coisas que não dependem de ti como… os financeiros da empresa onde trabalhas terem feito as contas certas, o Estado para o qual descontas não ter investido mal os teus impostos, o tempo em que tu vives não ser demasiado rápido para que num ápice tudo mude para pior.
Por isso, quando há uma crise, não daquelas que te atiram ao chão, mas daquelas que te encostam à parede e te dizem “o caminho acaba aqui”, tu és capaz de fazer o impensável – aquilo que disseste não entender, antes de perderes a esperança. É assim que aumentam os casos de maus tratos a crianças, que fizeram notícia esta semana. Estamos a tratar mal as crianças, como não acontecia há mais de 20 anos, não porque nos tornámos animais de repente mas porque estamos sem esperança, porque estamos cheios de medo, porque a tristeza nos está a comer por dentro.
A crise não é a desculpa é a causa. Olhas para o teu filho e ficas sem saber para que é que o fizeste nascer, porque vai passar por tudo isto e pior. Tens menos paciência quando ele chora, porque precisas mesmo de dormir para conseguires trabalhar bem amanhã, porque sabes que se trabalhares mal começas a ir para a lista dos próximos a despedir. Deixa-lo em frente à televisão horas a fio, para poderes limpar a casa e cozinhar de forma a transformar a pouca comida que tens numa refeição e para poderes trabalhar mais um bocado. Às vezes não chegas a tempo de o ir buscar à escola e ele vem para casa sozinho. Às vezes levantas-te demasiado cedo para o acordares e sais de casa em direção ao autocarro a desejar que ele oiça o despertador e que coma o bolicao que deixaste na bancada e que não seja raptado no caminho para a escola, nem violado pelo vizinho sinistro do quinto andar. E tens a certeza absoluta que o podias educar melhor se tivesses mais tempo e tens a certeza absoluta que podias trabalhar mais e melhor se não tivesses um filho. E desesperas e… ou te cortas, ou te bates, ou começas a tratar mal a quem mais queres. A tristeza começa a tornar-te um monstro, tu sabes e não te controlas porque já não és capaz.
A crise, dra. Dulce Rocha, não é a desculpa é a culpada, porque a crise fez desaparecer as condições mínimas de muitas de nós sermos as mães que queríamos ser, levou-nos a certeza do pão na mesa todos os dias, levou-nos a certeza de que, aconteça o que acontecer, os nossos filhos vão estar sempre protegidos da fome e da pobreza que alguns dos nossos pais sofreram em crianças.
Quando dizes que é preciso ter valores que se sobreponham eu gostava imenso de concordar contigo, mas não conheço nenhum valor que se sobreponha à necessidade de comer. Enquanto tu e outras pessoas com responsabilidades e contactos políticos vão dizendo que a culpa é exclusiva de cada pai e mãe que maltrata um filho, que a crise é só uma desculpa, cada pai, cada mãe e cada filho vai ficando mais sozinho numa vida horrível que lhe foi imposta. A crise é cada vez mais uma coisa lá longe que nada tem a ver com a vida das pessoas e aposto que esta ideia descansa muito a consciência de quem tem responsabilidades de tomar decisões que afetam todos. Para ti é “só” estar desempregado, para os que só tinham o trabalho como fonte de alimento é a vida inteira e a dos filhos que está no limbo.
Então, a minha proposta, dra. Dulce Rocha, é que uses a tua influência para personificar a crise junto de quem decide, de forma a que menos famílias sejam afetadas pela crise ou que, sendo isto impossível, que as famílias tenham sempre como garante condições básicas para criar os filhos, de forma a não desesperarem. Pode ser? Obrigada!
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
Alimentação: educar para viver melhor
O peso a mais e a obesidade combatem-se desde a mais tenra idade. É urgente educar as crianças para os sabores saudáveis.
O Henrique tem 11 meses e já ninguém duvida da sua vontade de crescer: pesa 12 quilos, mede quase 80 centímetros e só cabe em roupas de 2 anos. É mais ou menos do mesmo tamanho que o primo, com mais um ano, e quem os vir sentados não acredita que a diferença de idades seja tão grande.
Há muitos mais fatores que levam à obesidade infantil: nascer com peso superior a 3,500 kg, andar sempre de carro, brincar só em casa, ver muita televisão e as condicionantes de herança genética. Mas estas parecem ser as variáveis, o denominador comum, sempre que se fala de excesso de peso, é a falta de qualidade da alimentação. Um exemplo absurdo serve para mostrar esta evidência: ninguém engorda, por mais sedentário que seja, se comer sempre e só alface. Em linguagem académica, podemos dizer que o excesso de peso começa quando a ingestão de calorias ultrapassa regularmente o consumo energético.
Certo é que há cada vez mais gordos entre nós e cada vez mais crianças com peso a mais. A obesidade infantil já é considerada uma epidemia mundial por afetar tantos milhões de crianças e a diretora-geral da Organização Mundial de Saúde, Margaret Chan, referiu-se a esta geração como “a primeira que vai viver mais doente e menos tempo do que os seus pais”.
Segundo vários estudos citados por Sandrina Gaspar Carvalho, no seu artigo Obesidade infantil, a epidemia do século XXI – revisão da literatura sobre estratégias de prevenção, 2009 –, a persistência da obesidade “no início da idade adulta poderá diminuir a esperança de vida de cinco a vinte anos”, em consequência de todas as doenças associadas ao peso excessivo, como a diabetes ou as doenças cardiovasculares. E o grave é que “60% das crianças obesas permanecem adultos obesos”.
É preciso atuar agora. Ensinar a comer. Em fevereiro de 2010, Jamie Oliver denunciou a situação da má nutrição das crianças americanas e inglesas, na conferência dos TED Awards (conjunto global de conferências onde pessoas destacáveis em várias áreas partilham as suas ideias e experiências), na Califórnia. O cozinheiro mais popular da Grã-Bretanha aponta como problemas graves a incapacidade de comer corretamente e a dificuldade em cozinhar de forma apropriada. Fala do conceito de “paisagem alimentar” para explicar que a herança que as últimas quatro gerações têm passado às suas crianças não inclui alimentação saudável nem ensinamentos de cozinha. A solução passa por todos, incluindo as grandes marcas alimentares: a educação alimentar tem de ser uma prioridade. E, na escola, há duas coisas a fazer: oferecer refeições equilibradas todos os dias e fazer com que os jovens terminem a escolaridade sabendo cozinhar “dez receitas que lhes vão salvar a vida”.
Alguns estudos recentes na área do comportamento alimentar parecem corroborar esta ideia de “paisagem alimentar” como uma influência decisiva nas escolhas alimentares das crianças. A pressão do meio ambiente é decisiva para a população em geral (e por isso Jamie Oliver fala das grandes cadeias alimentares) como as disponibilidades no frigorífico ou na despensa de casa são fundamentais para cada criança, cada pessoa.
O Journal of Nutrition Education and Behavior publicou já este ano os resultados de um estudo sobre a exposição das crianças a alimentos saudáveis, nomeadamente aos vegetais, que referem que as que estão habituadas a ver diariamente no prato legumes e saladas consomem-nos com mais facilidade do que aquelas que desconhecem ou têm pouco contacto com essa classe de alimentos.
Os chefes da cozinha de pesquisa vêm falando disto há anos, embora a preocupação esteja mais ligada às questões da memória gustativa do que às nutritivas. Mas quando andam à procura dos sabores de antigamente, demonstram um saber empírico sobre a importância da infância na fixação dos nossos gostos alimentares. Se desde pequenas as crianças forem habituadas a comer maus alimentos, a probabilidade de eles serem a parte fundamental da dieta de adulto é muito grande. Se lhes for sempre oferecida sopa, fruta, salada e pratos confecionados com rigor nutritivo vão ser esses os componentes da sua alimentação no futuro. Ao darmos uma dieta saudável aos nossos filhos, estamos a favorecer-lhes a saúde e a oferecer-lhes mais anos de vida.
O QUE DIZEM OS NÚMEROS
. O excesso de peso em larga escala começou a ser detetado há 30 anos.
. No mundo, há hoje 42 milhões de crianças com menos de 5 anos com peso a mais.
. 35 milhões dessas crianças gordas vivem em países em desenvolvimento.
. Portugal está entre os países europeus com maior número de crianças com excesso de peso.
. Mais de 30% das crianças entre os 7 e 9 anos tem excesso de peso ou é obesa, segundo um artigo do Serviço de Pediatria do Hospital do Espírito Santo, de Évora.
. Entre os 10 e os 18 anos, a percentagem é de 31%, de acordo com o livro da dietista Joana Sousa, Obesidade Infanto-juvenil em Portugal.
Saiba mais na Máxima.
O Henrique tem 11 meses e já ninguém duvida da sua vontade de crescer: pesa 12 quilos, mede quase 80 centímetros e só cabe em roupas de 2 anos. É mais ou menos do mesmo tamanho que o primo, com mais um ano, e quem os vir sentados não acredita que a diferença de idades seja tão grande.
“O Henrique não foi sempre assim”, diz a mãe, Sofia Alves, professora. “Nasceu pequenino, com 2,100 kg. A tabela de percentil nem sequer considerava o peso dele. O ser tão pequeno chocou-me muito. Comecei a dar-lhe o biberão ao mínimo choro e ele cresceu a olhos vistos. Agora o pediatra fala em fazer dieta, mas custa-me dar-lhe menos comida. Racionalmente, percebo o que se passa, mas continuo a ter muito medo que volte a ficar pequenino.”O Henrique pode ser mais um caso de estudo para a teoria da reprogramação, segundo a qual as hormonas do crescimento e o metabolismo sofrem alterações para se adaptarem ao meio numa fase precoce do desenvolvimento, como a vida in utero ou a infância, alterações essas que ficam inscritas no corpo para sempre. Segundo esta teoria, os recém-nascidos de baixo peso (menos de 2500 gramas) têm tendência a ser obesos, porque a falta de nutrientes disponíveis durante a gravidez leva a que o feto diminua as suas necessidades de alimento para se desenvolver (Sofia Alves conta que fez uma dieta rigorosa, não definida pelo médico, porque “não queria engordar” e acabou por quase não ganhar peso). Quando o bebé, que estava habituado a poupar energia e por isso nasce pequenino, é exposto a um ambiente externo de abundância, acaba por comer muito mais do que necessita e torna-se rapidamente um bebé obeso.
Há muitos mais fatores que levam à obesidade infantil: nascer com peso superior a 3,500 kg, andar sempre de carro, brincar só em casa, ver muita televisão e as condicionantes de herança genética. Mas estas parecem ser as variáveis, o denominador comum, sempre que se fala de excesso de peso, é a falta de qualidade da alimentação. Um exemplo absurdo serve para mostrar esta evidência: ninguém engorda, por mais sedentário que seja, se comer sempre e só alface. Em linguagem académica, podemos dizer que o excesso de peso começa quando a ingestão de calorias ultrapassa regularmente o consumo energético.
Certo é que há cada vez mais gordos entre nós e cada vez mais crianças com peso a mais. A obesidade infantil já é considerada uma epidemia mundial por afetar tantos milhões de crianças e a diretora-geral da Organização Mundial de Saúde, Margaret Chan, referiu-se a esta geração como “a primeira que vai viver mais doente e menos tempo do que os seus pais”.
Segundo vários estudos citados por Sandrina Gaspar Carvalho, no seu artigo Obesidade infantil, a epidemia do século XXI – revisão da literatura sobre estratégias de prevenção, 2009 –, a persistência da obesidade “no início da idade adulta poderá diminuir a esperança de vida de cinco a vinte anos”, em consequência de todas as doenças associadas ao peso excessivo, como a diabetes ou as doenças cardiovasculares. E o grave é que “60% das crianças obesas permanecem adultos obesos”.
É preciso atuar agora. Ensinar a comer. Em fevereiro de 2010, Jamie Oliver denunciou a situação da má nutrição das crianças americanas e inglesas, na conferência dos TED Awards (conjunto global de conferências onde pessoas destacáveis em várias áreas partilham as suas ideias e experiências), na Califórnia. O cozinheiro mais popular da Grã-Bretanha aponta como problemas graves a incapacidade de comer corretamente e a dificuldade em cozinhar de forma apropriada. Fala do conceito de “paisagem alimentar” para explicar que a herança que as últimas quatro gerações têm passado às suas crianças não inclui alimentação saudável nem ensinamentos de cozinha. A solução passa por todos, incluindo as grandes marcas alimentares: a educação alimentar tem de ser uma prioridade. E, na escola, há duas coisas a fazer: oferecer refeições equilibradas todos os dias e fazer com que os jovens terminem a escolaridade sabendo cozinhar “dez receitas que lhes vão salvar a vida”.
Alguns estudos recentes na área do comportamento alimentar parecem corroborar esta ideia de “paisagem alimentar” como uma influência decisiva nas escolhas alimentares das crianças. A pressão do meio ambiente é decisiva para a população em geral (e por isso Jamie Oliver fala das grandes cadeias alimentares) como as disponibilidades no frigorífico ou na despensa de casa são fundamentais para cada criança, cada pessoa.
O Journal of Nutrition Education and Behavior publicou já este ano os resultados de um estudo sobre a exposição das crianças a alimentos saudáveis, nomeadamente aos vegetais, que referem que as que estão habituadas a ver diariamente no prato legumes e saladas consomem-nos com mais facilidade do que aquelas que desconhecem ou têm pouco contacto com essa classe de alimentos.
Os chefes da cozinha de pesquisa vêm falando disto há anos, embora a preocupação esteja mais ligada às questões da memória gustativa do que às nutritivas. Mas quando andam à procura dos sabores de antigamente, demonstram um saber empírico sobre a importância da infância na fixação dos nossos gostos alimentares. Se desde pequenas as crianças forem habituadas a comer maus alimentos, a probabilidade de eles serem a parte fundamental da dieta de adulto é muito grande. Se lhes for sempre oferecida sopa, fruta, salada e pratos confecionados com rigor nutritivo vão ser esses os componentes da sua alimentação no futuro. Ao darmos uma dieta saudável aos nossos filhos, estamos a favorecer-lhes a saúde e a oferecer-lhes mais anos de vida.
O QUE DIZEM OS NÚMEROS
. O excesso de peso em larga escala começou a ser detetado há 30 anos.
. No mundo, há hoje 42 milhões de crianças com menos de 5 anos com peso a mais.
. 35 milhões dessas crianças gordas vivem em países em desenvolvimento.
. Portugal está entre os países europeus com maior número de crianças com excesso de peso.
. Mais de 30% das crianças entre os 7 e 9 anos tem excesso de peso ou é obesa, segundo um artigo do Serviço de Pediatria do Hospital do Espírito Santo, de Évora.
. Entre os 10 e os 18 anos, a percentagem é de 31%, de acordo com o livro da dietista Joana Sousa, Obesidade Infanto-juvenil em Portugal.
Saiba mais na Máxima.
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quinta-feira, 21 de julho de 2011
Na Somália
Bastam 211 milhões de euros para resolver a fome na Somália, nos próximos dois meses, segundo a ONU.
O FCP comprou um jogador por 13 milhões de euros.
Há dias em que gosto mesmo deste mundo...
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