Portugal entre os melhores países do mundo para se ser mãe. Este é o título da notícia publicada ontem no Público a propósito do relatório da Save the Children, que coloca Portugal na 13ª posição, de um conjunto de 176 países.
O relatório chama-se "Sobreviver ao primeiro dia - o estado das mães no mundo em 2013." O relatório está disponível on-line e ao lê-lo dá para perceber que os critérios valorizados são as condições de nascimento, o apoio às mães, os cuidados de saúde materna e infantil. Não tenhamos dúvidas: Portugal fez um caminho extraordinário e hoje a mortalidade infantil é muito reduzida, as mortes por complicações no pós-parto são praticamente inexistentes. O sistema de saúde nacional funciona bastante bem para mulheres e crianças. Tudo isto é maravilhoso. Mas é muito diferente de Portugal ser o 13º melhor país para ser mãe.
O envolvimento das mulheres em Portugal no mercado de trabalho é, segundo o Eurostat, superior à média europeia e isto, digo eu, está mais relacionado com os salários baixos do que com a vontade de não nos dedicarmos à família. A remuneração das mulheres em Portugal é em média inferior à dos homens que ocupam funções semelhantes. A rede pré-escolar não cobre todas as necessidades (e falarei disto, na primeira pessoa, muito em breve), sendo inexistente antes dos 3 anos. Ah, há também os preconceitos que dificultam a empregabilidade das mães e aquela coisa estranhíssima de uma pessoa querer cumprir o horário de trabalho para ir buscar os filhos à escola que está quase a fechar.
Ser mãe é mais que parir. Felizmente que em Portugal podemos dar à luz em excelentes condições. Mas falta o que se segue.
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quarta-feira, 8 de maio de 2013
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Passatempo
Quem é que colocou o texto Maternidade Alfredo da Costa 1 e 2 dentro da pasta com o meu processo clínico?
A: O Presidente da República.
B: A senhora do quiosque em frente à MAC.
C: O estimado Anónimo que comentou o texto acima linkado.
As primeiras respostas certas ganham, em primeira mão, o acesso às minhas considerações sobre a Liberdade de Expressão e... a inteligência da censura.
A: O Presidente da República.
B: A senhora do quiosque em frente à MAC.
C: O estimado Anónimo que comentou o texto acima linkado.
As primeiras respostas certas ganham, em primeira mão, o acesso às minhas considerações sobre a Liberdade de Expressão e... a inteligência da censura.
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
O parto no melhor dos dois mundos
É muito difícil escrever sobre a beleza. Ando há dias à procura da palavra exacta para o nascimento da minha filha. Não existe. Ou eu não a encontro. A minha filha nasceu numa sala de partos da MAC. Fui conduzida no parto por uma equipa do Hospital da Estefânia, que faz sempre os bancos de urgências às segundas-feiras. E foi uma espécie de reconciliação com a minha natureza e com o hospital onde nasceu o meu primeiro filho.
A equipa da MAC que me acolheu nas consultas a partir das 38 semanas foi parte importante deste processo. Fui sempre atendida por médicas muito jovens com uma competência extraordinária que eu não tinha visto até aqui no SNS: o respeito pela opinião do utente sobre os procedimentos médicos a tomar. Um exemplo: às 39 semanas não quis que me fosse feito o toque que tenta normalmente despoletar o parto. A médica disse-me tranquilamente: “se não quer que eu faça esse toque eu não faço.”
Outro: às 41 semanas, quando me foi apresentada a solução internamento para indução, eu recusei. A médica (a médica mais nova que alguma vez consultei) ficou aflita e finalmente triste, mas compreendeu as minhas razões. Disse-me “nós só queremos o melhor para as nossas pacientes.” Eu respondi que sabia, que queria apenas esperar mais uns dias para tentar que a bebé nascesse de forma natural, mas que agradecia mesmo muito toda a atenção de que estava a ser alvo.
Passei o fim-de-semana a andar. Domingo à noite, ao fim de 4 quilómetros a subir e descer a cidade, conclui que segunda-feira seria o dia do internamento e indução. Estava triste e temia que a história do nascimento do X se repetisse, mesmo se todos me davam a garantia que não há dois partos iguais.
Segunda-feira voltei à consulta com a dra. Lúcia, uma médica cheia de luz, que me enviou para as urgências a fim de fazer a indução porque o internamento na MAC estava cheio (querido governo anterior, vês como era melhor não ter fechado o bloco de partos na Estefânia?). Bem disse a médica que era uma ironia do destino eu ter fugido da Estefânia para ser uma equipa da Estefânia a fazer-me o parto. Acabou por ser uma epifania do destino.
Passei o dia na sala de partos onde nasceria a minha filha, sempre monitorizada pelo CTG, acompanhada pelo meu marido, visitada com regularidade por duas enfermeiras e pela equipa médica. Havia uma médica que sorria, uma médica muito nova que sorria sempre.
Às 4 da tarde começaram as contracções. Depois das 8, quando tive uma contracção mais forte pedi que chamassem uma médica para que começasse a aplicação da epidural. A médica examinou-me e disse “Ah! Mas estes são os cabelos do bebé! Já tem a dilatação completa!” O medo da dor fez com que me descontrolasse, mas a médica e a enfermeira conseguiram fazer com que me recompusesse. A médica era muito nova e sorria sempre.
Deram-me a possibilidade de parir de joelhos em cima da cama. Acabaram por me deitar e eu fiz força duas vezes. Com a primeira, senti a cabeça da bebé a aflorar e tive muitas dores. Depois de pedir para esperar, ouvi uma voz mágica que me conduziu ao sítio certo. A enfermeira disse-me “se fizeres força agora não rasgas.” Fiz uma força lenta que começou cá em cima ao pé do coração e a minha filha nasceu. Colocaram-na em cima de mim e depois de um momento que ainda me pareceu longo, a minha filha respirou e ficou cor-de-rosa.
Ficámos todos muito emocionados. A médica muito nova que sorria sempre, ainda sorria mais e dizia que a obstetrícia é a melhor especialidade do mundo. Eu só tinha vontade de a abraçar, por me dar este parto tão natural, tão simples, tão pacífico, tão bonito. Só não o fiz porque tinha a minha filha nos braços e o meu marido a abraçar-me a mim.
Obrigada dra. Margarida, obrigada enfermeira Rita, obrigada dra. Lúcia, obrigada MAC inteira, obrigada equipa da Estefânia.
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Maternidade Alfredo da Costa 1 e 2
Domingo passado fui à Maternidade Alfredo da Costa. Entrei pela urgências, não porque tivesse uma emergência mas porque ia viajar no dia seguinte e queria garantir, dentro do possível, que o podia fazer. Correu mesmo bem. Estive lá das 11h00 às 15h00 e fizeram-me uma série da exames. Na verdade acho que estiveram a brincar aos médicos. A única coisa que eu esperava era fazer um CTG para verificar a incidência das contrações, mas porque a miúda andava a fazer piscinas tive direito a análises, toque e ecografia. Gostei da médica que me atendeu, das enfermeiras e do director das urgências que veio ter connosco à ecografia para me dizer que era bom sinal que a miúda andasse agitada, que eu não ficasse ansiosa, enquanto me fazia festinhas na cara.
Confesso que nesta altura eu pensava "Sim, eu sei, não vim aqui por isso e pára lá de me fazer festinhas que eu não te conheço de lado nenhum." Mas como estou a ficar esperta não disse nada e agradeci imenso a atenção que me deram e, claro, a autorização para fazer 300 km de carro.
Ontem foi o dia da consulta de referência. Estive no serviço de consulta das 13h00 às 17h30... Já não sabia em que posição estar, mas enfim. Como fiz a falcatrua de ir para as consultas da MAC em vez de ter novamente o processo na Estefânia, achei que era razoável a demora. Fui a última a ser atendida. Não faz mal. Mais uma vez o exame completo, desta vez com história detalhada do parto do X, que impressionou muito a enfermeira mas que a médica achou muito estranho... Também eu, minha amiga!
Seja como for, combinámos que eu levaria a informação possível na próxima consulta, o relatório médico, e eu comecei a rir. Afinal o relatório da Estefânia que me foi dado quase um ano depois e a minha descrição do parto parecem sobre dois acontecimentos diferentes, mas enfim.
Da parte que importa - esta consulta, esta gravidez, este parto - pareceu-me tudo muito bem. Continua a faltar a identificação dos profissionais de saúde, mas não há nada como perguntar... E não fosse outra médica entrar enquanto eu vestia as cuecas depois do toque (que foi delicado), sem bater à porta, tinha sido perfeito. Mas bom, educação daquela boa que nos dão em casa nem todos temos. E os que temos, devemos ser pacientes com os outros, verdade? Ai, estou tão crescida!
A próxima consulta é só daqui a 15 dias, apesar de todas as recomendações médicas para que o último mês seja vigiado de perto. Mas como gravidez não é doença... siga para bingo. De qualquer forma não acredito muito ter outra consulta. É que hoje é noite de lua cheia...
Confesso que nesta altura eu pensava "Sim, eu sei, não vim aqui por isso e pára lá de me fazer festinhas que eu não te conheço de lado nenhum." Mas como estou a ficar esperta não disse nada e agradeci imenso a atenção que me deram e, claro, a autorização para fazer 300 km de carro.
Ontem foi o dia da consulta de referência. Estive no serviço de consulta das 13h00 às 17h30... Já não sabia em que posição estar, mas enfim. Como fiz a falcatrua de ir para as consultas da MAC em vez de ter novamente o processo na Estefânia, achei que era razoável a demora. Fui a última a ser atendida. Não faz mal. Mais uma vez o exame completo, desta vez com história detalhada do parto do X, que impressionou muito a enfermeira mas que a médica achou muito estranho... Também eu, minha amiga!
Seja como for, combinámos que eu levaria a informação possível na próxima consulta, o relatório médico, e eu comecei a rir. Afinal o relatório da Estefânia que me foi dado quase um ano depois e a minha descrição do parto parecem sobre dois acontecimentos diferentes, mas enfim.
Da parte que importa - esta consulta, esta gravidez, este parto - pareceu-me tudo muito bem. Continua a faltar a identificação dos profissionais de saúde, mas não há nada como perguntar... E não fosse outra médica entrar enquanto eu vestia as cuecas depois do toque (que foi delicado), sem bater à porta, tinha sido perfeito. Mas bom, educação daquela boa que nos dão em casa nem todos temos. E os que temos, devemos ser pacientes com os outros, verdade? Ai, estou tão crescida!
A próxima consulta é só daqui a 15 dias, apesar de todas as recomendações médicas para que o último mês seja vigiado de perto. Mas como gravidez não é doença... siga para bingo. De qualquer forma não acredito muito ter outra consulta. É que hoje é noite de lua cheia...
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segunda-feira, 20 de junho de 2011
Nascer na MAC ou onde calhar?
Com o fecho da Maternidade do Hospital D. Estefânia (MHDE), resolvi marcar consulta na MAC, mesmo se o SNS me continua a dar como centro de referência o hospital das criancinhas... Não faz sentido para mim que as consultas de referência sejam num lugar diferente daquele destinado ao parto, por isso telefonei para a MAC e pedi para ser seguida ali. O desejo foi facilmente concedido ao telefone por pessoal muito simpático. Pensei que só por esta simpatia já valia a pena a mudança - foi algo muito diferente do atendimento que me foi dado pelos administrativos sempre que contactei com a MHDE, bastando lembrar a última abordagem pelo telefone em que ouvi "E muita sorte tem a senhora por ainda ter consulta aqui." Na verdade, deixou-me muito mais descansada.
Fui a semana passada fazer a visita à MAC. Um grupo de grávidas, entre as quais eu, e alguns maridos tivemos oportunidade de ter uma visita guiada por uma enfermeira, como é procedimento habitual naquele hospital. Vimos o espaço das consultas, a entrada pelas urgências, as salas de partos, as enfermarias, a sala de amamentação. As minhas impressões sobre a MAC dividem-se, assim como as minhas opiniões em relação ao fecho da MHDE.
Na MAC,as urgências e salas de partos são modernas; o pessoal é simpático e humano. Há protocolos bons para as mães, como a colocação do bebé ao colo, o recobro na sala de parto, segundo o que a enfermeira guia descreveu. Depois, as enfermarias são assustadoras, muito assustadoras, apinhadas de camas, sem segurança electrónica para os bebés, com casas de banho afastadíssimas de alguns dos quartos múltiplos, não há cantina. Paredes, portas, janelas, escadas e elevadores estão a cair de podres.
Tanta história por causa da junção dos serviços dos dois hospitais para optimizar o serviço e os funcionários e afinal no dia que visitámos a MAC não havia pessoal para o espaço de apoio à amamentação, pelo que estava fechado. Quando lá entrámos tocava um telefone e ninguém o atendeu. Azar para a senhora com problemas nas maminhas no outro lado da linha... Mas temos todas de amamentar os putos até aos 2 anos!
A consulta de referência na MAC é às 38 semanas. Será que as criancinhas todas nascem agora de 42 semanas como o meu primeiro filho?
Na MHDE, onde tudo era moderno, havia segurança electrónica para os bebés, para que as mães pudessem ir, por exemplo, à casa-de-banho descansadas, ou almoçar à cantina no piso descansadas. Não percebo uma coisa simples: porque é que um bloco de maternidade inaugurado em 2001 fecha 10 anos depois quando dispunha de condições físicas excelentes? É certo que o pessoal administrativo e algum médico eram umas bestas, mas parece que se corre o risco de levar com eles na MAC.
A consulta de referência na MHDE era às 36 semanas, conforme recomendam todas as leituras que fiz até hoje. Digamos que nos tempos que correm, em que tanta gente deixa de ter obstetra privado, era capaz de fazer mais sentido antecipar as consultas com os especialistas do que adiá-las para as 38.
Podem explicar-me porque é que se prefere apinhar mais pessoas numas instalações decadentes, antes de fazer as obras que tão evidentemente precisam? Porque é que não se prefere redireccionar utentes para os blocos e as enfermarias melhor equipados, mais confortáveis, mais amigos do pós-parto? Eu olhava para as enfermarias e pensava "Eu vou é para o Francisco Xavier."
E quando se der sobrelotação da MAC o que é que vai acontecer a quem ficar de fora? Vamos parir nos corredores? Ou mandam-nos para casa e seja o que deus quiser?
Fui a semana passada fazer a visita à MAC. Um grupo de grávidas, entre as quais eu, e alguns maridos tivemos oportunidade de ter uma visita guiada por uma enfermeira, como é procedimento habitual naquele hospital. Vimos o espaço das consultas, a entrada pelas urgências, as salas de partos, as enfermarias, a sala de amamentação. As minhas impressões sobre a MAC dividem-se, assim como as minhas opiniões em relação ao fecho da MHDE.
Na MAC,as urgências e salas de partos são modernas; o pessoal é simpático e humano. Há protocolos bons para as mães, como a colocação do bebé ao colo, o recobro na sala de parto, segundo o que a enfermeira guia descreveu. Depois, as enfermarias são assustadoras, muito assustadoras, apinhadas de camas, sem segurança electrónica para os bebés, com casas de banho afastadíssimas de alguns dos quartos múltiplos, não há cantina. Paredes, portas, janelas, escadas e elevadores estão a cair de podres.
Tanta história por causa da junção dos serviços dos dois hospitais para optimizar o serviço e os funcionários e afinal no dia que visitámos a MAC não havia pessoal para o espaço de apoio à amamentação, pelo que estava fechado. Quando lá entrámos tocava um telefone e ninguém o atendeu. Azar para a senhora com problemas nas maminhas no outro lado da linha... Mas temos todas de amamentar os putos até aos 2 anos!
A consulta de referência na MAC é às 38 semanas. Será que as criancinhas todas nascem agora de 42 semanas como o meu primeiro filho?
Na MHDE, onde tudo era moderno, havia segurança electrónica para os bebés, para que as mães pudessem ir, por exemplo, à casa-de-banho descansadas, ou almoçar à cantina no piso descansadas. Não percebo uma coisa simples: porque é que um bloco de maternidade inaugurado em 2001 fecha 10 anos depois quando dispunha de condições físicas excelentes? É certo que o pessoal administrativo e algum médico eram umas bestas, mas parece que se corre o risco de levar com eles na MAC.
A consulta de referência na MHDE era às 36 semanas, conforme recomendam todas as leituras que fiz até hoje. Digamos que nos tempos que correm, em que tanta gente deixa de ter obstetra privado, era capaz de fazer mais sentido antecipar as consultas com os especialistas do que adiá-las para as 38.
Podem explicar-me porque é que se prefere apinhar mais pessoas numas instalações decadentes, antes de fazer as obras que tão evidentemente precisam? Porque é que não se prefere redireccionar utentes para os blocos e as enfermarias melhor equipados, mais confortáveis, mais amigos do pós-parto? Eu olhava para as enfermarias e pensava "Eu vou é para o Francisco Xavier."
E quando se der sobrelotação da MAC o que é que vai acontecer a quem ficar de fora? Vamos parir nos corredores? Ou mandam-nos para casa e seja o que deus quiser?
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quarta-feira, 1 de agosto de 2007
Da necessária imobilidade das grávidas ou receita para exames nos Açores
Uma grávida não viaja. Toda a gente sabe. Quando uma mulher engravida é evidente que não se pode deslocar - nem em trabalho, nem de férias, nem por uma urgência imprevista. Embora esta ideia não tenha razões médicas efectivas, o próprio Sistema Nacional de Saúde não permite que se pense de outra forma.
Às 16 semanas de gravidez encontro-me nos Açores. Estou na Ilha Terceira para duas semanas de muita tranquilidade (aqui descansa-se mesmo). As férias estavam marcadas e com passagem de avião comprada, havia muito tempo... muito mais do que o tempo de gravidez. Como era impossível alterar as datas, resolvemos vir na mesma, achando que seria possível fazer a segunda colheita de sangue para o rastreio bioquímico. Realmente foi, graças à Dra. Antonieta Bento da Maternidade do Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, e ao Dr. Fernando Teixeira do Hospital do Santo Espírito, em Angra do Heroísmo. Como a mim me levou cinco dias até concluir o processo, descrevo o passo a passo dos essenciais para resolver uma situação como esta:
1ª arranjar uma credencial para os Açores. Convém conhecer alguém com contactos (obrigada Sílvia!) e se não tente nas urgências do hospital;
2º recusar sempre fazer ecografias e outros exames no privado, porque os dados do primeiro exame são suficientes (com excepção do peso);
3ºcontar com a boa vontade do corpo médico açoriano para recolher o sangue, sintetizar o soro e emprestar o contentor que transportará a amostra congelada;
4ºcontactar a DHL para fazer o transporte, já que consegue normalmente fazer a entrega no dia seguinte à entrega, ao contrário dos CTT e de outros transitários .
Correu bem, apesar de tudo. Dos pormenores sórdidos retenho que, com excepção do Dr. Fernando Teixeira e da directora do laboratório, a maioria dos intervenientes açorianos neste processo não sabia o que era o rastreio bioquímico, incluíndo a enfermeira obstetra que me encaminhou para o médico que refiro...
Parece-me importante também ressaltar que esta operação que parece simples foi concretizada apenas porque houve boa vontade. Não há protocolos a seguir entre o Ministério da Saúde português e a Secretaria Regional de Saúde, quando se trata de procedimentos excepcionais, fazendo que quem é de "lá fora", como se diz aqui, se sinta estrangeiro e sem direitos. Mesmo quando não se fala de processos complicados, o simples facto do médico assistente ser externo à região autónoma traz complicações. Aqui, os diplomas dos profissionais de saúde continentais e as credenciais passadas por estes não são válidas. Tudo tem que ser feito segundo normas internas. Parece que, sendo residente em Portugal continental, é mais fácil ter filhos em Badajoz do que nos Açores.
sexta-feira, 20 de julho de 2007
Ecografia porcaria II
Quarta-feira passada regressei à Consulta de Saúde Materna com a minha médica de família. Para além dos exames e perguntas habituais, contei-lhe o episódio na Maternidade do Hospital Dona Estefânia. Quando lhe falei do episódio sobre a ecografia (aquele em que a obstetra da Maternidade se referiu à ecografia que eu levava como "uma porcaria") a médica de família pediu-me que a mostrasse de novo.
Mais uma vez analisou cuidadosamente o relatório do ecografista. Referiu que não sendo a obstetrícia a sua especialidade era possível que a obstetra tivesse o olho clínico mais treinado. Mas a seguir disse que não percebia onde é que o relatório falhava. Depois perguntou: "e porque é que ela não lhe fez outra ecografia lá na maternidade, se esta estava tão má?" Sorrimos as duas e não dissémos mais nada...
Mais uma vez analisou cuidadosamente o relatório do ecografista. Referiu que não sendo a obstetrícia a sua especialidade era possível que a obstetra tivesse o olho clínico mais treinado. Mas a seguir disse que não percebia onde é que o relatório falhava. Depois perguntou: "e porque é que ela não lhe fez outra ecografia lá na maternidade, se esta estava tão má?" Sorrimos as duas e não dissémos mais nada...
terça-feira, 3 de julho de 2007
As coisas boas das coisas más
Passaram 3 dias desde a consulta na Maternidade do Hospital D. Estefânia. E hoje, a meio da manhã, recebi uma chamada da instituição. Era uma médica a pedir-me imensas desculpas por me ligar "mas a minha colega esqueceu-se de anotar algumas informações importantes para o rastreio bioquímico".
Parece, então, que a médica que me atendeu estava a substituir esta que me ligou, que gozava férias. E que, apesar de fazer a consulta de forma "técnica", se esqueceu de anotar coisas importantes para chegar a um resultado fiável do teste de probabilidade de malformações. Eram elas: ser fumadora, ser diabética, peso no dia da consulta (felizmente pesei-me nesse dia, na consulta com a médica de família porque na maternidade nem vi uma balança) e, ainda de maior importância, semana de gestação na data da ecografia e respectivos diâmetro biparietal e comprimento craneocaudal...
A minha primeira reacção foi ficar zangada. Mas a verdade é que esta médica que me ligou hoje foi de uma boa-educação extrema e, além disso, 2 dias úteis para detectar um erro não me parece uma fortuna.
Assim, volto a ganhar alguma confiança naquela maternidade.
Parece, então, que a médica que me atendeu estava a substituir esta que me ligou, que gozava férias. E que, apesar de fazer a consulta de forma "técnica", se esqueceu de anotar coisas importantes para chegar a um resultado fiável do teste de probabilidade de malformações. Eram elas: ser fumadora, ser diabética, peso no dia da consulta (felizmente pesei-me nesse dia, na consulta com a médica de família porque na maternidade nem vi uma balança) e, ainda de maior importância, semana de gestação na data da ecografia e respectivos diâmetro biparietal e comprimento craneocaudal...
A minha primeira reacção foi ficar zangada. Mas a verdade é que esta médica que me ligou hoje foi de uma boa-educação extrema e, além disso, 2 dias úteis para detectar um erro não me parece uma fortuna.
Assim, volto a ganhar alguma confiança naquela maternidade.
sábado, 30 de junho de 2007
Porque é que estou aqui, doutora
Quanto mais pessoas se afastarem do Sistema Nacional de Saúde (SNS) pior ele fica. Quanto menos pessoas críticas e exigentes recorrerem aos cuidados de saúde do Estado, menos respeito pelos direitos de quem usa o sistema público haverá. E já hoje, quem vai ao público é, na maioria das vezes, quem não tem alternativa.
É esta a minha convicção e foi o que expressei à minha médica de família. Também a ela lhe custava crer que eu (bem vestida, informada e interrogativa) preferisse ter uma gravidez acompanhada no público, por um médico de clínica geral e não um obstetra.
Eu preferia ter um obstetra. A minha irmã, também ela seguida no SNS, teve um obstetra. O acompanhamento por parte do Centro de Saúde de Oeiras foi tão bom que foi detectado ao bebé uma arritmia quase inaudível, ainda quando o seu nome científico era feto.
Eu preferia ter um obstetra. Mas em Lisboa, os CS estão a deixar de ter obstetras e ginecologistas. Parece que o número de nascimentos não justifica. Quem tenha um problema uterino, quem passe por uma menopausa difícil, quem tenha outro problema desse foro ou vai ao privado ou espera dias e dias por uma consulta, mas uma gravidez não pode esperar, por isso, o médico de família encarrega-se das grávidas.
Eu poderia pagar as consultas no privado. Não seria fácil mas seria possível. Só que não me parece ético não exigir ao Estado que me dê algo em troca dos meus impostos. Nem me parece justo que eu, por ser mais rica do que a maioria da população, tenha direito a atenções que a maioria das pessoas não tem. Esta é a minha forma de fazer política. Nunca fiz greve e só vou a algumas manifestações. Mas exigir respeito, fazer valer os direitos e reclamar junto das entidades competentes são coisas que a maioria dos utentes do SNS não faz, não sabe fazer e não pode. Eu quero que se possa porque eu quero um sistema de saúde competente.
É esta a minha convicção e foi o que expressei à minha médica de família. Também a ela lhe custava crer que eu (bem vestida, informada e interrogativa) preferisse ter uma gravidez acompanhada no público, por um médico de clínica geral e não um obstetra.
Eu preferia ter um obstetra. A minha irmã, também ela seguida no SNS, teve um obstetra. O acompanhamento por parte do Centro de Saúde de Oeiras foi tão bom que foi detectado ao bebé uma arritmia quase inaudível, ainda quando o seu nome científico era feto.
Eu preferia ter um obstetra. Mas em Lisboa, os CS estão a deixar de ter obstetras e ginecologistas. Parece que o número de nascimentos não justifica. Quem tenha um problema uterino, quem passe por uma menopausa difícil, quem tenha outro problema desse foro ou vai ao privado ou espera dias e dias por uma consulta, mas uma gravidez não pode esperar, por isso, o médico de família encarrega-se das grávidas.
Eu poderia pagar as consultas no privado. Não seria fácil mas seria possível. Só que não me parece ético não exigir ao Estado que me dê algo em troca dos meus impostos. Nem me parece justo que eu, por ser mais rica do que a maioria da população, tenha direito a atenções que a maioria das pessoas não tem. Esta é a minha forma de fazer política. Nunca fiz greve e só vou a algumas manifestações. Mas exigir respeito, fazer valer os direitos e reclamar junto das entidades competentes são coisas que a maioria dos utentes do SNS não faz, não sabe fazer e não pode. Eu quero que se possa porque eu quero um sistema de saúde competente.
Correr para a 1ª consulta
No dia em que soube estar grávida - no dia em que fiz o teste que confirmou o que desconfiávamos - fui ao Centro de Saúde (CS) da Penha de França. Ainda não estava inscrita porque tinha mudado de casa há pouco tempo, mas lá consegui uma consulta para a médica de família que costuma dar as consultas relacionadas com a mulher (do planeamento familiar à menopausa).
Uma semana depois fui à consulta. Estava marcada para as 17h30 mas por volta das 15h00 telefonaram-me do CS e disseram-me: "então não vem?". "Vou" e acabei por ir mais cedo do que o previsto. Fiquei assustada com a possibilidade da médica se ir embora. Larguei o trabalho no escritório sem justificação razoável (ainda não queria que se soubesse), apanhei um táxi e meia hora depois estava no CS, muito nervosa.
"Agora não valia a pena ter vindo. A doutora foi fazer domicílios. A consulta vai ser à hora marcada." Foi o que me disse uma das funcionárias administrativas. À hora marcada tive a 1ª consulta... Porque é que me telefonaram a perguntar se eu não ía????
Uma semana depois fui à consulta. Estava marcada para as 17h30 mas por volta das 15h00 telefonaram-me do CS e disseram-me: "então não vem?". "Vou" e acabei por ir mais cedo do que o previsto. Fiquei assustada com a possibilidade da médica se ir embora. Larguei o trabalho no escritório sem justificação razoável (ainda não queria que se soubesse), apanhei um táxi e meia hora depois estava no CS, muito nervosa.
"Agora não valia a pena ter vindo. A doutora foi fazer domicílios. A consulta vai ser à hora marcada." Foi o que me disse uma das funcionárias administrativas. À hora marcada tive a 1ª consulta... Porque é que me telefonaram a perguntar se eu não ía????
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